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    <title>renaN</title>
    <link>https://blog.bantu.social/renan/</link>
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    <pubDate>Sun, 14 Jun 2026 02:35:11 +0000</pubDate>
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      <title>O dia que anoiteci</title>
      <link>https://blog.bantu.social/renan/o-dia-que-anoiteci</link>
      <description>&lt;![CDATA[É corrido, mesmo em casa as vezes cê nem para pra reparar. Levanta, toma café, senta, lê, estuda, as vezes finge. Desce pro almoço, faz a digestão as vezes assistindo algo, as vezes olhando a paisagem. Sobe pro quarto, enrola, lê, estuda, estágio, as vezes finge. Noite, janta, ler, dormir. Rotina de quarentena: incluir conversar com amigos de casa, trocar mensagens, produzir pesquisa.&#xA;&#xA;A rotina mecânica não é culpa da pandemia e do isolamento social. Talvez esse contexto facilite perceber ou torne as atividades de rotina menos variadas na medida em que o espaço no qual podemos circular é reduzido. Esse texto não é sobre essa rotina mas sobre o dia em que anoiteci.&#xA;&#xA;Existe, nos extremos de um dia, um espaço de tempo em que não é dia tampouco noite. Talvez o final de tarde exemplifique o que quero dizer mas, sem observar atentamente, é fácil incorrer no erro de considerar o &#34;final de tarde&#34; algo à parte da noite. É provável que o momento ao qual me refiro seja, em um diagrama de venn, a intersecção entre tarde e noite e é dessa intersecção, desse momento que é várias coisas, final de tarde, inicio de noite, hiato ?? mas que nomeio à contragosto, que falo aqui.&#xA;&#xA;Não estou apelando pra mágica desse momento, nem advogo que a salvação da humanidade será fruto dele. Esse é só um texto sobre o dia em que, junto com a Terra, senti que estava anoitecendo; desacelerei; reconheci brevemente que, não importa onde ou com&#xA;&#xA;Foi olhando da minha janela, depois de uma chuva de verão responsa, com o sol iluminando as nuvens no céu que comecei a anoitecer. Se ainda estava escuro por conta da chuva torrencial e das nuvens ainda no céu, havia luz suficiente pra entender que ainda não era noite, que o dia ainda não havia findado e que ainda faltava coisa a ser feita: sobre a Terra, ainda faltava anoitecer; natural seria, que a natureza a acompanhasse nesse processo; estranho seria se eu, como humano no século XXI, me considerasse ligado a ele. A questão é que nesse dia eu me senti.&#xA;&#xA;Mas o que, afinal, é esse anoitecer? Em partes envolve reconhecer que o dia tem momentos específicos pra determinadas atividades. Nesse dia pude observar isso. Com a chuva recém-passada os pássaros iam dando seus últimos voos, os ben-te-vis anunciavam que ainda bem-viam, mas que logo já não mais. Os mariporãs insistiam em dar um ou outro rasante entre as árvores e, conferindo o aspecto de metrópole, os pombos pombeavam. Tudo isso, no final das contas, pra assumir que já nesse momento a ordem das coisas era tal que se encaminhava para o descanso.&#xA;Eu gostaria de poder descrever outros aspectos da natureza &#34;anoitecendo&#34; com relativa serenidade mas não é o caso.&#xA;&#xA;O dia que anoiteci envolveu compreender, no interstício entre o dia e a noite, a oportunidade de serenar o coração, de me encaminhar com corpo, mente e todo o mais que me compõe para a noite e pras graças de Hipnos. Foi nesse momento, depois de reverenciar a doce compreensão recém adquirida sobre inícios de noite, que parei para refletir sobre o que tinha feito de meu dia até então, desacelerar meu corpo da rotina e ouvir, sentir e respirar. Um momento pra me desapoquentar e encarar com mais brandura as últimas atividades do dia.&#xA;&#xA;A ironia? Faz cerca de semana desde então e, na rotina acelerada, só agora, escrevendo sobre, me ocorreu que em nenhum outro dia tentei repetir a experiência. Está dado o novo compromisso: tire um tempo e, assim como a Terra, anoiteça antes de seguir adiante&#xA;&#xA;]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p>É corrido, mesmo em casa as vezes cê nem para pra reparar. Levanta, toma café, senta, lê, estuda, as vezes finge. Desce pro almoço, faz a digestão as vezes assistindo algo, as vezes olhando a paisagem. Sobe pro quarto, enrola, lê, estuda, estágio, as vezes finge. Noite, janta, ler, dormir. Rotina de quarentena: incluir conversar com amigos de casa, trocar mensagens, produzir pesquisa.</p>

<p>A rotina mecânica não é culpa da pandemia e do isolamento social. Talvez esse contexto facilite perceber ou torne as atividades de rotina menos variadas na medida em que o espaço no qual podemos circular é reduzido. Esse texto não é sobre essa rotina mas sobre o dia em que anoiteci.</p>

<p>Existe, nos extremos de um dia, um espaço de tempo em que não é dia tampouco noite. Talvez o final de tarde exemplifique o que quero dizer mas, sem observar atentamente, é fácil incorrer no erro de considerar o “final de tarde” algo à parte da noite. É provável que o momento ao qual me refiro seja, em um diagrama de venn, a intersecção entre tarde e noite e é dessa intersecção, desse momento que é várias coisas, final de tarde, inicio de noite, hiato ?? mas que nomeio à contragosto, que falo aqui.</p>

<p>Não estou apelando pra mágica desse momento, nem advogo que a salvação da humanidade será fruto dele. Esse é só um texto sobre o dia em que, junto com a Terra, senti que estava anoitecendo; desacelerei; reconheci brevemente que, não importa onde ou com</p>

<p>Foi olhando da minha janela, depois de uma chuva de verão responsa, com o sol iluminando as nuvens no céu que comecei a anoitecer. Se ainda estava escuro por conta da chuva torrencial e das nuvens ainda no céu, havia luz suficiente pra entender que ainda não era noite, que o dia ainda não havia findado e que ainda faltava coisa a ser feita: sobre a Terra, ainda faltava anoitecer; natural seria, que a natureza a acompanhasse nesse processo; estranho seria se eu, como humano no século XXI, me considerasse ligado a ele. A questão é que nesse dia eu me senti.</p>

<p>Mas o que, afinal, é esse anoitecer? Em partes envolve reconhecer que o dia tem momentos específicos pra determinadas atividades. Nesse dia pude observar isso. Com a chuva recém-passada os pássaros iam dando seus últimos voos, os ben-te-vis anunciavam que ainda bem-viam, mas que logo já não mais. Os mariporãs insistiam em dar um ou outro rasante entre as árvores e, conferindo o aspecto de metrópole, os pombos pombeavam. Tudo isso, no final das contas, pra assumir que já nesse momento a ordem das coisas era tal que se encaminhava para o descanso.
Eu gostaria de poder descrever outros aspectos da natureza “anoitecendo” com relativa serenidade mas não é o caso.</p>

<p>O dia que anoiteci envolveu compreender, no interstício entre o dia e a noite, a oportunidade de serenar o coração, de me encaminhar <em>com corpo, mente e todo o mais que me compõe</em> para a noite e pras graças de Hipnos. Foi nesse momento, depois de reverenciar a doce compreensão recém adquirida sobre inícios de noite, que parei para refletir sobre o que tinha feito de meu dia até então, desacelerar meu corpo da rotina e ouvir, sentir e respirar. Um momento pra me desapoquentar e encarar com mais brandura as últimas atividades do dia.</p>

<p>A ironia? Faz cerca de semana desde então e, na rotina acelerada, só agora, escrevendo sobre, me ocorreu que em nenhum outro dia tentei repetir a experiência. Está dado o novo compromisso: <strong>tire um tempo e, assim como a Terra, anoiteça antes de seguir adiante</strong></p>
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      <guid>https://blog.bantu.social/renan/o-dia-que-anoiteci</guid>
      <pubDate>Mon, 30 Nov 2020 20:51:07 +0000</pubDate>
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      <title>Cru</title>
      <link>https://blog.bantu.social/renan/cru</link>
      <description>&lt;![CDATA[Esse é um texto sem nada.&#xA;Esse é um texto sem preparo.&#xA;Mas não sem carinho.&#xA;&#xA;É um texto que precisava sair, então ta aqui.&#xA;Tal qual aquele arroz que tu faz às pressas, enquanto refoga a cebola pica o alho, e enquanto o alho na panela corre pra pegar o arroz antes que comece a subir o cheiro de queimado.&#xA;&#xA;Mas do jeitinho que saí esse arroz, esse texto nasce porque quem fez queria. Ou precisava. Ou os dois.&#xA;&#xA;O fato é que faz tempo que penso em escrever, em publicizar esses pensamentos que a gente sempre vai colocando no papel, ou aquelas ideias que vez ou outra surgem, cutucando, dizendo poderia escrever sobre isso.&#xA;&#xA;Seguindo as boas normas de convivência seria educado me apresentar aqui. Vou aproveitar o texto cru sem estrutura pra dizer quem sou ou acho que sou e o que quero ser.&#xA;&#xA;Sou Latino-Americano, estudante universitário de Gestão de Políticas Públicas que  acredito piamente que esse deveria ser um curso de formação cidadã, e não de ensino superior. Pode parecer técnico, mas bebe muito na sociologia, história e direito. &#xA;&#xA;O que quero ser é tanta coisa; Tem uma coleção de hobbies, passatempos, vontades e planos que vão sendo relegados pro segundo plano até termos tempo. MAS com certeza, já que falei de tempo, quero ser alguém que usa o seu para fazer o que quer, o que sabe que gosta. É diante dessa vontade que me azucrina, que me exige escrever e publicizar, tal qual o besouro que azucrina Bras Cubas enquanto não se decide sobre Eugênia, que publico esse primeiro texto. &#xA;&#xA;Como apresentação confesso que não fica muito bem, fui incapaz de expor do que vou tratar aqui, mas é isso. Esse texto precisava sair, tenho agora uma obrigação contigo, sério, que ta lendo. Nos falamos mais daqui uma semana!&#xA;&#xA;Como um texto cru, até que ficou bem feito. Talvez um pouco empapado por não usar a técnica de ferver a água antes de botar no arroz. As vezes sem sal, pela pressa ou medo de exagerar mas aqui está ele. Pronto pra vir ao mundo e servido à mesa, senão com orgulho, com coragem.&#xA;&#xA;]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Esse é um texto sem nada.
Esse é um texto sem preparo.
Mas não sem carinho.</p>

<p>É um texto que precisava sair, então ta aqui.
Tal qual aquele arroz que tu faz às pressas, enquanto refoga a cebola pica o alho, e enquanto o alho na panela corre pra pegar o arroz antes que comece a subir o cheiro de queimado.</p>

<p>Mas do jeitinho que saí esse arroz, esse texto nasce porque quem fez queria. Ou precisava. Ou os dois.</p>

<p>O fato é que faz tempo que penso em escrever, em publicizar esses pensamentos que a gente sempre vai colocando no papel, ou aquelas ideias que vez ou outra surgem, cutucando, dizendo <em>poderia escrever sobre isso</em>.</p>

<p>Seguindo as boas normas de convivência seria educado me apresentar aqui. Vou aproveitar o texto cru sem estrutura pra dizer quem sou ou acho que sou e o que quero ser.</p>

<p>Sou Latino-Americano, estudante universitário de Gestão de Políticas Públicas que  acredito piamente que esse deveria ser um curso de formação cidadã, e não de ensino superior. Pode parecer técnico, mas bebe muito na sociologia, história e direito.</p>

<p>O que quero ser é tanta coisa; Tem uma coleção de <em>hobbies, passatempos, vontades e planos</em> que vão sendo relegados pro segundo plano até termos tempo. <strong>MAS</strong> com certeza, já que falei de tempo, quero ser alguém que usa o seu para fazer o que quer, o que sabe que gosta. É diante dessa vontade que me azucrina, que me exige escrever e publicizar, tal qual o besouro que azucrina Bras Cubas enquanto não se decide sobre Eugênia, que publico esse primeiro texto.</p>

<p>Como apresentação confesso que não fica muito bem, fui incapaz de expor do que vou tratar aqui, mas é isso. Esse texto precisava sair, tenho agora uma obrigação contigo, sério, que ta lendo. Nos falamos mais daqui uma semana!</p>

<p>Como um texto cru, até que ficou bem feito. Talvez um pouco empapado por não usar a técnica de ferver a água antes de botar no arroz. As vezes sem sal, pela pressa ou medo de exagerar mas aqui está ele. Pronto pra vir ao mundo e servido à mesa, senão com orgulho, com coragem.</p>
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      <guid>https://blog.bantu.social/renan/cru</guid>
      <pubDate>Tue, 24 Nov 2020 21:39:45 +0000</pubDate>
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