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    <title>Amarelo Gemada</title>
    <link>https://blog.bantu.social/amarelo-gemada/</link>
    <description>Um blog de Gabriela Pires</description>
    <pubDate>Sun, 14 Jun 2026 02:38:23 +0000</pubDate>
    <item>
      <title>E-mail: a melhor rede social do mundo</title>
      <link>https://blog.bantu.social/amarelo-gemada/e-mail-a-melhor-rede-social-do-mundo</link>
      <description>&lt;![CDATA[strongMais um texto de 2015. Até agora está sendo interessante reler estes escritos e perceber o que mudou e o que não mudou. O mais difícil, porém, é não julgar o que eu pensava ou a maneira como eu escrevia ou desenhava./strong&#xA;—&#xA;&#xA;img src=&#34;https://colecao.gbrl.work/upload/2020/11/26/20201126050708-30142b5c.png&#34; /&#xA;&#xA;Há alguns anos eu tinha uma verdadeira preguiça em usar e-mail, mas eu invariavelmente tenho preguiça pelas coisas antes de conhecê-las mais a fundo. Quando acabo conhecendo, por vezes me empolgo tanto com a descoberta da utilidade delas na minha vida que as pessoas ficam sem entender o motivo de toda minha euforia. Deve ser porque ao contrário do que esperam de uma virginiana e de um ISTJ (ou INTP-T, whatever), eu sou bastante desorganizada. Então, qualquer ferramenta que eu consiga adaptar à minha vida e me ajude a ter o mínimo de controle sobre minhas tarefas eu estou abraçando (ou ao menos tentando). Tenho uma amiga, virginiana também, a próposito, com cerca de 10 anos a menos do que eu que fica simplesmente indignada com o fato de eu strongainda/strong usar e-mail. Dias atrás, um dos slides da aula de marketing na faculdade descrevia que a geração Z considerava o e-mail como emold-fashioned/em e, apesar de eu odiar marketing e não levar quase nenhuma dessas ideias a sério, a indignação dela fez um pouco mais de sentido pra mim.!--more--&#xA;&#xA;Apesar de ser considerado por muita gente apenas mais uma coisa dentre tantas que precisamos ter para nos cadastrarmos em qualquer lugar, sejam elas redes sociais ou para conseguir alugar uma casa — como um RG — , eu encontrei meu amor há alguns anos quando meu companheiro passou a se comunicar cada vez mais comigo por e-mail. Provavelmente isso aconteceu com a decadência e anunciado fim do MSN, e como estávamos com pouco tempo de relacionamento, tínhamos que achar outras alternativas de nos comunicarmos, já que cada um morava em cantos extremos da cidade. Atravessar São Paulo de ônibus nunca foi uma coisa muito rápida. Por causa disso, sem perceber passei do estado de quase nem lembrar o meu próprio endereço, até ser uma das primeiras coisas que eu faço no dia. Hoje quando estou no computador, eu abro meu e-mail antes de qualquer outra rede social e algumas vezes ainda meio dormindo enquanto ainda estou sentada no banheiro (informação demais, eu sei). Meu e-mail fica aberto o dia todo e durante todo o tempo que estou conectada na internet via wi-fi, e só não no smartphone porque não sou das pessoas adeptas ao 3G (caro demais, lento e uma telinha minúscula que me irrita, não obrigada). Em contrapartida, apesar do vício assumido, algumas outras redes sociais eu uso esporadicamente, ou simplesmente “sumo” por tempo indeterminado quando estou de saco cheio do mundo. Até porque algumas delas não contribuem em nada para manutenção da minha saúde mental ou porque eu realmente canso de ficar tão exposta o tempo todo. Ok, você pode até me dizer que e-mail não pode ser considerado bem uma a href=&#34;https://pt.wikipedia.org/wiki/Redesocial&#34; target=&#34;blank&#34;rede social/a, mas vejamos como eu uso meu próprio e-mail:&#xA;&#xA;Eu tenho uma série de amigos que eu me comunico quase que exclusivamente por e-mail, quando não pessoalmente. Alguns se conhecem entre si, outros só sabem da existência destes outros pelo endereço de e-mail, alguns são amigos dos amigos. Há amigos que são ex-metaleiros, outros são ex-otakus, ou os dois ao mesmo tempo. Não seria mais prático então usar uma lista e-mails? Uma lista de e-mails não daria exatamente certo no nosso caso. Por que dentro deste minúscula rede, há os que gostam de humor mais rebuscado, meio Monty Python, outros são viciados em gifs animados encontrados no Imgur. Tem também os que são verdadeiros, e num ótimo sentido, emSocial Justice Warriors/em e outros que apesar de pessoas muito legais, têm outras prioridades. Ou seja, somos muito diferentes e nossos e-mails são escolhidos e enviados exatamente para as pessoas que queremos, porque o que pode ser interessante para um, não faria muito sentido para o outro. Isso é o que é mais bacana, nós nos conhecemos minimamente, (e alguns é minimamente mesmo), mas já é suficiente para sabermos que não seria bacana mostrar aquele vídeo sobre sei lá, os males da indústria da carne, para um amigo que é vegano e que pode se sentir mal vendo aquilo. Não existe uma timeline única que você vez ou outra pode se deparar com alguma coisa bem desagradável. Não existem pessoas que invadirão a sua página para falarem o que bem entenderem contra o que você está compartilhando. Não existem insultos ou assédios por inbox. Não existe a cobrança de você estar ali todos os dias, “batendo ponto”, porque o compartilhamento de ideias é espontâneo. Não se tenta medir a sua saúde mental, emocional pela quantidade de vezes que você ficou online. E apesar disso tudo, existe a discussão de tópicos, a troca de informações, a desconstrução, o entretenimento e a possibilidade real das pessoas escolherem com quem e quando vão compartilhar, o que as vezes é bem difícil de controlar nas redes sociais mais comuns. O mais importante de tudo é que na nossa pequena rede social temos respeito um pelos outros, por suas particularidades e pensamentos e aprendemos muito escutando uns aos outros, independente do assunto que estiver correndo. E claro, nos divertimos muito também.&#xA;&#xA;Este texto e estes pontos nem podem fazer sentido para você, você pode continuar achando (e tem todo o direito disso!) o e-mail uma coisa velha demais, chata demais, etc. Mas para meu ser introvertido, neurótico pelo controle de privacidade, e avessa a algumas cobranças, o e-mail ainda é para mim, A Melhor Rede Social do Mundo™.&#xA;&#xA;—&#xA;emTexto publicado originalmente em: 3 de Outubro de 2015 no Medium./em]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p><strong>Mais um texto de 2015. Até agora está sendo interessante reler estes escritos e perceber o que mudou e o que não mudou. O mais difícil, porém, é não julgar o que eu pensava ou a maneira como eu escrevia ou desenhava.</strong>
—</p>

<p><img src="https://colecao.gbrl.work/upload/2020/11/26/20201126050708-30142b5c.png"/></p>

<p>Há alguns anos eu tinha uma verdadeira preguiça em usar e-mail, mas eu invariavelmente tenho preguiça pelas coisas antes de conhecê-las mais a fundo. Quando acabo conhecendo, por vezes me empolgo tanto com a descoberta da utilidade delas na minha vida que as pessoas ficam sem entender o motivo de toda minha euforia. Deve ser porque ao contrário do que esperam de uma virginiana e de um ISTJ (ou INTP-T, whatever), eu sou bastante desorganizada. Então, qualquer ferramenta que eu consiga adaptar à minha vida e me ajude a ter o mínimo de controle sobre minhas tarefas eu estou abraçando (ou ao menos tentando). Tenho uma amiga, virginiana também, a próposito, com cerca de 10 anos a menos do que eu que fica simplesmente indignada com o fato de eu <strong>ainda</strong> usar e-mail. Dias atrás, um dos slides da aula de marketing na faculdade descrevia que a geração Z considerava o e-mail como <em>old-fashioned</em> e, apesar de eu odiar marketing e não levar quase nenhuma dessas ideias a sério, a indignação dela fez um pouco mais de sentido pra mim.</p>

<p>Apesar de ser considerado por muita gente apenas mais uma coisa dentre tantas que precisamos ter para nos cadastrarmos em qualquer lugar, sejam elas redes sociais ou para conseguir alugar uma casa — como um RG — , eu encontrei meu amor há alguns anos quando meu companheiro passou a se comunicar cada vez mais comigo por e-mail. Provavelmente isso aconteceu com a decadência e anunciado fim do MSN, e como estávamos com pouco tempo de relacionamento, tínhamos que achar outras alternativas de nos comunicarmos, já que cada um morava em cantos extremos da cidade. Atravessar São Paulo de ônibus nunca foi uma coisa muito rápida. Por causa disso, sem perceber passei do estado de quase nem lembrar o meu próprio endereço, até ser uma das primeiras coisas que eu faço no dia. Hoje quando estou no computador, eu abro meu e-mail antes de qualquer outra rede social e algumas vezes ainda meio dormindo enquanto ainda estou sentada no banheiro (informação demais, eu sei). Meu e-mail fica aberto o dia todo e durante todo o tempo que estou conectada na internet via wi-fi, e só não no smartphone porque não sou das pessoas adeptas ao 3G (caro demais, lento e uma telinha minúscula que me irrita, não obrigada). Em contrapartida, apesar do vício assumido, algumas outras redes sociais eu uso esporadicamente, ou simplesmente “sumo” por tempo indeterminado quando estou de saco cheio do mundo. Até porque algumas delas não contribuem em nada para manutenção da minha saúde mental ou porque eu realmente canso de ficar tão exposta o tempo todo. Ok, você pode até me dizer que e-mail não pode ser considerado bem uma <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Rede_social" target="_blank" rel="nofollow noopener">rede social</a>, mas vejamos como eu uso meu próprio e-mail:</p>

<p>Eu tenho uma série de amigos que eu me comunico quase que exclusivamente por e-mail, quando não pessoalmente. Alguns se conhecem entre si, outros só sabem da existência destes outros pelo endereço de e-mail, alguns são amigos dos amigos. Há amigos que são ex-metaleiros, outros são ex-otakus, ou os dois ao mesmo tempo. Não seria mais prático então usar uma lista e-mails? Uma lista de e-mails não daria exatamente certo no nosso caso. Por que dentro deste minúscula rede, há os que gostam de humor mais rebuscado, meio Monty Python, outros são viciados em gifs animados encontrados no Imgur. Tem também os que são verdadeiros, e num ótimo sentido, <em>Social Justice Warriors</em> e outros que apesar de pessoas muito legais, têm outras prioridades. Ou seja, somos muito diferentes e nossos e-mails são escolhidos e enviados exatamente para as pessoas que queremos, porque o que pode ser interessante para um, não faria muito sentido para o outro. Isso é o que é mais bacana, nós nos conhecemos minimamente, (e alguns é minimamente mesmo), mas já é suficiente para sabermos que não seria bacana mostrar aquele vídeo sobre sei lá, os males da indústria da carne, para um amigo que é vegano e que pode se sentir mal vendo aquilo. Não existe uma timeline única que você vez ou outra pode se deparar com alguma coisa bem desagradável. Não existem pessoas que invadirão a sua página para falarem o que bem entenderem contra o que você está compartilhando. Não existem insultos ou assédios por inbox. Não existe a cobrança de você estar ali todos os dias, “batendo ponto”, porque o compartilhamento de ideias é espontâneo. Não se tenta medir a sua saúde mental, emocional pela quantidade de vezes que você ficou online. E apesar disso tudo, existe a discussão de tópicos, a troca de informações, a desconstrução, o entretenimento e a possibilidade real das pessoas escolherem com quem e quando vão compartilhar, o que as vezes é bem difícil de controlar nas redes sociais mais comuns. O mais importante de tudo é que na nossa pequena rede social temos respeito um pelos outros, por suas particularidades e pensamentos e aprendemos muito escutando uns aos outros, independente do assunto que estiver correndo. E claro, nos divertimos muito também.</p>

<p>Este texto e estes pontos nem podem fazer sentido para você, você pode continuar achando (e tem todo o direito disso!) o e-mail uma coisa velha demais, chata demais, etc. Mas para meu ser introvertido, neurótico pelo controle de privacidade, e avessa a algumas cobranças, o e-mail ainda é para mim, A Melhor Rede Social do Mundo™.</p>

<p>—
<em>Texto publicado originalmente em: 3 de Outubro de 2015 no Medium.</em></p>
]]></content:encoded>
      <guid>https://blog.bantu.social/amarelo-gemada/e-mail-a-melhor-rede-social-do-mundo</guid>
      <pubDate>Thu, 26 Nov 2020 13:03:37 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>A necessidade de uma escrita regular</title>
      <link>https://blog.bantu.social/amarelo-gemada/a-necessidade-de-uma-escrita-regular</link>
      <description>&lt;![CDATA[Este texto é de 2015. Algumas coisas ainda fazem sentido nele, outras nem um pouco mais. Você pode encontrar algumas palavras problemáticas que hoje eu já tenha tirado do meu vocabulário. Leve isso em consideração, por favor. Hoje eu já acho este um texto meio bobo mas, mesmo assim, vale aqui o registro até pela coincidência — ou recorrência — do tema e por este ter sido meu primeiro texto lá no Medium.&#xA;&#xA;—&#xA;&#xA;De tempos em tempos eu invento de testar uma nova plataforma de escrita. Desde os serviços online mais comuns como o [quase falecido] Blogger, até o [morto e enterrado] Fotolog eu já testei. Pois é, eu usava o Fotolog para escrever. Já testei, também, alguns aplicativos offline bonitinhos como o Ommwriter, que é bacana se você precisa de uma vibe meio “namastê”, sem distrações e com uma música (meio chatinha, confesso) de fundo. De todos, o meu preferido mesmo é o Bloco de Notas do Windows. Eu gosto do visual cru, da Lucida Console padrão e, de fundo, a música que condiz com meu estado de espírito. !--more--&#xA;&#xA;Nenhum deles, porém, funcionou tão bem como meu bom e velho diário da adolescência — um caderno em espiral com uma capa esquisita, onde nem ônibus cheios e em movimento poderiam deter páginas e páginas escritas a lápis sob as fungadas catarrentas que a Legião Urbana (tão brega ❤) e as desgraças da vida de adolescente me arrancavam.&#xA;&#xA;Não sei por quê eu passei anos sem escrever. Acho que foi uma fase ruim. Um fase de perdição e de muitos questionamentos. Muitos deles que só agora, com certa maturidade, eu consegui encontrar respostas, me livrar de algumas amarras e assumir posicionamentos que me despertaram novamente a vontade, a necessidade de escrever regularmente.&#xA;&#xA;Cá estou eu em mais uma tentativa, em uma nova plataforma para mim, tentando voltar a escrever.&#xA;&#xA;Eu sou uma pessoa introspectiva (apesar de fazer pouco tempo que descobri que o “meu jeitinho” tinha um nome), e por isso, ou por ser quem eu sou, eu falo muito pouco sobre minhas incertezas. Além disso, eu sou uma pessoa ansiosa. A consequência disso tudo é sempre estar à beira da loucura e já ter passado por algumas crises de ansiedade até conseguir desabafar com alguém. Na minha adolescência a escrita regular me ajudava muito a ter uma vida mais próxima do normal, porque eu ia descarregando toda minha angústia aos poucos em cada folha e elas não se juntavam todas dentro de mim até não existir mais nenhum espaço livre. E eu sinto falta de ter uma vida próxima do normal. Sinto falta também de quando eu escrevia sem meus próprios julgamentos, sem pensar o que pensariam sobre eu ter escolhido palavra x e não um sinônimo rebuscado. Pode até parecer um pouco incoerente com a escolha desta nova plataforma, mas sei lá, essas coisas as vezes não tem muita coerência mesmo.&#xA;&#xA;Aliás, preciso agradecer uma pessoa, a Aline Valek, que me fez ver que para escrever “bem” eu não preciso nenhum pouco usar daquelas palavras que farão o leitor ter que consultar o dicionário. Receber sua newsletter (assinem, assinem, assinem!) toda manhã de sábado é como encontrar uma amiga querida, que vem jogar conversa fora ou vem para dar aqueles conselhos que mudam nossa vida (mesmo que essa nossa amiga não tenha a menor ideia dessa sua incrível capacidade). Nunca escrevi a ela, no entanto, porque strongmorro de vergonha/strong. Mas quem sabe um dia...&#xA;&#xA;Então é isso. Uma nova tentativa, um novo lugar, novos pensamentos. Uma vez por semana talvez eu apareça por aqui. O dia? Ainda não sei, vamos nos ajustando conforme eu me estruturar (e o TCC deixar). Só não posso garantir que vai dar certo desta vez, ou se vai dar certo do jeito que você espera. Dessa vez eu não espero nada, a minha nova estratégia é não criar expectativas e “deixar a vida me levar”.&#xA;&#xA;—&#xA;&#xA;emtexto originalmente publicado em: 12 de setembro de 2015./em&#xA;&#xA;]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<h4 id="este-texto-é-de-2015-algumas-coisas-ainda-fazem-sentido-nele-outras-nem-um-pouco-mais-você-pode-encontrar-algumas-palavras-problemáticas-que-hoje-eu-já-tenha-tirado-do-meu-vocabulário-leve-isso-em-consideração-por-favor-hoje-eu-já-acho-este-um-texto-meio-bobo-mas-mesmo-assim-vale-aqui-o-registro-até-pela-coincidência-ou-recorrência-do-tema-e-por-este-ter-sido-meu-primeiro-texto-lá-no-medium">Este texto é de 2015. Algumas coisas ainda fazem sentido nele, outras nem um pouco mais. Você pode encontrar algumas palavras problemáticas que hoje eu já tenha tirado do meu vocabulário. Leve isso em consideração, por favor. Hoje eu já acho este um texto meio bobo mas, mesmo assim, vale aqui o registro até pela coincidência — ou recorrência — do tema e por este ter sido meu primeiro texto lá no Medium.</h4>

<p>—</p>

<p>De tempos em tempos eu invento de testar uma nova plataforma de escrita. Desde os serviços online mais comuns como o [quase falecido] Blogger, até o [morto e enterrado] Fotolog eu já testei. Pois é, eu usava o Fotolog para escrever. Já testei, também, alguns aplicativos offline bonitinhos como o Ommwriter, que é bacana se você precisa de uma vibe meio “namastê”, sem distrações e com uma música (meio chatinha, confesso) de fundo. De todos, o meu preferido mesmo é o Bloco de Notas do Windows. Eu gosto do visual cru, da Lucida Console padrão e, de fundo, a música que condiz com meu estado de espírito. </p>

<p>Nenhum deles, porém, funcionou tão bem como meu bom e velho diário da adolescência — um caderno em espiral com uma capa esquisita, onde nem ônibus cheios e em movimento poderiam deter páginas e páginas escritas a lápis sob as fungadas catarrentas que a Legião Urbana (tão brega ❤) e as desgraças da vida de adolescente me arrancavam.</p>

<p>Não sei por quê eu passei anos sem escrever. Acho que foi uma fase ruim. Um fase de perdição e de muitos questionamentos. Muitos deles que só agora, com certa maturidade, eu consegui encontrar respostas, me livrar de algumas amarras e assumir posicionamentos que me despertaram novamente a vontade, a necessidade de escrever regularmente.</p>

<p>Cá estou eu em mais uma tentativa, em uma nova plataforma para mim, tentando voltar a escrever.</p>

<p>Eu sou uma pessoa introspectiva (apesar de fazer pouco tempo que descobri que o “meu jeitinho” tinha um nome), e por isso, ou por ser quem eu sou, eu falo muito pouco sobre minhas incertezas. Além disso, eu sou uma pessoa ansiosa. A consequência disso tudo é sempre estar à beira da loucura e já ter passado por algumas crises de ansiedade até conseguir desabafar com alguém. Na minha adolescência a escrita regular me ajudava muito a ter uma vida mais próxima do normal, porque eu ia descarregando toda minha angústia aos poucos em cada folha e elas não se juntavam todas dentro de mim até não existir mais nenhum espaço livre. E eu sinto falta de ter uma vida próxima do normal. Sinto falta também de quando eu escrevia sem meus próprios julgamentos, sem pensar o que pensariam sobre eu ter escolhido palavra x e não um sinônimo rebuscado. Pode até parecer um pouco incoerente com a escolha desta nova plataforma, mas sei lá, essas coisas as vezes não tem muita coerência mesmo.</p>

<p>Aliás, preciso agradecer uma pessoa, a Aline Valek, que me fez ver que para escrever “bem” eu não preciso nenhum pouco usar daquelas palavras que farão o leitor ter que consultar o dicionário. Receber sua newsletter (assinem, assinem, assinem!) toda manhã de sábado é como encontrar uma amiga querida, que vem jogar conversa fora ou vem para dar aqueles conselhos que mudam nossa vida (mesmo que essa nossa amiga não tenha a menor ideia dessa sua incrível capacidade). Nunca escrevi a ela, no entanto, porque <strong>morro de vergonha</strong>. Mas quem sabe um dia...</p>

<p>Então é isso. Uma nova tentativa, um novo lugar, novos pensamentos. Uma vez por semana talvez eu apareça por aqui. O dia? Ainda não sei, vamos nos ajustando conforme eu me estruturar (e o TCC deixar). Só não posso garantir que vai dar certo desta vez, ou se vai dar certo do jeito que você espera. Dessa vez eu não espero nada, a minha nova estratégia é não criar expectativas e “deixar a vida me levar”.</p>

<p>—</p>

<p><em>texto originalmente publicado em: 12 de setembro de 2015.</em></p>
]]></content:encoded>
      <guid>https://blog.bantu.social/amarelo-gemada/a-necessidade-de-uma-escrita-regular</guid>
      <pubDate>Tue, 24 Nov 2020 00:15:19 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>Um teste vale a pena</title>
      <link>https://blog.bantu.social/amarelo-gemada/um-teste-vale-a-pena</link>
      <description>&lt;![CDATA[strongAmarelo Gemada/strong era o nome da minha antiga newsletter. Sob este nome eu também publicava alguns textos no Medium.&#xA;&#xA;Hoje a minha newsletter se chama strongNada, não!/strong&#xA;&#xA;Achei bem interessante a possibilidade de separar a minha conta em vários blogs diferentes. Pensei em assim organizar meus antigos escritos, que fiz pelo Amarelo Gemada, e os novos que podem sair como backup da nova newsletter. Assim, quem quiser que leia sem precisar me fornecer um e-mail.&#xA;&#xA;Por enquanto este post serve como teste para ver como as coisas funcionam por aqui. Aos poucos vou organizando a casa.&#xA;&#xA;Espero que gostem. :)&#xA;&#xA;]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p><strong>Amarelo Gemada</strong> era o nome da minha antiga newsletter. Sob este nome eu também publicava alguns textos no Medium.</p>

<p>Hoje a minha newsletter se chama <strong>Nada, não!</strong></p>

<p>Achei bem interessante a possibilidade de separar a minha conta em vários blogs diferentes. Pensei em assim organizar meus antigos escritos, que fiz pelo Amarelo Gemada, e os novos que podem sair como backup da nova newsletter. Assim, quem quiser que leia sem precisar me fornecer um e-mail.</p>

<p>Por enquanto este post serve como teste para ver como as coisas funcionam por aqui. Aos poucos vou organizando a casa.</p>

<p>Espero que gostem. :)</p>
]]></content:encoded>
      <guid>https://blog.bantu.social/amarelo-gemada/um-teste-vale-a-pena</guid>
      <pubDate>Mon, 23 Nov 2020 23:30:51 +0000</pubDate>
    </item>
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