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nunca confiem em homens que não dão a bunda.

nunca confie ni quem nunca deu a bunda.

ressoava aos quatro cantos de minha cabeça, como zumbido no ouvido. como canção de melancolia extensa, em dia frio sem águas das chuvas. mas com muito molho de tristeza. eu pensava, mas quem diria, que de tanto lugar no mundo, esqueceram que tudo que sai pelo cu, nao entra por outro lugar senão de sua boca.

como pode uma bunda ser considerada mais suja do que o lugar que nela entra tudo que, cu, somente cu, tem a coragem de botar pra fora. a boca é quase passiva, se nela não coubesse tanta atividade. da boca sai o beijo, que nas entrelinhas da fala, utiliza-se da língua, seja ela falada-ouvida. ou, nela que se presenteia a vida, quando permitimos botar de tudo um pouco que seja capaz de alegrar uns dias. quase que o toque de dois lábios passou-se batido. mas ainda assim, temos menos vergonha de exibir subeijo, que a fresta sultuciosa que se abriga graciosamente no meio de uma bela bunda.

a boca ingere tudo, mais uma vez, que só e somente cu, tem coragem de botar pra fora. lembra que quando a boca engole, faz gulugulu. quando a boca deglote, faz-se um diálogo profundo que escorre pela garganta pra bater eco bem lá no fundo da barriguinha. intestino e demais companhias fazem da obra desnudo, tiram sua nutrição e redistribuem dentro do sistema orgânico nada revisionista. nutrientes se espalham pelo corpo rapidamente, na verdade, a depender do seu metabolismo, e do que vc ingeriu. resta o indesejado que fica do alimento, ou seja lá o que você anda ingerindo ao seu centro. contudo, só, e somente ela, vai abrir espaço de acolhida ao indesejado passar pra fora de sua organicidade, pra finalmente viver sua própria externalidade.

ao mesmo tempo que carrega tanta coragem pra expulsar. o cu esbanja sensibilidade para ser delicada ou abruptamente penetrado. tem um tilintar de cores capazes de representar o balanceamento entre idas e vindas, de tudo aquilo que possa ser deslizado. só, e somente cu, proporciona esse teu sorriso largo.

aprendi com a pessoa que mais amei na vida, cu não se pede, se recusa. você sugere e quem tem a posse proprietária do proletariado mais amado, desejado, adorado e reverenciado por toda a classe trabalhadora, carrega a árdua tarefa de, em sua súmula e repentina coragem, recusar ser obstinadamente deliciado ou naum. pra recusar, esse cu precisa ser desconfiado. eu não confio em cu que se propõe, pode ser por conta da mais simples bobagem ao mais viril propósito, a se manter, como podemos dizer, plenamente conservado. só de imaginar me deixa irritado.

tem que ter o coração perdido, e a mente deduzida em tantos impostos, que mal cabe a receita numa linha de 240 caracteres. a mente precisa ter sido muito sacaneada, pra acreditar que o cu pode abrigar mais bactéria que essa sua boca cheia de dente mal penteado pela escova de dente.

assim seria tudo isso, se tudo não passasse de um secular estratificado em nossa memória coletiva, famigerado ditado popular.

✍️ Publicado com carinho por Rafael Ramires Baptista, acompanhe novidades na Bantu Social.