Lua Cheia Corava

Lua cheia corava róstos naquela noite. Saltavam pelas calçadas purpurinas e festim, em meio aos furdunços e bagunços, havia uma parte da noite serenando tranquilamente. Caminhando na velocidade da luz pro sono profundo. Eram suas perto da meia noite, quando um carinho sincerioso escorregava os dedos mamilo a fundo. As pontas dos dedos, onde as unhas não chegam, mas a digitais escrevem demoriosamente suas entrelinhas. Dedos que reparam na própria voltagem, do encontro atômico mais sensível entre duas peles se enroçando delicadamente. Mamilo que sobe, mamilo que desce. Os lábios entremeados, se desligam pra direcionar toda sensação pros seios, salteadas pelo dedilhar arrítmico, outrora rítmico, vagando entre desejo, cominho e tesão. A boca estremece, de um jeito que relaxa a cintura. A curva de perto da bunda, onde ficava nossa cauda pré homonsapiens, se rebola toda. A gente balança lentamente, enquanto uma dormência mista com baunilha canetava a mais bordosa metonimia. O suave de um abraço, com sabor de camomila. A calma transando com a euforia. Aquele relaxamento todo foi interrompido. Quando surgia aveludada, uma voz perguntando:

— Caso te incomode o carinho, pode falar que eu paro, tá?

A mão da dona dos mamilos mais deslizados daquela noite, desce a mão do dono dos dedos mais deslizantes daquele dia. Pousa na barriga, e os dados que escorriam agora pulsam, semi-apertam e desabrocham todo corpo da mão sob a parte que o umbigo descansa. Aperta, semi-aberta, solta combinando com o inspirar e expirar, camuflando doce com maná.

— Preciso de um gole d’água. Alcança pra mim? — Claro meu amor.

Golava na tampa, a boca ensecada. Devolve pra mesa de retângulo que dormia do lado da cama.

— Deixa eu te agarrar de ladinho? — Hum.

Bumbum balançou, como quem dizia em humnês: “Pode sim”. Acompanhado de um emoji de carinha pedindo pica, mas sabendo pedir. Aqueles corpos alinhavam-se, como chave na fechadura, de uma porta que de um lado abrigava os sonhos, que se realizavam do outro lado.