O dia da viagem

Meu voo saía do Aeroporto de Guarulhos. Estava marcado para 20h30 do dia 28 de outubro.

Eu nunca tinha ido até aquele aeroporto, por isso decidi ir um pouco mais cedo, acompanhada da minha amiga Sofia, que trabalha no aeroporto.

Quando estava saindo de casa, recebi um e-mail informando que meu voo tinha sido cancelado e que eu havia sido alocada para o voo das 5h da manhã seguinte. Conversei com a minha amiga e ela me aconselhou a ir até o aeroporto e tentar uma realocação em alguma outra companhia. Quando cheguei, a fila já estava grande e, segundo os atendentes, o sistema estava lento.

Fila no guiche da companhia

Passei 4h em pé em uma fila em busca de uma realocação. Depois de tanto tempo, você começa a conversar com pessoas que estão na mesma situação que você.

O meu destino era Porto, em Portugal, e havia uma conexão em Madrid. Havia pessoas indo para diversos destinos, algumas também para Portugal. Muitos comentavam sobre como poderia ser difícil se comunicar no aeroporto de Madrid, onde os funcionários são conhecidos por sua arrogância e grosseria.

Adoro assistir documentários de aeroportos, e assistindo o de Miami, uma vez uma funcionária comentou que um dos maiores problemas dentro de aeroportos com cancelamentos e atrasos é manter o público calmo. Isso não aconteceu naquela fila. Depois de algumas horas, houve bate boca e estresses de pessoas que queriam prioridade ou furar a fila. Foi bem estressante, e esse foi o meu primeiro perrengue chique.

Consegui a alocação por outra companhia aérea, desta vez com a conexão em Lisboa. Fiquei feliz, já que o idioma na imigração não seria uma barreira. Antes de embarcar, ainda consegui dar um abraço na Sofia e agradecer pelo café que ela me levou enquanto eu estava na fila.

Enquanto eu estava na fila, ela aindam levou café.

E o bom disso tudo é que o voo estava vazio e consegui dormir esticada nas quatro cadeiras da fileira do meio da aeronave.

Passei pela imigração em Lisboa, foi muito tranquilo e mesmo eu com minha pasta cheia de documentos à disposição, a moça apenas perguntou se eu ia para estudar e logo depois carimbou meu passaporte.

A parte ruim é que a minha previsão de chegada era às 11h40 lá no Porto, mas cheguei apenas às 16h30. E foi incrível sair do portão, exausta, carregando minhas malas, e ver Daniel me esperando com café quentinho. <3

Eu havia realmente chegado na Europa. E ali eu senti que minha viagem havia começado.