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    <title>Ramificando Pensações</title>
    <link>https://blog.bantu.social/tecnorganico/</link>
    <description>Pensações, sentimentos e opiniões formuladas a partir da minha própria cabeça. De vez em quando.</description>
    <pubDate>Wed, 14 Oct 2026 17:41:30 +0000</pubDate>
    <item>
      <title>o falso positivo dos nativos digitais</title>
      <link>https://blog.bantu.social/tecnorganico/o-falso-positivo-dos-nativos-digitais</link>
      <description>&lt;![CDATA[pra quem nasceu nos anos 90, vivemos a emergente dominação dos computadores, cabos de rede e wifi. ao passo que brincava na rua, ralava joelho e pulsavam corações.&#xA;&#xA;quem tem mais de 50 anos, tem aqueles que pedem ajuda, auxílio, a cura pro antídoto da hiperdigitalização: &#34;meu filho, configura isso pra mim?&#34; &#xA;&#xA;hoje estou na porta dos 30. meus colegas, amigos, e parentes da mesma faixa etária sofrem com golpes via WhatsApp. dos mais simples aos mais complexos, da ligação de operadora à conversas profundas e longas com perfis falsos de donos de grandes empresas. gente com receio de que seus dados estejam circulando por aí, tornam-se exímias a cada mês que passa, já que os anos mudam muito, nem dá pra contar o que acontece ao longo de 365 dias com precisão. &#xA;&#xA;tenho atendido pessoas entre 25 a 35 anos, pra lidar com problemas envolvendo transferência de arquivos em massa, organização de pastas, acúmulo de uma vida pra mais de 10 anos digitalizada. essas mesmas pessoas, estão preocupadas com sua vida pra além dos próprios aquivos, imagens e vídeos. &#xA;&#xA;perguntas como: &#34;como sabem meu email?&#34; + &#34;de onde pegaram meu telefone?&#34; + &#34;como sabem que eu tenho interesse nisso?&#34;, organizam uma insatisfação coletiva de que existe uma linha muito mal traçada entre o que são SEUS ARQUIVOS e o que são SEUS DADOS. &#xA;&#xA;agora, explicar pra um adulto, que o armazenamento em nuvem, é um computador de uma empresa privada que guarda em um dispositivo tal qual um HD, pendrive, e até SSD, é uma coisa. explicar para uma criança ou adolescente que sequer viu um pendrive na vida, o que concretamente é o que a indústria dos dados evoca como nuvem, é um desafio tácito, coerente com esse tempo e inegavelmente, um desafio divisor de gerações, digo, no que cada geração consegue agenciar, reconhecer como problema, e buscar uma solução pra si e sua comunidade.&#xA;&#xA;não acredito que nascidos nos anos 90 estão mais preparados à essa era, e nem que nascidos nos anos 10 sabem mais do que nós. acredito que existe uma insistente prática mercadológica de roubar o vocabulário imaginativo, afetivo e dengoso de nossas bocas e sonhos, pra nos aglutinar em emaranhados de discos rígidos, galpões imensos e uma nova roupagem pra colonização. não existem nuvem com seus dados, não existe inteligência que seja artificial, muito menos generativa, não existe temperatura que ajustada pode fazer você obter respostas melhores, não existe nada disso. são palavras roubadas do nosso cotidiano, esmagadas pela obtenção massiva de lucro. mentiras contadas com seriedade, gráficos e a semiótica da mais sofisticada patifaria do Vale do Silício. &#xA;&#xA;tenho medo do conceito de &#34;que não tenho nada pra esconder&#34;, quando estamos falando de tecnologias capazes de sitiar em dispositivos físicos seus desejos mais subjetivos, nomear suas querências e mapear seus movimentos ao longo de dias, meses, anos, quiçá decadas. você nunca mostrou isso pra ninguém, nem pro seu terapeuta. nem para seu analista. ninguém nunca te acompanhou por tantos anos, coletando cada rastro seu, concatenando seus horários, seus pedidos, seus aceitos, seus rejeitos, seus sujeitos ao longo dos anos. ninguém, nem você. &#xA;&#xA;posso acreditar que não há nada a se esconder, mas talvez estejamos falando também de que não há nada pra se mostrar, além do perfil homogêneio de ser humano que estamos paulatinamente nos tornando, com a performance decorada atribuída a quem fica nesse moinho rodando, online, clicando, os dedos rolando. a vista cansando, os olhos piscando. quase um tique. tudo num toque, e mais um toque, quase um tique, mais um toque. &#xA;&#xA;numa rede social de trabalho, decidi manifestar um pouco do meu cansaço, e da minha preocupação com gente, que assim como eu, tem se preocupado com como e pra onde as coisas vão, ou melhor, estão indo.&#xA;&#xA;  iniciei esse texto no linkedin, priorizei aqui. jamais usarei substack e minhas palavras são caras demais pra colocar em qualquer lugar, mas também gosto da ideia de que estou conversando com você, sem precisar sair de casa, sem te tirar de casa, e sem sobrecarregar a sua, a minha, a nossa alma.&#xA;&#xA;✍️ Publicado com carinho por Rafael Ramires Baptista, acompanhe novidades na Bantu Social.]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p>pra quem nasceu nos anos 90, vivemos a emergente dominação dos computadores, cabos de rede e wifi. ao passo que brincava na rua, ralava joelho e pulsavam corações.</p>

<p>quem tem mais de 50 anos, tem aqueles que pedem ajuda, auxílio, a cura pro antídoto da hiperdigitalização: “meu filho, configura isso pra mim?”</p>

<p>hoje estou na porta dos 30. meus colegas, amigos, e parentes da mesma faixa etária sofrem com golpes via WhatsApp. dos mais simples aos mais complexos, da ligação de operadora à conversas profundas e longas com perfis falsos de donos de grandes empresas. gente com receio de que seus dados estejam circulando por aí, tornam-se exímias a cada mês que passa, já que os anos mudam muito, nem dá pra contar o que acontece ao longo de 365 dias com precisão.</p>

<p>tenho atendido pessoas entre 25 a 35 anos, pra lidar com problemas envolvendo transferência de arquivos em massa, organização de pastas, acúmulo de uma vida pra mais de 10 anos digitalizada. essas mesmas pessoas, estão preocupadas com sua vida pra além dos próprios aquivos, imagens e vídeos.</p>

<p>perguntas como: “como sabem meu email?” + “de onde pegaram meu telefone?” + “como sabem que eu tenho interesse nisso?”, organizam uma insatisfação coletiva de que existe uma linha muito mal traçada entre o que são SEUS ARQUIVOS e o que são SEUS DADOS.</p>

<p>agora, explicar pra um adulto, que o armazenamento em nuvem, é um computador de uma empresa privada que guarda em um dispositivo tal qual um HD, pendrive, e até SSD, é uma coisa. explicar para uma criança ou adolescente que sequer viu um pendrive na vida, o que concretamente é o que a indústria dos dados evoca como nuvem, é um desafio tácito, coerente com esse tempo e inegavelmente, um desafio divisor de gerações, digo, no que cada geração consegue agenciar, reconhecer como problema, e buscar uma solução pra si e sua comunidade.</p>

<p>não acredito que nascidos nos anos 90 estão mais preparados à essa era, e nem que nascidos nos anos 10 sabem mais do que nós. acredito que existe uma insistente prática mercadológica de roubar o vocabulário imaginativo, afetivo e dengoso de nossas bocas e sonhos, pra nos aglutinar em emaranhados de discos rígidos, galpões imensos e uma nova roupagem pra colonização. não existem nuvem com seus dados, não existe inteligência que seja artificial, muito menos generativa, não existe temperatura que ajustada pode fazer você obter respostas melhores, não existe nada disso. são palavras roubadas do nosso cotidiano, esmagadas pela obtenção massiva de lucro. mentiras contadas com seriedade, gráficos e a semiótica da mais sofisticada patifaria do Vale do Silício.</p>

<p>tenho medo do conceito de “que não tenho nada pra esconder”, quando estamos falando de tecnologias capazes de sitiar em dispositivos físicos seus desejos mais subjetivos, nomear suas querências e mapear seus movimentos ao longo de dias, meses, anos, quiçá decadas. você nunca mostrou isso pra ninguém, nem pro seu terapeuta. nem para seu analista. ninguém nunca te acompanhou por tantos anos, coletando cada rastro seu, concatenando seus horários, seus pedidos, seus aceitos, seus rejeitos, seus sujeitos ao longo dos anos. ninguém, nem você.</p>

<p>posso acreditar que não há nada a se esconder, mas talvez estejamos falando também de que não há nada pra se mostrar, além do perfil homogêneio de ser humano que estamos paulatinamente nos tornando, com a performance decorada atribuída a quem fica nesse moinho rodando, online, clicando, os dedos rolando. a vista cansando, os olhos piscando. quase um tique. tudo num toque, e mais um toque, quase um tique, mais um toque.</p>

<p>numa rede social de trabalho, decidi manifestar um pouco do meu cansaço, e da minha preocupação com gente, que assim como eu, tem se preocupado com como e pra onde as coisas vão, ou melhor, estão indo.</p>

<blockquote><p>iniciei esse texto no linkedin, priorizei aqui. jamais usarei substack e minhas palavras são caras demais pra colocar em qualquer lugar, mas também gosto da ideia de que estou conversando com você, sem precisar sair de casa, sem te tirar de casa, e sem sobrecarregar a sua, a minha, a nossa alma.</p></blockquote>

<p>✍️ Publicado com carinho por Rafael Ramires Baptista, acompanhe novidades na Bantu Social.</p>
]]></content:encoded>
      <guid>https://blog.bantu.social/tecnorganico/o-falso-positivo-dos-nativos-digitais</guid>
      <pubDate>Mon, 14 Sep 2026 03:07:16 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>Já viu um e-mail mascarado? Uma forma simples de proteger seu endereço principal</title>
      <link>https://blog.bantu.social/tecnorganico/ja-viu-um-e-mail-mascarado</link>
      <description>&lt;![CDATA[E ainda liberar aquele ebook interessante.&#xA;&#xA;Seu endereço de e-mail costuma circular por lojas, newsletters, aplicativos, formulários, eventos e serviços de atendimento. Com o tempo, ele pode aparecer em listas de spam, ser usado para rastreamento ou até ficar exposto em algum vazamento de dados, confira se já está neste site aqui -  https://haveibeenpwnd.com.&#xA;&#xA;Uma alternativa prática é usar um e-mail máscara — também chamado de alias (leia-se elias com acento no é, éli às).&#xA;&#xA;Ele funciona como um endereço intermediário. As mensagens enviadas para a máscara são encaminhadas ao seu e-mail principal, sem que você precise divulgá-lo diretamente. Você pode criar, por exemplo, um endereço como tecnorganico@duck.com e receber as mensagens na sua caixa pessoal, que é exatamente o meu caso, inclusive podem mandar e-mail à vontade. A máscara não cria necessariamente uma nova caixa de entrada. Ela protege o endereço principal, facilita a organização dos contatos e permite interromper o recebimento quando determinado cadastro deixa de ser útil.&#xA;&#xA;Quando usar um e-mail máscara&#xA;&#xA;Esse recurso é especialmente útil para:&#xA;cadastrar-se em lojas e sites de compras;&#xA;receber newsletters e acompanhar promoções;&#xA;testar aplicativos e serviços;&#xA;participar de eventos, cursos e comunidades;&#xA;publicar um endereço de contato em páginas ou anúncios;&#xA;separar contatos profissionais por projeto;&#xA;descobrir qual serviço começou a enviar spam;&#xA;reduzir a exposição do seu endereço pessoal.&#xA;&#xA;Uma boa prática é criar uma máscara diferente para cada serviço importante. Assim, se um endereço começar a receber mensagens indesejadas, você pode desativá-lo sem precisar trocar seu e-mail principal.&#xA;&#xA;Três serviços conhecidos&#xA;&#xA;DuckDuckGo Email Protection -  https://duckduckgo.com/email/&#xA;O DuckDuckGo oferece um serviço gratuito de encaminhamento de e-mails. Ele permite criar endereços duck.com e informa que remove diversos rastreadores ocultos presentes nas mensagens antes de encaminhá-las para sua caixa principal. A documentação oficial explica o funcionamento do serviço.&#xA;É uma opção simples para quem quer começar sem configurar um domínio próprio.&#xA;&#xA;SimpleLogin -  https://simplelogin.io/pt-br/&#xA;O SimpleLogin é uma solução de aliases com foco em privacidade e código aberto. Ele permite criar vários endereços, encaminhar mensagens e, em determinadas configurações, responder usando o próprio endereço máscara. O site oficial apresenta os recursos e a documentação do serviço.&#xA;Pode ser interessante para quem deseja organizar aliases por finalidade, projeto ou serviço.&#xA;&#xA;Firefox Relay -  https://relay.firefox.com/&#xA;O Firefox Relay é um serviço da Mozilla para criar máscaras de e-mail e encaminhar mensagens para o endereço principal. Ele também oferece ferramentas integradas ao navegador para facilitar a criação de novos endereços durante cadastros. A Mozilla explica como criar e administrar essas máscaras.&#xA;É uma escolha conveniente para quem já utiliza o Firefox e quer gerar máscaras diretamente durante a navegação.&#xA;&#xA;Como organizar o uso&#xA;&#xA;Uma convenção simples ajuda a manter o controle:&#xA;compras@... para lojas;&#xA;boletins@... para newsletters;&#xA;cursos@... para plataformas educacionais;&#xA;projetos@... para contatos profissionais;&#xA;uma máscara exclusiva para cada serviço que mereça acompanhamento.&#xA;&#xA;Também vale registrar a finalidade de cada endereço em um gerenciador de senhas ou em uma planilha protegida. Quando uma máscara começar a receber spam, mensagens suspeitas ou publicidade excessiva, desative-a e crie outra, se necessário.&#xA;&#xA;O que o e-mail máscara não resolve&#xA;&#xA;Uma máscara não oferece anonimato absoluto. O serviço de encaminhamento ainda pode tratar metadados e precisa operar corretamente para entregar as mensagens. Também não substitui uma senha forte, autenticação em dois fatores ou cuidados contra phishing. Para bancos, gerenciadores de senhas, recuperação de contas e outros serviços críticos, prefira um endereço protegido, estável e administrado com atenção. Use máscaras principalmente para reduzir exposição, organizar contatos e limitar o impacto de cadastros pouco importantes.&#xA;&#xA;No Nerd de Aluguel, esse tipo de organização faz parte do trabalho de autonomia digital: ajudar cada pessoa a entender melhor suas ferramentas, reduzir riscos cotidianos e construir uma relação mais clara com sua própria tecnologia. Pra mais informações sobre o serviço visite https://cuidadosdigitais.com.br.&#xA;&#xA;Esse post foi produzido para apoiar a assinatura da campanha https://amazoniasemdatacenter.com.br/ - a partir de postagem na comunidade CTRLZeiros, conheça mais em http://ctrlz.org.br/&#xA;&#xA;✍️ Publicado com carinho por Rafael Ramires Baptista, acompanhe novidades na Bantu Social.]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p>E ainda liberar aquele ebook interessante.</p>

<p>Seu endereço de e-mail costuma circular por lojas, newsletters, aplicativos, formulários, eventos e serviços de atendimento. Com o tempo, ele pode aparecer em listas de spam, ser usado para rastreamento ou até ficar exposto em algum vazamento de dados, confira se já está neste site aqui –&gt; <a href="https://haveibeenpwnd.com" rel="nofollow">https://haveibeenpwnd.com</a>.</p>

<h3 id="uma-alternativa-prática-é-usar-um-e-mail-máscara-também-chamado-de-alias-leia-se-elias-com-acento-no-é-éli-às">Uma alternativa prática é usar um e-mail máscara — também chamado de alias (leia-se elias com acento no é, éli às).</h3>

<p>Ele funciona como um endereço intermediário. As mensagens enviadas para a máscara são encaminhadas ao seu e-mail principal, sem que você precise divulgá-lo diretamente. Você pode criar, por exemplo, um endereço como tecnorganico@duck.com e receber as mensagens na sua caixa pessoal, que é exatamente o meu caso, inclusive podem mandar e-mail à vontade. A máscara não cria necessariamente uma nova caixa de entrada. Ela protege o endereço principal, facilita a organização dos contatos e permite interromper o recebimento quando determinado cadastro deixa de ser útil.</p>

<h2 id="quando-usar-um-e-mail-máscara">Quando usar um e-mail máscara</h2>

<p><strong>Esse recurso é especialmente útil para:</strong>
– cadastrar-se em lojas e sites de compras;
– receber newsletters e acompanhar promoções;
– testar aplicativos e serviços;
– participar de eventos, cursos e comunidades;
– publicar um endereço de contato em páginas ou anúncios;
– separar contatos profissionais por projeto;
– descobrir qual serviço começou a enviar spam;
– reduzir a exposição do seu endereço pessoal.</p>

<p>Uma boa prática é criar uma máscara diferente para cada serviço importante. Assim, se um endereço começar a receber mensagens indesejadas, você pode desativá-lo sem precisar trocar seu e-mail principal.</p>

<h2 id="três-serviços-conhecidos">Três serviços conhecidos</h2>

<h3 id="duckduckgo-email-protection-https-duckduckgo-com-email">DuckDuckGo Email Protection –&gt; <a href="https://duckduckgo.com/email/" rel="nofollow">https://duckduckgo.com/email/</a></h3>

<p>O DuckDuckGo oferece um serviço gratuito de encaminhamento de e-mails. Ele permite criar endereços duck.com e informa que remove diversos rastreadores ocultos presentes nas mensagens antes de encaminhá-las para sua caixa principal. A documentação oficial explica o funcionamento do serviço.
É uma opção simples para quem quer começar sem configurar um domínio próprio.</p>

<h3 id="simplelogin-https-simplelogin-io-pt-br">SimpleLogin –&gt; <a href="https://simplelogin.io/pt-br/" rel="nofollow">https://simplelogin.io/pt-br/</a></h3>

<p>O SimpleLogin é uma solução de aliases com foco em privacidade e código aberto. Ele permite criar vários endereços, encaminhar mensagens e, em determinadas configurações, responder usando o próprio endereço máscara. O site oficial apresenta os recursos e a documentação do serviço.
Pode ser interessante para quem deseja organizar aliases por finalidade, projeto ou serviço.</p>

<h3 id="firefox-relay-https-relay-firefox-com">Firefox Relay –&gt; <a href="https://relay.firefox.com/" rel="nofollow">https://relay.firefox.com/</a></h3>

<p>O Firefox Relay é um serviço da Mozilla para criar máscaras de e-mail e encaminhar mensagens para o endereço principal. Ele também oferece ferramentas integradas ao navegador para facilitar a criação de novos endereços durante cadastros. A Mozilla explica como criar e administrar essas máscaras.
É uma escolha conveniente para quem já utiliza o Firefox e quer gerar máscaras diretamente durante a navegação.</p>

<h2 id="como-organizar-o-uso">Como organizar o uso</h2>

<p><strong>Uma convenção simples ajuda a manter o controle:</strong>
– compras@... para lojas;
– boletins@... para newsletters;
– cursos@... para plataformas educacionais;
– projetos@... para contatos profissionais;
– uma máscara exclusiva para cada serviço que mereça acompanhamento.</p>

<p>Também vale registrar a finalidade de cada endereço em um gerenciador de senhas ou em uma planilha protegida. Quando uma máscara começar a receber spam, mensagens suspeitas ou publicidade excessiva, desative-a e crie outra, se necessário.</p>

<h2 id="o-que-o-e-mail-máscara-não-resolve">O que o e-mail máscara não resolve</h2>

<p>Uma máscara não oferece anonimato absoluto. O serviço de encaminhamento ainda pode tratar metadados e precisa operar corretamente para entregar as mensagens. Também não substitui uma senha forte, autenticação em dois fatores ou cuidados contra phishing. Para bancos, gerenciadores de senhas, recuperação de contas e outros serviços críticos, prefira um endereço protegido, estável e administrado com atenção. Use máscaras principalmente para reduzir exposição, organizar contatos e limitar o impacto de cadastros pouco importantes.</p>

<p>No Nerd de Aluguel, esse tipo de organização faz parte do trabalho de autonomia digital: ajudar cada pessoa a entender melhor suas ferramentas, reduzir riscos cotidianos e construir uma relação mais clara com sua própria tecnologia. Pra mais informações sobre o serviço visite <a href="https://cuidadosdigitais.com.br" rel="nofollow">https://cuidadosdigitais.com.br</a>.</p>

<p>Esse post foi produzido para apoiar a assinatura da campanha <a href="https://amazoniasemdatacenter.com.br/" rel="nofollow">https://amazoniasemdatacenter.com.br/</a> – a partir de postagem na comunidade CTRLZeiros, conheça mais em <a href="http://ctrlz.org.br/" rel="nofollow">http://ctrlz.org.br/</a></p>

<p>✍️ Publicado com carinho por Rafael Ramires Baptista, acompanhe novidades na Bantu Social.</p>
]]></content:encoded>
      <guid>https://blog.bantu.social/tecnorganico/ja-viu-um-e-mail-mascarado</guid>
      <pubDate>Wed, 09 Sep 2026 21:37:50 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>Comic Sans ainda mora aqui</title>
      <link>https://blog.bantu.social/tecnorganico/comic-sans-ainda-mora-aqui</link>
      <description>&lt;![CDATA[Lancei minha contribuição no #tersoftware: usem Comic Sans novamente. Que saudade.&#xA;&#xA;Obviamente eu estava gastando minha onda, mas a saudade estava dizendo uma coisa séria. Certas tecnologias desaparecem sem ir embora. Elas deixam um jeito de escrever, um barulho de inicialização, uma cor de janela ou uma sensação que continua rodando em segundo plano.&#xA;&#xA;A Comic Sans começou a ser desenhada por Vincent Connare na Microsoft em outubro de 1994. Ele trabalhava com programas de aparência divertida e percebeu que aquelas interfaces precisavam de uma letra que parecesse falar como os quadrinhos que lia. A fonte nasceu para acompanhar personagens e balões, não para carregar sozinha toda a formalidade do mundo.&#xA;&#xA;A Comic Sans foi distribuída com o pacote Microsoft Plus! do Windows 95, apareceu em versões do próprio Windows, no Publisher e no Internet Explorer. Também integrou as fontes que a Microsoft ofereceu para uso na web. Essa disponibilidade ajuda a explicar pq ela apareceu em todo lugar: trabalho de escola, aviso de condomínio, convite de aniversário, cartaz de igreja, comunicado sério e placa que definitivamente não deveria estar sorrindo :)&#xA;&#xA;Em 1996, por acaso o ano que nasci, o Microsoft Comic Chat transformava conversas de IRC em pequenos quadrinhos. As mensagens viravam balões e os personagens mudavam de expressão. Antes dos stickers e das reações, já existia uma tentativa de dar corpo e humor à conversas online. A Microsoft considera esse programa uma das primeiras casas reais da Comic Sans. Em julho de 2026, o código do Comic Chat foi aberto ao público — uma lembrança antiga que voltou a rodar literalmente.&#xA;&#xA;Ela continua fazendo pequenas aparições. Ao pesquisar “comic sans” no Google, a própria página de resultados muda de tipografia e apresenta a busca em Comic Sans. É um easter egg: a fonte aparece para explicar a si mesma. Como todo detalhe de um serviço online, o efeito pode variar por dispositivo e mudar no futuro.&#xA;&#xA;A fonte também entrou para a história da ciência. Em 4 de julho de 2012, apareceu na apresentação da equipe ATLAS sobre a descoberta de uma partícula compatível com o bóson de Higgs. A escolha virou assunto. Dois anos depois, no dia 1º de abril, o CERN publicou que toda a comunicação da instituição passaria a usar Comic Sans. Era uma piada, claro. O anúncio dizia, em resumo, que grande parte do sucesso da descoberta devia ter vindo da fonte. Até a física de partículas soube brincar com a própria apresentação.&#xA;&#xA;No #tersoftware, a recomendação puxou outras. Fantasque Sans para o terminal. TeX Gyre Pagella para livros. IBM Plex para quando a pessoa deseja uma fonte sem serifa e, ao mesmo tempo, cultiva suas contradições. É aí que o fediverso fica interessante: uma lembrança não precisa terminar em opinião. Ela pode abrir uma mesa e deixar outras pessoas colocarem suas referências nela.&#xA;&#xA;Talvez a Comic Sans nunca tenha sido apenas uma fonte ruim ou boa. Talvez ela seja uma marca de quando começamos a escolher, sozinhos, a aparência das palavras na tela — e exageramos porque finalmente podíamos.&#xA;&#xA;E agora quais fontes dominam sua memória visual? Sabe qual a fonte do seu WhatsApp?&#xA;&#xA;Qual fonte ainda mora em você?&#xA;&#xA;Fontes&#xA;&#xA;Comic Sans MS — Microsoft Typography&#xA;Microsoft Comic Chat is now open source — Microsoft Open Source Blog&#xA;Busca por “comic sans” no Google&#xA;Easter egg muda fonte do Google para Comic Sans — Canaltech&#xA;Apresentação ATLAS sobre a busca do bóson de Higgs, 4 de julho de 2012 — CERN&#xA;CERN to switch to Comic Sans — CERN Document Server&#xA;Fantasque Sans — repositório oficial&#xA;TeX Gyre Pagella — The LaTeX Font Catalogue&#xA;IBM Plex — IBM Design Language&#xA;&#xA;✍️ Publicado com carinho por Rafael Ramires Baptista, acompanhe novidades na Bantu Social.]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Lancei minha contribuição no <code>#tersoftware</code>: <a href="https://bantu.social/@tecnorganico/117158793232532506" rel="nofollow">usem Comic Sans novamente. Que saudade.</a></p>

<p>Obviamente eu estava gastando minha onda, mas a saudade estava dizendo uma coisa séria. Certas tecnologias desaparecem sem ir embora. Elas deixam um jeito de escrever, um barulho de inicialização, uma cor de janela ou uma sensação que continua rodando em segundo plano.</p>

<p>A Comic Sans começou a ser desenhada por Vincent Connare na Microsoft em outubro de 1994. Ele trabalhava com programas de aparência divertida e percebeu que aquelas interfaces precisavam de uma letra que parecesse falar como os quadrinhos que lia. A fonte nasceu para acompanhar personagens e balões, não para carregar sozinha toda a formalidade do mundo.</p>

<p>A Comic Sans foi distribuída com o pacote Microsoft Plus! do Windows 95, apareceu em versões do próprio Windows, no Publisher e no Internet Explorer. Também integrou as fontes que a Microsoft ofereceu para uso na web. Essa disponibilidade ajuda a explicar pq ela apareceu em todo lugar: trabalho de escola, aviso de condomínio, convite de aniversário, cartaz de igreja, comunicado sério e placa que definitivamente não deveria estar sorrindo :)</p>

<p>Em 1996, por acaso o ano que nasci, o Microsoft Comic Chat transformava conversas de IRC em pequenos quadrinhos. As mensagens viravam balões e os personagens mudavam de expressão. Antes dos stickers e das reações, já existia uma tentativa de dar corpo e humor à conversas online. A Microsoft considera esse programa uma das primeiras casas reais da Comic Sans. Em julho de 2026, o código do Comic Chat foi aberto ao público — uma lembrança antiga que voltou a rodar literalmente.</p>

<p>Ela continua fazendo pequenas aparições. <strong>Ao pesquisar “comic sans” no Google, a própria página de resultados muda de tipografia e apresenta a busca em Comic Sans</strong>. É um easter egg: a fonte aparece para explicar a si mesma. Como todo detalhe de um serviço online, o efeito pode variar por dispositivo e mudar no futuro.</p>

<p>A fonte também entrou para a história da ciência. Em 4 de julho de 2012, apareceu na apresentação da equipe ATLAS sobre a descoberta de uma partícula compatível com o bóson de Higgs. A escolha virou assunto. Dois anos depois, no dia 1º de abril, o CERN publicou que toda a comunicação da instituição passaria a usar Comic Sans. Era uma piada, claro. O anúncio dizia, em resumo, que grande parte do sucesso da descoberta devia ter vindo da fonte. Até a física de partículas soube brincar com a própria apresentação.</p>

<p>No <code>#tersoftware</code>, a recomendação puxou outras. Fantasque Sans para o terminal. TeX Gyre Pagella para livros. IBM Plex para quando a pessoa deseja uma fonte sem serifa e, ao mesmo tempo, cultiva suas contradições. É aí que o fediverso fica interessante: uma lembrança não precisa terminar em opinião. Ela pode abrir uma mesa e deixar outras pessoas colocarem suas referências nela.</p>

<p>Talvez a Comic Sans nunca tenha sido apenas uma fonte ruim ou boa. Talvez ela seja uma marca de quando começamos a escolher, sozinhos, a aparência das palavras na tela — e exageramos porque finalmente podíamos.</p>

<p>E agora quais fontes dominam sua memória visual? Sabe qual a fonte do seu WhatsApp?</p>

<p>Qual fonte ainda mora em você?</p>

<h2 id="fontes">Fontes</h2>
<ul><li><a href="https://learn.microsoft.com/en-us/typography/font-list/comic-sans-ms" rel="nofollow">Comic Sans MS — Microsoft Typography</a></li>
<li><a href="https://opensource.microsoft.com/blog/2026/07/16/microsoft-comic-chat-is-now-open-source/" rel="nofollow">Microsoft Comic Chat is now open source — Microsoft Open Source Blog</a></li>
<li><a href="https://www.google.com/search?q=comic+sans" rel="nofollow">Busca por “comic sans” no Google</a></li>
<li><a href="https://canaltech.com.br/internet/easter-egg-muda-fonte-do-google-para-comic-sans-verdana-e-outras-classicas-293773/" rel="nofollow">Easter egg muda fonte do Google para Comic Sans — Canaltech</a></li>
<li><a href="https://indico.cern.ch/event/197461/contributions/1478916/attachments/290953/406671/ATLAS_Higgs-CERN-seminar-2012.pdf" rel="nofollow">Apresentação ATLAS sobre a busca do bóson de Higgs, 4 de julho de 2012 — CERN</a></li>
<li><a href="https://cds.cern.ch/record/1998699?ln=en" rel="nofollow">CERN to switch to Comic Sans — CERN Document Server</a></li>
<li><a href="https://github.com/belluzj/fantasque-sans" rel="nofollow">Fantasque Sans — repositório oficial</a></li>
<li><a href="https://www.tug.org/FontCatalogue/texgyrepagella/" rel="nofollow">TeX Gyre Pagella — The LaTeX Font Catalogue</a></li>
<li><a href="https://www.ibm.com/design/language/typography/typeface/" rel="nofollow">IBM Plex — IBM Design Language</a></li></ul>

<p>✍️ Publicado com carinho por Rafael Ramires Baptista, acompanhe novidades na Bantu Social.</p>
]]></content:encoded>
      <guid>https://blog.bantu.social/tecnorganico/comic-sans-ainda-mora-aqui</guid>
      <pubDate>Wed, 26 Aug 2026 01:18:28 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>O tédio voltou</title>
      <link>https://blog.bantu.social/tecnorganico/o-tedio-voltou</link>
      <description>&lt;![CDATA[2026-08-24 Post do Instagram &#xA;&#xA;Este carrossel propõe uma experiência de 48 horas fora do feed. O prazo de 48 horas é um convite editorial, não uma duração comprovada para obter benefícios psicológicos ou neurológicos.&#xA;&#xA;Estudo principal&#xA;&#xA;Stieger, Stefan; Lewetz, David. A Week Without Using Social Media: Results from an Ecological Momentary Intervention Study Using Smartphones. Cyberpsychology, Behavior, and Social Networking, 2018, 21(10), 618–624.&#xA;&#xA;Resumo no PubMed&#xA;Artigo e DOI&#xA;&#xA;O estudo acompanhou 152 pessoas convidadas a passar sete dias sem redes sociais. Durante esse período, o grupo relatou mais tédio e mais vontade de voltar. Ao todo, 59% acessaram alguma rede social pelo menos uma vez. A pesquisa estudou uma semana sem redes sociais; não estudou especificamente 48 horas longe de todas as telas.&#xA;&#xA;Leitura complementar&#xA;&#xA;Eide, Tine A. et al. Smartphone Restriction and Its Effect on Subjective Withdrawal Related Scores. Frontiers in Psychology, 2018, 9:1444.&#xA;&#xA;Artigo completo em acesso aberto&#xA;DOI&#xA;&#xA;Esse experimento comparou 72 horas de restrição do celular com o uso habitual em 127 participantes. O grupo com o celular restrito apresentou resultados mais altos em medidas de desconforto ligado à ausência do aparelho e medo de estar perdendo algo. O estudo tratou da restrição do smartphone, não apenas das redes sociais, e não autoriza diagnosticar dependência em uma pessoa a partir de uma experiência curta.&#xA;&#xA;Limites importantes&#xA;&#xA;ficar sem redes sociais não é o mesmo que ficar longe de todas as telas;&#xA;os resultados descrevem grupos e não garantem a mesma experiência para toda pessoa;&#xA;o carrossel não apresenta o tédio como cura, doença ou prova de “vício”;&#xA;não há promessa de foco, descanso, criatividade ou melhora da saúde em exatamente 48 horas.&#xA;&#xA;— Ramires, o Tecnorgânico.&#xA;&#xA;✍️ Publicado com carinho por Rafael Ramires Baptista, acompanhe novidades na Bantu Social.]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p>2026-08-24 Post do Instagram</p>

<p>Este carrossel propõe uma experiência de 48 horas fora do feed. O prazo de 48 horas é um convite editorial, não uma duração comprovada para obter benefícios psicológicos ou neurológicos.</p>

<h2 id="estudo-principal">Estudo principal</h2>

<p><strong>Stieger, Stefan; Lewetz, David.</strong> <em>A Week Without Using Social Media: Results from an Ecological Momentary Intervention Study Using Smartphones.</em> Cyberpsychology, Behavior, and Social Networking, 2018, 21(10), 618–624.</p>
<ul><li><a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30334650/" rel="nofollow">Resumo no PubMed</a></li>
<li><a href="https://doi.org/10.1089/cyber.2018.0070" rel="nofollow">Artigo e DOI</a></li></ul>

<p>O estudo acompanhou 152 pessoas convidadas a passar sete dias sem redes sociais. Durante esse período, o grupo relatou mais tédio e mais vontade de voltar. Ao todo, 59% acessaram alguma rede social pelo menos uma vez. A pesquisa estudou uma semana sem redes sociais; não estudou especificamente 48 horas longe de todas as telas.</p>

<h2 id="leitura-complementar">Leitura complementar</h2>

<p><strong>Eide, Tine A. et al.</strong> <em>Smartphone Restriction and Its Effect on Subjective Withdrawal Related Scores.</em> Frontiers in Psychology, 2018, 9:1444.</p>
<ul><li><a href="https://www.frontiersin.org/journals/psychology/articles/10.3389/fpsyg.2018.01444/full" rel="nofollow">Artigo completo em acesso aberto</a></li>
<li><a href="https://doi.org/10.3389/fpsyg.2018.01444" rel="nofollow">DOI</a></li></ul>

<p>Esse experimento comparou 72 horas de restrição do celular com o uso habitual em 127 participantes. O grupo com o celular restrito apresentou resultados mais altos em medidas de desconforto ligado à ausência do aparelho e medo de estar perdendo algo. O estudo tratou da restrição do smartphone, não apenas das redes sociais, e não autoriza diagnosticar dependência em uma pessoa a partir de uma experiência curta.</p>

<h2 id="limites-importantes">Limites importantes</h2>
<ul><li>ficar sem redes sociais não é o mesmo que ficar longe de todas as telas;</li>
<li>os resultados descrevem grupos e não garantem a mesma experiência para toda pessoa;</li>
<li>o carrossel não apresenta o tédio como cura, doença ou prova de “vício”;</li>
<li>não há promessa de foco, descanso, criatividade ou melhora da saúde em exatamente 48 horas.</li></ul>

<p>— Ramires, o Tecnorgânico.</p>

<p>✍️ Publicado com carinho por Rafael Ramires Baptista, acompanhe novidades na Bantu Social.</p>
]]></content:encoded>
      <guid>https://blog.bantu.social/tecnorganico/o-tedio-voltou</guid>
      <pubDate>Mon, 24 Aug 2026 18:26:11 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>Quando o sábado volta a caber no sábado</title>
      <link>https://blog.bantu.social/tecnorganico/quando-o-sabado-volta-a-caber-no-sabado</link>
      <description>&lt;![CDATA[Você abre o celular para ver a hora.&#xA;&#xA;Quinze minutos depois, sabe que uma pessoa desconhecida terminou um relacionamento, que existe uma air fryer dobrável, que alguém está indignado com uma coisa que você não conhecia e que um cachorro aprendeu a tocar campainha. A hora, que era o motivo da visita, continua desaparecida.&#xA;&#xA;Isso não acontece porque você é fraco. Também não acontece porque o celular é uma entidade maligna que precisa ser lançada no fogo. O aparelho é útil. Ele guarda mapas, conversas, documentos, músicas, fotografias, trabalho, afeto, boletos, lembretes e a senha daquele serviço que exige uma senha nova justamente quando você já está atrasado.&#xA;&#xA;O problema talvez não esteja no celular isolado. Está na relação que construímos com uma máquina que nunca encerra o assunto.&#xA;&#xA;Um livro termina. Uma música acaba. Uma conversa encontra um silêncio. O feed, não. Ele foi feito para que sempre exista outra coisa esperando o movimento do dedo.&#xA;&#xA;Por isso fiquei interessado num estudo pequeno publicado em 2025. Vinte e cinco jovens adultos passaram três dias usando o celular apenas para o necessário. Antes e depois desse período, os pesquisadores observaram como o cérebro respondia quando apareciam imagens de celulares.&#xA;&#xA;A resposta mudou.&#xA;&#xA;Essa frase precisa ser lida devagar, porque ela é menos espetacular do que parece — e justamente por isso é interessante.&#xA;&#xA;O estudo não mostrou que o cérebro ficou limpo. Não mostrou que três dias corrigem a atenção, curam ansiedade, devolvem inteligência ou fazem nascer uma pessoa iluminada que acorda às cinco da manhã para beber água com limão. Também não estudou um fim de semana de 48 horas. Foram três dias, com apenas 25 participantes.&#xA;&#xA;O que os pesquisadores encontraram foi uma mudança na maneira como o cérebro reagia às imagens ligadas ao celular depois do período de restrição. Em linguagem comum: quando uma coisa muito presente na rotina deixa de aparecer como sempre aparecia, o cérebro percebe.&#xA;&#xA;Pode parecer pouco. Mas talvez a importância esteja exatamente aí.&#xA;&#xA;Grande parte do uso do celular não se apresenta como decisão. Ele acontece no intervalo. Enquanto a água ferve. Enquanto alguém demora a responder. Enquanto o ônibus não chega. Enquanto uma página carrega. Enquanto a cabeça procura uma saída rápida para não ficar sozinha consigo mesma.&#xA;&#xA;O gesto se torna tão familiar que desaparece da consciência. A mão encontra o aparelho antes que exista uma pergunta. O dedo abre um aplicativo antes que exista uma vontade claramente formulada. Quando percebemos, não escolhemos entrar. Apenas já estamos lá.&#xA;&#xA;Uma pausa não resolve magicamente essa relação. Mas pode torná-la visível.&#xA;&#xA;E existe uma diferença importante entre resolver e enxergar.&#xA;&#xA;Resolver sugere que há um estado perfeito esperando depois de dois dias: atenção restaurada, sono impecável, mente silenciosa e uma vontade repentina de organizar todos os documentos da casa. Enxergar é mais modesto. É notar o número de vezes em que procuramos o aparelho. É perceber a ansiedade pequena diante de um minuto vazio. É descobrir quais momentos do dia pareciam depender de uma tela apenas porque nunca experimentamos outra coisa naquele lugar.&#xA;&#xA;Talvez as primeiras horas sejam irritantes. Talvez o tempo pareça lento. Talvez surja a sensação de que alguma coisa está acontecendo em outro lugar e deveria estar sendo acompanhada. Isso não significa que a experiência falhou. Pode significar apenas que o hábito apareceu.&#xA;&#xA;O silêncio de uma notificação que não chega também faz barulho.&#xA;&#xA;Mas não quero transformar isso numa defesa romântica do desaparecimento. Há pessoas que dependem do celular para trabalhar, cuidar de familiares, pedir ajuda, acompanhar filhos, usar o banco, circular pela cidade ou simplesmente não ficar isoladas. “Fique completamente offline” pode ser um conselho fácil para quem tem outras redes de apoio, outros aparelhos e alguém disponível para assumir urgências.&#xA;&#xA;Autonomia digital não é obedecer a uma nova regra rígida. É conseguir decidir com um pouco mais de liberdade quando a tecnologia entra, para que serve e quando pode esperar.&#xA;&#xA;Por isso, um fim de semana com menos celular não precisa ser um retiro. Não exige cabana, incenso, roupa branca nem uma fotografia anunciando que você saiu das redes sociais — o que produziria uma situação filosoficamente complicada.&#xA;&#xA;Pode ser apenas um acordo simples: manter o aparelho disponível para o necessário e retirar o automático.&#xA;&#xA;Sem abrir o feed para preencher cada espera. Sem levar a tela para todos os cômodos. Sem transformar toda comida em imagem antes que ela vire comida. Sem consultar a vida dos outros toda vez que a própria vida fica alguns minutos sem instrução.&#xA;&#xA;O espaço que aparece precisa ser ocupado. Não por produtividade obrigatória. Não é necessário usar o sábado recuperado para aprender uma linguagem de programação, reorganizar a casa inteira e começar um negócio.&#xA;&#xA;Pode entrar uma caminhada sem destino útil. Uma panela que demora. Uma conversa que repete histórias. Um livro abandonado. Música sem vídeo. Uma soneca. Uma cadeira na calçada. Até o tédio, esse animal antigo que as plataformas tentaram convencer a gente de que estava extinto.&#xA;&#xA;Dois dias não reprogramam uma vida. Mas podem produzir uma pergunta.&#xA;&#xA;Quando a tela sai um pouco do caminho, o que volta a caber no seu dia?&#xA;&#xA;Talvez nada grandioso aconteça. Talvez você apenas perceba a tarde. Talvez note que o sábado tem um tamanho diferente quando não é cortado em pedaços de quinze segundos.&#xA;&#xA;E talvez esse seja um impacto pequeno o bastante para ser verdadeiro: não regenerar o cérebro, mas voltar a caber no próprio sábado.&#xA;&#xA;Referência&#xA;&#xA;Schmitgen, M. M. e colaboradores. Effects of smartphone restriction on cue-related neural activity. Computers in Human Behavior, 2025, 108610. https://doi.org/10.1016/j.chb.2025.108610&#xA;&#xA;Nota de leitura&#xA;&#xA;O estudo acompanhou 25 jovens adultos durante 72 horas de restrição do smartphone, mantendo usos essenciais. Seus resultados mostram mudanças na resposta cerebral diante de imagens relacionadas ao celular. A pesquisa não demonstra melhora geral do cérebro, benefício clínico nem efeitos específicos de 48 horas.&#xA;&#xA;✍️ Publicado com carinho por Rafael Ramires Baptista, acompanhe novidades na Bantu Social.]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Você abre o celular para ver a hora.</p>

<p>Quinze minutos depois, sabe que uma pessoa desconhecida terminou um relacionamento, que existe uma air fryer dobrável, que alguém está indignado com uma coisa que você não conhecia e que um cachorro aprendeu a tocar campainha. A hora, que era o motivo da visita, continua desaparecida.</p>

<p>Isso não acontece porque você é fraco. Também não acontece porque o celular é uma entidade maligna que precisa ser lançada no fogo. O aparelho é útil. Ele guarda mapas, conversas, documentos, músicas, fotografias, trabalho, afeto, boletos, lembretes e a senha daquele serviço que exige uma senha nova justamente quando você já está atrasado.</p>

<p>O problema talvez não esteja no celular isolado. Está na relação que construímos com uma máquina que nunca encerra o assunto.</p>

<p>Um livro termina. Uma música acaba. Uma conversa encontra um silêncio. O feed, não. Ele foi feito para que sempre exista outra coisa esperando o movimento do dedo.</p>

<p>Por isso fiquei interessado num estudo pequeno publicado em 2025. Vinte e cinco jovens adultos passaram três dias usando o celular apenas para o necessário. Antes e depois desse período, os pesquisadores observaram como o cérebro respondia quando apareciam imagens de celulares.</p>

<p>A resposta mudou.</p>

<p>Essa frase precisa ser lida devagar, porque ela é menos espetacular do que parece — e justamente por isso é interessante.</p>

<p>O estudo não mostrou que o cérebro ficou limpo. Não mostrou que três dias corrigem a atenção, curam ansiedade, devolvem inteligência ou fazem nascer uma pessoa iluminada que acorda às cinco da manhã para beber água com limão. Também não estudou um fim de semana de 48 horas. Foram três dias, com apenas 25 participantes.</p>

<p>O que os pesquisadores encontraram foi uma mudança na maneira como o cérebro reagia às imagens ligadas ao celular depois do período de restrição. Em linguagem comum: quando uma coisa muito presente na rotina deixa de aparecer como sempre aparecia, o cérebro percebe.</p>

<p>Pode parecer pouco. Mas talvez a importância esteja exatamente aí.</p>

<p>Grande parte do uso do celular não se apresenta como decisão. Ele acontece no intervalo. Enquanto a água ferve. Enquanto alguém demora a responder. Enquanto o ônibus não chega. Enquanto uma página carrega. Enquanto a cabeça procura uma saída rápida para não ficar sozinha consigo mesma.</p>

<p>O gesto se torna tão familiar que desaparece da consciência. A mão encontra o aparelho antes que exista uma pergunta. O dedo abre um aplicativo antes que exista uma vontade claramente formulada. Quando percebemos, não escolhemos entrar. Apenas já estamos lá.</p>

<p>Uma pausa não resolve magicamente essa relação. Mas pode torná-la visível.</p>

<p>E existe uma diferença importante entre resolver e enxergar.</p>

<p>Resolver sugere que há um estado perfeito esperando depois de dois dias: atenção restaurada, sono impecável, mente silenciosa e uma vontade repentina de organizar todos os documentos da casa. Enxergar é mais modesto. É notar o número de vezes em que procuramos o aparelho. É perceber a ansiedade pequena diante de um minuto vazio. É descobrir quais momentos do dia pareciam depender de uma tela apenas porque nunca experimentamos outra coisa naquele lugar.</p>

<p>Talvez as primeiras horas sejam irritantes. Talvez o tempo pareça lento. Talvez surja a sensação de que alguma coisa está acontecendo em outro lugar e deveria estar sendo acompanhada. Isso não significa que a experiência falhou. Pode significar apenas que o hábito apareceu.</p>

<p>O silêncio de uma notificação que não chega também faz barulho.</p>

<p>Mas não quero transformar isso numa defesa romântica do desaparecimento. Há pessoas que dependem do celular para trabalhar, cuidar de familiares, pedir ajuda, acompanhar filhos, usar o banco, circular pela cidade ou simplesmente não ficar isoladas. “Fique completamente offline” pode ser um conselho fácil para quem tem outras redes de apoio, outros aparelhos e alguém disponível para assumir urgências.</p>

<p>Autonomia digital não é obedecer a uma nova regra rígida. É conseguir decidir com um pouco mais de liberdade quando a tecnologia entra, para que serve e quando pode esperar.</p>

<p>Por isso, um fim de semana com menos celular não precisa ser um retiro. Não exige cabana, incenso, roupa branca nem uma fotografia anunciando que você saiu das redes sociais — o que produziria uma situação filosoficamente complicada.</p>

<p>Pode ser apenas um acordo simples: manter o aparelho disponível para o necessário e retirar o automático.</p>

<p>Sem abrir o feed para preencher cada espera. Sem levar a tela para todos os cômodos. Sem transformar toda comida em imagem antes que ela vire comida. Sem consultar a vida dos outros toda vez que a própria vida fica alguns minutos sem instrução.</p>

<p>O espaço que aparece precisa ser ocupado. Não por produtividade obrigatória. Não é necessário usar o sábado recuperado para aprender uma linguagem de programação, reorganizar a casa inteira e começar um negócio.</p>

<p>Pode entrar uma caminhada sem destino útil. Uma panela que demora. Uma conversa que repete histórias. Um livro abandonado. Música sem vídeo. Uma soneca. Uma cadeira na calçada. Até o tédio, esse animal antigo que as plataformas tentaram convencer a gente de que estava extinto.</p>

<p>Dois dias não reprogramam uma vida. Mas podem produzir uma pergunta.</p>

<p>Quando a tela sai um pouco do caminho, o que volta a caber no seu dia?</p>

<p>Talvez nada grandioso aconteça. Talvez você apenas perceba a tarde. Talvez note que o sábado tem um tamanho diferente quando não é cortado em pedaços de quinze segundos.</p>

<p>E talvez esse seja um impacto pequeno o bastante para ser verdadeiro: não regenerar o cérebro, mas voltar a caber no próprio sábado.</p>

<h2 id="referência">Referência</h2>

<p>Schmitgen, M. M. e colaboradores. <strong>Effects of smartphone restriction on cue-related neural activity</strong>. <em>Computers in Human Behavior</em>, 2025, 108610. <a href="https://doi.org/10.1016/j.chb.2025.108610" rel="nofollow">https://doi.org/10.1016/j.chb.2025.108610</a></p>

<h3 id="nota-de-leitura">Nota de leitura</h3>

<p>O estudo acompanhou 25 jovens adultos durante 72 horas de restrição do smartphone, mantendo usos essenciais. Seus resultados mostram mudanças na resposta cerebral diante de imagens relacionadas ao celular. A pesquisa não demonstra melhora geral do cérebro, benefício clínico nem efeitos específicos de 48 horas.</p>

<p>✍️ Publicado com carinho por Rafael Ramires Baptista, acompanhe novidades na Bantu Social.</p>
]]></content:encoded>
      <guid>https://blog.bantu.social/tecnorganico/quando-o-sabado-volta-a-caber-no-sabado</guid>
      <pubDate>Sat, 22 Aug 2026 05:49:50 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>Mirabolideias</title>
      <link>https://blog.bantu.social/tecnorganico/mirabolideias-primeira-leva</link>
      <description>&lt;![CDATA[Primeira leva&#xA;&#xA;Mirabolideias é minha nota pública de ideias e projetos pra fazer, em sua maioria, pra me divertir, gastar minha onda de nerd e compartilhar com o mundo aqui dentro da internet.&#xA;&#xA;0. criar página visual, com categorias e em ordem alfabética. quem sabe com filtros.&#xA;-  a partir da lista do Tatrel, conheça a lista: https://tadrel.desescritorio.art.br&#xA;&#xA;--------------------------------------------------------------------&#xA;&#xA;✍️ Publicado com carinho por Rafael Ramires Baptista, acompanhe novidades na Bantu Social.]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<h2 id="primeira-leva">Primeira leva</h2>

<p>Mirabolideias é minha nota pública de ideias e projetos pra fazer, em sua maioria, pra me divertir, gastar minha onda de nerd e compartilhar com o mundo aqui dentro da internet.</p>

<h3 id="0-criar-página-visual-com-categorias-e-em-ordem-alfabética-quem-sabe-com-filtros">0. criar página visual, com categorias e em ordem alfabética. quem sabe com filtros.</h3>

<p>–&gt; a partir da lista do Tatrel, conheça a lista: <a href="https://tadrel.desescritorio.art.br" rel="nofollow">https://tadrel.desescritorio.art.br</a></p>

<hr>

<p>✍️ Publicado com carinho por Rafael Ramires Baptista, acompanhe novidades na Bantu Social.</p>
]]></content:encoded>
      <guid>https://blog.bantu.social/tecnorganico/mirabolideias-primeira-leva</guid>
      <pubDate>Sun, 26 Apr 2026 13:21:30 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>reCUsa</title>
      <link>https://blog.bantu.social/tecnorganico/recusa</link>
      <description>&lt;![CDATA[nunca confiem em homens que não dão a bunda.&#xA;&#xA;nunca confie ni quem nunca deu a bunda.&#xA;&#xA;ressoava aos quatro cantos de minha cabeça, como zumbido no ouvido. como canção de melancolia extensa, em dia frio sem águas das chuvas. mas com muito molho de tristeza. eu pensava, mas quem diria, que de tanto lugar no mundo, esqueceram que tudo que sai pelo cu, nao entra por outro lugar senão de sua boca.&#xA;&#xA;como pode uma bunda ser considerada mais suja do que o lugar que nela entra tudo que, cu, somente cu, tem a coragem de botar pra fora. a boca é quase passiva, se nela não coubesse tanta atividade. da boca sai o beijo, que nas entrelinhas da fala, utiliza-se da língua, seja ela falada-ouvida. ou, nela que se presenteia a vida, quando permitimos botar de tudo um pouco que seja capaz de alegrar uns dias. quase que o toque de dois lábios passou-se batido. mas ainda assim, temos menos vergonha de exibir subeijo, que a fresta sultuciosa que se abriga graciosamente no meio de uma bela bunda.&#xA;&#xA;a boca ingere tudo, mais uma vez, que só e somente cu, tem coragem de botar pra fora. lembra que quando a boca engole, faz gulugulu. quando a boca deglote, faz-se um diálogo profundo que escorre pela garganta pra bater eco bem lá no fundo da barriguinha. intestino e demais companhias fazem da obra desnudo, tiram sua nutrição e redistribuem dentro do sistema orgânico nada revisionista. nutrientes se espalham pelo corpo rapidamente, na verdade, a depender do seu metabolismo, e do que vc ingeriu. resta o indesejado que fica do alimento, ou seja lá o que você anda ingerindo ao seu centro. contudo, só, e somente ela, vai abrir espaço de acolhida ao indesejado passar pra fora de sua organicidade, pra finalmente viver sua própria externalidade.&#xA;&#xA;ao mesmo tempo que carrega tanta coragem pra expulsar. o cu esbanja sensibilidade para ser delicada ou abruptamente penetrado. tem um tilintar de cores capazes de representar o balanceamento entre idas e vindas, de tudo aquilo que possa ser deslizado. só, e somente cu, proporciona esse teu sorriso largo.&#xA;&#xA;aprendi com a pessoa que mais amei na vida, cu não se pede, se recusa. você sugere e quem tem a posse proprietária do proletariado mais amado, desejado, adorado e reverenciado por toda a classe trabalhadora, carrega a árdua tarefa de, em sua súmula e repentina coragem, recusar ser obstinadamente deliciado ou naum. pra recusar, esse cu precisa ser desconfiado. eu não confio em cu que se propõe, pode ser por conta da mais simples bobagem ao mais viril propósito, a se manter, como podemos dizer, plenamente conservado. só de imaginar me deixa irritado.&#xA;&#xA;tem que ter o coração perdido, e a mente deduzida em tantos impostos, que mal cabe a receita numa linha de 240 caracteres. a mente precisa ter sido muito sacaneada, pra acreditar que o cu pode abrigar mais bactéria que essa sua boca cheia de dente mal penteado pela escova de dente.&#xA;&#xA;assim seria tudo isso, se tudo não passasse de um secular estratificado em nossa memória coletiva, famigerado ditado popular.&#xA;&#xA;✍️ Publicado com carinho por Rafael Ramires Baptista, acompanhe novidades na Bantu Social.]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p>nunca confiem em homens que não dão a bunda.</p>

<p>nunca confie ni quem nunca deu a bunda.</p>

<p>ressoava aos quatro cantos de minha cabeça, como zumbido no ouvido. como canção de melancolia extensa, em dia frio sem águas das chuvas. mas com muito molho de tristeza. eu pensava, mas quem diria, que de tanto lugar no mundo, esqueceram que tudo que sai pelo cu, nao entra por outro lugar senão de sua boca.</p>

<p>como pode uma bunda ser considerada mais suja do que o lugar que nela entra tudo que, cu, somente cu, tem a coragem de botar pra fora. a boca é quase passiva, se nela não coubesse tanta atividade. da boca sai o beijo, que nas entrelinhas da fala, utiliza-se da língua, seja ela falada-ouvida. ou, nela que se presenteia a vida, quando permitimos botar de tudo um pouco que seja capaz de alegrar uns dias. quase que o toque de dois lábios passou-se batido. mas ainda assim, temos menos vergonha de exibir subeijo, que a fresta sultuciosa que se abriga graciosamente no meio de uma bela bunda.</p>

<p>a boca ingere tudo, mais uma vez, que só e somente cu, tem coragem de botar pra fora. lembra que quando a boca engole, faz gulugulu. quando a boca deglote, faz-se um diálogo profundo que escorre pela garganta pra bater eco bem lá no fundo da barriguinha. intestino e demais companhias fazem da obra desnudo, tiram sua nutrição e redistribuem dentro do sistema orgânico nada revisionista. nutrientes se espalham pelo corpo rapidamente, na verdade, a depender do seu metabolismo, e do que vc ingeriu. resta o indesejado que fica do alimento, ou seja lá o que você anda ingerindo ao seu centro. contudo, só, e somente ela, vai abrir espaço de acolhida ao indesejado passar pra fora de sua organicidade, pra finalmente viver sua própria externalidade.</p>

<p>ao mesmo tempo que carrega tanta coragem pra expulsar. o cu esbanja sensibilidade para ser delicada ou abruptamente penetrado. tem um tilintar de cores capazes de representar o balanceamento entre idas e vindas, de tudo aquilo que possa ser deslizado. só, e somente cu, proporciona esse teu sorriso largo.</p>

<p>aprendi com a pessoa que mais amei na vida, cu não se pede, se recusa. você sugere e quem tem a posse proprietária do proletariado mais amado, desejado, adorado e reverenciado por toda a classe trabalhadora, carrega a árdua tarefa de, em sua súmula e repentina coragem, recusar ser obstinadamente deliciado ou naum. pra recusar, esse cu precisa ser desconfiado. eu não confio em cu que se propõe, pode ser por conta da mais simples bobagem ao mais viril propósito, a se manter, como podemos dizer, plenamente conservado. só de imaginar me deixa irritado.</p>

<p>tem que ter o coração perdido, e a mente deduzida em tantos impostos, que mal cabe a receita numa linha de 240 caracteres. a mente precisa ter sido muito sacaneada, pra acreditar que o cu pode abrigar mais bactéria que essa sua boca cheia de dente mal penteado pela escova de dente.</p>

<p>assim seria tudo isso, se tudo não passasse de um secular estratificado em nossa memória coletiva, famigerado ditado popular.</p>

<p>✍️ Publicado com carinho por Rafael Ramires Baptista, acompanhe novidades na Bantu Social.</p>
]]></content:encoded>
      <guid>https://blog.bantu.social/tecnorganico/recusa</guid>
      <pubDate>Sun, 26 Apr 2026 13:07:10 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>Lua Cheia Corava</title>
      <link>https://blog.bantu.social/tecnorganico/lua-cheira-corava</link>
      <description>&lt;![CDATA[Lua cheia corava róstos naquela noite. Saltavam pelas calçadas purpurinas e festim, em meio aos furdunços e bagunços, havia uma parte da noite serenando tranquilamente. Caminhando na velocidade da luz pro sono profundo. Eram suas perto da meia noite, quando um carinho sincerioso escorregava os dedos mamilo a fundo. As pontas dos dedos, onde as unhas não chegam, mas a digitais escrevem demoriosamente suas entrelinhas. Dedos que reparam na própria voltagem, do encontro atômico mais sensível entre duas peles se enroçando delicadamente. Mamilo que sobe, mamilo que desce. Os lábios entremeados, se desligam pra direcionar toda sensação pros seios, salteadas pelo dedilhar arrítmico, outrora rítmico, vagando entre desejo, cominho e tesão. A boca estremece, de um jeito que relaxa a cintura. A curva de perto da bunda, onde ficava nossa cauda pré homonsapiens, se rebola toda. A gente balança lentamente, enquanto uma dormência mista com baunilha canetava a mais bordosa metonimia. O suave de um abraço, com sabor de camomila. A calma transando com a euforia. Aquele relaxamento todo foi interrompido. Quando surgia aveludada, uma voz perguntando:&#xA;&#xA;— Caso te incomode o carinho, pode falar que eu paro, tá?&#xA;&#xA;A mão da dona dos mamilos mais deslizados daquela noite, desce a mão do dono dos dedos mais deslizantes daquele dia. Pousa na barriga, e os dados que escorriam agora pulsam, semi-apertam e desabrocham todo corpo da mão sob a parte que o umbigo descansa. Aperta, semi-aberta, solta combinando com o inspirar e expirar, camuflando doce com maná. &#xA;&#xA;— Preciso de um gole d’água. Alcança pra mim?&#xA;— Claro meu amor.&#xA;&#xA;Golava na tampa, a boca ensecada. Devolve pra mesa de retângulo que dormia do lado da cama. &#xA;&#xA;— Deixa eu te agarrar de ladinho?&#xA;— Hum.&#xA;&#xA;Bumbum balançou, como quem dizia em humnês: “Pode sim”. Acompanhado de um emoji de carinha pedindo pica, mas sabendo pedir. Aqueles corpos alinhavam-se, como chave na fechadura, de uma porta que de um lado abrigava os sonhos, que se realizavam do outro lado.&#xA;&#xA;✍️ Publicado com carinho por Rafael Ramires Baptista, acompanhe novidades na Bantu Social.]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Lua cheia corava róstos naquela noite. Saltavam pelas calçadas purpurinas e festim, em meio aos furdunços e bagunços, havia uma parte da noite serenando tranquilamente. Caminhando na velocidade da luz pro sono profundo. Eram suas perto da meia noite, quando um carinho sincerioso escorregava os dedos mamilo a fundo. As pontas dos dedos, onde as unhas não chegam, mas a digitais escrevem demoriosamente suas entrelinhas. Dedos que reparam na própria voltagem, do encontro atômico mais sensível entre duas peles se enroçando delicadamente. Mamilo que sobe, mamilo que desce. Os lábios entremeados, se desligam pra direcionar toda sensação pros seios, salteadas pelo dedilhar arrítmico, outrora rítmico, vagando entre desejo, cominho e tesão. A boca estremece, de um jeito que relaxa a cintura. A curva de perto da bunda, onde ficava nossa cauda pré homonsapiens, se rebola toda. A gente balança lentamente, enquanto uma dormência mista com baunilha canetava a mais bordosa metonimia. O suave de um abraço, com sabor de camomila. A calma transando com a euforia. Aquele relaxamento todo foi interrompido. Quando surgia aveludada, uma voz perguntando:</p>

<p>— Caso te incomode o carinho, pode falar que eu paro, tá?</p>

<p>A mão da dona dos mamilos mais deslizados daquela noite, desce a mão do dono dos dedos mais deslizantes daquele dia. Pousa na barriga, e os dados que escorriam agora pulsam, semi-apertam e desabrocham todo corpo da mão sob a parte que o umbigo descansa. Aperta, semi-aberta, solta combinando com o inspirar e expirar, camuflando doce com maná.</p>

<p>— Preciso de um gole d’água. Alcança pra mim?
— Claro meu amor.</p>

<p>Golava na tampa, a boca ensecada. Devolve pra mesa de retângulo que dormia do lado da cama.</p>

<p>— Deixa eu te agarrar de ladinho?
— Hum.</p>

<p>Bumbum balançou, como quem dizia em humnês: “Pode sim”. Acompanhado de um emoji de carinha pedindo pica, mas sabendo pedir. Aqueles corpos alinhavam-se, como chave na fechadura, de uma porta que de um lado abrigava os sonhos, que se realizavam do outro lado.</p>

<p>✍️ Publicado com carinho por Rafael Ramires Baptista, acompanhe novidades na Bantu Social.</p>
]]></content:encoded>
      <guid>https://blog.bantu.social/tecnorganico/lua-cheira-corava</guid>
      <pubDate>Sun, 19 Apr 2026 03:19:21 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>O dia em que o Rio esqueceu de acordar</title>
      <link>https://blog.bantu.social/tecnorganico/o-dia-em-que-o-rio-esqueceu-de-acordar</link>
      <description>&lt;![CDATA[Dizem que o Rio de Janeiro nunca para. Que a cidade pulsa, respira, gira como se tivesse vida própria. Mas teve um dia — um único dia — em que o Rio acordou… e nada aconteceu.&#xA;&#xA;Não foi greve anunciada. Não teve sirene, sindicato, nem trending topic. Foi mais silencioso que isso. Foi como se a Baixada Fluminense, em um acordo invisível entre milhões de corpos cansados, tivesse decidido: hoje, não.&#xA;E então, o dia começou estranho.&#xA;&#xA;Os primeiros sinais vieram cedo, ainda de madrugada. Os ônibus que deveriam chegar já vieram vazios — ou nem vieram. Os trens, quando abriram as portas, não tinham aquele fluxo conhecido de gente que entra com pressa, equilibrando sono e necessidade. As plataformas estavam limpas demais. O silêncio, indevido.&#xA;Nos bairros da zona sul, os porteiros não estavam nas portarias. Nos prédios comerciais do centro, as luzes até acenderam, mas ninguém serviu o café. Nos hospitais, faltavam técnicos, auxiliares, gente que segura o mundo pelas beiradas. Nos escritórios, gestores olhavam telas esperando reuniões que nunca começaram.&#xA;&#xA;O Rio funcionava… mas só na aparência.&#xA;Era como um corpo sem sangue circulando. A estrutura estava de pé, mas a vida — a vida tinha ficado em casa.&#xA;Na Baixada, o dia seguiu diferente. Teve café tomado com calma. Teve criança vendo o pai sair menos apressado — ou nem sair. Teve gente sentada na porta de casa, olhando o movimento que, pela primeira vez, não exigia presença. Um descanso que não vinha do lazer, mas da decisão.&#xA;Não foi um protesto barulhento. Foi ausência organizada.&#xA;E essa ausência pesou.&#xA;&#xA;Ao longo das horas, o Rio foi percebendo o tamanho do vazio. Não eram só braços faltando. Era conhecimento, era experiência, era o ritmo invisível que mantém tudo funcionando. Do ar-condicionado do shopping à limpeza do chão do hospital, da logística do estoque à segurança da madrugada — tudo, tudo tinha um fio puxando direto da Baixada.&#xA;E esse fio foi desligado.&#xA;Por volta do meio-dia, já não era mais dúvida. Era constatação.&#xA;&#xA;Sem a Baixada, o Rio não funciona.&#xA;Alguns tentaram explicar como “colapso operacional”. Outros falaram em “falha sistêmica”. Mas quem conhecia de verdade sabia: não era sistema nenhum. Era gente. Gente que pega três conduções. Gente que acorda antes do sol. Gente que constrói a cidade todos os dias sem nunca ser reconhecida como estrutura.&#xA;&#xA;Naquele dia, o Rio viu.&#xA;Viu que não era só paisagem, cartão-postal ou narrativa turística. Era dependência. Era interdependência. Era uma cidade que só existe porque outra levanta antes dela.&#xA;Quando a noite caiu, o Rio estava mais quieto. Não pela paz, mas pelo cansaço de entender.&#xA;E na Baixada, a vida seguiu. Com seus problemas, suas lutas, suas ausências também — mas, naquele dia, com uma certeza compartilhada em silêncio:&#xA;&#xA;Se a gente para, eles sentem.&#xA;E talvez, só talvez, naquele dia, o Rio tenha aprendido — ainda que tarde — que quem sustenta uma cidade não é quem aparece nela.&#xA;É quem, todos os dias, atravessa ela inteira para fazê-la existir.&#xA;&#xA;Transcrito 18 de março de 2026. Uma quarta-feira quase chuvosa.&#xA;&#xA;✍️ Publicado com carinho por Rafael Ramires Baptista, acompanhe novidades na Bantu Social.]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Dizem que o Rio de Janeiro nunca para. Que a cidade pulsa, respira, gira como se tivesse vida própria. Mas teve um dia — um único dia — em que o Rio acordou… e nada aconteceu.</p>

<p>Não foi greve anunciada. Não teve sirene, sindicato, nem trending topic. Foi mais silencioso que isso. Foi como se a Baixada Fluminense, em um acordo invisível entre milhões de corpos cansados, tivesse decidido: hoje, não.
E então, o dia começou estranho.</p>

<p>Os primeiros sinais vieram cedo, ainda de madrugada. Os ônibus que deveriam chegar já vieram vazios — ou nem vieram. Os trens, quando abriram as portas, não tinham aquele fluxo conhecido de gente que entra com pressa, equilibrando sono e necessidade. As plataformas estavam limpas demais. O silêncio, indevido.
Nos bairros da zona sul, os porteiros não estavam nas portarias. Nos prédios comerciais do centro, as luzes até acenderam, mas ninguém serviu o café. Nos hospitais, faltavam técnicos, auxiliares, gente que segura o mundo pelas beiradas. Nos escritórios, gestores olhavam telas esperando reuniões que nunca começaram.</p>

<p>O Rio funcionava… mas só na aparência.
Era como um corpo sem sangue circulando. A estrutura estava de pé, mas a vida — a vida tinha ficado em casa.
Na Baixada, o dia seguiu diferente. Teve café tomado com calma. Teve criança vendo o pai sair menos apressado — ou nem sair. Teve gente sentada na porta de casa, olhando o movimento que, pela primeira vez, não exigia presença. Um descanso que não vinha do lazer, mas da decisão.
Não foi um protesto barulhento. Foi ausência organizada.
E essa ausência pesou.</p>

<p>Ao longo das horas, o Rio foi percebendo o tamanho do vazio. Não eram só braços faltando. Era conhecimento, era experiência, era o ritmo invisível que mantém tudo funcionando. Do ar-condicionado do shopping à limpeza do chão do hospital, da logística do estoque à segurança da madrugada — tudo, tudo tinha um fio puxando direto da Baixada.
E esse fio foi desligado.
Por volta do meio-dia, já não era mais dúvida. Era constatação.</p>

<p>Sem a Baixada, o Rio não funciona.
Alguns tentaram explicar como “colapso operacional”. Outros falaram em “falha sistêmica”. Mas quem conhecia de verdade sabia: não era sistema nenhum. Era gente. Gente que pega três conduções. Gente que acorda antes do sol. Gente que constrói a cidade todos os dias sem nunca ser reconhecida como estrutura.</p>

<p>Naquele dia, o Rio viu.
Viu que não era só paisagem, cartão-postal ou narrativa turística. Era dependência. Era interdependência. Era uma cidade que só existe porque outra levanta antes dela.
Quando a noite caiu, o Rio estava mais quieto. Não pela paz, mas pelo cansaço de entender.
E na Baixada, a vida seguiu. Com seus problemas, suas lutas, suas ausências também — mas, naquele dia, com uma certeza compartilhada em silêncio:</p>

<p>Se a gente para, eles sentem.
E talvez, só talvez, naquele dia, o Rio tenha aprendido — ainda que tarde — que quem sustenta uma cidade não é quem aparece nela.
É quem, todos os dias, atravessa ela inteira para fazê-la existir.</p>

<p>Transcrito 18 de março de 2026. Uma quarta-feira quase chuvosa.</p>

<p>✍️ Publicado com carinho por Rafael Ramires Baptista, acompanhe novidades na Bantu Social.</p>
]]></content:encoded>
      <guid>https://blog.bantu.social/tecnorganico/o-dia-em-que-o-rio-esqueceu-de-acordar</guid>
      <pubDate>Wed, 18 Mar 2026 22:33:11 +0000</pubDate>
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    <item>
      <title>E no vigésimo primeiro dia daquele mês, ele nasceu...</title>
      <link>https://blog.bantu.social/tecnorganico/e-no-vigesimo-primeiro-dia-daquele-mes-ele-nasceu</link>
      <description>&lt;![CDATA[E no vigésimo primeiro dia daquele mês, ele nasceu...&#xA;&#xA;Aniversário sempre é uma trolha na minha mente. O abandono, a presença confusa, a ausência distribuída. Das faltas que se tem na vida, sem cartão amarelo nem VAR, essas foi uma das que mais cortaram por dentro.&#xA;&#xA;A gente busca pessoas dentro das pessoas né mermo? Como diz um copo que tem aqui em casa que comprei no TikTok. Dentro de mim tinha só eu, mas tudo mudou desde o dia 21 de outubro de 1996. Agora ni mim tem muita coisa, pra o tanto de coisa que ainda cabe de ter. &#xA;&#xA;Nos próximos 365 dias, vou me dedicar a ser uma boa companhia pra molhar os pés na cachoeira num dia frio, e lembrar de desviar das formigas pelo caminho. Como era, como devia continuar sendo. Os próximos dias depois desses, eu vejo como vai ficar mais pra frente.&#xA;&#xA;Feliz aniversário pra mim.&#xA;&#xA;✍️ Publicado com carinho por Rafael Ramires Baptista, acompanhe novidades na Bantu Social.]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p>E no vigésimo primeiro dia daquele mês, ele nasceu...</p>

<p>Aniversário sempre é uma trolha na minha mente. O abandono, a presença confusa, a ausência distribuída. Das faltas que se tem na vida, sem cartão amarelo nem VAR, essas foi uma das que mais cortaram por dentro.</p>

<p>A gente busca pessoas dentro das pessoas né mermo? Como diz um copo que tem aqui em casa que comprei no TikTok. Dentro de mim tinha só eu, mas tudo mudou desde o dia 21 de outubro de 1996. Agora ni mim tem muita coisa, pra o tanto de coisa que ainda cabe de ter.</p>

<p>Nos próximos 365 dias, vou me dedicar a ser uma boa companhia pra molhar os pés na cachoeira num dia frio, e lembrar de desviar das formigas pelo caminho. Como era, como devia continuar sendo. Os próximos dias depois desses, eu vejo como vai ficar mais pra frente.</p>

<p>Feliz aniversário pra mim.</p>

<p>✍️ Publicado com carinho por Rafael Ramires Baptista, acompanhe novidades na Bantu Social.</p>
]]></content:encoded>
      <guid>https://blog.bantu.social/tecnorganico/e-no-vigesimo-primeiro-dia-daquele-mes-ele-nasceu</guid>
      <pubDate>Wed, 22 Oct 2025 03:36:31 +0000</pubDate>
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