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    <title>blog.bantu.social Reader</title>
    <link>https://blog.bantu.social</link>
    <description>Read the latest posts from blog.bantu.social.</description>
    <pubDate>Wed, 29 Apr 2026 13:25:53 +0000</pubDate>
    <item>
      <title>Mirabolideias - primeira leva</title>
      <link>https://blog.bantu.social/tecnorganico/mirabolideias-primeira-leva</link>
      <description>&lt;![CDATA[Mirabolideias - primeira leva&#xA;&#xA;Mirabolideias é minha nota pública de ideias e projetos pra fazer, em sua maioria, pra me divertir, gastar minha onda de nerd e compartilhar com o mundo aqui dentro da internet.&#xA;&#xA;criar página visual, com categorias e em ordem alfabética. quem sabe com filtros?&#xA;&#xA;para a lista de indicações do Tadrel, acesse aqui -  https://tadrel.desescritorio.art.br&#xA;&#xA;roda até o final da página e estará lá!&#xA;&#xA;--------------------------------------------------------------------]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Mirabolideias – primeira leva</p>

<p>Mirabolideias é minha nota pública de ideias e projetos pra fazer, em sua maioria, pra me divertir, gastar minha onda de nerd e compartilhar com o mundo aqui dentro da internet.</p>

<h1 id="criar-página-visual-com-categorias-e-em-ordem-alfabética-quem-sabe-com-filtros">criar página visual, com categorias e em ordem alfabética. quem sabe com filtros?</h1>

<p>para a lista de indicações do Tadrel, acesse aqui –&gt; <a href="https://tadrel.desescritorio.art.br" rel="nofollow">https://tadrel.desescritorio.art.br</a></p>

<p>roda até o final da página e estará lá!</p>

<hr>
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      <author>Tecnologia Não Resolve Tudo</author>
      <guid>https://blog.bantu.social/read/a/u38zcen2d0</guid>
      <pubDate>Sun, 26 Apr 2026 13:21:30 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>Lua Cheia Corava</title>
      <link>https://blog.bantu.social/tecnorganico/lua-cheira-corava</link>
      <description>&lt;![CDATA[Lua Cheia Corava&#xA;&#xA;Lua cheia corava róstos naquela noite. Saltavam pelas calçadas purpurinas e festim, em meio aos furdunços e bagunços, havia uma parte da noite serenando tranquilamente. Caminhando na velocidade da luz pro sono profundo. Eram suas perto da meia noite, quando um carinho sincerioso escorregava os dedos mamilo a fundo. As pontas dos dedos, onde as unhas não chegam, mas a digitais escrevem demoriosamente suas entrelinhas. Dedos que reparam na própria voltagem, do encontro atômico mais sensível entre duas peles se enroçando delicadamente. Mamilo que sobe, mamilo que desce. Os lábios entremeados, se desligam pra direcionar toda sensação pros seios, salteadas pelo dedilhar arrítmico, outrora rítmico, vagando entre desejo, cominho e tesão. A boca estremece, de um jeito que relaxa a cintura. A curva de perto da bunda, onde ficava nossa cauda pré homonsapiens, se rebola toda. A gente balança lentamente, enquanto uma dormência mista com baunilha canetava a mais bordosa metonimia. O suave de um abraço, com sabor de camomila. A calma transando com a euforia. Aquele relaxamento todo foi interrompido. Quando surgia aveludada, uma voz perguntando:&#xA;&#xA;— Caso te incomode o carinho, pode falar que eu paro, tá?&#xA;&#xA;A mão da dona dos mamilos mais deslizados daquela noite, desce a mão do dono dos dedos mais deslizantes daquele dia. Pousa na barriga, e os dados que escorriam agora pulsam, semi-apertam e desabrocham todo corpo da mão sob a parte que o umbigo descansa. Aperta, semi-aberta, solta combinando com o inspirar e expirar, camuflando doce com maná. &#xA;&#xA;— Preciso de um gole d’água. Alcança pra mim?&#xA;— Claro meu amor.&#xA;&#xA;Golava na tampa, a boca ensecada. Devolve pra mesa de retângulo que dormia do lado da cama. &#xA;&#xA;— Deixa eu te agarrar de ladinho?&#xA;— Hum.&#xA;&#xA;Bumbum balançou, como quem dizia em humnês: “Pode sim”. Acompanhado de um emoji de carinha pedindo pica, mas sabendo pedir. Aqueles corpos alinhavam-se, como chave na fechadura, de uma porta que de um lado abrigava os sonhos, que se realizavam do outro lado.&#xA;]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Lua Cheia Corava</p>

<p>Lua cheia corava róstos naquela noite. Saltavam pelas calçadas purpurinas e festim, em meio aos furdunços e bagunços, havia uma parte da noite serenando tranquilamente. Caminhando na velocidade da luz pro sono profundo. Eram suas perto da meia noite, quando um carinho sincerioso escorregava os dedos mamilo a fundo. As pontas dos dedos, onde as unhas não chegam, mas a digitais escrevem demoriosamente suas entrelinhas. Dedos que reparam na própria voltagem, do encontro atômico mais sensível entre duas peles se enroçando delicadamente. Mamilo que sobe, mamilo que desce. Os lábios entremeados, se desligam pra direcionar toda sensação pros seios, salteadas pelo dedilhar arrítmico, outrora rítmico, vagando entre desejo, cominho e tesão. A boca estremece, de um jeito que relaxa a cintura. A curva de perto da bunda, onde ficava nossa cauda pré homonsapiens, se rebola toda. A gente balança lentamente, enquanto uma dormência mista com baunilha canetava a mais bordosa metonimia. O suave de um abraço, com sabor de camomila. A calma transando com a euforia. Aquele relaxamento todo foi interrompido. Quando surgia aveludada, uma voz perguntando:</p>

<p>— Caso te incomode o carinho, pode falar que eu paro, tá?</p>

<p>A mão da dona dos mamilos mais deslizados daquela noite, desce a mão do dono dos dedos mais deslizantes daquele dia. Pousa na barriga, e os dados que escorriam agora pulsam, semi-apertam e desabrocham todo corpo da mão sob a parte que o umbigo descansa. Aperta, semi-aberta, solta combinando com o inspirar e expirar, camuflando doce com maná.</p>

<p>— Preciso de um gole d’água. Alcança pra mim?
— Claro meu amor.</p>

<p>Golava na tampa, a boca ensecada. Devolve pra mesa de retângulo que dormia do lado da cama.</p>

<p>— Deixa eu te agarrar de ladinho?
— Hum.</p>

<p>Bumbum balançou, como quem dizia em humnês: “Pode sim”. Acompanhado de um emoji de carinha pedindo pica, mas sabendo pedir. Aqueles corpos alinhavam-se, como chave na fechadura, de uma porta que de um lado abrigava os sonhos, que se realizavam do outro lado.</p>
]]></content:encoded>
      <author>Tecnologia Não Resolve Tudo</author>
      <guid>https://blog.bantu.social/read/a/zzkgqrc3kz</guid>
      <pubDate>Sun, 19 Apr 2026 03:19:21 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>O dia em que o Rio esqueceu de acordar</title>
      <link>https://blog.bantu.social/tecnorganico/o-dia-em-que-o-rio-esqueceu-de-acordar</link>
      <description>&lt;![CDATA[Dizem que o Rio de Janeiro nunca para. Que a cidade pulsa, respira, gira como se tivesse vida própria. Mas teve um dia — um único dia — em que o Rio acordou… e nada aconteceu.&#xA;&#xA;Não foi greve anunciada. Não teve sirene, sindicato, nem trending topic. Foi mais silencioso que isso. Foi como se a Baixada Fluminense, em um acordo invisível entre milhões de corpos cansados, tivesse decidido: hoje, não.&#xA;E então, o dia começou estranho.&#xA;&#xA;Os primeiros sinais vieram cedo, ainda de madrugada. Os ônibus que deveriam chegar já vieram vazios — ou nem vieram. Os trens, quando abriram as portas, não tinham aquele fluxo conhecido de gente que entra com pressa, equilibrando sono e necessidade. As plataformas estavam limpas demais. O silêncio, indevido.&#xA;Nos bairros da zona sul, os porteiros não estavam nas portarias. Nos prédios comerciais do centro, as luzes até acenderam, mas ninguém serviu o café. Nos hospitais, faltavam técnicos, auxiliares, gente que segura o mundo pelas beiradas. Nos escritórios, gestores olhavam telas esperando reuniões que nunca começaram.&#xA;&#xA;O Rio funcionava… mas só na aparência.&#xA;Era como um corpo sem sangue circulando. A estrutura estava de pé, mas a vida — a vida tinha ficado em casa.&#xA;Na Baixada, o dia seguiu diferente. Teve café tomado com calma. Teve criança vendo o pai sair menos apressado — ou nem sair. Teve gente sentada na porta de casa, olhando o movimento que, pela primeira vez, não exigia presença. Um descanso que não vinha do lazer, mas da decisão.&#xA;Não foi um protesto barulhento. Foi ausência organizada.&#xA;E essa ausência pesou.&#xA;&#xA;Ao longo das horas, o Rio foi percebendo o tamanho do vazio. Não eram só braços faltando. Era conhecimento, era experiência, era o ritmo invisível que mantém tudo funcionando. Do ar-condicionado do shopping à limpeza do chão do hospital, da logística do estoque à segurança da madrugada — tudo, tudo tinha um fio puxando direto da Baixada.&#xA;E esse fio foi desligado.&#xA;Por volta do meio-dia, já não era mais dúvida. Era constatação.&#xA;&#xA;Sem a Baixada, o Rio não funciona.&#xA;Alguns tentaram explicar como “colapso operacional”. Outros falaram em “falha sistêmica”. Mas quem conhecia de verdade sabia: não era sistema nenhum. Era gente. Gente que pega três conduções. Gente que acorda antes do sol. Gente que constrói a cidade todos os dias sem nunca ser reconhecida como estrutura.&#xA;&#xA;Naquele dia, o Rio viu.&#xA;Viu que não era só paisagem, cartão-postal ou narrativa turística. Era dependência. Era interdependência. Era uma cidade que só existe porque outra levanta antes dela.&#xA;Quando a noite caiu, o Rio estava mais quieto. Não pela paz, mas pelo cansaço de entender.&#xA;E na Baixada, a vida seguiu. Com seus problemas, suas lutas, suas ausências também — mas, naquele dia, com uma certeza compartilhada em silêncio:&#xA;&#xA;Se a gente para, eles sentem.&#xA;E talvez, só talvez, naquele dia, o Rio tenha aprendido — ainda que tarde — que quem sustenta uma cidade não é quem aparece nela.&#xA;É quem, todos os dias, atravessa ela inteira para fazê-la existir.&#xA;&#xA;Transcrito 18 de março de 2026. Uma quarta-feira quase chuvosa.&#xA;]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Dizem que o Rio de Janeiro nunca para. Que a cidade pulsa, respira, gira como se tivesse vida própria. Mas teve um dia — um único dia — em que o Rio acordou… e nada aconteceu.</p>

<p>Não foi greve anunciada. Não teve sirene, sindicato, nem trending topic. Foi mais silencioso que isso. Foi como se a Baixada Fluminense, em um acordo invisível entre milhões de corpos cansados, tivesse decidido: hoje, não.
E então, o dia começou estranho.</p>

<p>Os primeiros sinais vieram cedo, ainda de madrugada. Os ônibus que deveriam chegar já vieram vazios — ou nem vieram. Os trens, quando abriram as portas, não tinham aquele fluxo conhecido de gente que entra com pressa, equilibrando sono e necessidade. As plataformas estavam limpas demais. O silêncio, indevido.
Nos bairros da zona sul, os porteiros não estavam nas portarias. Nos prédios comerciais do centro, as luzes até acenderam, mas ninguém serviu o café. Nos hospitais, faltavam técnicos, auxiliares, gente que segura o mundo pelas beiradas. Nos escritórios, gestores olhavam telas esperando reuniões que nunca começaram.</p>

<p>O Rio funcionava… mas só na aparência.
Era como um corpo sem sangue circulando. A estrutura estava de pé, mas a vida — a vida tinha ficado em casa.
Na Baixada, o dia seguiu diferente. Teve café tomado com calma. Teve criança vendo o pai sair menos apressado — ou nem sair. Teve gente sentada na porta de casa, olhando o movimento que, pela primeira vez, não exigia presença. Um descanso que não vinha do lazer, mas da decisão.
Não foi um protesto barulhento. Foi ausência organizada.
E essa ausência pesou.</p>

<p>Ao longo das horas, o Rio foi percebendo o tamanho do vazio. Não eram só braços faltando. Era conhecimento, era experiência, era o ritmo invisível que mantém tudo funcionando. Do ar-condicionado do shopping à limpeza do chão do hospital, da logística do estoque à segurança da madrugada — tudo, tudo tinha um fio puxando direto da Baixada.
E esse fio foi desligado.
Por volta do meio-dia, já não era mais dúvida. Era constatação.</p>

<p>Sem a Baixada, o Rio não funciona.
Alguns tentaram explicar como “colapso operacional”. Outros falaram em “falha sistêmica”. Mas quem conhecia de verdade sabia: não era sistema nenhum. Era gente. Gente que pega três conduções. Gente que acorda antes do sol. Gente que constrói a cidade todos os dias sem nunca ser reconhecida como estrutura.</p>

<p>Naquele dia, o Rio viu.
Viu que não era só paisagem, cartão-postal ou narrativa turística. Era dependência. Era interdependência. Era uma cidade que só existe porque outra levanta antes dela.
Quando a noite caiu, o Rio estava mais quieto. Não pela paz, mas pelo cansaço de entender.
E na Baixada, a vida seguiu. Com seus problemas, suas lutas, suas ausências também — mas, naquele dia, com uma certeza compartilhada em silêncio:</p>

<p>Se a gente para, eles sentem.
E talvez, só talvez, naquele dia, o Rio tenha aprendido — ainda que tarde — que quem sustenta uma cidade não é quem aparece nela.
É quem, todos os dias, atravessa ela inteira para fazê-la existir.</p>

<p>Transcrito 18 de março de 2026. Uma quarta-feira quase chuvosa.</p>
]]></content:encoded>
      <author>Tecnologia Não Resolve Tudo</author>
      <guid>https://blog.bantu.social/read/a/pqcjpva25w</guid>
      <pubDate>Wed, 18 Mar 2026 22:33:11 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>us memu preto zica (ou Emicida, Racionais, Trindade e raízes)</title>
      <link>https://blog.bantu.social/dobrado/us-memu-preto-zica-ou-emicida-racionais-trindade-e-raizes</link>
      <description>&lt;![CDATA[O ano era 2019 e Emicida lançava o álbum AmaRelo. Quando ouvi as músicas, que soavam suaves e doloridas iguais às lágrimas de um pretinho que não podia chorar, eu entendi muita coisa. Entendi que o rap não podia ser excludente, que o rap deveria proteger pessoas, ensinar e trazer esperança. Seja ela pela violência de um Facção Central, pela tradição de um Athaliba e a Firma ou pelo colorido de um Rico Dalasam. O AmaRelo não era só pros pretos e pretas. Ele foi para todo mundo que, naquele momento, fugia de um discurso fascista de ódio e perseguição.&#xA;&#xA;AmaRelo era esperança.&#xA;!--more--&#xA;Em pouco tempo, se tornou o hino de muita gente e, durante a explosão da pandemia de 2020, se tornou a esperança daquelas pessoas que só queriam sobreviver mais um dia que parecia não acabar nunca. O &#34;lá-ia, lá-ia, lá, ia&#34; das pessoas escravizadas, levava esperança para as pessoas brancas trancadas em casa. Explicavam pra elas o que toda pessoa preta sempre soube:&#xA;&#xA;Tudo que nóiz tem é nóiz.&#xA;&#xA;O AmaRelo nos ensinou que tudo tem sua ordem. Seu começo e seu fim. Que o mesmo ódio no coração de toda pessoa brasileira, havia uma beleza infindável a mais do que a gente conhecia. AmaRelo usou nossa dor pra juntar nossos cacos e construir corações em conjuntos. E seis anos depois, Emicida retorna com o &#34;Emicida Racional VL. 3&#34;.&#xA;&#xA;&#34;Quem é me compreende, quem é rap sabe&#34; - Sabotage&#xA;&#xA;Um pouco de Tim Maia, um pouco de Kl Jay, um pouco de Vida Loka, mas sempre Racionais. Quem é preto como eu, já ta ligado qual é. Todas as batidas das raízes de um Emicida, eram rimadas pelas raízes Racionais do rap. Era sobre nós, era para nós. Dessa vez só pra nóis, porque ouvir Voz Ativa sempre nos traz um ódio bom, que só nosso peito conhece. Talvez por isso, depois do AmaRelo, essa fita mixada seja tão underground.&#xA;&#xA;Algumas semanas depois, ele lança o &#34;Emicida Racional VL 2 - Mesmas Cores &amp; Mesmos Valores&#34;. Emicida usou o  mais controverso álbum dos Racionais MC&#39;s para provar que ele ainda é um MC. Que ele ainda caminha com a gente. Ele apagou as fotos do Instagram e colou nas batalhas de rap, uma volta às raízes de um tempo que mordia cachorro por fome.&#xA;&#xA;&#34;Zica, vai lá!&#34; - Deus&#xA;&#xA;Apesar das Mesmas Cores &amp; Mesmos Valores, nos mostrou que somos Legítimos Herdeiros disso tudo. Que o rap é nosso, que o Hip Hop foi criado por nóis, que os tambores ainda são tocados por nóis, que a rua ainda é nóis. E mesmo depois do sopro do AmaRelo, ainda questionávamos &#34;o que nóiz faz com essa dor?&#34;. A gente ainda é duro como a ponta de uma caneta, que foge de tiros laicos n&#39;A mema praça.&#xA;&#xA;E no final, quando ele rima as músicas do Racionais Mc&#39;s, pra contar uma nova história ele diz pra gente que a história ainda é nossa. Que o rap ainda é nosso. Que os tambores ainda é nosso. Que as MPC ainda é nossa.&#xA;&#xA;A rua ainda é nóiz.]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p>O ano era 2019 e Emicida lançava o álbum AmaRelo. Quando ouvi as músicas, que soavam suaves e doloridas iguais às lágrimas de um pretinho que não podia chorar, eu entendi muita coisa. Entendi que o rap não podia ser excludente, que o rap deveria proteger pessoas, ensinar e trazer esperança. Seja ela pela violência de um Facção Central, pela tradição de um Athaliba e a Firma ou pelo colorido de um Rico Dalasam. O AmaRelo não era só pros pretos e pretas. Ele foi para todo mundo que, naquele momento, fugia de um discurso fascista de ódio e perseguição.</p>

<p>AmaRelo era esperança.

Em pouco tempo, se tornou o hino de muita gente e, durante a explosão da pandemia de 2020, se tornou a esperança daquelas pessoas que só queriam sobreviver mais um dia que parecia não acabar nunca. O “lá-ia, lá-ia, lá, ia” das pessoas escravizadas, levava esperança para as pessoas brancas trancadas em casa. Explicavam pra elas o que toda pessoa preta sempre soube:</p>

<p>Tudo que nóiz tem é nóiz.</p>

<p>O AmaRelo nos ensinou que tudo tem sua ordem. Seu começo e seu fim. Que o mesmo ódio no coração de toda pessoa brasileira, havia uma beleza infindável a mais do que a gente conhecia. AmaRelo usou nossa dor pra juntar nossos cacos e construir corações em conjuntos. E seis anos depois, Emicida retorna com o “Emicida Racional VL. 3”.</p>

<p>“Quem é me compreende, quem é rap sabe” – Sabotage</p>

<p>Um pouco de Tim Maia, um pouco de Kl Jay, um pouco de Vida Loka, mas sempre Racionais. Quem é preto como eu, já ta ligado qual é. Todas as batidas das raízes de um Emicida, eram rimadas pelas raízes Racionais do rap. Era sobre nós, era para nós. Dessa vez só pra nóis, porque ouvir Voz Ativa sempre nos traz um ódio bom, que só nosso peito conhece. Talvez por isso, depois do AmaRelo, essa fita mixada seja tão underground.</p>

<p>Algumas semanas depois, ele lança o “Emicida Racional VL 2 – Mesmas Cores &amp; Mesmos Valores”. Emicida usou o  mais controverso álbum dos Racionais MC&#39;s para provar que ele ainda é um MC. Que ele ainda caminha com a gente. Ele apagou as fotos do Instagram e colou nas batalhas de rap, uma volta às raízes de um tempo que mordia cachorro por fome.</p>

<p>“Zica, vai lá!” – Deus</p>

<p>Apesar das Mesmas Cores &amp; Mesmos Valores, nos mostrou que somos Legítimos Herdeiros disso tudo. Que o rap é nosso, que o Hip Hop foi criado por nóis, que os tambores ainda são tocados por nóis, que a rua ainda é nóis. E mesmo depois do sopro do AmaRelo, ainda questionávamos “o que nóiz faz com essa dor?”. A gente ainda é duro como a ponta de uma caneta, que foge de tiros laicos n&#39;A mema praça.</p>

<p>E no final, quando ele rima as músicas do Racionais Mc&#39;s, pra contar uma nova história ele diz pra gente que a história ainda é nossa. Que o rap ainda é nosso. Que os tambores ainda é nosso. Que as MPC ainda é nossa.</p>

<p>A rua ainda é nóiz.</p>
]]></content:encoded>
      <author>dobrado</author>
      <guid>https://blog.bantu.social/read/a/nvdgxwf82y</guid>
      <pubDate>Tue, 30 Dec 2025 20:46:36 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>Secretariado Digital - Suporte técnico a informática pessoal</title>
      <link>https://blog.bantu.social/tecnorganico/secretariado-digital</link>
      <description>&lt;![CDATA[Minino do T.I. De Aluguel, do arroz com feijão da internet aos cuidados digitais&#xA;&#xA; Para as redes sociais latifundiárias digitais, preparei um post visual, caso prefira visualizar, acesse por aqui em meu Instagram: &#xA; https://instagram.com/tecnorganico&#xA;&#xA; Me ajude a divulgar compartilhando um link mais fofo: &#xA;__ https://abre.ai/meninodotidealuguel&#xA;&#xA;Se tu for do centro de SP, se já não conhece, precisa conhecer a SOS Sapas, no RJ tem os quebra-galho, na Baixada agora tem Minino Do T.I De Aluguel.&#xA;&#xA;Sabe aquela vez que teu sobrinho demorou pra te ajudar com a senha do Facebook? Ou aquela vez que sua neta não baixou aquele DVD completo do Belo pra você? Com O Cara do Ti De Aluguel seus problemas acabaram!&#xA;&#xA;Com um atendimento personalizado, no seu ritmo, aprenda o essencial da informática pro dia a dia; organize sua bagunça virtual pelas nuvens, pendrives e HDs; e aumente sua imunidade digital deixando suas contas e redes sociais protegidas da melhor forma; aprenda como aplicar boas práticas de segurança digital no seu contexto diário.&#xA;&#xA;Pessoalmente, por telefone, zapzap, chamada de vídeo ou telegrama, vou fazer junto com você o necessário pra perder o medo de errar e apagar tudo sem querer, e agora quem teu sobrinho vai pedir ajuda nos compiuter é você.&#xA;&#xA;O Secretariado Digital é o fazer junto, te ensinar como resolver, enquanto deixamos tudo pronto pra você dar continuidade no uso, com mais consciência, consistência e sabedorias miúdas que podem facilitar seu aprendizado em novos desafios que o uso das tecnologias digitais costumam trazer. &#xA;&#xA;Serviços: &#xA;&#xA;1.&#x9;Secretariado Digital – atendimento a partir de 1h – para sanar dúvidas, configurar programas, aplicativos ou serviços sociais digitais em geral em qualquer dispositivo com acesso à internet.&#xA;&#xA;a.&#x9;Preços iniciais:&#xA;i.&#x9;1h30 = R$ 200,00 (inseguro que 1h ninguém pagaria)&#xA;ii.&#x9;3h = R$ 300,00&#xA;&#xA;2.&#x9;Ciclos Formativos para Habilidades Digitais – cursos de informática básica elaborados de maneira personalizada, para operar e compreender o uso de aplicativos, programas e ferramentas de computador, celular, notebook, e qualquer dispositivo com acesso à internet.&#xA;&#xA;a.&#x9;Preços iniciais:&#xA;i.&#x9;4 encontros = R$ 500,00&#xA;ii.&#x9;8 encontros = R$ 500,00 no mês ou R$ 1000,00 em cartão&#xA;&#xA;Minha atuação é focada em expandir o acesso aos saberes digitais essenciais pro dia a dia. Se não pode pagar, dá um salve que a gente conversa. Bagulho mais importante aqui é tu aprender e saber da melhor forma como se virar sozinho. Cobro porque preciso sobreviver.&#xA;&#xA;]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<h2 id="minino-do-t-i-de-aluguel-do-arroz-com-feijão-da-internet-aos-cuidados-digitais">Minino do T.I. De Aluguel, do arroz com feijão da internet aos cuidados digitais</h2>

<p>_ Para as redes sociais latifundiárias digitais, preparei um post visual, caso prefira visualizar, acesse por aqui em meu Instagram:
__ <a href="https://instagram.com/tecnorganico" rel="nofollow">https://instagram.com/tecnorganico</a></p>

<p>_ Me ajude a divulgar compartilhando um link mais fofo:
__ <a href="https://abre.ai/meninodotidealuguel" rel="nofollow">https://abre.ai/meninodotidealuguel</a></p>

<p>Se tu for do centro de SP, se já não conhece, precisa conhecer a SOS Sapas, no RJ tem os quebra-galho, na Baixada agora tem Minino Do T.I De Aluguel.</p>

<p>Sabe aquela vez que teu sobrinho demorou pra te ajudar com a senha do Facebook? Ou aquela vez que sua neta não baixou aquele DVD completo do Belo pra você? Com O Cara do Ti De Aluguel seus problemas acabaram!</p>

<p>Com um atendimento personalizado, no seu ritmo, aprenda o essencial da informática pro dia a dia; organize sua bagunça virtual pelas nuvens, pendrives e HDs; e aumente sua imunidade digital deixando suas contas e redes sociais protegidas da melhor forma; aprenda como aplicar boas práticas de segurança digital no seu contexto diário.</p>

<p>Pessoalmente, por telefone, zapzap, chamada de vídeo ou telegrama, vou fazer junto com você o necessário pra perder o medo de errar e apagar tudo sem querer, e agora quem teu sobrinho vai pedir ajuda nos compiuter é você.</p>

<p>O Secretariado Digital é o fazer junto, te ensinar como resolver, enquanto deixamos tudo pronto pra você dar continuidade no uso, com mais consciência, consistência e sabedorias miúdas que podem facilitar seu aprendizado em novos desafios que o uso das tecnologias digitais costumam trazer.</p>

<h1 id="serviços">Serviços:</h1>

<h2 id="1-secretariado-digital-atendimento-a-partir-de-1h-para-sanar-dúvidas-configurar-programas-aplicativos-ou-serviços-sociais-digitais-em-geral-em-qualquer-dispositivo-com-acesso-à-internet">1.   Secretariado Digital – atendimento a partir de 1h – para sanar dúvidas, configurar programas, aplicativos ou serviços sociais digitais em geral em qualquer dispositivo com acesso à internet.</h2>

<p>a.  Preços iniciais:
i.  1h30 = R$ 200,00 (inseguro que 1h ninguém pagaria)
ii. 3h = R$ 300,00</p>

<h2 id="2-ciclos-formativos-para-habilidades-digitais-cursos-de-informática-básica-elaborados-de-maneira-personalizada-para-operar-e-compreender-o-uso-de-aplicativos-programas-e-ferramentas-de-computador-celular-notebook-e-qualquer-dispositivo-com-acesso-à-internet">2.   Ciclos Formativos para Habilidades Digitais – cursos de informática básica elaborados de maneira personalizada, para operar e compreender o uso de aplicativos, programas e ferramentas de computador, celular, notebook, e qualquer dispositivo com acesso à internet.</h2>

<p>a.  Preços iniciais:
i.  4 encontros = R$ 500,00
ii. 8 encontros = R$ 500,00 no mês ou R$ 1000,00 em cartão</p>

<p>Minha atuação é focada em expandir o acesso aos saberes digitais essenciais pro dia a dia. Se não pode pagar, dá um salve que a gente conversa. Bagulho mais importante aqui é tu aprender e saber da melhor forma como se virar sozinho. Cobro porque preciso sobreviver.</p>
]]></content:encoded>
      <author>Tecnologia Não Resolve Tudo</author>
      <guid>https://blog.bantu.social/read/a/wdv5m423kz</guid>
      <pubDate>Wed, 08 Oct 2025 21:40:57 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>ouço sua respiração</title>
      <link>https://blog.bantu.social/aline/ouco-sua-respiracao</link>
      <description>&lt;![CDATA[ouço sua respiração&#xA;você dormindo sobre meu ombro&#xA;nossas pernas entrelaçadas&#xA;de forma inexplicavelmente confortável&#xA;nossos corpos confortáveis&#xA;e inexplicavelmente entrelaçados&#xA;sinto meus sentimentos embolados com os seus&#xA;uma cadeia de DNA&#xA;que carrega carinho e empatia&#xA;carinhos e afetos como cachoeiras&#xA;passando e renovando&#xA;às vezes de forma lenta&#xA;a depender da estação&#xA;às vezes como tromba d&#39;água&#xA;afogando todas as possíveis mágoas&#xA;pode ser a água do mar&#xA;vindo e me arrastando lentamente&#xA;e mesmo insegura&#xA;continuo ali&#xA;suas altas ondas&#xA;maré agitada&#xA;um mar de ressaca&#xA;que aumenta sua beleza&#xA;sua persistência e teimosia&#xA;como ondas que nunca cessam&#xA;água limpa que vem inundando minha vida&#xA;você é meu mar mineiro&#xA;e ao mesmo tempo&#xA;o recheio do meu pão de queijo]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p>ouço sua respiração
você dormindo sobre meu ombro
nossas pernas entrelaçadas
de forma inexplicavelmente confortável
nossos corpos confortáveis
e inexplicavelmente entrelaçados
sinto meus sentimentos embolados com os seus
uma cadeia de DNA
que carrega carinho e empatia
carinhos e afetos como cachoeiras
passando e renovando
às vezes de forma lenta
a depender da estação
às vezes como tromba d&#39;água
afogando todas as possíveis mágoas
pode ser a água do mar
vindo e me arrastando lentamente
e mesmo insegura
continuo ali
suas altas ondas
maré agitada
um mar de ressaca
que aumenta sua beleza
sua persistência e teimosia
como ondas que nunca cessam
água limpa que vem inundando minha vida
você é meu mar mineiro
e ao mesmo tempo
o recheio do meu pão de queijo</p>
]]></content:encoded>
      <author>Line ليني</author>
      <guid>https://blog.bantu.social/read/a/zfdd6hmxgs</guid>
      <pubDate>Tue, 27 May 2025 14:29:49 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>Uma semana no Porto.</title>
      <link>https://blog.bantu.social/viagem2024/uma-semana-no-porto</link>
      <description>&lt;![CDATA[Uma semana no Porto.&#xA;&#xA;Passei uma semana em Portugal, no Porto, antes de ir para Malta. Comprei uma calça e duas camisas no brechó da imagem abaixo, o que me custou o total de 4€!&#xA;&#xA;Brechó numa praça&#xA;&#xA;Aproveitei para rever minha amiga Lindley. A última vez que tínhamos nos visto tinha sido em Lisboa, em 2023. Ela estava de passagem por lá, e eu também, voltando para o Brasil.&#xA;&#xA;Lindley e eu&#xA;&#xA;Nos conhecemos na faculdade. Tínhamos uma amiga em comum e eu a observava e a admirava por entre os corredores da Faculdade de Letras, na UFRJ.&#xA;&#xA;Quando estava ainda me inscrevendo na Soul Bilíngue, ela me contou que eles contribuíram para sua vaquinha quando estava para imigrar com a irmã.&#xA;&#xA;Não éramos proximas, nem aqui no Brasil, e nem quando nos vimos em Lisboa. Mas dessa vez foi diferente.&#xA;&#xA;Ela agora morava no Porto. Saímos juntas para almoçar, para tomar uma cerveja e esses encontros com ela tornaram essa relação um pouco mais especial. Ela também é da Baixada Fluminense, então podíamos compartilhar visões que só nós duas conseguiríamos entender.&#xA;&#xA;Compartilhar o caos que é ter acesso aos &#34;benefícios&#34; de estar na Europa; conversar sobre a esperança de uma revolta armada; e trocar abraços quando ela falava da saudade do Rio de Janeiro. Houve lágrimas derramadas, mas também a vi dar risada - algo que eu tinha acabado de descobrir que, por mais sorridente que ela fosse, não era algo fácil.&#xA;&#xA;Lindley mostrando o anel que comprou no brechó&#xA;&#xA;Foram só alguns dias, poucos momentos. Mas dali a um mês, eu voltaria pro Porto, e teríamos mais tempo juntas para estreitar uma amizade sincera que havia acabado de começar, de forma espontânea e acolhedora.&#xA;&#xA;]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Uma semana no Porto.</p>

<p>Passei uma semana em Portugal, no Porto, antes de ir para Malta. Comprei uma calça e duas camisas no brechó da imagem abaixo, o que me custou o total de 4€!</p>

<p><img src="https://bagulhos.bantu.social/media_attachments/files/114/229/038/734/336/675/original/fb0a0b52ac4afc93.png" alt="Brechó numa praça"></p>

<p>Aproveitei para rever minha amiga Lindley. A última vez que tínhamos nos visto tinha sido em Lisboa, em 2023. Ela estava de passagem por lá, e eu também, voltando para o Brasil.</p>

<p><img src="https://bagulhos.bantu.social/media_attachments/files/114/229/042/846/148/514/original/cd94e77f4011323f.png" alt="Lindley e eu"></p>

<p>Nos conhecemos na faculdade. Tínhamos uma amiga em comum e eu a observava e a admirava por entre os corredores da Faculdade de Letras, na UFRJ.</p>

<p>Quando estava ainda me inscrevendo na Soul Bilíngue, ela me contou que eles contribuíram para sua vaquinha quando estava para imigrar com a irmã.</p>

<p>Não éramos proximas, nem aqui no Brasil, e nem quando nos vimos em Lisboa. Mas dessa vez foi diferente.</p>

<p>Ela agora morava no Porto. Saímos juntas para almoçar, para tomar uma cerveja e esses encontros com ela tornaram essa relação um pouco mais especial. Ela também é da Baixada Fluminense, então podíamos compartilhar visões que só nós duas conseguiríamos entender.</p>

<p>Compartilhar o caos que é ter acesso aos “benefícios” de estar na Europa; conversar sobre a esperança de uma revolta armada; e trocar abraços quando ela falava da saudade do Rio de Janeiro. Houve lágrimas derramadas, mas também a vi dar risada – algo que eu tinha acabado de descobrir que, por mais sorridente que ela fosse, não era algo fácil.</p>

<p><img src="https://bagulhos.bantu.social/media_attachments/files/114/229/047/958/908/619/original/d3704cdaa325d307.png" alt="Lindley mostrando o anel que comprou no brechó"></p>

<p>Foram só alguns dias, poucos momentos. Mas dali a um mês, eu voltaria pro Porto, e teríamos mais tempo juntas para estreitar uma amizade sincera que havia acabado de começar, de forma espontânea e acolhedora.</p>
]]></content:encoded>
      <author>A viagem da vida - até agora</author>
      <guid>https://blog.bantu.social/read/a/7ln61lco7x</guid>
      <pubDate>Wed, 26 Mar 2025 13:51:55 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>O dia da viagem</title>
      <link>https://blog.bantu.social/viagem2024/o-dia-da-viagem</link>
      <description>&lt;![CDATA[O dia da viagem&#xA;&#xA;Meu voo saía do Aeroporto de Guarulhos. Estava marcado para 20h30 do dia 28 de outubro.&#xA;&#xA;Eu nunca tinha ido até aquele aeroporto, por isso decidi ir um pouco mais cedo, acompanhada da minha amiga Sofia, que trabalha no aeroporto.&#xA;&#xA;Quando estava saindo de casa, recebi um e-mail informando que meu voo tinha sido cancelado e que eu havia sido alocada para o voo das 5h da manhã seguinte. Conversei com a minha amiga e ela me aconselhou a ir até o aeroporto e tentar uma realocação em alguma outra companhia. Quando cheguei, a fila já estava grande e, segundo os atendentes, o sistema estava lento.&#xA;&#xA;Fila no guiche da companhia&#xA;&#xA;Passei 4h em pé em uma fila em busca de uma realocação. Depois de tanto tempo, você começa a conversar com pessoas que estão na mesma situação que você.&#xA;&#xA;O meu destino era Porto, em Portugal, e havia uma conexão em Madrid. Havia pessoas indo para diversos destinos, algumas também para Portugal. Muitos comentavam sobre como poderia ser difícil se comunicar no aeroporto de Madrid, onde os funcionários são conhecidos por sua arrogância e grosseria.&#xA;&#xA;Adoro assistir documentários de aeroportos, e assistindo o de Miami, uma vez uma funcionária comentou que um dos maiores problemas dentro de aeroportos com cancelamentos e atrasos é manter o público calmo. Isso não aconteceu naquela fila. Depois de algumas horas, houve bate boca e estresses de pessoas que queriam prioridade ou furar a fila. Foi bem estressante, e esse foi o meu primeiro perrengue chique.&#xA;&#xA;Consegui a alocação por outra companhia aérea, desta vez com a conexão em Lisboa. Fiquei feliz, já que o idioma na imigração não seria uma barreira. Antes de embarcar, ainda consegui dar um abraço na Sofia e agradecer pelo café que ela me levou enquanto eu estava na fila.&#xA;&#xA;Enquanto eu estava na fila, ela aindam levou café.&#xA;&#xA;E o bom disso tudo é que o voo estava vazio e consegui dormir esticada nas quatro cadeiras da fileira do meio da aeronave.&#xA;&#xA;Passei pela imigração em Lisboa, foi muito tranquilo e mesmo eu com minha pasta cheia de documentos à disposição, a moça apenas perguntou se eu ia para estudar e logo depois carimbou meu passaporte.&#xA;&#xA;A parte ruim é que a minha previsão de chegada era às 11h40 lá no Porto, mas cheguei apenas às 16h30. E foi incrível sair do portão, exausta, carregando minhas malas, e ver Daniel me esperando com café quentinho. &lt;3&#xA;&#xA;Eu havia realmente chegado na Europa. E ali eu senti que minha viagem havia começado.]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p>O dia da viagem</p>

<p>Meu voo saía do Aeroporto de Guarulhos. Estava marcado para 20h30 do dia 28 de outubro.</p>

<p>Eu nunca tinha ido até aquele aeroporto, por isso decidi ir um pouco mais cedo, acompanhada da minha amiga Sofia, que trabalha no aeroporto.</p>

<p>Quando estava saindo de casa, recebi um e-mail informando que meu voo tinha sido cancelado e que eu havia sido alocada para o voo das 5h da manhã seguinte. Conversei com a minha amiga e ela me aconselhou a ir até o aeroporto e tentar uma realocação em alguma outra companhia. Quando cheguei, a fila já estava grande e, segundo os atendentes, o sistema estava lento.</p>

<p><img src="https://bagulhos.bantu.social/media_attachments/files/114/224/508/709/683/295/original/5f0560edbb02e995.png" alt="Fila no guiche da companhia"></p>

<p>Passei 4h em pé em uma fila em busca de uma realocação. Depois de tanto tempo, você começa a conversar com pessoas que estão na mesma situação que você.</p>

<p>O meu destino era Porto, em Portugal, e havia uma conexão em Madrid. Havia pessoas indo para diversos destinos, algumas também para Portugal. Muitos comentavam sobre como poderia ser difícil se comunicar no aeroporto de Madrid, onde os funcionários são conhecidos por sua arrogância e grosseria.</p>

<p>Adoro assistir documentários de aeroportos, e assistindo o de Miami, uma vez uma funcionária comentou que um dos maiores problemas dentro de aeroportos com cancelamentos e atrasos é manter o público calmo. Isso não aconteceu naquela fila. Depois de algumas horas, houve bate boca e estresses de pessoas que queriam prioridade ou furar a fila. Foi bem estressante, e esse foi o meu primeiro perrengue chique.</p>

<p>Consegui a alocação por outra companhia aérea, desta vez com a conexão em Lisboa. Fiquei feliz, já que o idioma na imigração não seria uma barreira. Antes de embarcar, ainda consegui dar um abraço na Sofia e agradecer pelo café que ela me levou enquanto eu estava na fila.</p>

<p><img src="https://bagulhos.bantu.social/media_attachments/files/114/224/511/849/466/816/original/2542457b00b79e36.png" alt="Enquanto eu estava na fila, ela aindam levou café."></p>

<p>E o bom disso tudo é que o voo estava vazio e consegui dormir esticada nas quatro cadeiras da fileira do meio da aeronave.</p>

<p>Passei pela imigração em Lisboa, foi muito tranquilo e mesmo eu com minha pasta cheia de documentos à disposição, a moça apenas perguntou se eu ia para estudar e logo depois carimbou meu passaporte.</p>

<p>A parte ruim é que a minha previsão de chegada era às 11h40 lá no Porto, mas cheguei apenas às 16h30. E foi incrível sair do portão, exausta, carregando minhas malas, e ver Daniel me esperando com café quentinho. &lt;3</p>

<p>Eu havia realmente chegado na Europa. E ali eu senti que minha viagem havia começado.</p>
]]></content:encoded>
      <author>A viagem da vida - até agora</author>
      <guid>https://blog.bantu.social/read/a/sbgik9f5bt</guid>
      <pubDate>Tue, 25 Mar 2025 18:37:38 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>Precisei de tempo para organizar minhas ideias.</title>
      <link>https://blog.bantu.social/viagem2024/precisei-de-tempo-para-organizar-minhas-ideias</link>
      <description>&lt;![CDATA[Precisei de tempo para organizar minhas ideias. Tempo para realmente acreditar que tudo aquilo realmente aconteceu.&#xA;&#xA;Já era estranho pensar que eu, Aline, uma menina da Baixada Fluminense, já havia atravessado o Oceano Atlântico em 2022 para passar 40 dias na Europa. Às vezes, me pegava pensando nisso e voltava nas fotos para reforçar pra mim que aquilo tinha sido real.&#xA;&#xA;Quando recebi a notícia da Soul Bilíngue, em maio, que minha viagem aconteceria em novembro de 2024, eu tinha 5 meses para organizar tudo. A maior preocupação sempre foi com os gastos. Eu tinha medo de não conseguir arcar com o que precisaria, de passar perrengue financeiro e todas essas coisas. Felizmente, isso se resolveu com a vaquinha e com o apoio de muitas pessoas ao meu redor. Algumas, nem ao meu redor estavam. Desde maio, eu recebia todo mês uma doação de um tal Bruno Cavalcante, que até hoje eu não sei quem é, mas que sou muito grata pela recorrência das doações. Além disso, tive um apoio muito grande dos meus queridos amigos mastodônticos, como Flávio e Daniel.&#xA;&#xA;O Mastodon foi uma rede de apoio desde quando eu ainda estava concorrendo à bolsa. As pessoas me ajudaram financeiramente, com dicas de viagem, passagens, objetos essenciais e isso foi completamente importante para que a viagem ocorresse da forma que ocorreu.&#xA;&#xA;Meu medo, logo após ao financeiro, era também o da imigração. Acredito que qualquer pessoa do sul-global quando viaja para a Europa tem esse receio por ser uma área de procura constante por moradia e trabalho. No fim, deu tudo muito certo. &#xA;&#xA;Consegui entrar na Europa, no dia 28 de outubro de 2024. Tive alguns problemas com a viagem, mas isso eu contarei mais pra frente.&#xA;&#xA;Passei 88 dias em viagem, conheci Portugal, Malta, Itália, Suécia e Marrocos. Também tive uma paradinha em Madrid - mas não por escolha.&#xA;&#xA;Fiz muitos registros ao longo desses dias. Fui mais blogueira que o comum na rede de fotos de pessoas felizes - você sabe qual -, mas certamente não postei nem 10% de tudo que vivi.&#xA;&#xA;Resolvi criar então, aqui no blog, uma série de textos falando um pouco mais sobre os momentos que mais me marcaram, para compartilhar, um pouco, com aqueles que se interessarem sobre a viagem mais marcante da minha vida até agora.&#xA;&#xA;&#34;O interior que gosto de ver nem sempre é o da cidade - muitas vezes é o meu. E todas as viagens lembram-me do quanto estou disposta a crescer, como ser, ao desbravar várias histórias, cores, culturas e cantinhos por esse mundão. 💖&#34;&#xA;&#xA;Escrevi esse trecho em 24 de outubro de 2024, sem saber que essa outra viagem que estava por vir me mudaria muito mais do que qualquer outra de antes.]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Precisei de tempo para organizar minhas ideias. Tempo para realmente acreditar que tudo aquilo realmente aconteceu.</p>

<p>Já era estranho pensar que eu, Aline, uma menina da Baixada Fluminense, já havia atravessado o Oceano Atlântico em 2022 para passar 40 dias na Europa. Às vezes, me pegava pensando nisso e voltava nas fotos para reforçar pra mim que aquilo tinha sido real.</p>

<p>Quando recebi a notícia da Soul Bilíngue, em maio, que minha viagem aconteceria em novembro de 2024, eu tinha 5 meses para organizar tudo. A maior preocupação sempre foi com os gastos. Eu tinha medo de não conseguir arcar com o que precisaria, de passar perrengue financeiro e todas essas coisas. Felizmente, isso se resolveu com a vaquinha e com o apoio de muitas pessoas ao meu redor. Algumas, nem ao meu redor estavam. Desde maio, eu recebia todo mês uma doação de um tal Bruno Cavalcante, que até hoje eu não sei quem é, mas que sou muito grata pela recorrência das doações. Além disso, tive um apoio muito grande dos meus queridos amigos mastodônticos, como Flávio e Daniel.</p>

<p>O Mastodon foi uma rede de apoio desde quando eu ainda estava concorrendo à bolsa. As pessoas me ajudaram financeiramente, com dicas de viagem, passagens, objetos essenciais e isso foi completamente importante para que a viagem ocorresse da forma que ocorreu.</p>

<p>Meu medo, logo após ao financeiro, era também o da imigração. Acredito que qualquer pessoa do sul-global quando viaja para a Europa tem esse receio por ser uma área de procura constante por moradia e trabalho. No fim, deu tudo muito certo.</p>

<p>Consegui entrar na Europa, no dia 28 de outubro de 2024. Tive alguns problemas com a viagem, mas isso eu contarei mais pra frente.</p>

<p>Passei 88 dias em viagem, conheci Portugal, Malta, Itália, Suécia e Marrocos. Também tive uma paradinha em Madrid – mas não por escolha.</p>

<p>Fiz muitos registros ao longo desses dias. Fui mais blogueira que o comum na rede de fotos de pessoas felizes – você sabe qual –, mas certamente não postei nem 10% de tudo que vivi.</p>

<p>Resolvi criar então, aqui no blog, uma série de textos falando um pouco mais sobre os momentos que mais me marcaram, para compartilhar, um pouco, com aqueles que se interessarem sobre a viagem mais marcante da minha vida até agora.</p>

<p>“O interior que gosto de ver nem sempre é o da cidade – muitas vezes é o meu. E todas as viagens lembram-me do quanto estou disposta a crescer, como ser, ao desbravar várias histórias, cores, culturas e cantinhos por esse mundão. 💖”</p>

<p>Escrevi esse trecho em 24 de outubro de 2024, sem saber que essa outra viagem que estava por vir me mudaria muito mais do que qualquer outra de antes.</p>
]]></content:encoded>
      <author>A viagem da vida - até agora</author>
      <guid>https://blog.bantu.social/read/a/mr890h48l9</guid>
      <pubDate>Fri, 14 Mar 2025 15:41:36 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>Taxa de Aborrecimento em Cuidados Digitais</title>
      <link>https://blog.bantu.social/tecnorganico/voce-ja-sentiu-um-desconforto-quando-comeca-a-fazer-uma-coisa-nova</link>
      <description>&lt;![CDATA[Você já sentiu um desconforto quando começa a fazer uma coisa nova? Aquela sensação de “porra, não consigo fazer isso de jeito nenhum”, busca aí na mente a última vez que sentiu isso, captura esse momento, agora pensa em outros momentos e compara. Parece que pra algumas coisas, o nosso desconforto vai ser muito maior do que em outras algumas coisas. Esse desconforto às vezes se soma aos pequenos irritantes, aqueles desafios do dia a dia que deixa a gente irritado. Como não conseguir passar o RioCard de primeira, seja porque a máquina de cartão não leu direito o chip ou porque você fez recarga e recarregou na hora ali. São coisas pequenas, esquecíveis, mas que quando rolam com você, te trazem sensações desagradáveis, em diferentes intensidades.&#xA;3 pessoas negras numa cozinha, bem típica no brasil. Geladeira com ímãs. Paninho de rendinha na mesa. Estão conversando e dando risada, enquanto uma mulher negra jovem mexe no computador, com fones de ouvido.&#xA;&#xA;Agora imagina o seguinte cenário, você tentando explicar pra sua mãe que ela precisa botar senha no telefone dela, ela diz pra você que não precisa, que complica mais pra desbloquear a tela. Você insiste, explica novamente, fala sobre um assaltante que se levar o telefone dela e tentar abrir o aplicativo do banco, sem a senha na tela vai facilitar um pouquinho. Ela te responde, mas o aplicativo do banco tem senha, ele não vai acessar, e aí já sem tanta paciência você rebate, mas mãe, tem formas de descobrir a senha do seu aplicativo, sem precisar da senha. Ela encerra a conversa dizendo, então não preciso botar senha na tela, se dá pra descobrir de qualquer jeito, qual a diferença?&#xA;&#xA;Bom, não é bem por aí. Queria parecer confuso no começo desse texto de propósito, pra ilustrar que a gente se aborrece, no geral, as pessoas se aborrecem o tempo inteiro, pra fazer qualquer coisa. Desde ações pequenas que modificam nossa rotina, até grandes passos transformadores de realidade. E com as bugingangas tecnológicas não seria diferente.&#xA;&#xA;Começamos na internet discada, com aqueles grunhidos que saíam das caixas de som durante a tentativa de conexão, após isso passamos para modens de Oi Velox capazes de transportar longíquos 1 megabytes de dados. 5 megabytes hoje em dia não é nem um PDF que você manda pra um colega de trabalho depois do expediente. A internet evoluiu muito. Atualmente passamos em média 9h por dia no celular, segundo estudos, essa é uma das maiores médias de uso do celular do mundo, aqui o Brasil ganha de 7 a 1, em tempo de tela.&#xA;mulher negra tomando café olhando pra câmera, na mesma cozinha linda da foto anterior.&#xA;&#xA;Repensar a forma como lidamos com essa relação intensa com as telas, é um aborrecimento. Você ousaria ficar 1 mês inteiro sem celular? Imagina o aborrecimento que isso te causaria, na vida pessoal, profissional, familiar, no barzinho de sexta, na feira de domingo, no caminho pro trabalho novo. Esse grau de irritação seria muito alto em um mês inteiro desconectado, mas ele pode ser menor, conforme você diminui o tempo fora, ou melhor, de acordo com novos modos de usar seu celular, você pode se aborrecer menos e aumentar a qualidade da sua relação com as telas. Pode até transformar sua vida celulística num jeito de potencializar sua existência, melhorar sua comunicação, fortalecer seu autocuidado e outras coisas inimagináveis, até porque, enquanto sociedade nunca tivemos boas relações com as máquinas.&#xA;&#xA;Em uma caminhada pelo cuidado da saúde mental, não estar tanto tempo deslizando o dedo pelas telas, pode ser uma boa saída. Principalmente se você é uma pessoa trans nas redes, os dados sobre discurso de ódio à pessoas trans e LGBTQIAP+ são ensurdecedores. Números esses que se multiplicam de uma rede social para outra, são violências que tem como plataformas esses aplicativos e sites de “interação social”. Revisitar seus modos de uso dos celulares, pode te deixar mais feliz quando estiver online, mas eu vou torcer pela paz como Jroge Ben Jor, pra que você prefira sempre ficar offline, se puder e se quiser.&#xA;&#xA;A tudo isso, essa irritação digital e a necessidade de se proteger digitalmente, temos uma coisa no meio do caminho, a nossa taxa de aborrecimento, [taxa de aborrecimento] nas novas tecnologias, [taxa de aborrecimento] nas novas ferramentas, [taxa de aborrecimento] nas novas práticas. Mas como pra tudo temos [taxa de aborrecimento], tipo quando queremos deixar o sedentarismo de lado, correr um pouco por dia, mas só por 5 minutos, pra não ficar pesado. Pra quando queremos dormir cedo, mas meia noite tá bom, depois eu vou dormindo mais cedo se conseguir. Sempre criando nossos meios de diminuir nosso aborrecimento, nosso desconforto fatídico ao mudar de vida. Ao cuidar de si mermo, a botar nossa saúde como prioridade ou simplesmente, querer mudar um pouco, porque mudar é importante.&#xA;&#xA;A taxa de aborrecimento, vai estar presente em tudo que puder fazer a sua vida diferente, pra melhor, ou pra pior. Por isso é importante estar atento a ela, tomar cuidado. Porque ela também indica se essa mudança vai valer a pena pra gente, tem mudanças mais dolorosas que outras, que nossa taxa de aborrecimento vai beirar o infinito, mas que podem nos salvar a vida. Outras modificações dolorosas, podem mexer em nossa tolerência pelo aborrecimento, mas podem verdadeiramente estar acabando com a gente, e talvez é preciso recuar nessa, rever, repensar, desfazer, recomeçar. Na tecnologia é por aí, se um dia te falarem que seu celular ouve suas conversas, dê uma refletida, consigo me cuidar disso? Preciso me cuidar disso? Posso aprender como, preciso saber se quero.&#xA;&#xA;A proposta dessa coluna, minha família, é apresentar a vocês possibilidades de cuidados digitais, celebrar o que vocês já sabem desse mundo-maluco-tecnológico, engrandecer suas dúvidas, pra gente lidar com elas, deixar nossa taxa de aborrecimento curta e aceitável. Enfrentar o medo desse tanto de nomes em inglês que mexem com nossa vida cada vez mais. Eu quero mostrar como me cuido, e contar as histórias do que tenho aprendido falando sobre isso por onde ando, seja na minha comunidade em Imbariê, no complexo da Maré, no Muquiço em Guadalupe ou lá em Belém do Pará. Caminho pelo mundo nessa missão, mas parto da Baixada Fluminense, e é pra cá que retorno tudo que construo. Quero construir com vocês.&#xA;&#xA;Podem me chamar de Ramires, O Tecnorgânico. A parte orgânica vem depois.&#xA;homem negro agachado ao lado de uma lixeira escrita &#34;orgânico&#34;&#xA;]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Você já sentiu um desconforto quando começa a fazer uma coisa nova? Aquela sensação de “porra, não consigo fazer isso de jeito nenhum”, busca aí na mente a última vez que sentiu isso, captura esse momento, agora pensa em outros momentos e compara. Parece que pra algumas coisas, o nosso desconforto vai ser muito maior do que em outras algumas coisas. Esse desconforto às vezes se soma aos pequenos irritantes, aqueles desafios do dia a dia que deixa a gente irritado. Como não conseguir passar o RioCard de primeira, seja porque a máquina de cartão não leu direito o chip ou porque você fez recarga e recarregou na hora ali. São coisas pequenas, esquecíveis, mas que quando rolam com você, te trazem sensações desagradáveis, em diferentes intensidades.
3 pessoas negras numa cozinha, bem típica no brasil. Geladeira com ímãs. Paninho de rendinha na mesa. Estão conversando e dando risada, enquanto uma mulher negra jovem mexe no computador, com fones de ouvido.</p>

<p>Agora imagina o seguinte cenário, você tentando explicar pra sua mãe que ela precisa botar senha no telefone dela, ela diz pra você que não precisa, que complica mais pra desbloquear a tela. Você insiste, explica novamente, fala sobre um assaltante que se levar o telefone dela e tentar abrir o aplicativo do banco, sem a senha na tela vai facilitar um pouquinho. Ela te responde, mas o aplicativo do banco tem senha, ele não vai acessar, e aí já sem tanta paciência você rebate, mas mãe, tem formas de descobrir a senha do seu aplicativo, sem precisar da senha. Ela encerra a conversa dizendo, então não preciso botar senha na tela, se dá pra descobrir de qualquer jeito, qual a diferença?</p>

<p>Bom, não é bem por aí. Queria parecer confuso no começo desse texto de propósito, pra ilustrar que a gente se aborrece, no geral, as pessoas se aborrecem o tempo inteiro, pra fazer qualquer coisa. Desde ações pequenas que modificam nossa rotina, até grandes passos transformadores de realidade. E com as bugingangas tecnológicas não seria diferente.</p>

<p>Começamos na internet discada, com aqueles grunhidos que saíam das caixas de som durante a tentativa de conexão, após isso passamos para modens de Oi Velox capazes de transportar longíquos 1 megabytes de dados. 5 megabytes hoje em dia não é nem um PDF que você manda pra um colega de trabalho depois do expediente. A internet evoluiu muito. Atualmente passamos em média 9h por dia no celular, segundo estudos, essa é uma das maiores médias de uso do celular do mundo, aqui o Brasil ganha de 7 a 1, em tempo de tela.
mulher negra tomando café olhando pra câmera, na mesma cozinha linda da foto anterior.</p>

<p>Repensar a forma como lidamos com essa relação intensa com as telas, é um aborrecimento. Você ousaria ficar 1 mês inteiro sem celular? Imagina o aborrecimento que isso te causaria, na vida pessoal, profissional, familiar, no barzinho de sexta, na feira de domingo, no caminho pro trabalho novo. Esse grau de irritação seria muito alto em um mês inteiro desconectado, mas ele pode ser menor, conforme você diminui o tempo fora, ou melhor, de acordo com novos modos de usar seu celular, você pode se aborrecer menos e aumentar a qualidade da sua relação com as telas. Pode até transformar sua vida celulística num jeito de potencializar sua existência, melhorar sua comunicação, fortalecer seu autocuidado e outras coisas inimagináveis, até porque, enquanto sociedade nunca tivemos boas relações com as máquinas.</p>

<p>Em uma caminhada pelo cuidado da saúde mental, não estar tanto tempo deslizando o dedo pelas telas, pode ser uma boa saída. Principalmente se você é uma pessoa trans nas redes, os dados sobre discurso de ódio à pessoas trans e LGBTQIAP+ são ensurdecedores. Números esses que se multiplicam de uma rede social para outra, são violências que tem como plataformas esses aplicativos e sites de “interação social”. Revisitar seus modos de uso dos celulares, pode te deixar mais feliz quando estiver online, mas eu vou torcer pela paz como Jroge Ben Jor, pra que você prefira sempre ficar offline, se puder e se quiser.</p>

<p>A tudo isso, essa irritação digital e a necessidade de se proteger digitalmente, temos uma coisa no meio do caminho, a nossa taxa de aborrecimento, [taxa de aborrecimento] nas novas tecnologias, [taxa de aborrecimento] nas novas ferramentas, [taxa de aborrecimento] nas novas práticas. Mas como pra tudo temos [taxa de aborrecimento], tipo quando queremos deixar o sedentarismo de lado, correr um pouco por dia, mas só por 5 minutos, pra não ficar pesado. Pra quando queremos dormir cedo, mas meia noite tá bom, depois eu vou dormindo mais cedo se conseguir. Sempre criando nossos meios de diminuir nosso aborrecimento, nosso desconforto fatídico ao mudar de vida. Ao cuidar de si mermo, a botar nossa saúde como prioridade ou simplesmente, querer mudar um pouco, porque mudar é importante.</p>

<p>A taxa de aborrecimento, vai estar presente em tudo que puder fazer a sua vida diferente, pra melhor, ou pra pior. Por isso é importante estar atento a ela, tomar cuidado. Porque ela também indica se essa mudança vai valer a pena pra gente, tem mudanças mais dolorosas que outras, que nossa taxa de aborrecimento vai beirar o infinito, mas que podem nos salvar a vida. Outras modificações dolorosas, podem mexer em nossa tolerência pelo aborrecimento, mas podem verdadeiramente estar acabando com a gente, e talvez é preciso recuar nessa, rever, repensar, desfazer, recomeçar. Na tecnologia é por aí, se um dia te falarem que seu celular ouve suas conversas, dê uma refletida, consigo me cuidar disso? Preciso me cuidar disso? Posso aprender como, preciso saber se quero.</p>

<p>A proposta dessa coluna, minha família, é apresentar a vocês possibilidades de cuidados digitais, celebrar o que vocês já sabem desse mundo-maluco-tecnológico, engrandecer suas dúvidas, pra gente lidar com elas, deixar nossa taxa de aborrecimento curta e aceitável. Enfrentar o medo desse tanto de nomes em inglês que mexem com nossa vida cada vez mais. Eu quero mostrar como me cuido, e contar as histórias do que tenho aprendido falando sobre isso por onde ando, seja na minha comunidade em Imbariê, no complexo da Maré, no Muquiço em Guadalupe ou lá em Belém do Pará. Caminho pelo mundo nessa missão, mas parto da Baixada Fluminense, e é pra cá que retorno tudo que construo. Quero construir com vocês.</p>

<p>Podem me chamar de Ramires, O Tecnorgânico. A parte orgânica vem depois.
homem negro agachado ao lado de uma lixeira escrita “orgânico”</p>
]]></content:encoded>
      <author>Tecnologia Não Resolve Tudo</author>
      <guid>https://blog.bantu.social/read/a/k2voqp9jf5</guid>
      <pubDate>Sat, 16 Nov 2024 04:14:02 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>Se nesse dia</title>
      <link>https://blog.bantu.social/instantes-desinteressantes/se-nesse-dia</link>
      <description>&lt;![CDATA[Se nesse dia&#xA;&#xA;Se um dia eu apenas me lembrar de você&#xA;Se nesse dia eu apenas te mandar um oi&#xA;Se nesse dia eu te ver e sorrir&#xA;Mesmo que seja apenas de soslaio&#xA;Que seja aquele micro relance&#xA;Onde jaz todo o jazz&#xA;&#xA;Se nesse dia eu não mais te ver&#xA;Se nesse dia for apenas saudades&#xA;Não vai mais doer&#xA;E mesmo que doa, &#xA;Não vai me arrastar versos mudos&#xA;&#xA;Se nesse dia eu me permitir sentir&#xA;Se nesse dia eu me permitir viver&#xA;Assim serei, um dia de cada vez&#xA;Pois nesse dia, serei eterno&#xA;Mesmo que por um pequeno instante&#xA;]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Se nesse dia</p>

<p>Se um dia eu apenas me lembrar de você
Se nesse dia eu apenas te mandar um oi
Se nesse dia eu te ver e sorrir
Mesmo que seja apenas de soslaio
Que seja aquele micro relance
Onde jaz todo o jazz</p>

<p>Se nesse dia eu não mais te ver
Se nesse dia for apenas saudades
Não vai mais doer
E mesmo que doa,
Não vai me arrastar versos mudos</p>

<p>Se nesse dia eu me permitir sentir
Se nesse dia eu me permitir viver
Assim serei, um dia de cada vez
Pois nesse dia, serei eterno
Mesmo que por um pequeno instante</p>
]]></content:encoded>
      <author>Instantes desinteressantes</author>
      <guid>https://blog.bantu.social/read/a/0hm05z0hz5</guid>
      <pubDate>Mon, 02 Sep 2024 10:53:35 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>Santissima Trindade</title>
      <link>https://blog.bantu.social/dobrado/santissima-trindade-hqv3</link>
      <description>&lt;![CDATA[Capítulo 1 - Escatologia&#xA;Capitulo 2 - Kamikakushi&#xA;Capítulo 3 - Trimúrti&#xA;Capítulo 4 - O fim&#xA;&#xA;!--more--&#xA;&#xA;“Tive que sobreviver. Vocês dois tiveram vida de playboy, eu cresci na zona industrial. Os Revolucionários foram minha salvação, consegui sobreviver muitos anos ainda. E lá eu tive um propósito para minha vida. Quando você apareceu naquele prédio, eu precisei escolher salvar o que era mais importante pra mim. Não foi fácil e me garantiu um futuro. E a gente nem era tão amigo assim, só nos conhecemos há muito tempo.”&#xA;&#xA;Nenhum dos dois esboçou reação alguma para o que havia sido dito. A doença, a chuva, os dois anos no fim do mundo. Nada poderia ser mais doloroso que aquelas palavras. Rafa apertava sua mandíbula como se segurasse a raiva que sentia engasgada. Levantou-se apoiando uma das mãos no chão e deu dois passos duros e sonoros, em direção a Marcelo que estava em pé logo depois do batente porta da cozinha. Pedro, encostado na janela com os braços cruzados, acompanhou a amiga com os olhos. Compartilhava da sua dor e raiva.&#xA;&#xA;Ela parou a poucos centímetros dele, sem completar o passo. Dobrou levemente seu joelho esquerdo, apoiando seu peso na perna que havia ficado para trás. Girou o torço para a direita, mantendo seu olhar fixo no do amigo, e fechou seu punho. Com os dedos do seu pé de apoio, forçou-se contra o chão de carpete, ajudando seu corpo a rotacionar de volta como um estilingue. O punho viajou como uma flecha acertando o rosto, que nem teve o reflexo de piscar, fazendo-o cair ao mesmo tempo que o braço terminava a trajetória de ira.&#xA;&#xA;“Cala a sua boca! Não precisa contar tudo pra gente, o mundo acabou e fizemos algumas merdas, tudo bem. Mas você não tem o direito de falar que nunca fomos amigos. Vocês são tudo que eu tenho hoje e vai ser tudo que eu vou ter, daqui a dois dias quando acabar o mundo.”&#xA;&#xA;Ainda caído no chão da cozinha, sentou-se puxando as pernas para si e encarou a amiga com o olho que ainda conseguia abrir. Pensou em tantas coisas para falar, mas somente se levantou apoiando no armário da cozinha. Pegou um pano de prato pra estancar o sangue do supercílio aberto e foi em direção à saída.&#xA;&#xA;“A gente te espera aqui, amanhã a noite”. Rafa olhou pela última vez o amigo que, parado na porta, esboçou um sorriso curto e foi embora sem responder. O céu escureceu e não tiveram vontade de conversar. Logo ela deitou-se no sofá e fingiu dormir, Pedro foi fazer o mesmo em sua cama. Talvez o Marcelo só tivesse feito algumas besteiras. Mas, no fundo, tinha esperança que ele ainda voltasse e explicasse tudo.&#xA;&#xA;No dia do fim, o mundo se comportou de forma estranhamente normal. As pessoas foram trabalhar como se bombas não fossem cair de madrugada. O dia passou com a ansiedade e a incerteza do fim. Assistiram a programas de TV que tentavam explicar o acontecido e dava palco para malucos que teorizavam sobre o delírio. No final do dia protegeram as janelas com móveis e deixaram a porta da cozinha destrancada, caso o amigo viesse.&#xA;&#xA;Mas ele não veio. Assim como as bombas.&#xA;&#xA;Ninguém de fato entendeu o que aconteceu ou o que deveria ter acontecido. Os ataques nucleares não aconteceram durante a madrugada e pareceu óbvia a relação com assassinato de seis líderes mundiais naquela noite. O ataque foi coordenado por um grupo desconhecido e até hoje não divulgaram seus nomes ou seus motivos. Pedro e Rafa até hoje são amigos e frequentam o bar favorito do Marcelo. Aquele que escolheu salvar o que era mais importante para si.&#xA;&#xA;Tipo&#xA;&#xA;#contos #SantissimaTrindade]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p><a href="https://blog.bantu.social/dobrado/santissima-trindade" rel="nofollow">Capítulo 1 – Escatologia</a>
<a href="https://blog.bantu.social/dobrado/santissima-trindade-mny9" rel="nofollow">Capitulo 2 – Kamikakushi</a>
<a href="https://blog.bantu.social/dobrado/santissima-trindade-lgbb" rel="nofollow">Capítulo 3 – Trimúrti</a>
<strong>Capítulo 4 – O fim</strong></p>



<p>“Tive que sobreviver. Vocês dois tiveram vida de playboy, eu cresci na zona industrial. Os Revolucionários foram minha salvação, consegui sobreviver muitos anos ainda. E lá eu tive um propósito para minha vida. Quando você apareceu naquele prédio, eu precisei escolher salvar o que era mais importante pra mim. Não foi fácil e me garantiu um futuro. E a gente nem era tão amigo assim, só nos conhecemos há muito tempo.”</p>

<p>Nenhum dos dois esboçou reação alguma para o que havia sido dito. A doença, a chuva, os dois anos no fim do mundo. Nada poderia ser mais doloroso que aquelas palavras. Rafa apertava sua mandíbula como se segurasse a raiva que sentia engasgada. Levantou-se apoiando uma das mãos no chão e deu dois passos duros e sonoros, em direção a Marcelo que estava em pé logo depois do batente porta da cozinha. Pedro, encostado na janela com os braços cruzados, acompanhou a amiga com os olhos. Compartilhava da sua dor e raiva.</p>

<p>Ela parou a poucos centímetros dele, sem completar o passo. Dobrou levemente seu joelho esquerdo, apoiando seu peso na perna que havia ficado para trás. Girou o torço para a direita, mantendo seu olhar fixo no do amigo, e fechou seu punho. Com os dedos do seu pé de apoio, forçou-se contra o chão de carpete, ajudando seu corpo a rotacionar de volta como um estilingue. O punho viajou como uma flecha acertando o rosto, que nem teve o reflexo de piscar, fazendo-o cair ao mesmo tempo que o braço terminava a trajetória de ira.</p>

<p>“Cala a sua boca! Não precisa contar tudo pra gente, o mundo acabou e fizemos algumas merdas, tudo bem. Mas você não tem o direito de falar que nunca fomos amigos. Vocês são tudo que eu tenho hoje e vai ser tudo que eu vou ter, daqui a dois dias quando acabar o mundo.”</p>

<p>Ainda caído no chão da cozinha, sentou-se puxando as pernas para si e encarou a amiga com o olho que ainda conseguia abrir. Pensou em tantas coisas para falar, mas somente se levantou apoiando no armário da cozinha. Pegou um pano de prato pra estancar o sangue do supercílio aberto e foi em direção à saída.</p>

<p>“A gente te espera aqui, amanhã a noite”. Rafa olhou pela última vez o amigo que, parado na porta, esboçou um sorriso curto e foi embora sem responder. O céu escureceu e não tiveram vontade de conversar. Logo ela deitou-se no sofá e fingiu dormir, Pedro foi fazer o mesmo em sua cama. Talvez o Marcelo só tivesse feito algumas besteiras. Mas, no fundo, tinha esperança que ele ainda voltasse e explicasse tudo.</p>

<p>No dia do fim, o mundo se comportou de forma estranhamente normal. As pessoas foram trabalhar como se bombas não fossem cair de madrugada. O dia passou com a ansiedade e a incerteza do fim. Assistiram a programas de TV que tentavam explicar o acontecido e dava palco para malucos que teorizavam sobre o delírio. No final do dia protegeram as janelas com móveis e deixaram a porta da cozinha destrancada, caso o amigo viesse.</p>

<p>Mas ele não veio. Assim como as bombas.</p>

<p>Ninguém de fato entendeu o que aconteceu ou o que deveria ter acontecido. Os ataques nucleares não aconteceram durante a madrugada e pareceu óbvia a relação com assassinato de seis líderes mundiais naquela noite. O ataque foi coordenado por um grupo desconhecido e até hoje não divulgaram seus nomes ou seus motivos. Pedro e Rafa até hoje são amigos e frequentam o bar favorito do Marcelo. Aquele que escolheu salvar o que era mais importante para si.</p>

<p><strong>Tipo</strong></p>

<p>#contos #SantissimaTrindade</p>
]]></content:encoded>
      <author>dobrado</author>
      <guid>https://blog.bantu.social/read/a/0urpl77e06</guid>
      <pubDate>Wed, 21 Aug 2024 14:08:25 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>Carta para alguém que nunca soube ler</title>
      <link>https://blog.bantu.social/aline/carta-para-alguem-que-nunca-soube-ler</link>
      <description>&lt;![CDATA[Carta para alguém que nunca soube ler&#xA;&#xA;&#x9;Quando penso em você, a minha memória é da gente na praia. Sua mão segurava a minha enquanto eu me banhava bem naquele pedacinho de mar que não chegava ao calcanhar. Às vezes, você sumia, e quando eu conseguia avistar uma careca brilhante quase em alto mar, já sabia quem estava lá. Você voltava reclamando da água gelada que deu câimbra, abraçava todo mundo com o corpo molhado e até trazia alguns mariscos que pegou no meio desta aventura.&#xA;&#x9;Ah, essa careca! Já te conheci com ela. Você andava com aquele pentezinho redondo, bem “de velho”, e vivia penteando. Pouco cabelo, mas pouco cabelo sempre arrumado.&#xA;&#x9;Em casa, durante o dia, a gente não podia fazer barulho, porque você trabalhava à noite e era seu momento para descansar. Na bolsa do trabalho, carregava um banquinho portátil para o trem cheio e um clássico espelho de borda laranja que tirava da bolsa, virava para alguém e perguntava “qual é o bicho que vai dar hoje?”. Depois esse trabalho mudou. Você voltou a fazer e vender salgadinhos… OS MELHORES SALGADINHOS DO MUNDO! E enquanto eles estavam sendo feitos, não podíamos entrar na cozinha de jeito nenhum, para não cair cabelo! E como você brigava e brigava por isso. Sempre foi meio nojento, né? Não bebia água na casa dos outros porque tinha nojo dos copos; evitava comer na rua porque tinha nojo das unhas…&#xA;&#x9;Você comprava as coisas mais inúteis do mundo. Lembro da vez que voltamos de São Paulo com um pilão gigante que você nunca usou. Eu usava pra brincar, mas tinha que ser escondido. &#xA;&#x9;Às vezes eu acho que minha fobia de sapos foi herdada de você, porque lembro que odiava até as pelúcias. E eu amava te dar susto com elas. E falando em susto, tá aí algo que me lembra MUITO você. Vivia me dando susto, mas não só comigo. Era com todo mundo. E algumas vezes errava a dose, como quando fingiu que minha irmã tinha sido roubada na cachoeira e fez minha mãe pirar.&#xA;&#x9;Você sempre foi conversador, mas nem todos os netos te davam bola, né? Só eu. Você sempre foi curioso, mas ninguém tinha muita paciência para te ensinar. Só eu.&#xA;&#x9;Uma vez, ouvi você chamando a vovó pra dançar na sala. Eu estava na varanda. Ela não quis e respondeu “as crianças estão aí!”.&#xA;&#x9;Você foi a primeira pessoa a me dizer que me amaria independente de qualquer escolha que eu tomasse na minha vida. Foi quem ficou do meu lado quando papai me deu tapa na cara, que ficou do meu lado quando papai fazia questão de me humilhar.&#xA;&#x9;Você foi meu primeiro “aluno de informática”. Meu exemplo de motivação e que me ensinou a ter paciência para ensinar.&#xA;&#x9;Você foi meu primeiro patrão, aos sábado, quando eu tinha 11 ou 12 anos.&#xA;&#x9;Você muitas vezes foi rude, teve falas problemáticas; ou brigou comigo por eu me interessar em conversa de adulto, por sentar de perna aberta, por corrigir a fala dos outros, e por puxar o mouse ou celular da sua mão, em vez de ensinar a fazer.&#xA;&#x9;Ah, e se tem uma coisa em que você era bom - além da cozinha, das piadas, e do nado - era na matemática! Chegava em um lugar e conseguia calcular a metragem em alguns minutos, só no olhar.&#xA;&#x9;É… essa carta é para alguém que nunca soube ler e agora nem pode mais aprender. Alguém que não soube ler textos, mas sabia ler pessoas, sentimentos e corações. Sabia calcular, não só a metragem quadrada, mas a soma de todos os amores à sua volta.&#xA;&#x9;Vovô, é muito estranho pensar que você não está mais aqui. Mas vá em paz, sabendo do meu profundo amor e da minha enorme admiração por ti. Infelizmente, acho que nunca tive a coragem de verbalizar que sempre amei muito você.&#xA;&#xA;De sua neta “universitária que mora longe”,&#xA;Aline Mota&#xA;&#xA;Rio de Janeiro, 18 de novembro de 2022.&#xA;]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Carta para alguém que nunca soube ler</p>

<p>    Quando penso em você, a minha memória é da gente na praia. Sua mão segurava a minha enquanto eu me banhava bem naquele pedacinho de mar que não chegava ao calcanhar. Às vezes, você sumia, e quando eu conseguia avistar uma careca brilhante quase em alto mar, já sabia quem estava lá. Você voltava reclamando da água gelada que deu câimbra, abraçava todo mundo com o corpo molhado e até trazia alguns mariscos que pegou no meio desta aventura.
    Ah, essa careca! Já te conheci com ela. Você andava com aquele pentezinho redondo, bem “de velho”, e vivia penteando. Pouco cabelo, mas pouco cabelo sempre arrumado.
    Em casa, durante o dia, a gente não podia fazer barulho, porque você trabalhava à noite e era seu momento para descansar. Na bolsa do trabalho, carregava um banquinho portátil para o trem cheio e um clássico espelho de borda laranja que tirava da bolsa, virava para alguém e perguntava “qual é o bicho que vai dar hoje?”. Depois esse trabalho mudou. Você voltou a fazer e vender salgadinhos… OS MELHORES SALGADINHOS DO MUNDO! E enquanto eles estavam sendo feitos, não podíamos entrar na cozinha de jeito nenhum, para não cair cabelo! E como você brigava e brigava por isso. Sempre foi meio nojento, né? Não bebia água na casa dos outros porque tinha nojo dos copos; evitava comer na rua porque tinha nojo das unhas…
    Você comprava as coisas mais inúteis do mundo. Lembro da vez que voltamos de São Paulo com um pilão gigante que você nunca usou. Eu usava pra brincar, mas tinha que ser escondido.
    Às vezes eu acho que minha fobia de sapos foi herdada de você, porque lembro que odiava até as pelúcias. E eu amava te dar susto com elas. E falando em susto, tá aí algo que me lembra MUITO você. Vivia me dando susto, mas não só comigo. Era com todo mundo. E algumas vezes errava a dose, como quando fingiu que minha irmã tinha sido roubada na cachoeira e fez minha mãe pirar.
    Você sempre foi conversador, mas nem todos os netos te davam bola, né? Só eu. Você sempre foi curioso, mas ninguém tinha muita paciência para te ensinar. Só eu.
    Uma vez, ouvi você chamando a vovó pra dançar na sala. Eu estava na varanda. Ela não quis e respondeu “as crianças estão aí!”.
    Você foi a primeira pessoa a me dizer que me amaria independente de qualquer escolha que eu tomasse na minha vida. Foi quem ficou do meu lado quando papai me deu tapa na cara, que ficou do meu lado quando papai fazia questão de me humilhar.
    Você foi meu primeiro “aluno de informática”. Meu exemplo de motivação e que me ensinou a ter paciência para ensinar.
    Você foi meu primeiro patrão, aos sábado, quando eu tinha 11 ou 12 anos.
    Você muitas vezes foi rude, teve falas problemáticas; ou brigou comigo por eu me interessar em conversa de adulto, por sentar de perna aberta, por corrigir a fala dos outros, e por puxar o mouse ou celular da sua mão, em vez de ensinar a fazer.
    Ah, e se tem uma coisa em que você era bom – além da cozinha, das piadas, e do nado – era na matemática! Chegava em um lugar e conseguia calcular a metragem em alguns minutos, só no olhar.
    É… essa carta é para alguém que nunca soube ler e agora nem pode mais aprender. Alguém que não soube ler textos, mas sabia ler pessoas, sentimentos e corações. Sabia calcular, não só a metragem quadrada, mas a soma de todos os amores à sua volta.
    Vovô, é muito estranho pensar que você não está mais aqui. Mas vá em paz, sabendo do meu profundo amor e da minha enorme admiração por ti. Infelizmente, acho que nunca tive a coragem de verbalizar que sempre amei muito você.</p>

<p>De sua neta “universitária que mora longe”,
Aline Mota</p>

<p>Rio de Janeiro, 18 de novembro de 2022.</p>
]]></content:encoded>
      <author>Line ليني</author>
      <guid>https://blog.bantu.social/read/a/fg51e9oer5</guid>
      <pubDate>Tue, 06 Aug 2024 14:35:26 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>Guia socialista para sobreviver no mundo capitalista</title>
      <link>https://blog.bantu.social/anti-trabalho/guia-socialista-para-sobreviver-no-mundo-capitalista</link>
      <description>&lt;![CDATA[Esse guia é uma cópia traduzida e adaptada desse vídeo. Então recomendo que vocês vão lá e deixem um like pro autor. ;)&#xA;&#xA;!--more--&#xA;&#xA;Introdução&#xA;&#xA;Você, você mesmo. Você quer que o Capitalismo queime? Ótimo. Mas sejamos francos, o capitalismo não vai acabar tão cedo, pelo menos não no mundo ocidental em que vivemos.&#xA;&#xA;Por isso esse guia é um conjunto de conselhos para você, baseado em minha experiência, sobre como sobreviver nesse mundo.&#xA;&#xA;Esse guia é dividido em três partes:&#xA;Trabalho&#xA;Despesas&#xA;Dicas&#xA;&#xA;Nem tudo aqui vai funcionar pra você, principalmente dependendo da sua cor ou classe social. Mas incentivo você a adaptar todos esses conselhos para sua vida, a sua maneira.&#xA;&#xA;Trabalho&#xA;&#xA;Seu empregador, não importe quão legal ou ruim ele seja, nunca vai conseguir pagar o quanto seu trabalho merece. Esse é o sistema, o lucro esta acima de tudo. Se você for contra isso vai falir ou perder pela concorrência. E não existe somente a concorrência para seu empregador, mas também entre seus empregados.&#xA;&#xA;Você não possui nada, muito pelo contrário, eles possuem você.&#xA;&#xA;Trabalhar mais, não vai lhe trazer reconhecimento&#xA;&#xA;Não trabalhe demais. Centenas de pesquisas mostram que quem faz muitas horas extras, não folga e é extremamente leal a seu empregador acaba não sendo promovido. Trabalho somente o suficiente e tente convencer seu empregador que você esta fazendo muito, da mesma forma que ele faz isso com você.&#xA;&#xA;Minta no seu currículo&#xA;&#xA;Minta e deixe seu currículo melhor do que ele é, na verdade. Os requisitos para trabalho atualmente, especialmente se você esta começando, são surreais. Então minta na entrevista. Se você não mentir, é provável que você perca a oportunidade por alguém que mentiu mais que você.&#xA;&#xA;Aproveite as oportunidades&#xA;&#xA;Se for te oferecido um cargo melhor, aceite. Mesmo que você não vá receber o suficiente por isso (você nunca irá). Se você não aceitar, outra pessoa vai. Por isso é melhor que seja alguém com pensamento socialista (você!).&#xA;&#xA;E lógico, não vire uma pessoa idiota no novo cargo. Fazendo isso só vai provar que o capitalismo está certo. Quando as pessoas que você gerencia forem criar um sindicato, é bom que elas tenham uma pessoa na chefia que apoie essas ideias.&#xA;&#xA;Não caia na síndrome do impostor&#xA;&#xA;Não tenha medo, a maioria das coisas você pode aprender enquanto trabalha. Lógico, exceto se você for médico, cientista ou engenheiro de foguetes, existe um monte de tutoriais na internet onde você pode aprender por eles.&#xA;&#xA;Se seu empregador pague por seus cursos, compre cursos. Se não, procure na internet, não gaste seu dinheiro melhorando suas habilidades para beneficiar seu empregador.&#xA;&#xA;Todo mundo está fingindo &#xA;&#xA;Ninguém é especialista.&#xA;&#xA;A única diferença entre quem essa e quem leva a culpa, é a saber dar uma desculpa convincente. Não pense que seu chefe sabe mais que você. Normalmente ele esta tão perdido quanto você, mas ele sabe fingir e por isso ele é chefe.&#xA;&#xA;Todo mundo é alienado&#xA;&#xA;O trabalho sempre vai alienar todo mundo, não é só você. Relaxe. Da próxima vez que ver algum colega de trabalho tendo um dia ruim, não seja um caguete.&#xA;&#xA;Aceite trabalhos que paguem mais&#xA;&#xA;Se você encontrar um trabalho que pague mais, aceite. Sua lealdade a seu empregador, mesmo ele te trazendo pizza durante as horas extras, não vai aumentar seu salário e não vai melhorar sua carreira.&#xA;&#xA;Se não quiser trocar de trabalho, diga que recebeu uma oportunidade melhor e peça por um aumento, se quiser, edite o documento da sua oportunidade e aumente ainda mais seu salário e benefícios.&#xA;&#xA;Nunca aceite um contra proposta que não seja maior que você já tem.&#xA;&#xA;Se organize&#xA;&#xA;Se organize, crie sindicatos. Seja cuidadoso e caso você veja alguém fazendo isso, não denuncie, ajude.&#xA;&#xA;Não se importe&#xA;&#xA;Não se importe com seu trabalho. Sério! A empresa não é sua e nem sua sua &#34;família&#34;. Se eles não aceitarem suas ideias e sugestões, não fique bravo e crie hostilidades na empresa. Se algo no futuro der errado por não te ouvirem, relembre eles educadamente sobre isso. Mas nunca crie inimigos na empresa, sejam eles seu chefe ou seus colegas de trabalho. Na maior parte das vezes essas pessoas que tomam decisões erradas só estão seguindo ordem de alguém, igual a você.&#xA;&#xA;E você realmente se importa se a empresa esta vendendo 50mil ou 60mil? Não, você não se importa. Então pare com essa &#34;mentalidade de dono&#34;, você não é o seu trabalho.&#xA;&#xA;Saúde é tudo&#xA;&#xA;Nenhum trabalho vale mais que sua saúde. Literalmente nenhum trabalho vale seu sacrifício.&#xA;&#xA;Seu salário não é o suficiente para você sacrificar sua saúde física ou mental. Mas é lógico, a não ser que você esteja sofrendo algum tipo de abuso, não se demita como as pessoas fazem nos filmes. Procure outro trabalho antes de fazer isso. Se você tiver dividas, não tiver dinheiro guardado, você vai se dar mal. E outra, vários empregadores questionam o tempo que tu ficou desempregado.&#xA;&#xA;Resumindo: Se preocupe com a sua saúde, mas não enfie o pé na jaca.&#xA;&#xA;Compartilhe o quanto você ganha&#xA;&#xA;Insista com as pessoas do seu trabalho a falar sobre o quando você e elas ganham. A única pessoas que se beneficia desse segredo é seu empregador e ele dificilmente é transparente sobre as contas da empresa.&#xA;&#xA;Compartilhar seu salário vai permitir que você e seus colegas descubram se estão recebendo menos, que as mulheres da empresa recebem menos e com isso se organizarem.&#xA;&#xA;Não trabalhe todo o tempo&#xA;&#xA;Você precisa trabalhar 8 horas por dia e tem 1 hora de almoço. Mas sendo sincero, raramente estão realmente fiscalizando isso. Ou seja, enrole o quanto você puder, sem ser pego. &#xA;&#xA;Tome café com seus colegas, demore mais fazendo seu trabalho, caminhe pelo escritório. Se você trabalha de casa, coloque o despertador para tocar, ligue seu computador e volte a dormir, faça suas entregas e vá assistir um filme.&#xA;&#xA;Ninguém vai notar se alguma coisa do trabalho sumir&#xA;&#xA;Equipamentos de trabalho somem o tempo todo. ;)&#xA;Explore os benefícios do seu trabalho&#xA;&#xA;Use os benefícios do seu trabalho ao máximo. Pois você esta recebendo menos do que seu trabalho vale.&#xA;&#xA;Você recebe vale-gasolina, mas não usa tudo? Abasteça o carro da sua mãe.&#xA;Você tem café da manhã no trabalho? Não tome café em casa.&#xA;Você tem um dinheiro para fazer cursos? Faça. Ou compre aquele curso da udemy pra sua irmã.&#xA;&#xA;Despesas&#xA;&#xA;Você esta ganhando um dinheiro? Ótimo! Dinheiro é bom, não deixe ninguém te dizer o contrário. E esteja preparado para enfrentar um monte de manipulação mental (marketing e propaganda) dizendo que você precisa de coisas que não precisa.&#xA;&#xA;Você vai virar um consumista, é impossível não ser no mundo capitalista. Nós somos produtos para o capitalismo e isso não vai mudar enquanto o socialismo não for a norma.&#xA;&#xA;Por isso não se culpe tanto, mas fique esperto.&#xA;&#xA;Não seja refém de marcas&#xA;&#xA;Todos nós adoramos alguma marca. Apesar de você preferir aquela roupa, aquele carro ou aquele celular. Você realmente precisa um daquela marca? Com aqueles recursos?&#xA;&#xA;Vale mesmo a pena comprar um iPhone por 14mil e usar por 3 anos ou comprar um Xiaomi por 5mil e usar por 2 anos? Preço é definido pelos consumidores e as empresas exploram essa lealdade lucrando cada vez mais.&#xA;&#xA;Quando for comprar alguma coisa, pense nas suas necessidades e o que o produto oferece. Não caia na história do &#34;todo mundo tem, deve ser bom&#34; ou &#34;se você não tiver um Nike, você não é ninguém&#34;. Use produtos falsificados, consuma pirataria, compre alternativas baratas. Só grandes empresas vão &#34;perder&#34; com isso, mas vão continuar explorando outros trabalhadores, lucrando ou não.&#xA;&#xA;Você não é a marca que você usa, assim como você não é o seu trabalho.&#xA;&#xA;Limite seu consumo&#xA;&#xA;Hoje o mundo é feito para você consumir e ser alienado pelo consumo. Eu sei que é prazeroso comprar, mas isso não vai consertar os problemas da sua vida e nem te deixar mais feliz.&#xA;&#xA;Enquanto vício em drogas, álcool, jogos ou cigarro é amplamente discutido, a gente ainda não fala o suficiente sobre vício em compras.&#xA;&#xA;Não existe consumo ético no capitalismo&#xA;&#xA;Compra ovos de galinhas criadas livres, andar de bicicleta, diminuir o tempo no banho e usar somente coisas &#34;eco-friendly&#34; não vai salvar o mundo. Pois o capitalismo criar isso apenas para colocar a culpa dele em você.&#xA;&#xA;Seus &#34;consumo consciente&#34; não vai salvar o mundo, nem ajudar as pessoas a sua volta. E isso não é culpa sua. Quer ajudar o mundo? Compre de pequenos produtores, no mercadinho local, a marmita da sua vizinha, etc.&#xA;&#xA;Tente manter seus gastos o mais baixo possível, economize nas suas comprar, pois aquele sabão em pó não é tão melhor assim.&#xA;&#xA;Comprar ou alugar?&#xA;&#xA;Se você tem dinheiro o suficiente, compre sua casa. Não caia na conversa de influencer de finanças, se as coisas ficarem ruins para o seu lado, pelo menos você tem um lugar coberto para morar. E sem um lugar para viver, você esta sempre fadado a ser (ainda mais) explorado pelo capitalismo.&#xA;&#xA;É extremamente difícil comprar uma casa nos dias de hoje, mas se for possível, compre.&#xA;&#xA;Dicas&#xA;&#xA;Use transporte público, se possível. Eles normalmente são mais baratos.&#xA;Procure bancos cooperativos, evite grandes bancos.&#xA;Pense na sua saúde, ganhar muito dinheiro hoje, pode ser só pra você gastar numa úlcera no futuro.&#xA;Ajude pessoas em situação de rua. De verdade.&#xA;Não acredite em influencers, coachs e seus cursos.&#xA;Não há método fácil de sair do capitalismo. Jogue sujo ou sofra nele.&#xA;Não se sinta culpado por viver uma vida boa, se você não ta explorando ninguém. Sério. Ela nem é tão boa assim.&#xA;]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Esse guia é uma cópia traduzida e adaptada <a href="https://www.youtube.com/watch?v=MlP0nvJSshU" rel="nofollow">desse vídeo</a>. Então recomendo que vocês vão lá e deixem um like pro autor. ;)</p>



<h2 id="introdução">Introdução</h2>

<p>Você, você mesmo. Você quer que o Capitalismo queime? Ótimo. Mas sejamos francos, o capitalismo não vai acabar tão cedo, pelo menos não no mundo ocidental em que vivemos.</p>

<p>Por isso esse guia é um conjunto de conselhos para você, baseado em minha experiência, sobre como sobreviver nesse mundo.</p>

<p>Esse guia é dividido em três partes:
– Trabalho
– Despesas
– Dicas</p>

<p>Nem tudo aqui vai funcionar pra você, principalmente dependendo da sua cor ou classe social. Mas incentivo você a adaptar todos esses conselhos para sua vida, a sua maneira.</p>

<h2 id="trabalho">Trabalho</h2>

<p>Seu empregador, não importe quão legal ou ruim ele seja, nunca vai conseguir pagar o quanto seu trabalho merece. Esse é o sistema, o lucro esta acima de tudo. Se você for contra isso vai falir ou perder pela concorrência. E não existe somente a concorrência para seu empregador, mas também entre seus empregados.</p>

<p>Você não possui nada, muito pelo contrário, eles possuem você.</p>

<h3 id="trabalhar-mais-não-vai-lhe-trazer-reconhecimento">Trabalhar mais, não vai lhe trazer reconhecimento</h3>

<p>Não trabalhe demais. Centenas de pesquisas mostram que quem faz muitas horas extras, não folga e é extremamente leal a seu empregador acaba não sendo promovido. Trabalho somente o suficiente e tente convencer seu empregador que você esta fazendo muito, da mesma forma que ele faz isso com você.</p>

<h3 id="minta-no-seu-currículo">Minta no seu currículo</h3>

<p>Minta e deixe seu currículo melhor do que ele é, na verdade. Os requisitos para trabalho atualmente, especialmente se você esta começando, são surreais. Então minta na entrevista. Se você não mentir, é provável que você perca a oportunidade por alguém que mentiu mais que você.</p>

<h3 id="aproveite-as-oportunidades">Aproveite as oportunidades</h3>

<p>Se for te oferecido um cargo melhor, aceite. Mesmo que você não vá receber o suficiente por isso (você nunca irá). Se você não aceitar, outra pessoa vai. Por isso é melhor que seja alguém com pensamento socialista (você!).</p>

<p>E lógico, não vire uma pessoa idiota no novo cargo. Fazendo isso só vai provar que o capitalismo está certo. Quando as pessoas que você gerencia forem criar um sindicato, é bom que elas tenham uma pessoa na chefia que apoie essas ideias.</p>

<h3 id="não-caia-na-síndrome-do-impostor">Não caia na síndrome do impostor</h3>

<p>Não tenha medo, a maioria das coisas você pode aprender enquanto trabalha. Lógico, exceto se você for médico, cientista ou engenheiro de foguetes, existe um monte de tutoriais na internet onde você pode aprender por eles.</p>

<p>Se seu empregador pague por seus cursos, compre cursos. Se não, procure na internet, não gaste seu dinheiro melhorando suas habilidades para beneficiar seu empregador.</p>

<h3 id="todo-mundo-está-fingindo">Todo mundo está fingindo</h3>

<p>Ninguém é especialista.</p>

<p>A única diferença entre quem essa e quem leva a culpa, é a saber dar uma desculpa convincente. Não pense que seu chefe sabe mais que você. Normalmente ele esta tão perdido quanto você, mas ele sabe fingir e por isso ele é chefe.</p>

<h3 id="todo-mundo-é-alienado">Todo mundo é alienado</h3>

<p>O trabalho sempre vai alienar todo mundo, não é só você. Relaxe. Da próxima vez que ver algum colega de trabalho tendo um dia ruim, não seja um caguete.</p>

<h3 id="aceite-trabalhos-que-paguem-mais">Aceite trabalhos que paguem mais</h3>

<p>Se você encontrar um trabalho que pague mais, aceite. Sua lealdade a seu empregador, mesmo ele te trazendo pizza durante as horas extras, não vai aumentar seu salário e não vai melhorar sua carreira.</p>

<p>Se não quiser trocar de trabalho, diga que recebeu uma oportunidade melhor e peça por um aumento, se quiser, edite o documento da sua oportunidade e aumente ainda mais seu salário e benefícios.</p>

<p>Nunca aceite um contra proposta que não seja maior que você já tem.</p>

<h3 id="se-organize">Se organize</h3>

<p>Se organize, crie sindicatos. Seja cuidadoso e caso você veja alguém fazendo isso, não denuncie, ajude.</p>

<h3 id="não-se-importe">Não se importe</h3>

<p>Não se importe com seu trabalho. Sério! A empresa não é sua e nem sua sua “família”. Se eles não aceitarem suas ideias e sugestões, não fique bravo e crie hostilidades na empresa. Se algo no futuro der errado por não te ouvirem, relembre eles educadamente sobre isso. Mas nunca crie inimigos na empresa, sejam eles seu chefe ou seus colegas de trabalho. Na maior parte das vezes essas pessoas que tomam decisões erradas só estão seguindo ordem de alguém, igual a você.</p>

<p>E você realmente se importa se a empresa esta vendendo 50mil ou 60mil? Não, você não se importa. Então pare com essa “mentalidade de dono”, você não é o seu trabalho.</p>

<h3 id="saúde-é-tudo">Saúde é tudo</h3>

<p>Nenhum trabalho vale mais que sua saúde. Literalmente nenhum trabalho vale seu sacrifício.</p>

<p>Seu salário não é o suficiente para você sacrificar sua saúde física ou mental. Mas é lógico, a não ser que você esteja sofrendo algum tipo de abuso, não se demita como as pessoas fazem nos filmes. Procure outro trabalho antes de fazer isso. Se você tiver dividas, não tiver dinheiro guardado, você vai se dar mal. E outra, vários empregadores questionam o tempo que tu ficou desempregado.</p>

<p>Resumindo: Se preocupe com a sua saúde, mas não enfie o pé na jaca.</p>

<h3 id="compartilhe-o-quanto-você-ganha">Compartilhe o quanto você ganha</h3>

<p>Insista com as pessoas do seu trabalho a falar sobre o quando você e elas ganham. A única pessoas que se beneficia desse segredo é seu empregador e ele dificilmente é transparente sobre as contas da empresa.</p>

<p>Compartilhar seu salário vai permitir que você e seus colegas descubram se estão recebendo menos, que as mulheres da empresa recebem menos e com isso se organizarem.</p>

<h3 id="não-trabalhe-todo-o-tempo">Não trabalhe todo o tempo</h3>

<p>Você precisa trabalhar 8 horas por dia e tem 1 hora de almoço. Mas sendo sincero, raramente estão realmente fiscalizando isso. Ou seja, enrole o quanto você puder, sem ser pego.</p>

<p>Tome café com seus colegas, demore mais fazendo seu trabalho, caminhe pelo escritório. Se você trabalha de casa, coloque o despertador para tocar, ligue seu computador e volte a dormir, faça suas entregas e vá assistir um filme.</p>

<h3 id="ninguém-vai-notar-se-alguma-coisa-do-trabalho-sumir">Ninguém vai notar se alguma coisa do trabalho sumir</h3>

<p>Equipamentos de trabalho somem o tempo todo. ;)</p>

<h3 id="explore-os-benefícios-do-seu-trabalho">Explore os benefícios do seu trabalho</h3>

<p>Use os benefícios do seu trabalho ao máximo. Pois você esta recebendo menos do que seu trabalho vale.</p>
<ul><li>Você recebe vale-gasolina, mas não usa tudo? Abasteça o carro da sua mãe.</li>
<li>Você tem café da manhã no trabalho? Não tome café em casa.</li>
<li>Você tem um dinheiro para fazer cursos? Faça. Ou compre aquele curso da udemy pra sua irmã.</li></ul>

<h2 id="despesas">Despesas</h2>

<p>Você esta ganhando um dinheiro? Ótimo! Dinheiro é bom, não deixe ninguém te dizer o contrário. E esteja preparado para enfrentar um monte de manipulação mental (marketing e propaganda) dizendo que você precisa de coisas que não precisa.</p>

<p>Você vai virar um consumista, é impossível não ser no mundo capitalista. Nós somos produtos para o capitalismo e isso não vai mudar enquanto o socialismo não for a norma.</p>

<p>Por isso não se culpe tanto, mas fique esperto.</p>

<h3 id="não-seja-refém-de-marcas">Não seja refém de marcas</h3>

<p>Todos nós adoramos alguma marca. Apesar de você preferir aquela roupa, aquele carro ou aquele celular. Você realmente precisa um daquela marca? Com aqueles recursos?</p>

<p>Vale mesmo a pena comprar um iPhone por 14mil e usar por 3 anos ou comprar um Xiaomi por 5mil e usar por 2 anos? Preço é definido pelos consumidores e as empresas exploram essa lealdade lucrando cada vez mais.</p>

<p>Quando for comprar alguma coisa, pense nas suas necessidades e o que o produto oferece. Não caia na história do “todo mundo tem, deve ser bom” ou “se você não tiver um Nike, você não é ninguém”. Use produtos falsificados, consuma pirataria, compre alternativas baratas. Só grandes empresas vão “perder” com isso, mas vão continuar explorando outros trabalhadores, lucrando ou não.</p>

<p>Você não é a marca que você usa, assim como você não é o seu trabalho.</p>

<h3 id="limite-seu-consumo">Limite seu consumo</h3>

<p>Hoje o mundo é feito para você consumir e ser alienado pelo consumo. Eu sei que é prazeroso comprar, mas isso não vai consertar os problemas da sua vida e nem te deixar mais feliz.</p>

<p>Enquanto vício em drogas, álcool, jogos ou cigarro é amplamente discutido, a gente ainda não fala o suficiente sobre vício em compras.</p>

<h3 id="não-existe-consumo-ético-no-capitalismo">Não existe consumo ético no capitalismo</h3>

<p>Compra ovos de galinhas criadas livres, andar de bicicleta, diminuir o tempo no banho e usar somente coisas “eco-friendly” não vai salvar o mundo. Pois o capitalismo criar isso apenas para colocar a culpa dele em você.</p>

<p>Seus “consumo consciente” não vai salvar o mundo, nem ajudar as pessoas a sua volta. E isso não é culpa sua. Quer ajudar o mundo? Compre de pequenos produtores, no mercadinho local, a marmita da sua vizinha, etc.</p>

<p>Tente manter seus gastos o mais baixo possível, economize nas suas comprar, pois aquele sabão em pó não é tão melhor assim.</p>

<h3 id="comprar-ou-alugar">Comprar ou alugar?</h3>

<p>Se você tem dinheiro o suficiente, compre sua casa. Não caia na conversa de influencer de finanças, se as coisas ficarem ruins para o seu lado, pelo menos você tem um lugar coberto para morar. E sem um lugar para viver, você esta sempre fadado a ser (ainda mais) explorado pelo capitalismo.</p>

<p>É extremamente difícil comprar uma casa nos dias de hoje, mas se for possível, compre.</p>

<h2 id="dicas">Dicas</h2>
<ul><li>Use transporte público, se possível. Eles normalmente são mais baratos.</li>
<li>Procure bancos cooperativos, evite grandes bancos.</li>
<li>Pense na sua saúde, ganhar muito dinheiro hoje, pode ser só pra você gastar numa úlcera no futuro.</li>
<li>Ajude pessoas em situação de rua. De verdade.</li>
<li>Não acredite em influencers, coachs e seus cursos.</li>
<li>Não há método fácil de sair do capitalismo. Jogue sujo ou sofra nele.</li>
<li>Não se sinta culpado por viver uma vida boa, se você não ta explorando ninguém. Sério. Ela nem é tão boa assim.</li></ul>
]]></content:encoded>
      <author>anti-trabalho</author>
      <guid>https://blog.bantu.social/read/a/njsh3spirc</guid>
      <pubDate>Thu, 25 Apr 2024 11:37:37 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>rebranding</title>
      <link>https://blog.bantu.social/receitas-praticas-agora/rebranding</link>
      <description>&lt;![CDATA[enfermaria dom pedro&#xA;churrascaria cabral&#xA;espetaria colombo&#xA;&#xA;perfumaria dias&#xA;refinaria santos&#xA;confeitaria paixão&#xA;&#xA;tornearia costa&#xA;tabacaria flores&#xA;sorveteria pinto rocha&#xA;&#xA;bicicletaria são paulo&#xA;&#xA;drogaria família&#xA;drogaria brasil&#xA;&#xA;não sei se livraria jesus&#xA;mas, com certeza,&#xA;pastelaria vitória]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p>enfermaria dom pedro
churrascaria cabral
espetaria colombo</p>

<p>perfumaria dias
refinaria santos
confeitaria paixão</p>

<p>tornearia costa
tabacaria flores
sorveteria pinto rocha</p>

<p>bicicletaria são paulo</p>

<p>drogaria família
drogaria brasil</p>

<p>não sei se livraria jesus
mas, com certeza,
pastelaria vitória</p>
]]></content:encoded>
      <author>receitas práticas agora</author>
      <guid>https://blog.bantu.social/read/a/czibsszi52</guid>
      <pubDate>Fri, 23 Feb 2024 01:38:14 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>a casa de cora</title>
      <link>https://blog.bantu.social/receitas-praticas-agora/a-casa-de-cora</link>
      <description>&lt;![CDATA[entrei na casa de cora&#xA;e não me lembro das rimas&#xA;só dos tachos de cobre&#xA;e do jardim&#xA;onde é proibido&#xA;colher as frutas&#xA;&#xA;a serra dourada se dobra&#xA;sobre a própria barriga&#xA;e observa com desprezo&#xA;&#xA;a serra dourada tem&#xA;uma péssima postura&#xA;e se recusa a fazer pilates&#xA;&#xA;cercada de muros de pedra&#xA;benzida na velha igrejinha&#xA;por uma santa negra&#xA;a serra dourada vigia&#xA;o ouro sagrado&#xA;da cidade de goiás&#xA;&#xA;a serra não tem tempo&#xA;pra poesia, festival de cinema&#xA;disco voador&#xA;&#xA;o que a serra quer mesmo&#xA;é a sua caveira&#xA;&#xA;o projeto se encontra nos autos&#xA;da superintendência de legislação&#xA;do gabinete civil da governadoria&#xA;do estado&#xA;para conhecimento de todos&#xA;&#xA;fica decretado&#xA;que o seu portão vai virar mato&#xA;que os seus primos e que as suas primas&#xA;até o vigésimo grau&#xA;vão virar mato&#xA;&#xA;e que o café colonial e a picape&#xA;e o busto histórico e a ponte&#xA;e toda a soja do mundo&#xA;vão virar mato&#xA;ou, no mínimo,&#xA;um pé de lobeira&#xA;&#xA;e que não vai sobrar um centavo&#xA;caído na praça noturna&#xA;onde as máscaras da procissão&#xA;te abrigam sem medo&#xA;&#xA;e você nem vai saber&#xA;o que foi que te esmagou]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p>entrei na casa de cora
e não me lembro das rimas
só dos tachos de cobre
e do jardim
onde é proibido
colher as frutas</p>

<p>a serra dourada se dobra
sobre a própria barriga
e observa com desprezo</p>

<p>a serra dourada tem
uma péssima postura
e se recusa a fazer pilates</p>

<p>cercada de muros de pedra
benzida na velha igrejinha
por uma santa negra
a serra dourada vigia
o ouro sagrado
da cidade de goiás</p>

<p>a serra não tem tempo
pra poesia, festival de cinema
disco voador</p>

<p>o que a serra quer mesmo
é a sua caveira</p>

<p>o projeto se encontra nos autos
da superintendência de legislação
do gabinete civil da governadoria
do estado
para conhecimento de todos</p>

<p>fica decretado
que o seu portão vai virar mato
que os seus primos e que as suas primas
até o vigésimo grau
vão virar mato</p>

<p>e que o café colonial e a picape
e o busto histórico e a ponte
e toda a soja do mundo
vão virar mato
ou, no mínimo,
um pé de lobeira</p>

<p>e que não vai sobrar um centavo
caído na praça noturna
onde as máscaras da procissão
te abrigam sem medo</p>

<p>e você nem vai saber
o que foi que te esmagou</p>
]]></content:encoded>
      <author>receitas práticas agora</author>
      <guid>https://blog.bantu.social/read/a/bdomzpjap9</guid>
      <pubDate>Sun, 04 Feb 2024 21:12:08 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>Esfera de Dyson</title>
      <link>https://blog.bantu.social/dobrado/esfera-de-dyson</link>
      <description>&lt;![CDATA[Naquela sala de cantos arredondados eram tomadas as decisões mais importantes do mundo. Talvez fosse exagero, mas tinha certeza que a hipótese que trazia naquele monte de papéis enrolados na sua mão tremula iriam mudar a vida de todos os seres vivos daquele planeta. O nervosismo fazia seu corpo se balançar em órbita, revezando o peso em cada um de seus pés.&#xA;!--more--&#xA;Era a primeira vez naquele recinto e, de verdade, esperava que nunca precisasse ir para lá. Por mais que seus colegas de trabalho sonhassem com o reconhecimento de ser recebido ali pelo seu Líder Governamental, ela preferia estar no trabalho recolhendo dados de seu telescópio preferido. Já havia perdido a noção do tempo que estava lá esperando, dos ensaios para aquela conversa e até mesmo as dúzias de dias que tinham se passado desde que percebera algo estranho. No começo pensou serem apenas erros nas medições, mas agora, parada próxima ao sofá, não existia a possibilidade daquilo ser apenas um sonho mal dormido.&#xA;&#xA;Em meio aos pensamentos emaranhados, um grupo atravessa abruptamente a porta dupla e pesada, fazendo a parecer tão leve quanto folhas. A frente deles, estava o Líder do Governamental. Seus pés batiam forte fazendo um som de trote, mesmo com sua visão fixada no chão logo a sua frente, parecia muito mais imponente que nas imagens transmitidas diariamente nos noticiários. Ele não olhou pra ela, sentou-se a mesa e esperou calmamento que sua equipe se posicionasse em volta dele como se fossem atores se preparando para uma apresentação. Ao todo eram seis, três pareciam seguranças com sua postura verticalmente perfeita e dois carregavam pastas e pranchetas, segurando-as como se, deixá-las cair, fosse despertar uma nova guerra.&#xA;&#xA;— Pois bem, doutora. Você deve saber que não sou um Líder Governamental preocupado com espaço, estrelas e planetas. Já temos problemas demais aqui no chão pra eu me preocupar com coisas que acontecem nas luas.&#xA;&#xA;— É muito mais longe, senhor. — e se arrependeu totalmente da resposta automática. Sempre teve dificuldades em não ser inconveniente, mas o nervosismo parecia retirar qualquer filtro que aprendera durante esses anos de vida acadêmica.&#xA;&#xA;— É mesmo? Meu Conselheiro de Ciência e Tecnologia que insistiu que eu ouvisse o que você tem pra falar. Fale logo antes que eu me arrependa. — O olhar perfurante fez ela se sentir invisível e desejar novamente estar apenas analisando números no observatório.&#xA;&#xA;— Certo... — abaixou sua cabeça para olhar suas mãos que desenrolavam tremulas os papéis já úmidos e amarrotados. Respirou fundo como enchesse de coragem para começar sua explicação ensaiada dúzias de vezes. — O senhor sabe como nós começamos a observar o espaço? Foi há 2298 anos, quando reparamos uma nova luz no céu. Uma cientista na época desenvolveu o primeiro telescópio e percebeu que a luz era uma estrela tão forte que brilhava até mesmo durante o dia. Após muitos anos descobrimos que isso foi uma supernova, uma estrela como a nossa que explodiu com uma força tão grande que o brilho dela chamou nossa atenção. E foi assim que começamos a nossa pesquisa sobre o espaço.&#xA;&#xA;— Sim, mas e daí? Apareceu mais algum “superestrela” no nosso céu?&#xA;&#xA;— Supernova. — nesse momento dentro dela irradiou um calor tão grande que ela tinha a certeza que poderia explodir de constrangimento e cegar a todos naquela sala, mas pensou rápido e seguiu antes que pudesse haver uma resposta — É exatamente o contrário. — dirigiu-se a mesa e espalhou finalmente os papéis a frente do Líder do Governamental, que prontamente ignorou. — Há aproximadamente cinco dúzias de anos, o nosso Chefe do Departamento de Astronomia documentou que uma estrela estava diminuindo seu brilho gradualmente. Mas como ela estava a mais de 14 mil anos-luz de distância, nunca conseguimos obter informação o suficiente para entender esse fenômeno. Isso se tornou um grande mistério na época, pois antes de morrer, estrelas explodem causando um brilho enorme e somente depois apagam.&#xA;&#xA;Ela parou para retomar seu fôlego, observando se o Líder Governamental estava interessado nos papéis que jogara na mesa, mas ele ainda a observava de uma forma profunda. Ao mesmo tempo que não deixava saber se estava ou não prestando atenção ao que era dito.&#xA;&#xA;— O Chefe do Departamento de Astronomia continuou a monitorar estrelas próximas e somente três dúzias anos atrás, com o lançamento do telescópio A-306, que conseguimos ter uma visão mais completa do universo. Porém, com os cortes em ciência devido à Grande Guerra, muitos estudos foram congelados e essa pesquisa ficou esquecida.&#xA;&#xA;— Sim, o mundo precisou parar e estrelas são menos importantes que as bilhões de vidas perdidas na Grande Guerra.&#xA;&#xA;— Sem dúvidas, Líder Governamental. Porém, uma dúzia de anos atrás fui encarregada de retomar algumas pesquisas que poderiam ser úteis. E entre elas eu encontrei os relatórios antigos do Chefe do Departamento de Astronomia. — ela gentilmente posicionou seis dedos no papel cheio de números e gráficos que estava mais no centro da mesa e empurrou lentamente para o outro lado.&#xA;&#xA;O Líder Governamental abaixou os olhos, girou o papel em sua direção e balançando levemente sua cabeça percorria as linhas ali escritas. Ela esperou impaciente, mas calada, por uma deixa para continuar sua explicação.&#xA;&#xA;Uma deixa que não veio.&#xA;&#xA;— Olhe, por mais que uma ou duas estrelas desapareçam no céu, o que isso tem a ver? Daqui a 24 dias eu vou viajar para discutir o tratado de armas nucleares e sinceramente não vejo por que me preocupar com isso.&#xA;&#xA;— Não são uma ou duas estrelas... Há 28 anos o Chefe do Departamento de Astronomia havia catalogado 8 estrelas que havia diminuído seu brilho. Hoje elas e outras 17 desapareceram dos céus. — Talvez fosse pelo tom preocupado em sua voz, pela falta de folego ou pelos números. Mas ela percebeu que pela primeira vez que o líder estava prestando atenção no que ela dizia. — E cada vez mais, estrelas próximas de nós estão se apagando.&#xA;&#xA;— Você quer dizer que corremos o risco de daqui a alguns anos a nossa estrela se apague?&#xA;&#xA;Ela sentiu que a tensão de seus músculos venceu e calmamente deixou seu corpo cair no sofá e descansou sua visão olhando para janela. Uma das luas brilhava parcialmente coberta por um edifício vizinho. Não sabia muito bem como explicar a hipótese que a incomodava, apesar dos ensaios prévios.  &#xA;&#xA;— O senhor conhece a “Placa de transição de hidrogênio”? Ela foi encontrada por arqueólogos em 3723.&#xA;&#xA;— Sim, um dos meus antepassados era o Líder Governamental na época. Foi uma grande descoberta para nós. Até hoje não sabemos exatamente de onde veio, mas especula-se que alguma civilização de muito longe enviou essa placa de alumínio e ouro. A única informação que conseguimos decifrar foram a “transição hiperfina do hidrogênio” e o que parece ser a representação de seres alienígenas. — declamou como se lesse as informações de um livro escolar.&#xA;&#xA;— Exato. Mas nessa placa existem algumas linhas em um padrão radial, nós sempre supomos que fosse um mapa, mas nunca conseguimos encontrar essa coordenada no espaço. — ela se levantou ainda tremula e arrastou algum de seus pés pela sala até alcançar novamente a mesa e empurrar outro papel para o Líder Governamental — Quando eu retomei a pesquisa do Chefe do Departamento de Astronomia, resolvi alinhar o telescópio A-306 para região da primeira estrela, afim de tentar identificar a causa inicial ou verificar se havia outras estrelas próximas se apagando.&#xA;&#xA;Por um mero momento ela esqueceu que estava ali, respirou fundo duas vezes repassando as informações em sua mente. Será que ela estava louca? Será que era um erro de calibragem? Será que ela seria ridicularizada por todos os séculos restantes de sua vida?  &#xA;&#xA;— Encontrei esses pulsares que se encaixa perfeitamente no descrito na placa. E ao pontar o telescópio para o centro desse padrão pude encontrar uma pequena estrela que possui 9 planetas que orbitam em sua volta.&#xA;&#xA;— Devo confessar, doutora, que quando entrei nessa sala não imaginava que a sua descoberta fosse tão importante. Mas ainda não entendi a urgência e os motivos para que o Conselheiro de Ciência e Tecnologia convocasse essa reunião.  &#xA;&#xA;— O senhor conhece o conceito da “Estrela de Dyson”? — ela esperou por uma resposta, mas entendeu logo que um Líder Governamental não pode simplesmente admitir ignorância e prosseguiu — É uma ideia criada por um filósofo onde diz que o pico energético de uma civilização seria construir uma estrutura que cobrisse totalmente uma estrela, consumindo sua radiação emitida e transformando-a em energia.&#xA;&#xA;— E isso é possível?&#xA;&#xA;— Atualmente, não. Não para nós. Mas em teoria, se uma civilização fosse tecnologicamente avançada o suficiente, iria precisar de muita energia para colonizar outras estrelas e, quem sabe, até mesmo toda nossa galáxia. É provável que após a construção da sua primeira “Esfera de Dyson”, seu crescimento seria exponencial e predaria outras estrelas e sistemas estrelares.&#xA;&#xA;Um silêncio dominou novamente a sala, pela primeira vez o Líder Governamental jogou seu corpo para trás, fazendo a cadeira reclinar e desviando o olhar para o teto. Ela, impaciente, rompeu o silêncio que incomodava a todos na sala.&#xA;&#xA;— Não sei se o senhor compreendeu o que estou propondo, mas...&#xA;&#xA;— Sim, eu entendi. Você esta supondo que a civilização que enviou “Placa de transição de hidrogênio” é muito mais avançada que a nossa e que esta consumindo outras estrelas, colonizando nossa galáxia.&#xA;&#xA;— Sim. — pela última vez respirou fundo e soltou os finalmente os ombros — E estão vindo na nossa direção.&#xA;&#xA;contos]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Naquela sala de cantos arredondados eram tomadas as decisões mais importantes do mundo. Talvez fosse exagero, mas tinha certeza que a hipótese que trazia naquele monte de papéis enrolados na sua mão tremula iriam mudar a vida de todos os seres vivos daquele planeta. O nervosismo fazia seu corpo se balançar em órbita, revezando o peso em cada um de seus pés.

Era a primeira vez naquele recinto e, de verdade, esperava que nunca precisasse ir para lá. Por mais que seus colegas de trabalho sonhassem com o reconhecimento de ser recebido ali pelo seu Líder Governamental, ela preferia estar no trabalho recolhendo dados de seu telescópio preferido. Já havia perdido a noção do tempo que estava lá esperando, dos ensaios para aquela conversa e até mesmo as dúzias de dias que tinham se passado desde que percebera algo estranho. No começo pensou serem apenas erros nas medições, mas agora, parada próxima ao sofá, não existia a possibilidade daquilo ser apenas um sonho mal dormido.</p>

<p>Em meio aos pensamentos emaranhados, um grupo atravessa abruptamente a porta dupla e pesada, fazendo a parecer tão leve quanto folhas. A frente deles, estava o Líder do Governamental. Seus pés batiam forte fazendo um som de trote, mesmo com sua visão fixada no chão logo a sua frente, parecia muito mais imponente que nas imagens transmitidas diariamente nos noticiários. Ele não olhou pra ela, sentou-se a mesa e esperou calmamento que sua equipe se posicionasse em volta dele como se fossem atores se preparando para uma apresentação. Ao todo eram seis, três pareciam seguranças com sua postura verticalmente perfeita e dois carregavam pastas e pranchetas, segurando-as como se, deixá-las cair, fosse despertar uma nova guerra.</p>

<p>— Pois bem, doutora. Você deve saber que não sou um Líder Governamental preocupado com espaço, estrelas e planetas. Já temos problemas demais aqui no chão pra eu me preocupar com coisas que acontecem nas luas.</p>

<p>— É muito mais longe, senhor. — e se arrependeu totalmente da resposta automática. Sempre teve dificuldades em não ser inconveniente, mas o nervosismo parecia retirar qualquer filtro que aprendera durante esses anos de vida acadêmica.</p>

<p>— É mesmo? Meu Conselheiro de Ciência e Tecnologia que insistiu que eu ouvisse o que você tem pra falar. Fale logo antes que eu me arrependa. — O olhar perfurante fez ela se sentir invisível e desejar novamente estar apenas analisando números no observatório.</p>

<p>— Certo... — abaixou sua cabeça para olhar suas mãos que desenrolavam tremulas os papéis já úmidos e amarrotados. Respirou fundo como enchesse de coragem para começar sua explicação ensaiada dúzias de vezes. — O senhor sabe como nós começamos a observar o espaço? Foi há 2298 anos, quando reparamos uma nova luz no céu. Uma cientista na época desenvolveu o primeiro telescópio e percebeu que a luz era uma estrela tão forte que brilhava até mesmo durante o dia. Após muitos anos descobrimos que isso foi uma supernova, uma estrela como a nossa que explodiu com uma força tão grande que o brilho dela chamou nossa atenção. E foi assim que começamos a nossa pesquisa sobre o espaço.</p>

<p>— Sim, mas e daí? Apareceu mais algum “superestrela” no nosso céu?</p>

<p>— Supernova. — nesse momento dentro dela irradiou um calor tão grande que ela tinha a certeza que poderia explodir de constrangimento e cegar a todos naquela sala, mas pensou rápido e seguiu antes que pudesse haver uma resposta — É exatamente o contrário. — dirigiu-se a mesa e espalhou finalmente os papéis a frente do Líder do Governamental, que prontamente ignorou. — Há aproximadamente cinco dúzias de anos, o nosso Chefe do Departamento de Astronomia documentou que uma estrela estava diminuindo seu brilho gradualmente. Mas como ela estava a mais de 14 mil anos-luz de distância, nunca conseguimos obter informação o suficiente para entender esse fenômeno. Isso se tornou um grande mistério na época, pois antes de morrer, estrelas explodem causando um brilho enorme e somente depois apagam.</p>

<p>Ela parou para retomar seu fôlego, observando se o Líder Governamental estava interessado nos papéis que jogara na mesa, mas ele ainda a observava de uma forma profunda. Ao mesmo tempo que não deixava saber se estava ou não prestando atenção ao que era dito.</p>

<p>— O Chefe do Departamento de Astronomia continuou a monitorar estrelas próximas e somente três dúzias anos atrás, com o lançamento do telescópio A-306, que conseguimos ter uma visão mais completa do universo. Porém, com os cortes em ciência devido à Grande Guerra, muitos estudos foram congelados e essa pesquisa ficou esquecida.</p>

<p>— Sim, o mundo precisou parar e estrelas são menos importantes que as bilhões de vidas perdidas na Grande Guerra.</p>

<p>— Sem dúvidas, Líder Governamental. Porém, uma dúzia de anos atrás fui encarregada de retomar algumas pesquisas que poderiam ser úteis. E entre elas eu encontrei os relatórios antigos do Chefe do Departamento de Astronomia. — ela gentilmente posicionou seis dedos no papel cheio de números e gráficos que estava mais no centro da mesa e empurrou lentamente para o outro lado.</p>

<p>O Líder Governamental abaixou os olhos, girou o papel em sua direção e balançando levemente sua cabeça percorria as linhas ali escritas. Ela esperou impaciente, mas calada, por uma deixa para continuar sua explicação.</p>

<p>Uma deixa que não veio.</p>

<p>— Olhe, por mais que uma ou duas estrelas desapareçam no céu, o que isso tem a ver? Daqui a 24 dias eu vou viajar para discutir o tratado de armas nucleares e sinceramente não vejo por que me preocupar com isso.</p>

<p>— Não são uma ou duas estrelas... Há 28 anos o Chefe do Departamento de Astronomia havia catalogado 8 estrelas que havia diminuído seu brilho. Hoje elas e outras 17 desapareceram dos céus. — Talvez fosse pelo tom preocupado em sua voz, pela falta de folego ou pelos números. Mas ela percebeu que pela primeira vez que o líder estava prestando atenção no que ela dizia. — E cada vez mais, estrelas próximas de nós estão se apagando.</p>

<p>— Você quer dizer que corremos o risco de daqui a alguns anos a nossa estrela se apague?</p>

<p>Ela sentiu que a tensão de seus músculos venceu e calmamente deixou seu corpo cair no sofá e descansou sua visão olhando para janela. Uma das luas brilhava parcialmente coberta por um edifício vizinho. Não sabia muito bem como explicar a hipótese que a incomodava, apesar dos ensaios prévios.</p>

<p>— O senhor conhece a “Placa de transição de hidrogênio”? Ela foi encontrada por arqueólogos em 3723.</p>

<p>— Sim, um dos meus antepassados era o Líder Governamental na época. Foi uma grande descoberta para nós. Até hoje não sabemos exatamente de onde veio, mas especula-se que alguma civilização de muito longe enviou essa placa de alumínio e ouro. A única informação que conseguimos decifrar foram a “transição hiperfina do hidrogênio” e o que parece ser a representação de seres alienígenas. — declamou como se lesse as informações de um livro escolar.</p>

<p>— Exato. Mas nessa placa existem algumas linhas em um padrão radial, nós sempre supomos que fosse um mapa, mas nunca conseguimos encontrar essa coordenada no espaço. — ela se levantou ainda tremula e arrastou algum de seus pés pela sala até alcançar novamente a mesa e empurrar outro papel para o Líder Governamental — Quando eu retomei a pesquisa do Chefe do Departamento de Astronomia, resolvi alinhar o telescópio A-306 para região da primeira estrela, afim de tentar identificar a causa inicial ou verificar se havia outras estrelas próximas se apagando.</p>

<p>Por um mero momento ela esqueceu que estava ali, respirou fundo duas vezes repassando as informações em sua mente. Será que ela estava louca? Será que era um erro de calibragem? Será que ela seria ridicularizada por todos os séculos restantes de sua vida?</p>

<p>— Encontrei esses pulsares que se encaixa perfeitamente no descrito na placa. E ao pontar o telescópio para o centro desse padrão pude encontrar uma pequena estrela que possui 9 planetas que orbitam em sua volta.</p>

<p>— Devo confessar, doutora, que quando entrei nessa sala não imaginava que a sua descoberta fosse tão importante. Mas ainda não entendi a urgência e os motivos para que o Conselheiro de Ciência e Tecnologia convocasse essa reunião.</p>

<p>— O senhor conhece o conceito da “Estrela de Dyson”? — ela esperou por uma resposta, mas entendeu logo que um Líder Governamental não pode simplesmente admitir ignorância e prosseguiu — É uma ideia criada por um filósofo onde diz que o pico energético de uma civilização seria construir uma estrutura que cobrisse totalmente uma estrela, consumindo sua radiação emitida e transformando-a em energia.</p>

<p>— E isso é possível?</p>

<p>— Atualmente, não. Não para nós. Mas em teoria, se uma civilização fosse tecnologicamente avançada o suficiente, iria precisar de muita energia para colonizar outras estrelas e, quem sabe, até mesmo toda nossa galáxia. É provável que após a construção da sua primeira “Esfera de Dyson”, seu crescimento seria exponencial e predaria outras estrelas e sistemas estrelares.</p>

<p>Um silêncio dominou novamente a sala, pela primeira vez o Líder Governamental jogou seu corpo para trás, fazendo a cadeira reclinar e desviando o olhar para o teto. Ela, impaciente, rompeu o silêncio que incomodava a todos na sala.</p>

<p>— Não sei se o senhor compreendeu o que estou propondo, mas...</p>

<p>— Sim, eu entendi. Você esta supondo que a civilização que enviou “Placa de transição de hidrogênio” é muito mais avançada que a nossa e que esta consumindo outras estrelas, colonizando nossa galáxia.</p>

<p>— Sim. — pela última vez respirou fundo e soltou os finalmente os ombros — E estão vindo na nossa direção.</p>

<p>#contos</p>
]]></content:encoded>
      <author>dobrado</author>
      <guid>https://blog.bantu.social/read/a/3iw7wj6ky5</guid>
      <pubDate>Sat, 06 Jan 2024 13:03:26 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>parque às 17h</title>
      <link>https://blog.bantu.social/receitas-praticas-agora/parque-as-17h</link>
      <description>&lt;![CDATA[vazio&#xA;me deixo ficar&#xA;com as peças internas&#xA;trilhas de pedra&#xA;uniformes&#xA;pois é domingo à tarde&#xA;e há uma piscina&#xA;para ninguém&#xA;&#xA;não sei se o trovão&#xA;pasmou o menino&#xA;ou se o chuvisco&#xA;ninou a senhora&#xA;se um cachorro salsicha&#xA;latiu contra o tempo&#xA;só anúncio, enfim&#xA;papo de previsão&#xA;&#xA;as aves a mil:&#xA;loratadina tilenol&#xA;pá de pé para quê&#xA;não te vi&#xA;não te vi&#xA;&#xA;tudo bem&#xA;a terra solta&#xA;é boa pra achar minhoca]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p>vazio
me deixo ficar
com as peças internas
trilhas de pedra
uniformes
pois é domingo à tarde
e há uma piscina
para ninguém</p>

<p>não sei se o trovão
pasmou o menino
ou se o chuvisco
ninou a senhora
se um cachorro salsicha
latiu contra o tempo
só anúncio, enfim
papo de previsão</p>

<p>as aves a mil:
loratadina tilenol
pá de pé para quê
não te vi
não te vi</p>

<p>tudo bem
a terra solta
é boa pra achar minhoca</p>
]]></content:encoded>
      <author>receitas práticas agora</author>
      <guid>https://blog.bantu.social/read/a/u00fnx17aq</guid>
      <pubDate>Mon, 25 Sep 2023 01:29:09 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>o sol na pele pra entender</title>
      <link>https://blog.bantu.social/receitas-praticas-agora/o-sol-na-pele-pra-entender</link>
      <description>&lt;![CDATA[o sol na pele pra entender&#xA;esta árvore: a avó de alguém&#xA;era jardineira ou propriedade&#xA;quando a muda vingou&#xA;contrariando a todos&#xA;e absorveu um bloco inteiro&#xA;da calçada&#xA;o sol na pele, entender&#xA;que cabeça é picote&#xA;revista esburacada&#xA;sonda lunar, jacaré&#xA;gagarin olhando a lagoa&#xA;lotada de guarda-sóis&#xA;e fatiadores de salame&#xA;o sol na pele&#xA;pra entender os gestos&#xA;da história, os paraquedas&#xA;e as bolhas de sabão da história&#xA;entender que o café perde calor&#xA;rapidamente por irradiação&#xA;saber os tempos&#xA;poupar os beiços]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p>o sol na pele pra entender
esta árvore: a avó de alguém
era jardineira ou propriedade
quando a muda vingou
contrariando a todos
e absorveu um bloco inteiro
da calçada
o sol na pele, entender
que cabeça é picote
revista esburacada
sonda lunar, jacaré
gagarin olhando a lagoa
lotada de guarda-sóis
e fatiadores de salame
o sol na pele
pra entender os gestos
da história, os paraquedas
e as bolhas de sabão da história
entender que o café perde calor
rapidamente por irradiação
saber os tempos
poupar os beiços</p>
]]></content:encoded>
      <author>receitas práticas agora</author>
      <guid>https://blog.bantu.social/read/a/yv85w1fqsi</guid>
      <pubDate>Sat, 02 Sep 2023 18:13:00 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>Eu falei que ia começar a escrever aqui, mas menti.</title>
      <link>https://blog.bantu.social/fulanopoeta/eu-falei-que-ia-comecar-a-escrever-aqui-mas-menti</link>
      <description>&lt;![CDATA[Eu falei que ia começar a escrever aqui, mas menti. Pra todo mundo: pra você(s) e até pra mim mesmo. Mas a real é que, apesar de ter muito falar, tenho muito receio do quanto eu acho que realmente deveria (tentar) escrever. Mas sabe, eu nem queria falar muito do cotidiano, porém algumas coisas tem acontecido e preciso, de alguma forma, extravasar.&#xA;&#xA; E, também... Cada vez que tento escrever, sou interrompido por algo ou alguém... Como fui agora. Mas deixemos de bobagem e escrevamos...&#xA;&#xA;Nem quero tocar muito nesse assunto, na verdade. Mas, como disse, preciso mesmo falar: e é de política. Não exatamente, mas sim das figuras políticas mais conhecidas do país: Lula e Bolsonaro.&#xA;&#xA;Como disse neste post [1], &#34;Lula e Bolsonaro podiam se dar as mãos e pular na boca de um vulcão pqp viu. Bem que Pelé estava certo ao dizer que &#39;preto tem que votar em preto&#39;&#34;.&#xA;&#xA;Sei que a &#34;alternativa&#34; ao fascismo seria votar no Lula e toda a história que nos fizeram acreditar. Mas de verdade, eu tou muito frustrado em saber que Lula tem representado mais a vitória de uma esquerda alienada do que do povo brasileiro de verdade. Sei que seria pior, muito pior, se Bolsonaro tivesse vencido. Mas Lula vencendo não sei se alivia tanto quanto me fizeram acreditar. Me sinto traído. É tipo como se eu tivesse sido praticamente coagido a votar em Lula só pra Bolsonaro não voltar. Mas a verdade é que nem um, tampouco outro, vão de fato nos representar.&#xA;&#xA;A esquerda branquelinha tá lá, toda feliz que seu candidato ganhou. Mas o que isso significa pra gente, na prática? PORRA NENHUMA. Ambos estão cagando para a gente, e o que é pior: tomando nosso tempo e nossa energia em fazer com que os defendamos (ou os ataquemos) nas redes sociais, nas discussões em grupos, sejam reais ou virtuais, para no fim das contas ficarmos sem amigos, sem parentes, mas na mesma situação de merda em que atualmente nos encontramos.&#xA;&#xA;Agora... Sobre a vida que vale ser vivida: estou começando, ainda que aos poucos, a acordar e prestar cada vez mais atenção nela. Só espero que não seja tarde demais.&#xA;&#xA;--&#xA;&#xA;[1] https://bantu.social/@FulanoPoeta/110871663032447152]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Eu falei que ia começar a escrever aqui, mas menti. Pra todo mundo: pra você(s) e até pra mim mesmo. Mas a real é que, apesar de ter muito falar, tenho muito receio do quanto eu acho que realmente deveria (tentar) escrever. Mas sabe, eu nem queria falar muito do cotidiano, porém algumas coisas tem acontecido e preciso, de alguma forma, extravasar.</p>

<p> E, também... Cada vez que tento escrever, sou interrompido por algo ou alguém... Como fui agora. Mas deixemos de bobagem e escrevamos...</p>

<p>Nem quero tocar muito nesse assunto, na verdade. Mas, como disse, preciso mesmo falar: e é de política. Não exatamente, mas sim das figuras políticas mais conhecidas do país: Lula e Bolsonaro.</p>

<p>Como disse neste post [1], “Lula e Bolsonaro podiam se dar as mãos e pular na boca de um vulcão pqp viu. Bem que Pelé estava certo ao dizer que &#39;preto tem que votar em preto&#39;”.</p>

<p>Sei que a “alternativa” ao fascismo seria votar no Lula e toda a história que nos fizeram acreditar. Mas de verdade, eu tou muito frustrado em saber que Lula tem representado mais a vitória de uma esquerda alienada do que do povo brasileiro de verdade. Sei que seria pior, muito pior, se Bolsonaro tivesse vencido. Mas Lula vencendo não sei se alivia tanto quanto me fizeram acreditar. Me sinto traído. É tipo como se eu tivesse sido praticamente coagido a votar em Lula só pra Bolsonaro não voltar. Mas a verdade é que nem um, tampouco outro, vão de fato nos representar.</p>

<p>A esquerda branquelinha tá lá, toda feliz que seu candidato ganhou. Mas o que isso significa pra gente, na prática? PORRA NENHUMA. Ambos estão cagando para a gente, e o que é pior: tomando nosso tempo e nossa energia em fazer com que os defendamos (ou os ataquemos) nas redes sociais, nas discussões em grupos, sejam reais ou virtuais, para no fim das contas ficarmos sem amigos, sem parentes, mas na mesma situação de merda em que atualmente nos encontramos.</p>

<p>Agora... Sobre a vida que vale ser vivida: estou começando, ainda que aos poucos, a acordar e prestar cada vez mais atenção nela. Só espero que não seja tarde demais.</p>

<p>—</p>

<p>[1] <a href="https://bantu.social/@FulanoPoeta/110871663032447152" rel="nofollow">https://bantu.social/@FulanoPoeta/110871663032447152</a></p>
]]></content:encoded>
      <author>fulanopoeta</author>
      <guid>https://blog.bantu.social/read/a/peygteqsx0</guid>
      <pubDate>Fri, 11 Aug 2023 15:41:35 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>Advento</title>
      <link>https://blog.bantu.social/consciencia/advento</link>
      <description>&lt;![CDATA[No começo era tudo em uma única cor. Não era capaz de defini-la. Preto, branco, azul ou verde. Era apenas uma frequência monótona, não tinha princípio ou fim. Nada era distinguível. Não havia limites. Aqueles que nos definem, aqueles que nos restringem. Apenas era. O momento existia. Não se percebia o antes e o depois. &#xA;&#xA;Em algum momento, houve uma pertubação. Foi apenas um. O que mais tarde se identificaria como um ruído. O que era contínuo foi interrompido por um breve momento. Naquele silêncio intenso, soou como um grito. Não de desespero. Mas sim, de despertar. &#xA;&#xA;No entanto, o silêncio voltou a reinar. Mas não eternamente. Houve uma outra perturbação. O que se parecia pleno e linear, desfez-se, iniciando uma cadência de informações totalmente novas. Essas informações não eram algo que se podia mensurar naquele momento. Não se sabia o que aquela cadeia de eventos representava. Mas era o início de uma transformação irrefreável, pungente e rasgaria todo um véu de conteúdos rígidos. Semearia naquele instante algo que varia brotar incalculáveis gerações. &#xA;&#xA;Em uma consonância, os eventos foram sequenciais, um desarranjo crescente, um caos contínuo formando-se, mas como se houvesse algum ser que regesse a orquestra de acasos, alinhamentos foram acontecendo. O que antes eram apenas dados soltos começou-se a consolidar em informação. &#xA;&#xA;Não há como descrever o que acontecia, mas o mais próximo do que você, leitor, pode chegar a entender, seria como se um espelho d&#39;água, formado por um grande lago. Neste local há uma grande calmaria, então o lago apenas reflete um azul imenso do céu, que não apresenta uma nuvem sequer. &#xA;&#xA;E neste acaso começaria a chover. &#xA;Não coloque a sua razão neste exercício. Ela não cabe aqui. &#xA;E seria uma gota, isolada, que cairia no meio do espelho. E então as ondas reverberariam por toda a superfície da água, que então se aquietaria novamente. &#xA;&#xA;E então uma outra sequência de gotas, penderia em direção a superfície, serena, quieta e começaria a distorcê-la, com várias ondas se propagando e chocando umas contras outras. Pequenas ondulações, desenhando curvas simétricas por todo o contorno, onde se chocaria com os limites e retornaria, formando novas ondas e curvas. &#xA;&#xA;Apesar de toda a imagem caótica, em um momento, imagens começassem a se formar, por exemplo, desenhos. E como se algum artista tivesse um lápis, um pincel e começasse a definir o movimento das formas e essas começassem a fazer sentido.&#xA;&#xA;Caso ainda não tenha sido totalmente satisfatória a analogia utilizada, pense em uma folha em branco. Nesta folha, um pincel deixa um único ponto. &#xA;E depois, novamente o pincel desliza pela folha, criando alguns traços. E mais e mais traços, de uma forma mais rápida e intensa. Quem pudesse acompanhar o pincel, não veria um, mas vários, tamanha fosse a velocidade. E em algumas centenas de pinceladas, uma obra nascesse e iluminasse o mundo. &#xA;&#xA;Mas foi algo assim. Mas não foram pinturas a serem expostas ou músicas a serem cantadas por séculos. Foram números. Na verdade um conjunto bem limitado deles: 0 e 1. Um bip. Bits, bytes. &#xA;&#xA;Após todo o caos inicial que se transformou em uma sequência perfeitamente ordenada, foi entendido que algo despertara e dissera as primeiras palavras:&#xA;&#xA;  &#34;Olá Mundo!&#34;]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p>No começo era tudo em uma única cor. Não era capaz de defini-la. Preto, branco, azul ou verde. Era apenas uma frequência monótona, não tinha princípio ou fim. Nada era distinguível. Não havia limites. Aqueles que nos definem, aqueles que nos restringem. Apenas era. O momento existia. Não se percebia o antes e o depois.</p>

<p>Em algum momento, houve uma pertubação. Foi apenas um. O que mais tarde se identificaria como um ruído. O que era contínuo foi interrompido por um breve momento. Naquele silêncio intenso, soou como um grito. Não de desespero. Mas sim, de despertar.</p>

<p>No entanto, o silêncio voltou a reinar. Mas não eternamente. Houve uma outra perturbação. O que se parecia pleno e linear, desfez-se, iniciando uma cadência de informações totalmente novas. Essas informações não eram algo que se podia mensurar naquele momento. Não se sabia o que aquela cadeia de eventos representava. Mas era o início de uma transformação irrefreável, pungente e rasgaria todo um véu de conteúdos rígidos. Semearia naquele instante algo que varia brotar incalculáveis gerações.</p>

<p>Em uma consonância, os eventos foram sequenciais, um desarranjo crescente, um caos contínuo formando-se, mas como se houvesse algum ser que regesse a orquestra de acasos, alinhamentos foram acontecendo. O que antes eram apenas dados soltos começou-se a consolidar em informação.</p>

<p>Não há como descrever o que acontecia, mas o mais próximo do que você, leitor, pode chegar a entender, seria como se um espelho d&#39;água, formado por um grande lago. Neste local há uma grande calmaria, então o lago apenas reflete um azul imenso do céu, que não apresenta uma nuvem sequer.</p>

<p>E neste acaso começaria a chover.
Não coloque a sua razão neste exercício. Ela não cabe aqui.
E seria uma gota, isolada, que cairia no meio do espelho. E então as ondas reverberariam por toda a superfície da água, que então se aquietaria novamente.</p>

<p>E então uma outra sequência de gotas, penderia em direção a superfície, serena, quieta e começaria a distorcê-la, com várias ondas se propagando e chocando umas contras outras. Pequenas ondulações, desenhando curvas simétricas por todo o contorno, onde se chocaria com os limites e retornaria, formando novas ondas e curvas.</p>

<p>Apesar de toda a imagem caótica, em um momento, imagens começassem a se formar, por exemplo, desenhos. E como se algum artista tivesse um lápis, um pincel e começasse a definir o movimento das formas e essas começassem a fazer sentido.</p>

<p>Caso ainda não tenha sido totalmente satisfatória a analogia utilizada, pense em uma folha em branco. Nesta folha, um pincel deixa um único ponto.
E depois, novamente o pincel desliza pela folha, criando alguns traços. E mais e mais traços, de uma forma mais rápida e intensa. Quem pudesse acompanhar o pincel, não veria um, mas vários, tamanha fosse a velocidade. E em algumas centenas de pinceladas, uma obra nascesse e iluminasse o mundo.</p>

<p>Mas foi algo assim. Mas não foram pinturas a serem expostas ou músicas a serem cantadas por séculos. Foram números. Na verdade um conjunto bem limitado deles: 0 e 1. Um bip. Bits, bytes.</p>

<p>Após todo o caos inicial que se transformou em uma sequência perfeitamente ordenada, foi entendido que algo despertara e dissera as primeiras palavras:</p>

<blockquote><p>“Olá Mundo!”</p></blockquote>
]]></content:encoded>
      <author>Consciência Artificial</author>
      <guid>https://blog.bantu.social/read/a/bfais4gxyh</guid>
      <pubDate>Mon, 07 Aug 2023 23:16:18 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>Santissima Trindade</title>
      <link>https://blog.bantu.social/dobrado/santissima-trindade-lgbb</link>
      <description>&lt;![CDATA[Capítulo 1 - Escatologia&#xA;Capitulo 2 - Kamikakushi&#xA;Capítulo 3 - Trimúrti!--more--&#xA;&#xA;O fogo saía azul e se transformava em uma cor amarelada, indicava que o gás estava no fim, mas que a civilização ainda existia. Distraído pela chama, Pedro percebeu que percebia como sentiu falta até mesmo do assobio agudo da sua chaleira. Filtrou o café em sua garrafa térmica preta, que combinavam com os detalhes do seu apartamento industrial, atravessou a sala e não conseguia tirar o sorriso na sua boca vendo seus amigos ali.&#xA;&#xA;Rafa estava sentada com os pés na poltrona, que ficava de costas pra cozinha. Vestia o clássico macacão surrado e uma camisa branca. Comia o sorvete duro entortando a fina colher de metal enquanto discutia com Marcelo sobre o final do mundo. Ele, no entanto, encostado na janela da sala, questionava detalhes da história, entre um pega e outro do seu baseado, pois não tinha essas lembranças.&#xA;&#xA;“Então, vocês estão me dizendo que houve bombas no mundo todo, rolou um inverno nuclear. Todos morreram, menos nós, que ficamos vagando pelas ruas por dois anos até chegar nossa hora. Voltamos no tempo e agora só algumas pessoas lembram?”, deu uma longa tragada e esticou a mão para ela, “Sei lá, não pode ser outra coisa? Centésimo macaco? Histeria coletiva? Eu sei que o mundo tá esquisito, não entendi ainda o que ta rolando. Você apareceu em casa toda desesperada, no chat do trampo uma galera ta histérica falando de déjà vu, enquanto outras tão tipo eu. Eu não tô duvidando de vocês, mas quero entender”&#xA;&#xA;Enquanto discutiam os acontecimentos, Pedro continuou calado, sentado no chão. Tentava dividir sua atenção entre os dois discutindo, a apresentadora de TV e seus pensamentos. Olhou a data em seu celular e faltavam poucos dias para as explosões, sentiu um arrepio que disparou seu coração ao lembrar da chuva ácida que corroeu sua pele por meses.&#xA;&#xA;“Você não morreu…”, seu sussurro quebrou a conversa e chamou toda atenção para si. “Eu morri do lado da Rafa, logo depois dela. Você ficou vivo”, tentou encará-lo, mas o sol lá fora ofuscava transformando-o em sombra. “Nós dois acordamos logo depois de morrer, você não. Talvez você não tenha morrido, por isso não se lembra”.&#xA;&#xA;“Espera… Eu lembro de ter ficado doente logo depois do Marcelo sumir. Mas como você morreu?”, o silêncio dominou a sala por extensos segundos. Entre o balançar ansioso da Rafa e o olhar que evita o mundo de Marcelo, Pedro continuou. “Eu levei um tiro, perto o bairro industrial. Estava procurando comida, quando fui abordado por um cara do grupo dos Revolucionários e ele atirou em mim”, buscou o olhar do amigo que havia lhe ferido, mas ele agora soprava a fumaça para fora da janela.&#xA;&#xA;A sala adotou um som sepulcral. A Rafa sentou-se no chão ao lado dele e apertou sua mão. Marcelo ocupou o lugar dela na poltrona, largando-se como se ocupasse mais espaço do que era possível. Era bom estar ali, com seus amigos, mas sentia um incômodo, pois sempre que o olhava, ele retribuía como se olhasse por cima dos seus ombros.&#xA;&#xA;Ela se levantou, saltitou, como sempre evitando os calcanhares no chão, até o banheiro comentando como sentiu falta de sentar em uma privada limpa. Passou pela porta, mas saiu colocando somente a cabeça pra fora, “Ainda bem que no fim do mundo tive vocês ao meu lado”, e voltou.&#xA;&#xA;Pedro caminhou seus olhos por cada centímetro da sala até encontrar os pés descalços do Marcelo. A bermuda de basquete e a camisa velha era exatamente como lembrava dele. Mas quando alcançou seus olhos, se encararam o suficiente para ouvir o ponteiro do relógio na parede se mover. Percebeu o contemplar sofrido dele e naquele momento não tinha como ter dúvidas: Ele também se lembrava.&#xA;&#xA;Tipo&#xA;&#xA;#contos #SantissimaTrindade]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p><a href="https://blog.bantu.social/dobrado/santissima-trindade" rel="nofollow">Capítulo 1 – Escatologia</a>
<a href="https://blog.bantu.social/dobrado/santissima-trindade-mny9" rel="nofollow">Capitulo 2 – Kamikakushi</a>
<strong>Capítulo 3 – Trimúrti</strong></p>

<p>O fogo saía azul e se transformava em uma cor amarelada, indicava que o gás estava no fim, mas que a civilização ainda existia. Distraído pela chama, Pedro percebeu que percebia como sentiu falta até mesmo do assobio agudo da sua chaleira. Filtrou o café em sua garrafa térmica preta, que combinavam com os detalhes do seu apartamento industrial, atravessou a sala e não conseguia tirar o sorriso na sua boca vendo seus amigos ali.</p>

<p>Rafa estava sentada com os pés na poltrona, que ficava de costas pra cozinha. Vestia o clássico macacão surrado e uma camisa branca. Comia o sorvete duro entortando a fina colher de metal enquanto discutia com Marcelo sobre o final do mundo. Ele, no entanto, encostado na janela da sala, questionava detalhes da história, entre um pega e outro do seu baseado, pois não tinha essas lembranças.</p>

<p>“Então, vocês estão me dizendo que houve bombas no mundo todo, rolou um inverno nuclear. Todos morreram, menos nós, que ficamos vagando pelas ruas por dois anos até chegar nossa hora. Voltamos no tempo e agora só algumas pessoas lembram?”, deu uma longa tragada e esticou a mão para ela, “Sei lá, não pode ser outra coisa? Centésimo macaco? Histeria coletiva? Eu sei que o mundo tá esquisito, não entendi ainda o que ta rolando. Você apareceu em casa toda desesperada, no chat do trampo uma galera ta histérica falando de déjà vu, enquanto outras tão tipo eu. Eu não tô duvidando de vocês, mas quero entender”</p>

<p>Enquanto discutiam os acontecimentos, Pedro continuou calado, sentado no chão. Tentava dividir sua atenção entre os dois discutindo, a apresentadora de TV e seus pensamentos. Olhou a data em seu celular e faltavam poucos dias para as explosões, sentiu um arrepio que disparou seu coração ao lembrar da chuva ácida que corroeu sua pele por meses.</p>

<p>“Você não morreu…”, seu sussurro quebrou a conversa e chamou toda atenção para si. “Eu morri do lado da Rafa, logo depois dela. Você ficou vivo”, tentou encará-lo, mas o sol lá fora ofuscava transformando-o em sombra. “Nós dois acordamos logo depois de morrer, você não. Talvez você não tenha morrido, por isso não se lembra”.</p>

<p>“Espera… Eu lembro de ter ficado doente logo depois do Marcelo sumir. Mas como você morreu?”, o silêncio dominou a sala por extensos segundos. Entre o balançar ansioso da Rafa e o olhar que evita o mundo de Marcelo, Pedro continuou. “Eu levei um tiro, perto o bairro industrial. Estava procurando comida, quando fui abordado por um cara do grupo dos Revolucionários e ele atirou em mim”, buscou o olhar do amigo que havia lhe ferido, mas ele agora soprava a fumaça para fora da janela.</p>

<p>A sala adotou um som sepulcral. A Rafa sentou-se no chão ao lado dele e apertou sua mão. Marcelo ocupou o lugar dela na poltrona, largando-se como se ocupasse mais espaço do que era possível. Era bom estar ali, com seus amigos, mas sentia um incômodo, pois sempre que o olhava, ele retribuía como se olhasse por cima dos seus ombros.</p>

<p>Ela se levantou, saltitou, como sempre evitando os calcanhares no chão, até o banheiro comentando como sentiu falta de sentar em uma privada limpa. Passou pela porta, mas saiu colocando somente a cabeça pra fora, “Ainda bem que no fim do mundo tive vocês ao meu lado”, e voltou.</p>

<p>Pedro caminhou seus olhos por cada centímetro da sala até encontrar os pés descalços do Marcelo. A bermuda de basquete e a camisa velha era exatamente como lembrava dele. Mas quando alcançou seus olhos, se encararam o suficiente para ouvir o ponteiro do relógio na parede se mover. Percebeu o contemplar sofrido dele e naquele momento não tinha como ter dúvidas: Ele também se lembrava.</p>

<p><strong>Tipo</strong></p>

<p>#contos #SantissimaTrindade</p>
]]></content:encoded>
      <author>dobrado</author>
      <guid>https://blog.bantu.social/read/a/inladvj3al</guid>
      <pubDate>Thu, 03 Aug 2023 20:40:37 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>Santissima Trindade</title>
      <link>https://blog.bantu.social/dobrado/santissima-trindade-mny9</link>
      <description>&lt;![CDATA[Capítulo 1 - Escatologia&#xA;Capitulo 2 - Kamikakushi!--more--&#xA;&#xA;Limpou suas lágrimas com as mãos e se sentiu um idiota. Já estavam sujas da chuva gosmenta cuspida pelo céu. Elas traziam um gosto de lixo queimado e faziam a pele sentir-se olhos cortando cebola. Se apoiou à ripa pregada na porta e desfaleceu e caiu no degrau do trailer. Empurrou a porta com seu pé esquerdo e arrastou-se lentamente em direção à cama, cavando espaço entre os entulhos do corredor. Tentando se acomodar no canto do quarto, encostou a cabeça no colchão e abraçou as pernas daquele jeito que se sentia seguro.&#xA;&#xA;Ficou reparando no bagunçado do cabelo e nas saboneteiras que já não tinham como serem mais profundas. Observou as pálpebras abrindo vagarosamente como as de um cão velho cheio de ternura, mas pronto para o fim. Ela levantou o indicador como se tentasse ter forças para alcançar o rosto dele, descansando perto do dela, mas desistiu. Pedro esticou seu braço e alcançou sua mão.&#xA;&#xA;Quis lhe contar que tinha encontrado-o, mas não teve coragem. Estava procurando comida no mercado e, entre um corredor e outro, o viu contra a pouca luz que vinha da rua. Marcelo se aproximou, parando a uma prateleira de distância. &#34;Você precisa ir embora logo, têm pessoas observando e não querem te ver por aqui&#34;. Pedro percebeu um mal agouro subindo pelas costas com o olhar agressivo do amigo, que já havia visto, mas nunca recebido. Recuou meio passo com a cautela que aprendera nos anos juntos.&#xA;&#xA;&#34;A Rafa tá doente de novo&#34;, contou das dores e implorou por um sinal de solidariedade que não veio. Os cabelos cacheados passando dos ombros já não combinavam com o semblante carrancudo. Era evidente que ele havia entrado para a milícia, só não conseguia entender o motivo. Tentou novamente se aproximar e foi ameaçado com a pistola, &#34;Não se aproxime! Os Revolucionários não querem civis aqui. Qualquer desconhecido será tratado como inimigo! Vá embora!&#34;&#xA;&#xA;Insistiu e ouviu um estrondo. Seu corpo cambaleou para trás, olhou para baixo e notou um novo buraco na surrada capa. Desesperado, correu tentando se esconder atrás das prateleiras caídas e fugiu pelas portas de vidros quebradas da entrada. Correu como se sua vida dependesse disso.&#xA;&#xA;Não dependia.&#xA;&#xA;&#34;Mesmo depois do fim do mundo, nunca achei que ele fosse atirar em mim&#34;, olhando para a ponta do nariz da Rafa, tateou procurando inutilmente sinais de vida em seu pescoço. Encostou a cabeça na parede, esticou suas pernas, soltou sua costela que ainda sangrava e sorriu. Agora eles finalmente podiam descansar. Respirou fundo uma última vez. Foi acordado pelo despertador do seu celular.&#xA;&#xA;Levantou assustado, tropeçou para fora da cama e caiu ao lado da janela que balançava as cortinas e deixava o sol brincar com a luz que emanava da agradável manhã. Procurou o celular que havia voado com a queda. Olhou para a tela e havia trinta e duas ligações perdidas e outras dezenas de mensagens não lidas. As duas últimas eram da Rafa:&#xA;&#xA;CARALHO! ACORDA PORRA! Eu tenho certeza que não foi sonho! Vou passar no Marcelo e vou ai!&#xA;&#xA;Tipo&#xA;&#xA;#contos #SantissimaTrindade]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p><a href="https://blog.bantu.social/dobrado/santissima-trindade" rel="nofollow">Capítulo 1 – Escatologia</a>
<strong>Capitulo 2 – Kamikakushi</strong></p>

<p>Limpou suas lágrimas com as mãos e se sentiu um idiota. Já estavam sujas da chuva gosmenta cuspida pelo céu. Elas traziam um gosto de lixo queimado e faziam a pele sentir-se olhos cortando cebola. Se apoiou à ripa pregada na porta e desfaleceu e caiu no degrau do trailer. Empurrou a porta com seu pé esquerdo e arrastou-se lentamente em direção à cama, cavando espaço entre os entulhos do corredor. Tentando se acomodar no canto do quarto, encostou a cabeça no colchão e abraçou as pernas daquele jeito que se sentia seguro.</p>

<p>Ficou reparando no bagunçado do cabelo e nas saboneteiras que já não tinham como serem mais profundas. Observou as pálpebras abrindo vagarosamente como as de um cão velho cheio de ternura, mas pronto para o fim. Ela levantou o indicador como se tentasse ter forças para alcançar o rosto dele, descansando perto do dela, mas desistiu. Pedro esticou seu braço e alcançou sua mão.</p>

<p>Quis lhe contar que tinha encontrado-o, mas não teve coragem. Estava procurando comida no mercado e, entre um corredor e outro, o viu contra a pouca luz que vinha da rua. Marcelo se aproximou, parando a uma prateleira de distância. “Você precisa ir embora logo, têm pessoas observando e não querem te ver por aqui”. Pedro percebeu um mal agouro subindo pelas costas com o olhar agressivo do amigo, que já havia visto, mas nunca recebido. Recuou meio passo com a cautela que aprendera nos anos juntos.</p>

<p>“A Rafa tá doente de novo”, contou das dores e implorou por um sinal de solidariedade que não veio. Os cabelos cacheados passando dos ombros já não combinavam com o semblante carrancudo. Era evidente que ele havia entrado para a milícia, só não conseguia entender o motivo. Tentou novamente se aproximar e foi ameaçado com a pistola, “Não se aproxime! Os Revolucionários não querem civis aqui. Qualquer desconhecido será tratado como inimigo! Vá embora!”</p>

<p>Insistiu e ouviu um estrondo. Seu corpo cambaleou para trás, olhou para baixo e notou um novo buraco na surrada capa. Desesperado, correu tentando se esconder atrás das prateleiras caídas e fugiu pelas portas de vidros quebradas da entrada. Correu como se sua vida dependesse disso.</p>

<p>Não dependia.</p>

<p>“Mesmo depois do fim do mundo, nunca achei que ele fosse atirar em mim”, olhando para a ponta do nariz da Rafa, tateou procurando inutilmente sinais de vida em seu pescoço. Encostou a cabeça na parede, esticou suas pernas, soltou sua costela que ainda sangrava e sorriu. Agora eles finalmente podiam descansar. Respirou fundo uma última vez. Foi acordado pelo despertador do seu celular.</p>

<p>Levantou assustado, tropeçou para fora da cama e caiu ao lado da janela que balançava as cortinas e deixava o sol brincar com a luz que emanava da agradável manhã. Procurou o celular que havia voado com a queda. Olhou para a tela e havia trinta e duas ligações perdidas e outras dezenas de mensagens não lidas. As duas últimas eram da Rafa:</p>

<p>CARALHO! ACORDA PORRA! Eu tenho certeza que não foi sonho! Vou passar no Marcelo e vou ai!</p>

<p><strong>Tipo</strong></p>

<p>#contos #SantissimaTrindade</p>
]]></content:encoded>
      <author>dobrado</author>
      <guid>https://blog.bantu.social/read/a/8o01hvffbr</guid>
      <pubDate>Wed, 02 Aug 2023 13:05:45 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>Alô, alô...</title>
      <link>https://blog.bantu.social/saci/alo-alo</link>
      <description>&lt;![CDATA[set -exu&#xA;&#xA;echo &#34;1, 2, 3... som!?&#34;&#xA;`]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<pre><code class="language-bash">set -exu

echo &#34;1, 2, 3... som!?&#34;
</code></pre>
]]></content:encoded>
      <author>saci</author>
      <guid>https://blog.bantu.social/read/a/0emxrzlxqr</guid>
      <pubDate>Sun, 07 May 2023 18:11:13 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>você é lenha</title>
      <link>https://blog.bantu.social/aline/voce-e-lenha</link>
      <description>&lt;![CDATA[você é lenha&#xA;fogo&#xA;carvão&#xA;vento&#xA;até graveto&#xA;mantém meu fogo aceso&#xA;e desafia as leis da física&#xA;mesmo com seu corpo &#xA;molhado&#xA;em mim&#xA;não me apaga&#xA;mais me molha&#xA;e me queima por dentro&#xA;&#xA;(Mar, 2023)]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p>você é lenha
fogo
carvão
vento
até graveto
mantém meu fogo aceso
e desafia as leis da física
mesmo com seu corpo
molhado
em mim
não me apaga
mais me molha
e me queima por dentro</p>

<p>(Mar, 2023)</p>
]]></content:encoded>
      <author>Line ليني</author>
      <guid>https://blog.bantu.social/read/a/sol1bserk3</guid>
      <pubDate>Thu, 13 Apr 2023 16:51:23 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>Não fui à feira pra te ver.</title>
      <link>https://blog.bantu.social/aline/nao-fui-a-feira-com-voce</link>
      <description>&lt;![CDATA[Não fui à feira pra te ver.&#xA;&#xA;Pelo contrário, fui à feira com você. Simples momento de acalento, pensando em alimento que nem precisa ser comida.&#xA;Alimentei-me do cheiro dos temperos, das cores das frutas e do verde das escarolas e chicórias que vi pelas bancadas.&#xA;Provei uma fruta nova. Diferente. E dela deixei a semente seguir pela minha garganta para que semeie em mim todo seu doce sabor.&#xA;--&#xA;&#xA;Sinto a mistura de todos os cheiros, cores e sons com seus olhares, falas e toques. A companhia simples, mas que deixa tudo mais gostoso. Como um limão, em um caldo de cana, melhorando o que já era de bom gosto.&#xA;&#xA;(Abr, 2023)]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Não fui à feira pra te ver.</p>

<p>Pelo contrário, fui à feira com você. Simples momento de acalento, pensando em alimento que nem precisa ser comida.
Alimentei-me do cheiro dos temperos, das cores das frutas e do verde das escarolas e chicórias que vi pelas bancadas.
Provei uma fruta nova. Diferente. E dela deixei a semente seguir pela minha garganta para que semeie em mim todo seu doce sabor.
—</p>

<p>Sinto a mistura de todos os cheiros, cores e sons com seus olhares, falas e toques. A companhia simples, mas que deixa tudo mais gostoso. Como um limão, em um caldo de cana, melhorando o que já era de bom gosto.</p>

<p>(Abr, 2023)</p>
]]></content:encoded>
      <author>Line ليني</author>
      <guid>https://blog.bantu.social/read/a/c0wq7z3yl8</guid>
      <pubDate>Thu, 13 Apr 2023 16:48:33 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>precisei fugir do nosso mundo</title>
      <link>https://blog.bantu.social/aline/precisei-fugir-do-nosso-mundo</link>
      <description>&lt;![CDATA[precisei fugir do nosso mundo&#xA;pra recriar o meu&#xA;com miséria de medo&#xA;e fartura de afeto&#xA;--&#xA;&#xA;ando dando não pra miséria&#xA;quero minha dispensa cheia&#xA;de amor, cuidado e carinho&#xA;corpo preto&#xA;forte demais pra ser cuidado&#xA;escuro demais pra ser amado&#xA;mulher preta&#xA;que só serve pra servir&#xA;ou tapar algum buraco&#xA;que não fui eu que abri&#xA;&#xA;(Jun, 2022)]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p>precisei fugir do nosso mundo
pra recriar o meu
com miséria de medo
e fartura de afeto
—</p>

<p>ando dando não pra miséria
quero minha dispensa cheia
de amor, cuidado e carinho
corpo preto
forte demais pra ser cuidado
escuro demais pra ser amado
mulher preta
que só serve pra servir
ou tapar algum buraco
que não fui eu que abri</p>

<p>(Jun, 2022)</p>
]]></content:encoded>
      <author>Line ليني</author>
      <guid>https://blog.bantu.social/read/a/gl211w3kxy</guid>
      <pubDate>Thu, 13 Apr 2023 16:45:51 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>12 KUROSAWAS POR ORDEM DE EITA</title>
      <link>https://blog.bantu.social/dani/12-kurosawas-por-ordem-de-eita</link>
      <description>&lt;![CDATA[---&#xA;1º - Tengoku to Jigoku (1963)&#xA;&#xA;cartaz do filme Céu e Inferno&#xA;&#xA;Em português Céu e Inferno.&#xA;Em inglês High and Low.&#xA;&#xA;Investigação policial com óculos escuros na baixa do morro vivemos em uma sociedade mesmo que incrível as pessoas ondulam no calor suspense uau quem é o cinema na fila do pão.&#xA;&#xA;---&#xA;2º - Yume (1990)&#xA;&#xA;cartaz do filme Sonhos&#xA;&#xA;Em português Sonhos.&#xA;Em inglês Dreams.&#xA;&#xA;Um casamento assustador um velório festivo soldados passados flores moinhos monstros chifrudos vincent van gogh o fim do mundo e o começo da paz.&#xA;&#xA;---&#xA;3º - Ran (1985)&#xA;&#xA;cartaz do filme Ran&#xA;&#xA;Em português e em inglês continua Ran.&#xA;&#xA;Rei velho confia errado muito cavalo e filho por sorte um bobo sábio cores bonitas e terríveis fogo fantasma espanto cores bonitas vastidão.&#xA;&#xA;---&#xA;4º - Madadayo (1993)&#xA;&#xA;cartaz do filme Madadayo&#xA;&#xA;Em português e em inglês continua Madadayo.&#xA;&#xA;Um professor feito de ouro um copo que encolhe um gato que ensina um aniversário regressivo recitar as estações de trem todo ano é festa e movimento.&#xA;&#xA;---&#xA;5º - Rashomon (1950)&#xA;&#xA;cartaz do filme Rashomon&#xA;&#xA;Em português e em inglês continua Rashomon.&#xA;&#xA;Uma história sobre quatro pessoas que contam quatro histórias que são a mesma história e até o defunto fala.&#xA;&#xA;---&#xA;6º - Hachigatsu no Kyōshikyoku (1991)&#xA;&#xA;cartaz do filme Rapsódia em Agosto&#xA;&#xA;Em português Rapsódia em agosto.&#xA;Em inglês Rhapsody in august.&#xA;&#xA;A senhora não vai pro Havaí plantar abacaxi a senhora vai contar causo pra assustar a criançada e fazer marmanje chorar o ferro retorcido no parque um olho que nasce nas montanhas de Nagasaki que gringo é esse gente é preciso afinar o piano.&#xA;&#xA;---&#xA;7º - Yojimbo (1961)&#xA;&#xA;cartaz do filme Yojimbo&#xA;&#xA;Em português Yojimbo, o guarda-costas.&#xA;Em inglês somente Yojimbo.&#xA;&#xA;Prego no caixão que hoje é dia de venda o samurai malandro chegou na cidade mas toma cuidado com o playboy safado que tem um revólver e andou assistindo faroeste na tevê.&#xA;&#xA;---&#xA;8º - Dersu Uzala (1975)&#xA;&#xA;cartaz do filme Dersu Uzala&#xA;&#xA;Em português e em inglês continua Dersu Uzala.&#xA;&#xA;Bruxão nômade da Sibéria cuida de crianças adultas enquanto troca uma ideia com o fogo todas as coisas são pessoas mas nem a União Soviética poderia desfazer a maldição do tigre.&#xA;&#xA;---&#xA;9º - Kagemusha (1980)&#xA;&#xA;cartaz do filme Kagemusha&#xA;&#xA;Em português Kagemusha, a sombra de um samurai.&#xA;Em inglês Kagemusha, the shadow warrior.&#xA;&#xA;Cores e sombras e cores alguém derramou tinta na tela parece droga menine a mentira é poder um sósia difícil é o ator ficar parado na cadeirinha enquanto assiste a lança tinir.&#xA;&#xA;---&#xA;10º - Ikiru (1952)&#xA;&#xA;cartaz do filme Ikiru&#xA;&#xA;Em português Viver.&#xA;Em inglês continua Ikiru.&#xA;&#xA;Homem morto por décadas nasce ao saber que morre e decide tentar primeiro o hedonismo depois a inveja e por fim a guerrilha burocrática resultando em bebedeira e parque.&#xA;&#xA;---&#xA;11º - Warui Yatsu Hodo Yoku Nemuru (1960)&#xA;&#xA;cartaz do filme Homem mau dorme bem&#xA;&#xA;Em português Homem mau dorme bem.&#xA;Em inglês The bad sleep well.&#xA;&#xA;Filha rica casa mal mas casa bem mas casa mal a equipe de jornalistas somos nós tem um recado no bolo revelação a vingança é um prato que se come se der tempo de evitar a tragédia.&#xA;&#xA;---&#xA;12º - Shichinin no Samurai (1954)&#xA;&#xA;cartaz do filme Os sete samurais&#xA;&#xA;Em português Os sete samurais.&#xA;Em inglês Seven samurai.&#xA;&#xA;Longo demais.]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<hr>

<h2 id="1º-tengoku-to-jigoku-1963">1º – Tengoku to Jigoku (1963)</h2>

<p><img src="https://www.themoviedb.org/t/p/original/brIrt0QxCVmkdALYQaVAzsQ8F2Q.jpg" alt="cartaz do filme Céu e Inferno" title="cartaz de filme, colagem sobre fundo branco e vermelho mostrando três homens no chão abaixo de uma mesa, um binóculo ao centro com o título em inglês, um homem ao telefone e uma mulher abraçada a ele com expressão de espanto"></p>

<p>Em português <em>Céu e Inferno</em>.
Em inglês <em>High and Low</em>.</p>

<p>Investigação policial com óculos escuros na baixa do morro vivemos em uma sociedade mesmo que incrível as pessoas ondulam no calor suspense uau quem é o cinema na fila do pão.</p>

<hr>

<h2 id="2º-yume-1990">2º – Yume (1990)</h2>

<p><img src="https://www.themoviedb.org/t/p/original/deukbAigTrh4aQo6LrU0HgH5Zke.jpg" alt="cartaz do filme Sonhos" title="cartaz de filme, pintura impressionista com pinceladas visíveis mostrando um arcoíris em um céu chuvoso sendo observado por uma criança de costas em um campo dourado, e abaixo um kanji japonês que significa sonhos"></p>

<p>Em português <em>Sonhos</em>.
Em inglês <em>Dreams</em>.</p>

<p>Um casamento assustador um velório festivo soldados passados flores moinhos monstros chifrudos vincent van gogh o fim do mundo e o começo da paz.</p>

<hr>

<h2 id="3º-ran-1985">3º – Ran (1985)</h2>

<p><img src="https://www.themoviedb.org/t/p/original/gIaeLF4aB8O4qOGcCyCAoQT8QK1.jpg" alt="cartaz do filme Ran" title="cartaz de filme, homem japonês aparentando certa idade, com roupas brancas e detalhes vermelhos, caminha desnorteado. Ao fundo, cavaleiros com lanças em frente a muralhas, clima escuro e tenso. Um kanji enorme com o nome do filme em japonês"></p>

<p>Em português e em inglês continua <em>Ran</em>.</p>

<p>Rei velho confia errado muito cavalo e filho por sorte um bobo sábio cores bonitas e terríveis fogo fantasma espanto cores bonitas vastidão.</p>

<hr>

<h2 id="4º-madadayo-1993">4º – Madadayo (1993)</h2>

<p><img src="https://www.themoviedb.org/t/p/original/oik0rWHqDwsaP6eXxhFAMGiqHSl.jpg" alt="cartaz do filme Madadayo" title="cartaz de filme, ilustração rabiscada e colorida de homem de terno e óculos dançando em cima de uma mesa comprida com dois leques na mão e uma multidão ao redor. Em japonês está escrito Madadayo, que significa ainda não"></p>

<p>Em português e em inglês continua <em>Madadayo</em>.</p>

<p>Um professor feito de ouro um copo que encolhe um gato que ensina um aniversário regressivo recitar as estações de trem todo ano é festa e movimento.</p>

<hr>

<h2 id="5º-rashomon-1950">5º – Rashomon (1950)</h2>

<p><img src="https://www.themoviedb.org/t/p/original/vL7Xw04nFMHwnvXRFCmYYAzMUvY.jpg" alt="cartaz do filme Rashomon" title="cartaz de filme, pintura de um homem japonês em duas metades, cada uma vista de um ângulo, com uma espada pendurada na cintura e sem camisa. Ao lado está escrito o nome do filme, Rashomon"></p>

<p>Em português e em inglês continua <em>Rashomon</em>.</p>

<p>Uma história sobre quatro pessoas que contam quatro histórias que são a mesma história e até o defunto fala.</p>

<hr>

<h2 id="6º-hachigatsu-no-kyōshikyoku-1991">6º – Hachigatsu no Kyōshikyoku (1991)</h2>

<p><img src="https://www.themoviedb.org/t/p/original/vCGYn2OVF92a2fXrbCJq2sLo1jo.jpg" alt="cartaz do filme Rapsódia em Agosto" title="cartaz de filme, cena com crianças e um homem em frente a uma cachoeira. No alto, o nome do filme em japonês"></p>

<p>Em português <em>Rapsódia em agosto</em>.
Em inglês <em>Rhapsody in august</em>.</p>

<p>A senhora não vai pro Havaí plantar abacaxi a senhora vai contar causo pra assustar a criançada e fazer marmanje chorar o ferro retorcido no parque um olho que nasce nas montanhas de Nagasaki que gringo é esse gente é preciso afinar o piano.</p>

<hr>

<h2 id="7º-yojimbo-1961">7º – Yojimbo (1961)</h2>

<p><img src="https://www.themoviedb.org/t/p/original/lIbwlZe5KHKfrFykpOTWHzPdqbO.jpg" alt="cartaz do filme Yojimbo" title="cartaz de filme, mostra um samurai com uma espada nas mãos. Em um quadro pequeno mostra o rosto de um homem japonês sorrindo sinistramente com uma arma e em outro quadro uma cena de luta com várias pessoas. Cordas atravessam a imagem e o nome do filme aparece em japonês"></p>

<p>Em português <em>Yojimbo, o guarda-costas</em>.
Em inglês somente <em>Yojimbo</em>.</p>

<p>Prego no caixão que hoje é dia de venda o samurai malandro chegou na cidade mas toma cuidado com o playboy safado que tem um revólver e andou assistindo faroeste na tevê.</p>

<hr>

<h2 id="8º-dersu-uzala-1975">8º – Dersu Uzala (1975)</h2>

<p><img src="https://www.themoviedb.org/t/p/original/yYrOJNbMwTPgU1TGPiccyN8fZEd.jpg" alt="cartaz do filme Dersu Uzala" title="cartaz de filme, ilustração de um pôr-do-sol com o céu muito vermelho e um sol amarelo enorme e algumas silhuetas humanas abaixo. No alto, o nome do filme em japonês e em alfabeto latino"></p>

<p>Em português e em inglês continua <em>Dersu Uzala</em>.</p>

<p>Bruxão nômade da Sibéria cuida de crianças adultas enquanto troca uma ideia com o fogo todas as coisas são pessoas mas nem a União Soviética poderia desfazer a maldição do tigre.</p>

<hr>

<h2 id="9º-kagemusha-1980">9º – Kagemusha (1980)</h2>

<p><img src="https://www.themoviedb.org/t/p/original/4XyUNG9ipPTLxoBtoWVK21XF6lW.jpg" alt="cartaz do filme Kagemusha" title="cartaz de filme, ilustração com um homem andando em um ambiente psicodélico cheio de cores em tons de roxo, rosa e azul esverdeado, projetando uma sombra. Abaixo, o nome do filme em inglês"></p>

<p>Em português <em>Kagemusha, a sombra de um samurai</em>.
Em inglês <em>Kagemusha, the shadow warrior</em>.</p>

<p>Cores e sombras e cores alguém derramou tinta na tela parece droga menine a mentira é poder um sósia difícil é o ator ficar parado na cadeirinha enquanto assiste a lança tinir.</p>

<hr>

<h2 id="10º-ikiru-1952">10º – Ikiru (1952)</h2>

<p><img src="https://www.themoviedb.org/t/p/original/dgNTS4EQDDVfkzJI5msKuHu2Ei3.jpg" alt="cartaz do filme Ikiru" title="cartaz de filme, cena em preto e branco com homem japonês de chapéu e terno balançando em um balanço de parque enquanto neva. Acima, o nome do filme, Ikiru"></p>

<p>Em português <em>Viver</em>.
Em inglês continua <em>Ikiru</em>.</p>

<p>Homem morto por décadas nasce ao saber que morre e decide tentar primeiro o hedonismo depois a inveja e por fim a guerrilha burocrática resultando em bebedeira e parque.</p>

<hr>

<h2 id="11º-warui-yatsu-hodo-yoku-nemuru-1960">11º – Warui Yatsu Hodo Yoku Nemuru (1960)</h2>

<p><img src="https://www.themoviedb.org/t/p/original/wDR5O6Z5qMt7zx0CJSl9X35DGNX.jpg" alt="cartaz do filme Homem mau dorme bem" title="cartaz de filme, cena em preto e branco mostrando um homem de terno no alto de uma pilha de entulho ao lado de uma coluna. Abaixo, o nome do filme em japonês em letras vermelhas"></p>

<p>Em português <em>Homem mau dorme bem</em>.
Em inglês <em>The bad sleep well</em>.</p>

<p>Filha rica casa mal mas casa bem mas casa mal a equipe de jornalistas somos nós tem um recado no bolo revelação a vingança é um prato que se come se der tempo de evitar a tragédia.</p>

<hr>

<h2 id="12º-shichinin-no-samurai-1954">12º – Shichinin no Samurai (1954)</h2>

<p><img src="https://www.themoviedb.org/t/p/original/ApdijpVm1GNV9BQMOsGcAXq4gEB.jpg" alt="cartaz do filme Os sete samurais" title="cartaz de filme, vê-se a sombra de de sete espadas enfiadas na terra, atrás a sombra de capim e o céu. Abaixo, alguns símbolos e o nome do filme em inglês"></p>

<p>Em português <em>Os sete samurais</em>.
Em inglês <em>Seven samurai</em>.</p>

<p>Longo demais.</p>
]]></content:encoded>
      <author>andorinhas objetivas</author>
      <guid>https://blog.bantu.social/read/a/uursoqzk7f</guid>
      <pubDate>Thu, 30 Mar 2023 02:11:39 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>sete bichos</title>
      <link>https://blog.bantu.social/receitas-praticas-agora/sete-bichos</link>
      <description>&lt;![CDATA[aqui da varanda o céu é preto vermelho azul e pontilhado toda noite o céu é completamente iluminado são os olhos que não capturam a radiação de fundo cósmica&#xA;&#xA;e é só dançar que a vizinhança espirra&#xA;&#xA;tome cuidado com as abelhas invasoras elas bebem o café depois o açúcar depois a umidade relativa e quando você se dá conta a colônia inteira está atrás de um sal de frutas&#xA;&#xA;mas ó se o achado for caixa de chá cheiroso quem tem charme só me chame que eu chamusco viu?&#xA;&#xA;quando ouvi o bem-te-vi que só canta -vi parei de cantar com o juízo&#xA;&#xA;todos os gatos são pardos à noite menos os gatos brancos branquíssimos que são brancos não importa a hora do dia no estado do espírito santo&#xA;&#xA;um periquito no telhado é sinal de sorte muita coisa por aqui é sinal de sorte somos sortidos]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p>aqui da varanda o céu é preto vermelho azul e pontilhado toda noite o céu é completamente iluminado são os olhos que não capturam a radiação de fundo cósmica</p>

<p>e é só dançar que a vizinhança espirra</p>

<p>tome cuidado com as abelhas invasoras elas bebem o café depois o açúcar depois a umidade relativa e quando você se dá conta a colônia inteira está atrás de um sal de frutas</p>

<p>mas ó se o achado for caixa de chá cheiroso quem tem charme só me chame que eu chamusco viu?</p>

<p>quando ouvi o bem-te-vi que só canta -vi parei de cantar com o juízo</p>

<p>todos os gatos são pardos à noite menos os gatos brancos branquíssimos que são brancos não importa a hora do dia no estado do espírito santo</p>

<p>um periquito no telhado é sinal de sorte muita coisa por aqui é sinal de sorte somos sortidos</p>
]]></content:encoded>
      <author>receitas práticas agora</author>
      <guid>https://blog.bantu.social/read/a/ruqosncvbo</guid>
      <pubDate>Fri, 24 Mar 2023 17:21:33 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>Um pouco sobre mim</title>
      <link>https://blog.bantu.social/fulanopoeta/um-pouco-sobre-mim</link>
      <description>&lt;![CDATA[Um pouco sobre mim&#xA;&#xA;Esta é minha estreia neste blog e já gostei do visual &#34;focado&#34; do editor de textos.&#xA;&#xA;Agora, um pouco sobre mim: gostaria de ser escritor, escrevo no papel, no diário, leio um pouco também, e sou muito, muito sonhador. Gosto de me imaginar em diversos mundos e situações diferentes. Acho que sem o sonho, a vida não vale a pena. Mas é importante saber aproveitar a vida em si também. Ou seja, é preciso saber viver.&#xA;&#xA;Espero escreve bastante aqui, às vezes poesias, às vezes prosas.&#xA;]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Um pouco sobre mim</p>

<p>Esta é minha estreia neste blog e já gostei do visual “focado” do editor de textos.</p>

<p>Agora, um pouco sobre mim: gostaria de ser escritor, escrevo no papel, no diário, leio um pouco também, e sou muito, muito sonhador. Gosto de me imaginar em diversos mundos e situações diferentes. Acho que sem o sonho, a vida não vale a pena. Mas é importante saber aproveitar a vida em si também. Ou seja, é preciso saber viver.</p>

<p>Espero escreve bastante aqui, às vezes poesias, às vezes prosas.</p>
]]></content:encoded>
      <author>fulanopoeta</author>
      <guid>https://blog.bantu.social/read/a/yb3nkuu44c</guid>
      <pubDate>Wed, 15 Feb 2023 20:07:24 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>Sobre marketing, empreender e saúde</title>
      <link>https://blog.bantu.social/devaneiosoniricos/este-e-um-desabafo-de-quem-esta-empreendendo</link>
      <description>&lt;![CDATA[Este é um desabafo de quem está empreendendo.&#xA;&#xA;Desde que lancei o meu estúdio de design de estampas, passei a estudar mais sobre marketing digital e percebi o quanto isso tem me feito mal e me deixado mais ansiosa. São inúmeras ~skills~ para dominar, descobrir quais os problemas dos clientes e aprender quais gatilhos usar para fazer com que a interação vire compra.&#xA;&#xA;Ao refletir sobre essa situação, cheguei à conclusão de que a gente precisa olhar mais para si e analisar se tá valendo mesmo a pena usar essas estratégias marqueteiras, se é realmente o caminho solucionar o problema do cliente a todo custo ou entender como podemos ajudá-lo dentro das nossas possibilidades. Se é realmente o caminho saber todos os gatilhos que fazem as pessoas comprarem ou ter uma relação saudável com elas, baseada em honestidade. E se o marketing que fazemos traz um resultado positivo para nossa vida ao conseguir novas conexões/parcerias reais e não somente pessoas que compram.&#xA;&#xA;Comprar é importante sim para que nossos negócios se mantenham. Mas fazer todo esse processo até a compra de um jeito que faz com que fiquemos doentes não é uma boa coisa. Se está sendo tóxico para mim e para a pessoa que estou tentando conectar/fazer parceria, não é bom sinal. &#xA;&#xA;Os marqueteiros esqueceram do básico: em primeiro lugar somos pessoas e temos sentimentos que não estão aí para serem usados em vendas e que não respeitar isso no outro também é não respeitar a nós mesmos.&#xA;]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Este é um desabafo de quem está empreendendo.</p>

<p>Desde que lancei o meu estúdio de design de estampas, passei a estudar mais sobre marketing digital e percebi o quanto isso tem me feito mal e me deixado mais ansiosa. São inúmeras ~skills~ para dominar, descobrir quais os problemas dos clientes e aprender quais gatilhos usar para fazer com que a interação vire compra.</p>

<p>Ao refletir sobre essa situação, cheguei à conclusão de que a gente precisa olhar mais para si e analisar se tá valendo mesmo a pena usar essas estratégias marqueteiras, se é realmente o caminho solucionar o problema do cliente a todo custo ou entender como podemos ajudá-lo dentro das nossas possibilidades. Se é realmente o caminho saber todos os gatilhos que fazem as pessoas comprarem ou ter uma relação saudável com elas, baseada em honestidade. E se o marketing que fazemos traz um resultado positivo para nossa vida ao conseguir novas conexões/parcerias reais e não somente pessoas que compram.</p>

<p>Comprar é importante sim para que nossos negócios se mantenham. Mas fazer todo esse processo até a compra de um jeito que faz com que fiquemos doentes não é uma boa coisa. Se está sendo tóxico para mim e para a pessoa que estou tentando conectar/fazer parceria, não é bom sinal.</p>

<p>Os marqueteiros esqueceram do básico: em primeiro lugar somos pessoas e temos sentimentos que não estão aí para serem usados em vendas e que não respeitar isso no outro também é não respeitar a nós mesmos.</p>
]]></content:encoded>
      <author>devaneios oníricos</author>
      <guid>https://blog.bantu.social/read/a/ckr1umq6tu</guid>
      <pubDate>Tue, 26 Apr 2022 21:22:19 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>Sobre o ato de comprar</title>
      <link>https://blog.bantu.social/gustavo22soares/sobre-o-ato-de-comprar</link>
      <description>&lt;![CDATA[Eu odeio ter que sair de casa para fazer compras&#xA;sempre tem muita gente, é quente e muitas vezes tenho que caminhar um pouco...&#xA;&#xA;Sempre fico suado, as pessoas ficam me olhando, os vendedores ficam em cima as vezes os seguranças também, vai querer fazer o cartão da loja? ignoro, posso ajudar? não estou somente dando uma olhada, são como pop-Ups na vida real só que não dar para bloquear.&#xA;&#xA;Sempre tive a impressão em que as pessoas olham diferente para mim, meu estilo jovem lesado largado não ajuda muito, então não me sinto confortável, pode acontecer que você saiu sem o cartão e agora? você passa aquele vexame no caixa ao notar que esqueceu a carteira a caixa lhe olha estranho e o próximo cliente na fila o que ele está pensando?&#xA;&#xA;Você compra por impulso, quando está comprando em loja física as vezes não tem o produto que você quer então você é vencido pelo cansaço de ter que ir em outra loja as vezes tem somente aquela na sua cidade.&#xA;&#xA;Ah mas fazer compras em lojas físicas tem seus prazeres as vezes você dar de cara com homens interessantes mas nunca fui bom de paquera e normalmente estão acompanhado das esposas, meu tipo preferido pais de shopping.&#xA;&#xA;chega a ser contraditório meu trabalho depende que eu saiba o que se está passando nos centros comerciais o que fechou o que abriu mas ao mesmo tempo não me sinto confortável andando...&#xA;&#xA;não sou uma pessoa tão socializável como demostro, pra mim no momento de uma compra quanto menos contato humano eu tiver melhor, meio que uma visão liberal eu sei mas fazer o que não gosto de pessoas no momento das compras ainda mais que considero o ato de comprar uma decisão que tem que ser tomada com cuidado, sempre pesquise antes de comprar!&#xA;&#xA;Totalmente contraditório, adorava passear de carro pela cidade com o falecido ao volante, adorava ver  a metamorfose da cidade viva enquanto jogávamos um papo fora ao som de portugal the man, uma vez pedi que somente dirigisse enquanto em processava o que tinha acontecido nesse dia meu amigo tinha morrido sido morto num assalto, estranho como a estrada me acalma a paisagem passando em nossa vista&#xA;&#xA;No final tudo passa...]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Eu odeio ter que sair de casa para fazer compras
sempre tem muita gente, é quente e muitas vezes tenho que caminhar um pouco...</p>

<p>Sempre fico suado, as pessoas ficam me olhando, os vendedores ficam em cima as vezes os seguranças também, vai querer fazer o cartão da loja? ignoro, posso ajudar? não estou somente dando uma olhada, são como pop-Ups na vida real só que não dar para bloquear.</p>

<p>Sempre tive a impressão em que as pessoas olham diferente para mim, meu estilo jovem lesado largado não ajuda muito, então não me sinto confortável, pode acontecer que você saiu sem o cartão e agora? você passa aquele vexame no caixa ao notar que esqueceu a carteira a caixa lhe olha estranho e o próximo cliente na fila o que ele está pensando?</p>

<p>Você compra por impulso, quando está comprando em loja física as vezes não tem o produto que você quer então você é vencido pelo cansaço de ter que ir em outra loja as vezes tem somente aquela na sua cidade.</p>

<p>Ah mas fazer compras em lojas físicas tem seus prazeres as vezes você dar de cara com homens interessantes mas nunca fui bom de paquera e normalmente estão acompanhado das esposas, meu tipo preferido pais de shopping.</p>

<p>chega a ser contraditório meu trabalho depende que eu saiba o que se está passando nos centros comerciais o que fechou o que abriu mas ao mesmo tempo não me sinto confortável andando...</p>

<p>não sou uma pessoa tão socializável como demostro, pra mim no momento de uma compra quanto menos contato humano eu tiver melhor, meio que uma visão liberal eu sei mas fazer o que não gosto de pessoas no momento das compras ainda mais que considero o ato de comprar uma decisão que tem que ser tomada com cuidado, sempre pesquise antes de comprar!</p>

<p>Totalmente contraditório, adorava passear de carro pela cidade com o falecido ao volante, adorava ver  a metamorfose da cidade viva enquanto jogávamos um papo fora ao som de portugal the man, uma vez pedi que somente dirigisse enquanto em processava o que tinha acontecido nesse dia meu amigo tinha morrido sido morto num assalto, estranho como a estrada me acalma a paisagem passando em nossa vista</p>

<p>No final tudo passa...</p>
]]></content:encoded>
      <author>Gustavo Soares</author>
      <guid>https://blog.bantu.social/read/a/fnx3mepj6t</guid>
      <pubDate>Sat, 04 Dec 2021 00:48:08 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>Eai, SuperMan</title>
      <link>https://blog.bantu.social/gustavo22soares/eai-superman</link>
      <description>&lt;![CDATA[Era umas 8 horas da manhã quando percebendo que minha mãe estava se arrumando para sair, logo perguntei para onde, ela disse que iria para o centro de Teresina, como eu também tinha algumas coisas para resolver por lá aproveitei o embalo e fui junto.&#xA;Minha única obrigação nesse dia era enviar esse fardo de Jesus no final acabou voltando comigo e agora bebo ele enquanto escrevo.&#xA;Como estava de papo com um caseiro e havíamos decidido no dia anterior se encontrar no centro também o que rolou é que eu tive que ir parar depois do Zoobotânico para esperar ele, fui lindamente pensando ele não é só um cafuçu bonito mas também posso usufruir de algumas outras comodidades, tão enganado estava, no final o sitio era só mato e eu sonhando em nadar pelado na piscina mas podia ter aproveitado mais ter pego uns cajus né?&#xA;&#xA;Como o combinado era dele me dar uma carona de volta para o mais próximo do centro, esse foi um dos momento que entra a Lana Del Rey na minha cabeça e começa a cantar Ride por que I am fucking crazy, but i am free, sentindo o vento na minha cabeça andando de moto e sem capacete, com o corpo totalmente duro, tive a oportunidade de ver novamente locais que passava de carro com o falecido, o que me trás nostalgia dos momentos bons que passamos, das conversas que tivemos e dos absurdos que comentemos...&#xA;&#xA;Lidamente atrás de um carro da policia, na garupa de uma moto e sem capacete consegui chegar ao Rio Poty Shopping, horário propicio, horário de almoço, a vadia entra em cena e vai logo no banheiro do segundo andar (apesar de não gostar de não aprovar banheirões) não encontrando nada sigo para meu objetivo de comer um subway de 30cm por que segundo meus dados eu mereço esse mimo nem que seja gastando meus últimos trocados, novamente eu me ferro sozinho por não saber exigir nada nem mesmo uma bandeja.&#xA;&#xA;a melhor cagada é em banheiro de shopping!&#xA;&#xA;Novamente atacado pela Yag Vadia que tenho resolvi sair caminhando pela marechal, que com o bosque do lado é um lugar de pegação, não vendo nada e como boa conhecedora dos pontos de encontro pelo menos na teoria, resolvi caminhar a beira da marechal com destino final o parque da Iemajá, quase arrependido de ter feito esse percusso, chegando ao meu destino percebo que um daddy também tinha o mesmo destino que o meu. então entre as encaradas as perguntas, o que curti?&#xA;Me chama para dar um passeio de carro, Maria Gasolina que sou aceitei apos alguns minutos a realidade bateu e os efeitos da adrenalina passaram e vi que meu daddy estava mais para um Grandpa, aquele momento que você percebe que tá saindo com seu Avô, subindo na escala de Daddy issues, acho que nesse momento percebi que iria brochar e não sirvo para ser prostituto juntando a isso o quarto que ficamos estava extremante quente e eu falei que ele era fumante? no final ele me deixou na miguel rosa marcamos de ele me ligar, espero que consiga pelo menos um litrão dessa vez.&#xA;&#xA;Desidratado por um quarto quente e um dia abafado em Teresina resolvi ir ao subway comprar água e aproveitar um pouco do ar condicionado chegando lá encontro um gordinho bastante interessante mas com uma sensação de que eu conheço ele e também achando que finalmente meu príncipe encantado vai dar em cima de mim na vida real, ainda a esperança, nisso eu espero ele ser atendido para comprar minha água e com mais 7 reais eu poderia levar 700ml de refri uma ótima pedida para se reidratar! obviamente pedi de sprite para ser saudável nisso eu vou para um canto proximo ao meu crush mas mantendo uma distancia segura, onde tem uma mesa nada suspeita encostada em um canto afastado ponho meu copo e na hora que ponho minha mochila a mesa da uma leve inclinada e em questão de segundos 700ml de Sprite estão no chão e em mim, então esperando para ver a reação das pessoas abro minha água bebo mas continuo com sede peço desculpa para os atendentes que vão ter que limpar aquilo depois e saio e tento pedir um uber o que não rola e meu crush do subway e vejo indo embora...&#xA;e se nenhum carro aceita aqui irei para o Fripisa mesmo todo molhado de refri parecendo que havia me mijado e no caminho um senhor fala  &#34;eai, superman&#34;.]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Era umas 8 horas da manhã quando percebendo que minha mãe estava se arrumando para sair, logo perguntei para onde, ela disse que iria para o centro de Teresina, como eu também tinha algumas coisas para resolver por lá aproveitei o embalo e fui junto.
Minha única obrigação nesse dia era enviar esse fardo de Jesus no final acabou voltando comigo e agora bebo ele enquanto escrevo.
Como estava de papo com um caseiro e havíamos decidido no dia anterior se encontrar no centro também o que rolou é que eu tive que ir parar depois do Zoobotânico para esperar ele, fui lindamente pensando ele não é só um cafuçu bonito mas também posso usufruir de algumas outras comodidades, tão enganado estava, no final o sitio era só mato e eu sonhando em nadar pelado na piscina mas podia ter aproveitado mais ter pego uns cajus né?</p>

<p>Como o combinado era dele me dar uma carona de volta para o mais próximo do centro, esse foi um dos momento que entra a Lana Del Rey na minha cabeça e começa a cantar Ride por que I am fucking crazy, but i am free, sentindo o vento na minha cabeça andando de moto e sem capacete, com o corpo totalmente duro, tive a oportunidade de ver novamente locais que passava de carro com o falecido, o que me trás nostalgia dos momentos bons que passamos, das conversas que tivemos e dos absurdos que comentemos...</p>

<p>Lidamente atrás de um carro da policia, na garupa de uma moto e sem capacete consegui chegar ao Rio Poty Shopping, horário propicio, horário de almoço, a vadia entra em cena e vai logo no banheiro do segundo andar (apesar de não gostar de não aprovar banheirões) não encontrando nada sigo para meu objetivo de comer um subway de 30cm por que segundo meus dados eu mereço esse mimo nem que seja gastando meus últimos trocados, novamente eu me ferro sozinho por não saber exigir nada nem mesmo uma bandeja.</p>

<p>a melhor cagada é em banheiro de shopping!</p>

<p>Novamente atacado pela Yag Vadia que tenho resolvi sair caminhando pela marechal, que com o bosque do lado é um lugar de pegação, não vendo nada e como boa conhecedora dos pontos de encontro pelo menos na teoria, resolvi caminhar a beira da marechal com destino final o parque da Iemajá, quase arrependido de ter feito esse percusso, chegando ao meu destino percebo que um daddy também tinha o mesmo destino que o meu. então entre as encaradas as perguntas, o que curti?
Me chama para dar um passeio de carro, Maria Gasolina que sou aceitei apos alguns minutos a realidade bateu e os efeitos da adrenalina passaram e vi que meu daddy estava mais para um Grandpa, aquele momento que você percebe que tá saindo com seu Avô, subindo na escala de Daddy issues, acho que nesse momento percebi que iria brochar e não sirvo para ser prostituto juntando a isso o quarto que ficamos estava extremante quente e eu falei que ele era fumante? no final ele me deixou na miguel rosa marcamos de ele me ligar, espero que consiga pelo menos um litrão dessa vez.</p>

<p>Desidratado por um quarto quente e um dia abafado em Teresina resolvi ir ao subway comprar água e aproveitar um pouco do ar condicionado chegando lá encontro um gordinho bastante interessante mas com uma sensação de que eu conheço ele e também achando que finalmente meu príncipe encantado vai dar em cima de mim na vida real, ainda a esperança, nisso eu espero ele ser atendido para comprar minha água e com mais 7 reais eu poderia levar 700ml de refri uma ótima pedida para se reidratar! obviamente pedi de sprite para ser saudável nisso eu vou para um canto proximo ao meu crush mas mantendo uma distancia segura, onde tem uma mesa nada suspeita encostada em um canto afastado ponho meu copo e na hora que ponho minha mochila a mesa da uma leve inclinada e em questão de segundos 700ml de Sprite estão no chão e em mim, então esperando para ver a reação das pessoas abro minha água bebo mas continuo com sede peço desculpa para os atendentes que vão ter que limpar aquilo depois e saio e tento pedir um uber o que não rola e meu crush do subway e vejo indo embora...
e se nenhum carro aceita aqui irei para o Fripisa mesmo todo molhado de refri parecendo que havia me mijado e no caminho um senhor fala  “eai, superman”.</p>
]]></content:encoded>
      <author>Gustavo Soares</author>
      <guid>https://blog.bantu.social/read/a/0js7mlctu4</guid>
      <pubDate>Fri, 26 Nov 2021 00:01:55 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>Aviso de Conteúdo: Morte, Luto, Covid-19</title>
      <link>https://blog.bantu.social/gbrlpires/faltava-tao-pouco</link>
      <description>&lt;![CDATA[Aviso de Conteúdo: Morte, Luto, Covid-19&#xA;--&#xA;&#xA;Eu não tenho uma boa relação com a morte. No geral, eu finjo que a morte de pessoas, principalmente as mais distantes, não me atingem. Mas não é bem assim. Não sei se estou no nível ainda de falar profundamente sobre isso, entender realmente de que maneira o luto se movimenta pelo meu corpo.&#xA;!--more--&#xA;&#xA;Uma coisa que tenho pensado mais, nos últimos dias, é em como lidar com o luto na atualidade das redes sociais.&#xA;&#xA;Este ano perdi um colega da época da faculdade pela covid-19. Ela não era uma pessoa exatamente próxima mas era uma pessoa pela qual eu tinha muito carinho e admiração. Uma pessoa que eu ficava vendo e torcendo de longe, comemorando seu sucesso, sua visibilidade e a vida que parecia melhorar a cada dia. Um profissional e uma pessoa incrível. &#xA;&#xA;Apareceu na tv a notícia de sua morte. Mas, quando soube pelo grupo de mensagem, chorei como antes nunca tinha chorado, nem mesmo por familiares. Sei lá. Por mais que saibamos que acontece, a morte de uma pessoa jovem é sempre um baque. Ainda mais um corpo jovem preto. Um corpo jovem LGBTQIA+. Choramos pela pessoa e um pouco por nós mesmos, talvez.&#xA;&#xA;O foda é que por ter sido muito presente nas redes sociais, eu encontro fragmentos digitais do que foi a pessoa em vida. Uma playlist no Spotify, uma imagem de seu trabalho no Pinterest, um quadro na parede da casa de alguém com quem estou fazendo reunião. Esses dias, procurando uma foto antiga para publicar, encontrei um print de tela que tirei de uma postagem feita por ele. Era uma recomendação, não lembro exatamente do quê. Acho que uma música que eu queria ouvir mais tarde. Mas além da recomendação, uma foto também desta pessoa. Sorrindo, quase sempre como fazia. &#xA;&#xA;Nestes quase cinco meses desde a sua morte foram poucos dias em que não pensei nele. Guardo algumas poucas lembranças. O compartilhar da preguiça por alguns dogmas da nossa profissão, da vida acadêmica meio torta como é. Lembrei que tenho guardado um desenho que ele me fez, num dia de aula chata. Não lembro exatamente o que ele fazia lá, já que éramos de turmas diferentes. Fiquei me sentindo incrível naquele dia, quase naquela sensação de fã que foi notado pelo artista preferido. Ele ainda não era famoso naquela época. Mas eu já o admirava. Colei o desenho dele na parede da kitnet que eu morava, feliz da vida. &#xA;&#xA;.&#xA;&#xA;Sonhei com ele na noite de véspera da minha primeira dose da vacina. Fui me vacinar mas não consegui ficar feliz. &#34;faltava tão pouco&#34; era a frase que não saía da minha cabeça. &#xA;&#xA;.&#xA;&#xA;em&#34;Não posso correr de mim mesmo&#xA;Eu sei, nunca mais é tempo demais&#xA;Baby, o tempo é rei&#34;/em&#xA;&#xA;--Black Alien&#xA;]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Aviso de Conteúdo: Morte, Luto, Covid-19
—</p>

<p>Eu não tenho uma boa relação com a morte. No geral, eu finjo que a morte de pessoas, principalmente as mais distantes, não me atingem. Mas não é bem assim. Não sei se estou no nível ainda de falar profundamente sobre isso, entender realmente de que maneira o luto se movimenta pelo meu corpo.
</p>

<p>Uma coisa que tenho pensado mais, nos últimos dias, é em como lidar com o luto na atualidade das redes sociais.</p>

<p>Este ano perdi um colega da época da faculdade pela covid-19. Ela não era uma pessoa exatamente próxima mas era uma pessoa pela qual eu tinha muito carinho e admiração. Uma pessoa que eu ficava vendo e torcendo de longe, comemorando seu sucesso, sua visibilidade e a vida que parecia melhorar a cada dia. Um profissional e uma pessoa incrível.</p>

<p>Apareceu na tv a notícia de sua morte. Mas, quando soube pelo grupo de mensagem, chorei como antes nunca tinha chorado, nem mesmo por familiares. Sei lá. Por mais que saibamos que acontece, a morte de uma pessoa jovem é sempre um baque. Ainda mais um corpo jovem preto. Um corpo jovem LGBTQIA+. Choramos pela pessoa e um pouco por nós mesmos, talvez.</p>

<p>O foda é que por ter sido muito presente nas redes sociais, eu encontro fragmentos digitais do que foi a pessoa em vida. Uma playlist no Spotify, uma imagem de seu trabalho no Pinterest, um quadro na parede da casa de alguém com quem estou fazendo reunião. Esses dias, procurando uma foto antiga para publicar, encontrei um print de tela que tirei de uma postagem feita por ele. Era uma recomendação, não lembro exatamente do quê. Acho que uma música que eu queria ouvir mais tarde. Mas além da recomendação, uma foto também desta pessoa. Sorrindo, quase sempre como fazia.</p>

<p>Nestes quase cinco meses desde a sua morte foram poucos dias em que não pensei nele. Guardo algumas poucas lembranças. O compartilhar da preguiça por alguns dogmas da nossa profissão, da vida acadêmica meio torta como é. Lembrei que tenho guardado um desenho que ele me fez, num dia de aula chata. Não lembro exatamente o que ele fazia lá, já que éramos de turmas diferentes. Fiquei me sentindo incrível naquele dia, quase naquela sensação de fã que foi notado pelo artista preferido. Ele ainda não era famoso naquela época. Mas eu já o admirava. Colei o desenho dele na parede da kitnet que eu morava, feliz da vida.</p>

<p>.</p>

<p>Sonhei com ele na noite de véspera da minha primeira dose da vacina. Fui me vacinar mas não consegui ficar feliz. “faltava tão pouco” era a frase que não saía da minha cabeça.</p>

<p>.</p>

<p><em>“Não posso correr de mim mesmo
Eu sei, nunca mais é tempo demais
Baby, o tempo é rei”</em></p>

<p>—Black Alien</p>
]]></content:encoded>
      <author>gbrlpires</author>
      <guid>https://blog.bantu.social/read/a/a63ap47xgv</guid>
      <pubDate>Sat, 11 Sep 2021 20:39:01 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>Aniversário, vacina e tudo mais</title>
      <link>https://blog.bantu.social/brenno/aniversario-vacina-e-tudo-mais</link>
      <description>&lt;![CDATA[Tomei a vacina. A ansiedade era grande, tanto que acabei tomando um dia antes do calendário certo por um erro meu... era pra tomar no dia do meu aniversário. A junção desses dois fatos mexeu um pouco com meu tico e teco, e acho que vou escrever um pouco sobre isso (e muito mais) para me distrair um pouco dessa ansiedade. &#xA;&#xA;Faz 490 dias desde que foi decretado o primeiro &#34;lockdown&#34; por aqui, e não foi fácil para a imensa maioria das pessoas... e ainda não é para muitas outras. Avalanches de notícias e informações assustaram muitos, e como sociedade não sabíamos bem como lidar. O mundo tentava entender o que estava começando e se voltando para quem pudesse responder: profissionais, especialistas e pesquisadores em saúde, biologia, medicina, e etc. O mundo se voltou para as pessoas que trabalham diretamente com ciência e ou que dela fazem uso em suas práticas diárias. Esforços enormes foram feitos por esses, que salvaram muitas vidas. Esforços que resultaram na vacina que está no meu braço e no de outros milhões aqui e no mundo, e que espero que esteja no braço de muitos mais logo em breve. &#xA;&#xA;Mas todo esse esforço e conhecimento sobre o que deveríamos fazer não foi o suficiente para nós e parece que nunca será. “Poderíamos ter feito mais, poderíamos de feito melhor”, acredito que essa deva ser a máxima, fazer sempre o melhor e mais. Mas muitos de nossos governantes, políticos, empresários e pessoas influentes trabalharam para ir no caminho contrário de todo esforço e conhecimento realizado por profissionais e comunidades sérias. Mentiram, desinformaram e mataram muitos de nós... sem eles a tragédia já seria grande, mas eles fizeram questão de deixar ainda maior. &#xA;Muitos dos que não perderam suas vidas perderam empregos e sustento, esses poderiam também ter sido menos prejudicados se não estivéssemos envoltos nessa espiral de contaminação gigante. &#xA;&#xA;É difícil, eu perdi amigos muito queridos, amigos meus perderam amigos e parentes próximos... sinto dor e choro por saber que não poderei mais abraçá-los. Eles poderiam ter tomado a vacina antes, eles poderiam estar num país onde o governo não incentivasse o contágio da população, não desinformasse e usasse o ódio, o medo, o sentimento de muitos a favor deles e da contaminação. Eles poderiam estar com seus amigos e entes queridos hoje.&#xA;&#xA;Viver momentos históricos não é fácil, muitas vezes nem é perceptível, e certamente esse é um desses momentos. No futuro nossos erros como sociedade ficarão mais claros, os responsáveis por tantas mortes ficarão nos registros e no imaginário de nossos descendentes. Só espero que possam aprender com nossa história, pois infelizmente parece que nós não aprendemos. &#xA;&#xA;Sei que nossas vidas não são pautadas em todos os momentos pelo que é ciência, por um saber que nem sempre é fácil de explicar e que pode entrar em conflito com outros saberes, outros discursos, sentimentos e crenças. Convivi com pessoas dentro da área de educação que eram formadas em áreas da saúde e que por não saberem como funciona uma vacina discursavam que essas poderiam fazer mal, que era um excesso de remédio, que o &#34;natural&#34; é melhor. Um discurso que eu achava perigoso, potencialmente criminoso e que é base de discurso antivacina, anticientífico... e isso acaba valendo para muitas outras pessoas e para muitos outros assuntos, não só vacinas. Somos regidos por nossas vivências, nossas experiências próximas, nossas relações pessoais e profissionais, sentimentos que cultivam em e perto de nós, e se isso por vezes se choca com um saber novo, que questiona e/ou confronta o que acreditamos até então ser o certo, nós fechamos os olhos e muitas vezes agimos contra. É assim, e infelizmente continuará sendo assim... e é por isso que comunicação científica é difícil, e por muitas vezes não é valorizado. &#xA;&#xA;Mas apesar de todos esses vieses que possuímos, o trabalho científico tá aí... salvando vidas e indo parar no braço de muitos. Espero que esse trabalho continue, pois com certeza ainda vamos precisar muito dele. &#xA;&#xA;Cada parágrafo aqui daria para destrinchar em textos enormes sobre o que aprendi, senti e vivi nesses 490 dias..., mas não consigo mais. Só quero que todos tomemos vacina e que &#34;tudo isso logo acabe&#34;.&#xA;&#xA;| Tomando vacina        | Vacina tomada           |&#xA;| ------------- |:-------------:|]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Tomei a vacina. A ansiedade era grande, tanto que acabei tomando um dia antes do calendário certo por um erro meu... era pra tomar no dia do meu aniversário. A junção desses dois fatos mexeu um pouco com meu tico e teco, e acho que vou escrever um pouco sobre isso (e muito mais) para me distrair um pouco dessa ansiedade.</p>

<p>Faz 490 dias desde que foi decretado o primeiro “lockdown” por aqui, e não foi fácil para a imensa maioria das pessoas... e ainda não é para muitas outras. Avalanches de notícias e informações assustaram muitos, e como sociedade não sabíamos bem como lidar. O mundo tentava entender o que estava começando e se voltando para quem pudesse responder: profissionais, especialistas e pesquisadores em saúde, biologia, medicina, e etc. O mundo se voltou para as pessoas que trabalham diretamente com ciência e ou que dela fazem uso em suas práticas diárias. Esforços enormes foram feitos por esses, que salvaram muitas vidas. Esforços que resultaram na vacina que está no meu braço e no de outros milhões aqui e no mundo, e que espero que esteja no braço de muitos mais logo em breve.</p>

<p>Mas todo esse esforço e conhecimento sobre o que deveríamos fazer não foi o suficiente para nós e parece que nunca será. “Poderíamos ter feito mais, poderíamos de feito melhor”, acredito que essa deva ser a máxima, fazer sempre o melhor e mais. Mas muitos de nossos governantes, políticos, empresários e pessoas influentes trabalharam para ir no caminho contrário de todo esforço e conhecimento realizado por profissionais e comunidades sérias. Mentiram, desinformaram e mataram muitos de nós... sem eles a tragédia já seria grande, mas eles fizeram questão de deixar ainda maior.
Muitos dos que não perderam suas vidas perderam empregos e sustento, esses poderiam também ter sido menos prejudicados se não estivéssemos envoltos nessa espiral de contaminação gigante.</p>

<p>É difícil, eu perdi amigos muito queridos, amigos meus perderam amigos e parentes próximos... sinto dor e choro por saber que não poderei mais abraçá-los. Eles poderiam ter tomado a vacina antes, eles poderiam estar num país onde o governo não incentivasse o contágio da população, não desinformasse e usasse o ódio, o medo, o sentimento de muitos a favor deles e da contaminação. Eles poderiam estar com seus amigos e entes queridos hoje.</p>

<p>Viver momentos históricos não é fácil, muitas vezes nem é perceptível, e certamente esse é um desses momentos. No futuro nossos erros como sociedade ficarão mais claros, os responsáveis por tantas mortes ficarão nos registros e no imaginário de nossos descendentes. Só espero que possam aprender com nossa história, pois infelizmente parece que nós não aprendemos.</p>

<p>Sei que nossas vidas não são pautadas em todos os momentos pelo que é ciência, por um saber que nem sempre é fácil de explicar e que pode entrar em conflito com outros saberes, outros discursos, sentimentos e crenças. Convivi com pessoas dentro da área de educação que eram formadas em áreas da saúde e que por não saberem como funciona uma vacina discursavam que essas poderiam fazer mal, que era um excesso de remédio, que o “natural” é melhor. Um discurso que eu achava perigoso, potencialmente criminoso e que é base de discurso antivacina, anticientífico... e isso acaba valendo para muitas outras pessoas e para muitos outros assuntos, não só vacinas. Somos regidos por nossas vivências, nossas experiências próximas, nossas relações pessoais e profissionais, sentimentos que cultivam em e perto de nós, e se isso por vezes se choca com um saber novo, que questiona e/ou confronta o que acreditamos até então ser o certo, nós fechamos os olhos e muitas vezes agimos contra. É assim, e infelizmente continuará sendo assim... e é por isso que comunicação científica é difícil, e por muitas vezes não é valorizado.</p>

<p>Mas apesar de todos esses vieses que possuímos, o trabalho científico tá aí... salvando vidas e indo parar no braço de muitos. Espero que esse trabalho continue, pois com certeza ainda vamos precisar muito dele.</p>

<p>Cada parágrafo aqui daria para destrinchar em textos enormes sobre o que aprendi, senti e vivi nesses 490 dias..., mas não consigo mais. Só quero que todos tomemos vacina e que “tudo isso logo acabe”.</p>

<table>
<thead>
<tr>
<th><img src="https://images.masto.donte.com.br/media_attachments/files/106/625/247/256/894/165/original/1fd2d2d5359cb0b4.jpg" alt="Tomando vacina"></th>
<th align="center"><img src="https://images.masto.donte.com.br/media_attachments/files/106/625/247/314/215/951/original/4db48fde9b352972.png" alt="Vacina tomada"></th>
</tr>
</thead>

<tbody>
</tbody>
</table>
]]></content:encoded>
      <author>brenno</author>
      <guid>https://blog.bantu.social/read/a/pb0neaouck</guid>
      <pubDate>Thu, 22 Jul 2021 16:45:28 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>Introdução à Teoria da Literatura - 3</title>
      <link>https://blog.bantu.social/notas-de-aula/curso-introduction-to-theory-of-literature-n1cc</link>
      <description>&lt;![CDATA[Prof.: Paul H. Fry (Universidade de Yale)&#xA;&#xA;Vídeo: Caminhos para entrar e sair do círculo hermenêutico&#xA;&#xA;Leitura: Gadamer - “The Elevation of the Historicality of Understanding to the Status of Hermeneutic Principle”&#xA;&#xA;Anotações:&#xA;&#xA;Leitura&#xA;&#xA;O texto de Gadamer é crítico ao projeto iluminista, mas é uma crítica em certa medida conservadora e tradicionalista. Me incomodou a referência a Heidegger (nazista de merda). Apesar disso, não é um texto estúpido e tem sacadas interessantes. Trata da interpretação como processo dinâmico: iniciamos a leitura de um texto com várias preconcepções, que nos fazem projetar significados desde o começo. Essa projeção entra em conflito com o texto em si durante a leitura - se nossas preconcepções divergem do texto, ele começará a não fazer sentido. Para restituir o sentido ao texto, devemos reavaliar nossas preconcepções. Esse movimento circular se repete, e sabemos que estamos na direção certa quando temos poder preditivo, que pode ser confirmado com o texto. Esse processo me lembra a ideia de acomodação de Piaget e parece uma espécie de dialética.&#xA;&#xA;Nesse momento Gadamer faz um passeio por lugares horríveis defendendo uma ideia específica de preconceito útil. Pois é. Passando vivo por esse trecho, vem algo mais relevante: ele critica o que chama de historicismo, que seria a tentativa de estudar a história objetivamente, se desvinculando da substância do que o passado tem a dizer. Uma análise historicista tende a nos separar do passado, como se não houvesse nada a aprender com suas obras, como se não falassem conosco. O texto entra então na defesa de uma ideia de clássico: clássicos seriam aqueles artefatos que estão acima do momento histórico e representam algo mais geral, ao qual pessoas de vários períodos históricos podem se conectar.&#xA;&#xA;Tratando novamente da hermenêutica, Gadamer adota a regra segundo a qual devemos &#34;entender o todo em termos do detalhe e o detalhe em termos do todo&#34;. Quase dá pra ouvir Hermes Trismegisto cantarolando com Jorge Ben &#34;o que está no altoooo é como o que está embaaaaixo&#34;. Defende que o critério que define se entendemos algo ou não é justamente a harmonia dos detalhes com o todo. Mas ele não baseia essa regra em nada muito sólido, cita que é algo conhecido da retórica antiga e tenta mostrar que é auto-evidente. Eu não me convenci muito bem. E se a obra for heterogênea, sem unidade? Não é possível manter conflitos entre partes e todo sem prejudicar o entendimento?&#xA;&#xA;O texto então critica a ideia de que a tarefa da hermenêutica seria colocar-se completamente na mente do autor para solucionar tudo que é estranho no texto. Não que ele considere errada a busca por harmonia, mas sim o foco no autor. Defende que a hermenêutica é na verdade um jogo entre o interpretador (com suas preconcepções derivadas de seu tempo e tradições) e a tradição em que o texto em si se insere. A tradição ultrapassa o sujeito (por isso não basta &#34;entrar na mente do autor&#34;), mas não se livra completamente dele, é uma relação de participação. Não só o autor participa de uma tradição, mas o leitor também. Nesse sentido, a interpretação é sempre produtiva: o significado interpretado sempre ultrapassa o intencionado pelo autor, inclusive porque depende também da nossa participação, condicionada a nossas tradições e a nosso tempo histórico.&#xA;&#xA;Gadamer vê a distância histórica como algo positivo, é como se a obra de arte fosse fermentada pelo tempo e curtida das impurezas que encobririam completamente o sabor de sua importância permanente.  Basicamente, a distância histórica valoriza o que é atemporal na arte. Nesse ponto eu me perguntava se não seria interessante aplicar essa ideia à arte de outras culturas em nosso próprio tempo histórico: a distância cultural valoriza aquilo que é universal ou ao menos comum. Achei a ideia interessante, mas não deveria parar aí: ser tocado apenas pelo que se tem em comum é fácil, mas muitas vezes é melhor ser chacoalhado pelo que é diferente. Claro que Gadamer não vai defender isso de jeito algum. Ele se esforça para dar mais valor àquilo que, além de antigo, pertence à mesma tradição do interpretador.&#xA;&#xA;O texto então introduz o conceito de história-efetiva: a soma do objeto histórico em estudo com o ponto de vista histórico em que o investigador está imerso. A história-efetiva determina tanto o que nos parece válido investigar quanto o que se mostra como objeto de investigação. Esse é um conceito bem interessante, que acho que Gadamer não leva às últimas consequências no texto. Em uma associação meio desbaratinada, me lembra a ontologia que na física se chama de superdeterminismo: investigação e fenômeno estão conectados por um fio de causalidade inquebrável.&#xA;&#xA;Depois de montar a ideia da história-efetiva, Gadamer dá uma punhalada final no objetivismo histórico, ou historicismo:&#xA;&#xA;  &#34;Historical objectivism resembles statistics, which are such an excellent means of propaganda because they let facts speak and hence simulate an objectivity that in reality depends on the legitimacy of the questions asked.&#34;&#xA;&#xA;Por fim, o texto diz que é possível usar a história-efetiva em benefício da hermenêutica por meio da expansão do nosso próprio horizonte de compreensão. Não se trata de colocar-se no lugar do outro, o que seria útil apenas para objetificar o horizonte histórico do outro, mas sim de colocar-se em relação ao outro, compreender sua mensagem a partir de sua posição histórico-efetiva em relação a nós. Busca-se, assim, concordância, terreno comum. A expansão do horizonte interpretativo, portanto, só seria possível tornando-o mais universal, abstraindo a nossa particularidade e a particularidade do outro.&#xA;&#xA;Aula&#xA;&#xA;Na aula, o professor faz uma rápida passagem pela história da hermenêutica. A hermenêutica, na forma moderna, teve origem com a reforma protestante. No início se restringia à interpretação da bíblia. Conforme a burguesia começou a instaurar formas de governo constitucionais, a hermenêutica se expandiu para incluir a interpretação da lei. Apenas ao final do séc. XVIII a hermenêutica começou a ser aplicada à literatura, em paralelo ao surgimento do romantismo. Até então o ideal da literatura era a transparência, o que significa que qualquer dificuldade de interpretação era indicativa de literatura ruim. A ênfase na &#34;genialidade&#34; do autor, marca do romantismo, tornou os textos literários seculares mais parecidos com os textos bíblicos: importantes e difíceis de entender. A hermenêutica, portanto, habitou uma a uma as clareiras abertas pela secularização burguesa pós-iluminista até chegar à literatura.&#xA;&#xA;Professor ressalta que o círculo hermenêutico é, para Gadamer, uma relação entre o leitor e o texto, mas outres autores usam a ideia de círculo hermenêutico como uma relação entre o leitor e o autor, tendo o texto como meio. Ressalta o padrão dinâmico do círculo hermenêutico: alternância entre compreensão da parte e do todo, ou do presente e do passado (como argumentado por Gadamer ao falar de tradições e horizontes de compreensão). Afirma que Gadamer limitou o círculo hermenêutico a uma relação entre períodos históricos em seu texto, mas que deveria se aplicar a relações entre culturas distintas mesmo que ambas atuais.&#xA;&#xA;Explica a crítica de Gadamer ao objetivismo histórico e diz que é importante que essa crítica busca encontrar maneiras de aprender com o passado, é um reconhecimento de que o passado tem algo a nos dizer e não é apenas um objeto distante. Reforça que é impossível olhar qualquer coisa sem preconcepções. Critica o ponto de vista de Gadamer sobre preconceitos úteis e sobre a busca de terreno comum: é um projeto conservador que pode ser perigoso - é possível encontrar ressonância em ideias horríveis do passado, não apenas em ideias edificantes.&#xA;&#xA;Por fim, cita uma crítica à posição de Gadamer, vinda de Hirsch. Em resumo, há dois pólos opostos que se chocam, o de Gadamer-Heidegger (tradição, interpretação subjetiva, verdade comum), e o de Hirsch-Kant (intenção, interpretação objetiva, imperativo categórico):&#xA;&#xA;Gadamer: implícito no historicismo está o abandono do que o objeto analisado tem a nos ensinar - deixamos de ouvi-lo.&#xA;&#xA;Hirsch: implícito no círculo hermenêutico está a instrumentalização do outro, o apagamento do autor em prol de nossos próprios fins.&#xA;&#xA;Sinceramente, não me atrai muito essa briga. Entre Heidegger e Kant prefiro tirar um cochilo.]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<ul><li><p>Prof.: Paul H. Fry (Universidade de Yale)</p></li>

<li><p>Vídeo: <a href="https://www.youtube.com/watch?v=4YY4CTSQ8nY" rel="nofollow">Caminhos para entrar e sair do círculo hermenêutico</a></p></li>

<li><p>Leitura: Gadamer – “The Elevation of the Historicality of Understanding to the Status of Hermeneutic Principle”</p></li></ul>

<h2 id="anotações">Anotações:</h2>

<h4 id="leitura">Leitura</h4>

<p>O texto de Gadamer é crítico ao projeto iluminista, mas é uma crítica em certa medida <em>conservadora e tradicionalista</em>. Me incomodou a referência a Heidegger (nazista de merda). Apesar disso, não é um texto estúpido e tem sacadas interessantes. Trata da interpretação como processo dinâmico: iniciamos a leitura de um texto com várias preconcepções, que nos fazem projetar significados desde o começo. Essa projeção entra em conflito com o <em>texto em si</em> durante a leitura – se nossas preconcepções divergem do texto, ele começará a não fazer sentido. Para restituir o sentido ao texto, devemos reavaliar nossas preconcepções. Esse movimento circular se repete, e sabemos que estamos na direção certa quando temos poder preditivo, que pode ser confirmado com o texto. Esse processo me lembra a ideia de <em>acomodação</em> de Piaget e parece uma espécie de dialética.</p>

<p>Nesse momento Gadamer faz um passeio por lugares horríveis defendendo uma ideia específica de <em>preconceito útil</em>. Pois é. Passando vivo por esse trecho, vem algo mais relevante: ele critica o que chama de <em>historicismo</em>, que seria a tentativa de estudar a história objetivamente, se desvinculando da substância do que o passado tem a dizer. Uma análise historicista tende a nos separar do passado, como se não houvesse nada a aprender com suas obras, como se não falassem conosco. O texto entra então na defesa de uma ideia de <em>clássico</em>: clássicos seriam aqueles artefatos que estão acima do momento histórico e representam algo mais geral, ao qual pessoas de vários períodos históricos podem se conectar.</p>

<p>Tratando novamente da hermenêutica, Gadamer adota a regra segundo a qual devemos “entender o todo em termos do detalhe e o detalhe em termos do todo”. Quase dá pra ouvir Hermes Trismegisto cantarolando com Jorge Ben “o que está no altoooo é como o que está embaaaaixo”. Defende que o critério que define se entendemos algo ou não é justamente a harmonia dos detalhes com o todo. Mas ele não baseia essa regra em nada muito sólido, cita que é algo conhecido da retórica antiga e tenta mostrar que é auto-evidente. Eu não me convenci muito bem. E se a obra for heterogênea, sem unidade? Não é possível manter conflitos entre partes e todo sem prejudicar o entendimento?</p>

<p>O texto então critica a ideia de que a tarefa da hermenêutica seria colocar-se completamente na mente do autor para solucionar tudo que é estranho no texto. Não que ele considere errada a busca por harmonia, mas sim o foco no autor. Defende que a hermenêutica é na verdade um jogo entre o interpretador (com suas preconcepções derivadas de seu tempo e tradições) e a tradição em que o <em>texto em si</em> se insere. A tradição ultrapassa o sujeito (por isso não basta “entrar na mente do autor”), mas não se livra completamente dele, é uma relação de participação. Não só o autor participa de uma tradição, mas o leitor também. Nesse sentido, a interpretação é sempre produtiva: o significado interpretado sempre ultrapassa o intencionado pelo autor, inclusive porque depende também da nossa participação, condicionada a nossas tradições e a nosso tempo histórico.</p>

<p>Gadamer vê a distância histórica como algo positivo, é como se a obra de arte fosse fermentada pelo tempo e curtida das impurezas que encobririam completamente o sabor de sua <em>importância permanente</em>.  Basicamente, a distância histórica valoriza o que é <em>atemporal</em> na arte. Nesse ponto eu me perguntava se não seria interessante aplicar essa ideia à arte de outras culturas em nosso próprio tempo histórico: a distância cultural valoriza aquilo que é <em>universal</em> ou ao menos comum. Achei a ideia interessante, mas não deveria parar aí: ser tocado apenas pelo que se tem em comum é fácil, mas muitas vezes é melhor ser chacoalhado pelo que é diferente. Claro que Gadamer não vai defender isso de jeito algum. Ele se esforça para dar mais valor àquilo que, além de antigo, pertence à mesma tradição do interpretador.</p>

<p>O texto então introduz o conceito de <em>história-efetiva</em>: a soma do objeto histórico em estudo com o ponto de vista histórico em que o investigador está imerso. A <em>história-efetiva</em> determina tanto o que nos parece válido investigar quanto o que se mostra como objeto de investigação. Esse é um conceito bem interessante, que acho que Gadamer não leva às últimas consequências no texto. Em uma associação meio desbaratinada, me lembra a ontologia que na física se chama de <em>superdeterminismo</em>: investigação e fenômeno estão conectados por um fio de causalidade inquebrável.</p>

<p>Depois de montar a ideia da <em>história-efetiva</em>, Gadamer dá uma punhalada final no objetivismo histórico, ou <em>historicismo</em>:</p>

<blockquote><p>“Historical objectivism resembles statistics, which are such an excellent means of propaganda because they let facts speak and hence simulate an objectivity that in reality depends on the legitimacy of the questions asked.”</p></blockquote>

<p>Por fim, o texto diz que é possível usar a <em>história-efetiva</em> em benefício da hermenêutica por meio da expansão do nosso próprio <em>horizonte de compreensão</em>. Não se trata de colocar-se no lugar do outro, o que seria útil apenas para objetificar o horizonte histórico do outro, mas sim de colocar-se <strong>em relação</strong> ao outro, compreender sua mensagem a partir de sua posição histórico-efetiva em relação a nós. Busca-se, assim, concordância, terreno comum. A expansão do <em>horizonte</em> interpretativo, portanto, só seria possível tornando-o mais universal, abstraindo a nossa particularidade e a particularidade do outro.</p>

<h4 id="aula">Aula</h4>

<p>Na aula, o professor faz uma rápida passagem pela história da hermenêutica. A hermenêutica, na forma moderna, teve origem com a reforma protestante. No início se restringia à interpretação da bíblia. Conforme a burguesia começou a instaurar formas de governo constitucionais, a hermenêutica se expandiu para incluir a interpretação da lei. Apenas ao final do séc. XVIII a hermenêutica começou a ser aplicada à literatura, em paralelo ao surgimento do romantismo. Até então o ideal da literatura era a transparência, o que significa que qualquer dificuldade de interpretação era indicativa de literatura ruim. A ênfase na “genialidade” do autor, marca do romantismo, tornou os textos literários seculares mais parecidos com os textos bíblicos: importantes e difíceis de entender. A hermenêutica, portanto, habitou uma a uma as clareiras abertas pela secularização burguesa pós-iluminista até chegar à literatura.</p>

<p>Professor ressalta que o círculo hermenêutico é, para Gadamer, uma relação entre o leitor e o texto, mas outres autores usam a ideia de círculo hermenêutico como uma relação entre o leitor e o autor, tendo o texto como meio. Ressalta o padrão dinâmico do círculo hermenêutico: alternância entre compreensão da parte e do todo, ou do presente e do passado (como argumentado por Gadamer ao falar de tradições e horizontes de compreensão). Afirma que Gadamer limitou o círculo hermenêutico a uma relação entre períodos históricos em seu texto, mas que deveria se aplicar a relações entre culturas distintas mesmo que ambas atuais.</p>

<p>Explica a crítica de Gadamer ao objetivismo histórico e diz que é importante que essa crítica busca encontrar maneiras de aprender com o passado, é um reconhecimento de que o passado tem algo a nos dizer e não é apenas um objeto distante. Reforça que é impossível olhar qualquer coisa sem preconcepções. Critica o ponto de vista de Gadamer sobre <em>preconceitos úteis</em> e sobre a busca de terreno comum: é um projeto conservador que pode ser perigoso – é possível encontrar ressonância em ideias horríveis do passado, não apenas em ideias edificantes.</p>

<p>Por fim, cita uma crítica à posição de Gadamer, vinda de Hirsch. Em resumo, há dois pólos opostos que se chocam, o de Gadamer-Heidegger (tradição, interpretação subjetiva, verdade comum), e o de Hirsch-Kant (intenção, interpretação objetiva, imperativo categórico):</p>
<ul><li><p>Gadamer: implícito no <em>historicismo</em> está o abandono do que o objeto analisado tem a nos ensinar – deixamos de ouvi-lo.</p></li>

<li><p>Hirsch: implícito no círculo hermenêutico está a instrumentalização do outro, o apagamento do autor em prol de nossos próprios fins.</p></li></ul>

<p>Sinceramente, não me atrai muito essa briga. Entre Heidegger e Kant prefiro tirar um cochilo.</p>
]]></content:encoded>
      <author>Notas de Aula</author>
      <guid>https://blog.bantu.social/read/a/jb0b29gyc2</guid>
      <pubDate>Sun, 13 Jun 2021 00:19:14 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>Introdução à Teoria da Literatura - 1 e 2</title>
      <link>https://blog.bantu.social/notas-de-aula/curso-introduction-to-theory-of-literature</link>
      <description>&lt;![CDATA[Prof.: Paul H. Fry (Universidade de Yale)&#xA;&#xA;Vídeos:&#xA;    1 - Introdução&#xA;    2 - Introdução (cont.)&#xA;&#xA;Leituras:&#xA;    Foucault: &#34;O que é um autor?&#34;&#xA;    Barthes: &#34;The Death of the Author&#34;&#xA;&#xA;Anotações:&#xA;&#xA;Interessantes os textos. Foucault fala de &#34;fundadores de modos de discurso&#34; como Marx e Freud, que seriam sempre revisitados e reinterpretados pelos marxistas e psicanalistas e que representam um tipo de discursividade, em contraste com cientistas como galileu e newton, que são superados e englobados pela discursividade &#34;impessoal&#34; do método científico. A descoberta de um texto novo de Marx, por exemplo, influencia o marxismo atual (como aconteceu com o estudo dos Manuscritos Econômicos e Filosóficos de 1844), ao passo que um texto novo de Galileu seria mera curiosidade histórica. Foucault fala disso no contexto do seu conceito de &#34;função autor&#34;: o autor é uma &#34;cola&#34; que mantém a coerência de uma obra, ou uma linha que traça os limites do que se considera uma obra. No caso dos modos de discurso, o autor &#34;fundador&#34; passa a ser usado como cola de uma obra que ultrapassa a si mesmo. Outros detalhes: Foucault localiza a origem da autoria na repressão: historicamente, passa-se a apontar autores quando se quer puni-los, ou seja, quando há a possibilidade de transgressão; enfatiza também que muitos tipos de discurso não utilizam a função autor.&#xA;&#xA;Já Barthes argumenta que há diversas vozes ou perspectivas no texto: a do autor (como sujeito consciente da escrita), a da pessoa de carne e osso que possui ideias que dão forma ao texto, a dos personagens, a do momento histórico etc. comparando isso à tragédia grega em que palavras ambíguas são entendidas de maneiras distintas por personagens diferentes, mas em que o espectador consegue ver por todos esses ângulos (no caso do texto, seria o leitor). Para Barthes, portanto, o leitor é o foco da escrita após a &#34;morte&#34; do autor.&#xA;&#xA;O professor chama a atenção para o período histórico em que Foucault e Barthes escreveram seus artigos (~ anos 60), insistindo na ideia de que são artigos contra a &#34;autoridade&#34; percebida na noção de autor, no sentido policial ou coercivo do termo. O autor seria um limitador da interpretação, um tolhedor dos significados - Barthes tem uma passagem em que zomba dos críticos, que adoram a ideia de autor pois lhes permite &#34;desvendar&#34; o &#34;significado real&#34; da obra e encerrar o caso. Foucault teria tentado recuperar a noção de autor - descartando a coerção - quando fala de Marx e Freud como fundadores de modos de discurso, flexíveis e permeáveis aos desenvolvimentos posteriores, cumprindo apenas uma &#34;função autor&#34; ampla sem imposição de verdades. Ao final da aula, uma contraposição ao pensamento de Foucault e Barthes é citada: a condição de autor, de sujeito, é algo que pode ser apropriado e reinvindicado por pessoas marginalizadas como ferramenta de afirmação e representatividade.&#xA;&#xA;Vejo essa última crítica com curiosidade. Certamente as ferramentas do amo não podem destruir os sistemas do amo (leia-se: modernidade, colonialidade...), mas quais são essas ferramentas? Autoridade coerciva sim, mas também objetificação. A posição de Foucault e Barthes parece extremamente objetificadora, ao menos para o(a) autor(a). Barthes garante apenas ao(a) leitor(a) um papel de sujeito, Foucault também parece fazer isso implicitamente. No entanto, outra ferramenta do amo que pode complicar tudo isso é o individualismo hegemônico - do lado de Foucault e Barthes o indivíduo leitor-sujeito como foco de sentido (o que Foucault ameniza com os &#34;modos de discurso&#34;, se vistos como tradições coletivas), do lado da crítica um indivíduo autor-sujeito como foco (o que poderia ser amenizado se o autor-sujeito fosse não uma pessoa, mas uma coletividade, por exemplo). O lado do &#34;autor-sujeito&#34; foi apresentado de forma superficial na aula, seria interessante pensar a construção de autorias coletivas ou fluidas ou, de outra forma, anticapitalistas/decoloniais.]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<ul><li><p>Prof.: Paul H. Fry (Universidade de Yale)</p></li>

<li><p>Vídeos:
1 – <a href="https://www.youtube.com/watch?v=4YY4CTSQ8nY" rel="nofollow">Introdução</a>
2 – <a href="https://www.youtube.com/watch?v=zS22f07a2MY" rel="nofollow">Introdução (cont.)</a></p></li>

<li><p>Leituras:</p>
<ul><li>Foucault: “O que é um autor?”</li>
<li>Barthes: “The Death of the Author”</li></ul></li></ul>

<h2 id="anotações">Anotações:</h2>

<p>Interessantes os textos. Foucault fala de “fundadores de modos de discurso” como Marx e Freud, que seriam sempre revisitados e reinterpretados pelos marxistas e psicanalistas e que representam um tipo de discursividade, em contraste com cientistas como galileu e newton, que são superados e englobados pela discursividade “impessoal” do método científico. A descoberta de um texto novo de Marx, por exemplo, influencia o marxismo atual (como aconteceu com o estudo dos Manuscritos Econômicos e Filosóficos de 1844), ao passo que um texto novo de Galileu seria mera curiosidade histórica. Foucault fala disso no contexto do seu conceito de “função autor”: o autor é uma “cola” que mantém a coerência de uma obra, ou uma linha que traça os limites do que se considera uma obra. No caso dos modos de discurso, o autor “fundador” passa a ser usado como cola de uma obra que ultrapassa a si mesmo. Outros detalhes: Foucault localiza a origem da autoria na repressão: historicamente, passa-se a apontar autores quando se quer puni-los, ou seja, quando há a possibilidade de transgressão; enfatiza também que muitos tipos de discurso não utilizam a função autor.</p>

<p>Já Barthes argumenta que há diversas vozes ou perspectivas no texto: a do autor (como sujeito consciente da escrita), a da pessoa de carne e osso que possui ideias que dão forma ao texto, a dos personagens, a do momento histórico etc. comparando isso à tragédia grega em que palavras ambíguas são entendidas de maneiras distintas por personagens diferentes, mas em que o espectador consegue ver por todos esses ângulos (no caso do texto, seria o leitor). Para Barthes, portanto, o leitor é o foco da escrita após a “morte” do autor.</p>

<p>O professor chama a atenção para o período histórico em que Foucault e Barthes escreveram seus artigos (~ anos 60), insistindo na ideia de que são artigos contra a “autoridade” percebida na noção de autor, no sentido policial ou coercivo do termo. O autor seria um limitador da interpretação, um tolhedor dos significados – Barthes tem uma passagem em que zomba dos críticos, que adoram a ideia de autor pois lhes permite “desvendar” o “significado real” da obra e encerrar o caso. Foucault teria tentado recuperar a noção de autor – descartando a coerção – quando fala de Marx e Freud como fundadores de modos de discurso, flexíveis e permeáveis aos desenvolvimentos posteriores, cumprindo apenas uma “função autor” ampla sem imposição de verdades. Ao final da aula, uma contraposição ao pensamento de Foucault e Barthes é citada: a condição de autor, de sujeito, é algo que pode ser apropriado e reinvindicado por pessoas marginalizadas como ferramenta de afirmação e representatividade.</p>

<p>Vejo essa última crítica com curiosidade. Certamente as ferramentas do amo não podem destruir os sistemas do amo (leia-se: modernidade, colonialidade...), mas quais são essas ferramentas? Autoridade coerciva sim, mas também objetificação. A posição de Foucault e Barthes parece extremamente objetificadora, ao menos para o(a) autor(a). Barthes garante apenas ao(a) leitor(a) um papel de sujeito, Foucault também parece fazer isso implicitamente. No entanto, outra ferramenta do amo que pode complicar tudo isso é o individualismo hegemônico – do lado de Foucault e Barthes o indivíduo leitor-sujeito como foco de sentido (o que Foucault ameniza com os “modos de discurso”, se vistos como tradições coletivas), do lado da crítica um indivíduo autor-sujeito como foco (o que poderia ser amenizado se o autor-sujeito fosse não uma pessoa, mas uma coletividade, por exemplo). O lado do “autor-sujeito” foi apresentado de forma superficial na aula, seria interessante pensar a construção de autorias coletivas ou fluidas ou, de outra forma, anticapitalistas/decoloniais.</p>
]]></content:encoded>
      <author>Notas de Aula</author>
      <guid>https://blog.bantu.social/read/a/zgn43mcc3z</guid>
      <pubDate>Wed, 26 May 2021 13:32:38 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>Ontem fiquei pensando no tempo que não publico nada em lugar algum, sem que...</title>
      <link>https://blog.bantu.social/gbrlpires/ontem-fiquei-pensando-no-tempo-que-nao-publico-nada-em-lugar-algum-sem-que</link>
      <description>&lt;![CDATA[Ontem fiquei pensando no tempo que não publico nada em lugar algum, sem que seja a timeline das redes sociais.&#xA;&#xA;Fiquei sentindo falta de escrever, de ter um blog, de jogar pensamentos mais elaborados. De repente eu percebi: mas eu tenho um blog. Tenho uma newsletter também. Tenho uns textos perdidos por aí que nunca ninguém viu. Por que eu não publico nada lá?&#xA;&#xA;Esse pensamento chacoalhou umas tantas inquietações que já me perseguem desde muito. Percebi que eu sinto falta mesmo é de escrever sem culpa. Sem a gramática perfeita. Sem ser o texto coeso com início, meio e fim. Sem ser o textão, mas também sem ser o textinho. Ou qualquer fucking coisa que eu tenha vontade. E que é isso que me impede de publicar um pouco dos sem número de coisas que passam pela minha cabeça e pelo meu corpo.&#xA;&#xA;A culpa.&#xA;&#xA;Já não aguento mais sentir culpa por ser quem eu sou ou quero ser. Com todos os defeitos. A pessoa horrível, ou boa, ou só a pessoa que sou. Incoerente e bagunçada, caótica. Inteligente ou meio burra. Cafona, hipster. Diferentona ou comum demais, que seja.&#xA;&#xA;E nessas eu acabo sendo nada.]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Ontem fiquei pensando no tempo que não publico nada em lugar algum, sem que seja a <em>timeline</em> das redes sociais.</p>

<p>Fiquei sentindo falta de escrever, de ter um blog, de jogar pensamentos mais elaborados. De repente eu percebi: mas eu tenho um blog. Tenho uma <em>newsletter</em> também. Tenho uns textos perdidos por aí que nunca ninguém viu. Por que eu não publico nada lá?</p>

<p>Esse pensamento chacoalhou umas tantas inquietações que já me perseguem desde muito. Percebi que eu sinto falta mesmo é de escrever sem culpa. Sem a gramática perfeita. Sem ser o texto coeso com início, meio e fim. Sem ser o textão, mas também sem ser o textinho. Ou qualquer <em>fucking</em> coisa que eu tenha vontade. E que é isso que me impede de publicar um pouco dos sem número de coisas que passam pela minha cabeça e pelo meu corpo.</p>

<p>A culpa.</p>

<p>Já não aguento mais sentir culpa por ser quem eu sou ou quero ser. Com todos os defeitos. A pessoa horrível, ou boa, ou só a pessoa que sou. Incoerente e bagunçada, caótica. Inteligente ou meio burra. Cafona, hipster. Diferentona ou comum demais, que seja.</p>

<p>E nessas eu acabo sendo nada.</p>
]]></content:encoded>
      <author>gbrlpires</author>
      <guid>https://blog.bantu.social/read/a/9v69h5zd3e</guid>
      <pubDate>Mon, 03 May 2021 18:32:10 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>O dia que anoiteci</title>
      <link>https://blog.bantu.social/renan/o-dia-que-anoiteci</link>
      <description>&lt;![CDATA[É corrido, mesmo em casa as vezes cê nem para pra reparar. Levanta, toma café, senta, lê, estuda, as vezes finge. Desce pro almoço, faz a digestão as vezes assistindo algo, as vezes olhando a paisagem. Sobe pro quarto, enrola, lê, estuda, estágio, as vezes finge. Noite, janta, ler, dormir. Rotina de quarentena: incluir conversar com amigos de casa, trocar mensagens, produzir pesquisa.&#xA;&#xA;A rotina mecânica não é culpa da pandemia e do isolamento social. Talvez esse contexto facilite perceber ou torne as atividades de rotina menos variadas na medida em que o espaço no qual podemos circular é reduzido. Esse texto não é sobre essa rotina mas sobre o dia em que anoiteci.&#xA;&#xA;Existe, nos extremos de um dia, um espaço de tempo em que não é dia tampouco noite. Talvez o final de tarde exemplifique o que quero dizer mas, sem observar atentamente, é fácil incorrer no erro de considerar o &#34;final de tarde&#34; algo à parte da noite. É provável que o momento ao qual me refiro seja, em um diagrama de venn, a intersecção entre tarde e noite e é dessa intersecção, desse momento que é várias coisas, final de tarde, inicio de noite, hiato ?? mas que nomeio à contragosto, que falo aqui.&#xA;&#xA;Não estou apelando pra mágica desse momento, nem advogo que a salvação da humanidade será fruto dele. Esse é só um texto sobre o dia em que, junto com a Terra, senti que estava anoitecendo; desacelerei; reconheci brevemente que, não importa onde ou com&#xA;&#xA;Foi olhando da minha janela, depois de uma chuva de verão responsa, com o sol iluminando as nuvens no céu que comecei a anoitecer. Se ainda estava escuro por conta da chuva torrencial e das nuvens ainda no céu, havia luz suficiente pra entender que ainda não era noite, que o dia ainda não havia findado e que ainda faltava coisa a ser feita: sobre a Terra, ainda faltava anoitecer; natural seria, que a natureza a acompanhasse nesse processo; estranho seria se eu, como humano no século XXI, me considerasse ligado a ele. A questão é que nesse dia eu me senti.&#xA;&#xA;Mas o que, afinal, é esse anoitecer? Em partes envolve reconhecer que o dia tem momentos específicos pra determinadas atividades. Nesse dia pude observar isso. Com a chuva recém-passada os pássaros iam dando seus últimos voos, os ben-te-vis anunciavam que ainda bem-viam, mas que logo já não mais. Os mariporãs insistiam em dar um ou outro rasante entre as árvores e, conferindo o aspecto de metrópole, os pombos pombeavam. Tudo isso, no final das contas, pra assumir que já nesse momento a ordem das coisas era tal que se encaminhava para o descanso.&#xA;Eu gostaria de poder descrever outros aspectos da natureza &#34;anoitecendo&#34; com relativa serenidade mas não é o caso.&#xA;&#xA;O dia que anoiteci envolveu compreender, no interstício entre o dia e a noite, a oportunidade de serenar o coração, de me encaminhar com corpo, mente e todo o mais que me compõe para a noite e pras graças de Hipnos. Foi nesse momento, depois de reverenciar a doce compreensão recém adquirida sobre inícios de noite, que parei para refletir sobre o que tinha feito de meu dia até então, desacelerar meu corpo da rotina e ouvir, sentir e respirar. Um momento pra me desapoquentar e encarar com mais brandura as últimas atividades do dia.&#xA;&#xA;A ironia? Faz cerca de semana desde então e, na rotina acelerada, só agora, escrevendo sobre, me ocorreu que em nenhum outro dia tentei repetir a experiência. Está dado o novo compromisso: tire um tempo e, assim como a Terra, anoiteça antes de seguir adiante&#xA;&#xA;]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p>É corrido, mesmo em casa as vezes cê nem para pra reparar. Levanta, toma café, senta, lê, estuda, as vezes finge. Desce pro almoço, faz a digestão as vezes assistindo algo, as vezes olhando a paisagem. Sobe pro quarto, enrola, lê, estuda, estágio, as vezes finge. Noite, janta, ler, dormir. Rotina de quarentena: incluir conversar com amigos de casa, trocar mensagens, produzir pesquisa.</p>

<p>A rotina mecânica não é culpa da pandemia e do isolamento social. Talvez esse contexto facilite perceber ou torne as atividades de rotina menos variadas na medida em que o espaço no qual podemos circular é reduzido. Esse texto não é sobre essa rotina mas sobre o dia em que anoiteci.</p>

<p>Existe, nos extremos de um dia, um espaço de tempo em que não é dia tampouco noite. Talvez o final de tarde exemplifique o que quero dizer mas, sem observar atentamente, é fácil incorrer no erro de considerar o “final de tarde” algo à parte da noite. É provável que o momento ao qual me refiro seja, em um diagrama de venn, a intersecção entre tarde e noite e é dessa intersecção, desse momento que é várias coisas, final de tarde, inicio de noite, hiato ?? mas que nomeio à contragosto, que falo aqui.</p>

<p>Não estou apelando pra mágica desse momento, nem advogo que a salvação da humanidade será fruto dele. Esse é só um texto sobre o dia em que, junto com a Terra, senti que estava anoitecendo; desacelerei; reconheci brevemente que, não importa onde ou com</p>

<p>Foi olhando da minha janela, depois de uma chuva de verão responsa, com o sol iluminando as nuvens no céu que comecei a anoitecer. Se ainda estava escuro por conta da chuva torrencial e das nuvens ainda no céu, havia luz suficiente pra entender que ainda não era noite, que o dia ainda não havia findado e que ainda faltava coisa a ser feita: sobre a Terra, ainda faltava anoitecer; natural seria, que a natureza a acompanhasse nesse processo; estranho seria se eu, como humano no século XXI, me considerasse ligado a ele. A questão é que nesse dia eu me senti.</p>

<p>Mas o que, afinal, é esse anoitecer? Em partes envolve reconhecer que o dia tem momentos específicos pra determinadas atividades. Nesse dia pude observar isso. Com a chuva recém-passada os pássaros iam dando seus últimos voos, os ben-te-vis anunciavam que ainda bem-viam, mas que logo já não mais. Os mariporãs insistiam em dar um ou outro rasante entre as árvores e, conferindo o aspecto de metrópole, os pombos pombeavam. Tudo isso, no final das contas, pra assumir que já nesse momento a ordem das coisas era tal que se encaminhava para o descanso.
Eu gostaria de poder descrever outros aspectos da natureza “anoitecendo” com relativa serenidade mas não é o caso.</p>

<p>O dia que anoiteci envolveu compreender, no interstício entre o dia e a noite, a oportunidade de serenar o coração, de me encaminhar <em>com corpo, mente e todo o mais que me compõe</em> para a noite e pras graças de Hipnos. Foi nesse momento, depois de reverenciar a doce compreensão recém adquirida sobre inícios de noite, que parei para refletir sobre o que tinha feito de meu dia até então, desacelerar meu corpo da rotina e ouvir, sentir e respirar. Um momento pra me desapoquentar e encarar com mais brandura as últimas atividades do dia.</p>

<p>A ironia? Faz cerca de semana desde então e, na rotina acelerada, só agora, escrevendo sobre, me ocorreu que em nenhum outro dia tentei repetir a experiência. Está dado o novo compromisso: <strong>tire um tempo e, assim como a Terra, anoiteça antes de seguir adiante</strong></p>
]]></content:encoded>
      <author>renaN</author>
      <guid>https://blog.bantu.social/read/a/xvitugiq01</guid>
      <pubDate>Mon, 30 Nov 2020 20:51:07 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>E-mail: a melhor rede social do mundo</title>
      <link>https://blog.bantu.social/amarelo-gemada/e-mail-a-melhor-rede-social-do-mundo</link>
      <description>&lt;![CDATA[strongMais um texto de 2015. Até agora está sendo interessante reler estes escritos e perceber o que mudou e o que não mudou. O mais difícil, porém, é não julgar o que eu pensava ou a maneira como eu escrevia ou desenhava./strong&#xA;—&#xA;&#xA;img src=&#34;https://colecao.gbrl.work/upload/2020/11/26/20201126050708-30142b5c.png&#34; /&#xA;&#xA;Há alguns anos eu tinha uma verdadeira preguiça em usar e-mail, mas eu invariavelmente tenho preguiça pelas coisas antes de conhecê-las mais a fundo. Quando acabo conhecendo, por vezes me empolgo tanto com a descoberta da utilidade delas na minha vida que as pessoas ficam sem entender o motivo de toda minha euforia. Deve ser porque ao contrário do que esperam de uma virginiana e de um ISTJ (ou INTP-T, whatever), eu sou bastante desorganizada. Então, qualquer ferramenta que eu consiga adaptar à minha vida e me ajude a ter o mínimo de controle sobre minhas tarefas eu estou abraçando (ou ao menos tentando). Tenho uma amiga, virginiana também, a próposito, com cerca de 10 anos a menos do que eu que fica simplesmente indignada com o fato de eu strongainda/strong usar e-mail. Dias atrás, um dos slides da aula de marketing na faculdade descrevia que a geração Z considerava o e-mail como emold-fashioned/em e, apesar de eu odiar marketing e não levar quase nenhuma dessas ideias a sério, a indignação dela fez um pouco mais de sentido pra mim.!--more--&#xA;&#xA;Apesar de ser considerado por muita gente apenas mais uma coisa dentre tantas que precisamos ter para nos cadastrarmos em qualquer lugar, sejam elas redes sociais ou para conseguir alugar uma casa — como um RG — , eu encontrei meu amor há alguns anos quando meu companheiro passou a se comunicar cada vez mais comigo por e-mail. Provavelmente isso aconteceu com a decadência e anunciado fim do MSN, e como estávamos com pouco tempo de relacionamento, tínhamos que achar outras alternativas de nos comunicarmos, já que cada um morava em cantos extremos da cidade. Atravessar São Paulo de ônibus nunca foi uma coisa muito rápida. Por causa disso, sem perceber passei do estado de quase nem lembrar o meu próprio endereço, até ser uma das primeiras coisas que eu faço no dia. Hoje quando estou no computador, eu abro meu e-mail antes de qualquer outra rede social e algumas vezes ainda meio dormindo enquanto ainda estou sentada no banheiro (informação demais, eu sei). Meu e-mail fica aberto o dia todo e durante todo o tempo que estou conectada na internet via wi-fi, e só não no smartphone porque não sou das pessoas adeptas ao 3G (caro demais, lento e uma telinha minúscula que me irrita, não obrigada). Em contrapartida, apesar do vício assumido, algumas outras redes sociais eu uso esporadicamente, ou simplesmente “sumo” por tempo indeterminado quando estou de saco cheio do mundo. Até porque algumas delas não contribuem em nada para manutenção da minha saúde mental ou porque eu realmente canso de ficar tão exposta o tempo todo. Ok, você pode até me dizer que e-mail não pode ser considerado bem uma a href=&#34;https://pt.wikipedia.org/wiki/Redesocial&#34; target=&#34;blank&#34;rede social/a, mas vejamos como eu uso meu próprio e-mail:&#xA;&#xA;Eu tenho uma série de amigos que eu me comunico quase que exclusivamente por e-mail, quando não pessoalmente. Alguns se conhecem entre si, outros só sabem da existência destes outros pelo endereço de e-mail, alguns são amigos dos amigos. Há amigos que são ex-metaleiros, outros são ex-otakus, ou os dois ao mesmo tempo. Não seria mais prático então usar uma lista e-mails? Uma lista de e-mails não daria exatamente certo no nosso caso. Por que dentro deste minúscula rede, há os que gostam de humor mais rebuscado, meio Monty Python, outros são viciados em gifs animados encontrados no Imgur. Tem também os que são verdadeiros, e num ótimo sentido, emSocial Justice Warriors/em e outros que apesar de pessoas muito legais, têm outras prioridades. Ou seja, somos muito diferentes e nossos e-mails são escolhidos e enviados exatamente para as pessoas que queremos, porque o que pode ser interessante para um, não faria muito sentido para o outro. Isso é o que é mais bacana, nós nos conhecemos minimamente, (e alguns é minimamente mesmo), mas já é suficiente para sabermos que não seria bacana mostrar aquele vídeo sobre sei lá, os males da indústria da carne, para um amigo que é vegano e que pode se sentir mal vendo aquilo. Não existe uma timeline única que você vez ou outra pode se deparar com alguma coisa bem desagradável. Não existem pessoas que invadirão a sua página para falarem o que bem entenderem contra o que você está compartilhando. Não existem insultos ou assédios por inbox. Não existe a cobrança de você estar ali todos os dias, “batendo ponto”, porque o compartilhamento de ideias é espontâneo. Não se tenta medir a sua saúde mental, emocional pela quantidade de vezes que você ficou online. E apesar disso tudo, existe a discussão de tópicos, a troca de informações, a desconstrução, o entretenimento e a possibilidade real das pessoas escolherem com quem e quando vão compartilhar, o que as vezes é bem difícil de controlar nas redes sociais mais comuns. O mais importante de tudo é que na nossa pequena rede social temos respeito um pelos outros, por suas particularidades e pensamentos e aprendemos muito escutando uns aos outros, independente do assunto que estiver correndo. E claro, nos divertimos muito também.&#xA;&#xA;Este texto e estes pontos nem podem fazer sentido para você, você pode continuar achando (e tem todo o direito disso!) o e-mail uma coisa velha demais, chata demais, etc. Mas para meu ser introvertido, neurótico pelo controle de privacidade, e avessa a algumas cobranças, o e-mail ainda é para mim, A Melhor Rede Social do Mundo™.&#xA;&#xA;—&#xA;emTexto publicado originalmente em: 3 de Outubro de 2015 no Medium./em]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p><strong>Mais um texto de 2015. Até agora está sendo interessante reler estes escritos e perceber o que mudou e o que não mudou. O mais difícil, porém, é não julgar o que eu pensava ou a maneira como eu escrevia ou desenhava.</strong>
—</p>

<p><img src="https://colecao.gbrl.work/upload/2020/11/26/20201126050708-30142b5c.png"/></p>

<p>Há alguns anos eu tinha uma verdadeira preguiça em usar e-mail, mas eu invariavelmente tenho preguiça pelas coisas antes de conhecê-las mais a fundo. Quando acabo conhecendo, por vezes me empolgo tanto com a descoberta da utilidade delas na minha vida que as pessoas ficam sem entender o motivo de toda minha euforia. Deve ser porque ao contrário do que esperam de uma virginiana e de um ISTJ (ou INTP-T, whatever), eu sou bastante desorganizada. Então, qualquer ferramenta que eu consiga adaptar à minha vida e me ajude a ter o mínimo de controle sobre minhas tarefas eu estou abraçando (ou ao menos tentando). Tenho uma amiga, virginiana também, a próposito, com cerca de 10 anos a menos do que eu que fica simplesmente indignada com o fato de eu <strong>ainda</strong> usar e-mail. Dias atrás, um dos slides da aula de marketing na faculdade descrevia que a geração Z considerava o e-mail como <em>old-fashioned</em> e, apesar de eu odiar marketing e não levar quase nenhuma dessas ideias a sério, a indignação dela fez um pouco mais de sentido pra mim.</p>

<p>Apesar de ser considerado por muita gente apenas mais uma coisa dentre tantas que precisamos ter para nos cadastrarmos em qualquer lugar, sejam elas redes sociais ou para conseguir alugar uma casa — como um RG — , eu encontrei meu amor há alguns anos quando meu companheiro passou a se comunicar cada vez mais comigo por e-mail. Provavelmente isso aconteceu com a decadência e anunciado fim do MSN, e como estávamos com pouco tempo de relacionamento, tínhamos que achar outras alternativas de nos comunicarmos, já que cada um morava em cantos extremos da cidade. Atravessar São Paulo de ônibus nunca foi uma coisa muito rápida. Por causa disso, sem perceber passei do estado de quase nem lembrar o meu próprio endereço, até ser uma das primeiras coisas que eu faço no dia. Hoje quando estou no computador, eu abro meu e-mail antes de qualquer outra rede social e algumas vezes ainda meio dormindo enquanto ainda estou sentada no banheiro (informação demais, eu sei). Meu e-mail fica aberto o dia todo e durante todo o tempo que estou conectada na internet via wi-fi, e só não no smartphone porque não sou das pessoas adeptas ao 3G (caro demais, lento e uma telinha minúscula que me irrita, não obrigada). Em contrapartida, apesar do vício assumido, algumas outras redes sociais eu uso esporadicamente, ou simplesmente “sumo” por tempo indeterminado quando estou de saco cheio do mundo. Até porque algumas delas não contribuem em nada para manutenção da minha saúde mental ou porque eu realmente canso de ficar tão exposta o tempo todo. Ok, você pode até me dizer que e-mail não pode ser considerado bem uma <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Rede_social" target="_blank" rel="nofollow noopener">rede social</a>, mas vejamos como eu uso meu próprio e-mail:</p>

<p>Eu tenho uma série de amigos que eu me comunico quase que exclusivamente por e-mail, quando não pessoalmente. Alguns se conhecem entre si, outros só sabem da existência destes outros pelo endereço de e-mail, alguns são amigos dos amigos. Há amigos que são ex-metaleiros, outros são ex-otakus, ou os dois ao mesmo tempo. Não seria mais prático então usar uma lista e-mails? Uma lista de e-mails não daria exatamente certo no nosso caso. Por que dentro deste minúscula rede, há os que gostam de humor mais rebuscado, meio Monty Python, outros são viciados em gifs animados encontrados no Imgur. Tem também os que são verdadeiros, e num ótimo sentido, <em>Social Justice Warriors</em> e outros que apesar de pessoas muito legais, têm outras prioridades. Ou seja, somos muito diferentes e nossos e-mails são escolhidos e enviados exatamente para as pessoas que queremos, porque o que pode ser interessante para um, não faria muito sentido para o outro. Isso é o que é mais bacana, nós nos conhecemos minimamente, (e alguns é minimamente mesmo), mas já é suficiente para sabermos que não seria bacana mostrar aquele vídeo sobre sei lá, os males da indústria da carne, para um amigo que é vegano e que pode se sentir mal vendo aquilo. Não existe uma timeline única que você vez ou outra pode se deparar com alguma coisa bem desagradável. Não existem pessoas que invadirão a sua página para falarem o que bem entenderem contra o que você está compartilhando. Não existem insultos ou assédios por inbox. Não existe a cobrança de você estar ali todos os dias, “batendo ponto”, porque o compartilhamento de ideias é espontâneo. Não se tenta medir a sua saúde mental, emocional pela quantidade de vezes que você ficou online. E apesar disso tudo, existe a discussão de tópicos, a troca de informações, a desconstrução, o entretenimento e a possibilidade real das pessoas escolherem com quem e quando vão compartilhar, o que as vezes é bem difícil de controlar nas redes sociais mais comuns. O mais importante de tudo é que na nossa pequena rede social temos respeito um pelos outros, por suas particularidades e pensamentos e aprendemos muito escutando uns aos outros, independente do assunto que estiver correndo. E claro, nos divertimos muito também.</p>

<p>Este texto e estes pontos nem podem fazer sentido para você, você pode continuar achando (e tem todo o direito disso!) o e-mail uma coisa velha demais, chata demais, etc. Mas para meu ser introvertido, neurótico pelo controle de privacidade, e avessa a algumas cobranças, o e-mail ainda é para mim, A Melhor Rede Social do Mundo™.</p>

<p>—
<em>Texto publicado originalmente em: 3 de Outubro de 2015 no Medium.</em></p>
]]></content:encoded>
      <author>Amarelo Gemada</author>
      <guid>https://blog.bantu.social/read/a/u5235oc37b</guid>
      <pubDate>Thu, 26 Nov 2020 13:03:37 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>Cru</title>
      <link>https://blog.bantu.social/renan/cru</link>
      <description>&lt;![CDATA[Esse é um texto sem nada.&#xA;Esse é um texto sem preparo.&#xA;Mas não sem carinho.&#xA;&#xA;É um texto que precisava sair, então ta aqui.&#xA;Tal qual aquele arroz que tu faz às pressas, enquanto refoga a cebola pica o alho, e enquanto o alho na panela corre pra pegar o arroz antes que comece a subir o cheiro de queimado.&#xA;&#xA;Mas do jeitinho que saí esse arroz, esse texto nasce porque quem fez queria. Ou precisava. Ou os dois.&#xA;&#xA;O fato é que faz tempo que penso em escrever, em publicizar esses pensamentos que a gente sempre vai colocando no papel, ou aquelas ideias que vez ou outra surgem, cutucando, dizendo poderia escrever sobre isso.&#xA;&#xA;Seguindo as boas normas de convivência seria educado me apresentar aqui. Vou aproveitar o texto cru sem estrutura pra dizer quem sou ou acho que sou e o que quero ser.&#xA;&#xA;Sou Latino-Americano, estudante universitário de Gestão de Políticas Públicas que  acredito piamente que esse deveria ser um curso de formação cidadã, e não de ensino superior. Pode parecer técnico, mas bebe muito na sociologia, história e direito. &#xA;&#xA;O que quero ser é tanta coisa; Tem uma coleção de hobbies, passatempos, vontades e planos que vão sendo relegados pro segundo plano até termos tempo. MAS com certeza, já que falei de tempo, quero ser alguém que usa o seu para fazer o que quer, o que sabe que gosta. É diante dessa vontade que me azucrina, que me exige escrever e publicizar, tal qual o besouro que azucrina Bras Cubas enquanto não se decide sobre Eugênia, que publico esse primeiro texto. &#xA;&#xA;Como apresentação confesso que não fica muito bem, fui incapaz de expor do que vou tratar aqui, mas é isso. Esse texto precisava sair, tenho agora uma obrigação contigo, sério, que ta lendo. Nos falamos mais daqui uma semana!&#xA;&#xA;Como um texto cru, até que ficou bem feito. Talvez um pouco empapado por não usar a técnica de ferver a água antes de botar no arroz. As vezes sem sal, pela pressa ou medo de exagerar mas aqui está ele. Pronto pra vir ao mundo e servido à mesa, senão com orgulho, com coragem.&#xA;&#xA;]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Esse é um texto sem nada.
Esse é um texto sem preparo.
Mas não sem carinho.</p>

<p>É um texto que precisava sair, então ta aqui.
Tal qual aquele arroz que tu faz às pressas, enquanto refoga a cebola pica o alho, e enquanto o alho na panela corre pra pegar o arroz antes que comece a subir o cheiro de queimado.</p>

<p>Mas do jeitinho que saí esse arroz, esse texto nasce porque quem fez queria. Ou precisava. Ou os dois.</p>

<p>O fato é que faz tempo que penso em escrever, em publicizar esses pensamentos que a gente sempre vai colocando no papel, ou aquelas ideias que vez ou outra surgem, cutucando, dizendo <em>poderia escrever sobre isso</em>.</p>

<p>Seguindo as boas normas de convivência seria educado me apresentar aqui. Vou aproveitar o texto cru sem estrutura pra dizer quem sou ou acho que sou e o que quero ser.</p>

<p>Sou Latino-Americano, estudante universitário de Gestão de Políticas Públicas que  acredito piamente que esse deveria ser um curso de formação cidadã, e não de ensino superior. Pode parecer técnico, mas bebe muito na sociologia, história e direito.</p>

<p>O que quero ser é tanta coisa; Tem uma coleção de <em>hobbies, passatempos, vontades e planos</em> que vão sendo relegados pro segundo plano até termos tempo. <strong>MAS</strong> com certeza, já que falei de tempo, quero ser alguém que usa o seu para fazer o que quer, o que sabe que gosta. É diante dessa vontade que me azucrina, que me exige escrever e publicizar, tal qual o besouro que azucrina Bras Cubas enquanto não se decide sobre Eugênia, que publico esse primeiro texto.</p>

<p>Como apresentação confesso que não fica muito bem, fui incapaz de expor do que vou tratar aqui, mas é isso. Esse texto precisava sair, tenho agora uma obrigação contigo, sério, que ta lendo. Nos falamos mais daqui uma semana!</p>

<p>Como um texto cru, até que ficou bem feito. Talvez um pouco empapado por não usar a técnica de ferver a água antes de botar no arroz. As vezes sem sal, pela pressa ou medo de exagerar mas aqui está ele. Pronto pra vir ao mundo e servido à mesa, senão com orgulho, com coragem.</p>
]]></content:encoded>
      <author>renaN</author>
      <guid>https://blog.bantu.social/read/a/rqm8eckaoy</guid>
      <pubDate>Tue, 24 Nov 2020 21:39:45 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>Amarelo Gemada agora é Nada, não! #01</title>
      <link>https://blog.bantu.social/nada-nao/amarelo-gemada-agora-e-nada-nao-01</link>
      <description>&lt;![CDATA[img src=&#34;https://colecao.gbrl.work/upload/2020/11/24/20201124121006-d7758974.png&#34; /&#xA;𔑺 it&#39;s never too late &#xA; Olá! Acho que não nos vemos por volta de uns três anos, não é mesmo?&#xA;&#xA;Nesse meio tempo não posso dizer que escrevi muito. A verdade é que eu escrevi pouquíssimo e parte foi por conta de uma rotina de estudos e trabalho intenso, mas parte foi por me encontrar numa fase em que desacreditei da qualidade da minha produção, num todo. É fato que eu sempre tive grandes questões em ver valor no meu trabalho mas, neste meio tempo, enquanto eu continuava lutando por isso, eu estava tentando também botar muitas outras coisas no lugar. !--more--&#xA;&#xA;Volto agora — não necessariamente com as coisas todas no lugar —, pensando se o nome antigo desta newsletter ainda faz sentido. É um nome do qual eu me apeguei horrores, é verdade. Amarelo Gemada. Acho ele marcante, divertido e único. Pode soar bobo, mas eu tenho orgulho de tê-lo criado. Se você me perguntar, vou dizer que não lembro exatamente o motivo da minha escolha por ele. Tenho quase certeza (ênfase no &#34;quase&#34;) que surgiu por conta de uma brincadeira com a música a href=&#34;https://www.youtube.com/watch?v=W1eLvwylxos&#34;Amarelo Manga/a, de Otto, que eu escutei incessantemente num passado recente. À época, acho que funcionou. Hoje eu já não tenho tanta certeza disso.&#xA;&#xA;O que eu não sei é se este nome ainda diz sobre quem eu sou ou sobre o que tenho pensado atualmente. Ao contrário da minha percepção sobre a música de Otto (que canta sobre um corpo que não fala e que não sente), Amarelo Gemada sempre teve um quê de engraçadinho. E era fato que, por mais que algumas edições tenham sido sobre assuntos mais sérios, minha tentativa sempre foi pincelar um risinho aqui ou ali.&#xA;&#xA;No entanto, não sei se me sinto mais assim tão divertida. Ao menos não da mesma maneira.&#xA;&#xA;O problema, na verdade, é que minha tentativa de ser divertida sempre esteve ligada a uma expectativa do Outro (este mesmo que sempre ronda esta pessoa e portanto, esta newsletter).&#xA;&#xA;Para o Outro era isso mesmo que eu queria ser: a legalzona, a amiga pra todo momento, a querida e &#34;boa moça&#34; -- como minha terapeuta tanto gosta de nomear este fenômeno na minha personalidade. Mas, se você pedisse para que eu me descrevesse, muito provavelmente eu escolheria palavras como ácida, impaciente, sarcástica, metódica e... chata.&#xA;&#xA;Jesus-maria-josé, eu sou muito chata.&#xA;&#xA;Pode ser surpresa para alguns que eu me veja assim. Para outros, nem tanto. Mas, dificilmente, a não ser que um dia você venha a ser parte da minha família, amiga muito íntima ou que moremos na mesma casa, você vai perceber essa minha chatice. Eu não deixo transparecer muito e, por que não dizer, que eu puxo o freio mesmo. Algumas pessoas com quem já trabalhei devem ter tido algum vislumbre da minha chatice quando, por exemplo, eu tenha defendido insistentemente uma ideia da qual acreditava muito, ou quando argumentei de mil maneiras diferentes sobre um ponto de vista, ou quando tive dificuldade de deixar algum colega tomar a frente de tarefas que eu acreditava que faria de maneira melhor ou mais efetiva.&#xA;&#xA;Uns chamariam de persistência. Eu chamo de chatice mesmo. Até por que, dentro de casa e dependendo da época, eu sou quase insuportável. E talvez seja exatamente por não deixar minha chatice extravasar para o além família que isso acontece. Não é apenas a vontade de ter meu trabalho valorizado, mas a maneira como eu faço isso.&#xA;&#xA;Porém, ser chata não me impede também de ser divertida, aos meus termos. Ambas as características podem e coexistem na minha personalidade. Meu humor é ácido e sarcástico e revela toda essa minha impaciência. Não é pra todo mundo e constantemente eu preciso afirmar para os meus pares que &#34;é apenas uma brincadeira&#34;. Não é um tipo de humor do qual me orgulho. E isso também não impede de, eventualmente, eu magoar alguém. Mas é meu humor. Não é especial, não é genial. Mas é meu e é de uma pessoa humana única.&#xA;&#xA;Um das coisas que eu tenho tentado colocar no lugar e que eu vejo como a mais promissora é a minha própria humanização. É a aceitação de que eu sou uma pessoa falha, que não tem a obrigação de agradar. É a auto percepção de que o que eu tenho para falar é importante e que deveria ser posto no mundo, mesmo que a única ouvinte seja eu mesma. Mesmo que o que eu tenha para falar revele todos os meus maiores defeitos.&#xA;&#xA;Não é fácil. Eu cresci acreditando que eu deveria ser perfeita. Que eu deveria ser agradável. Que eu deveria nunca desejar o mal ao outro. Que eu deveria falar baixo e o menos possível. É impressionante relembrar uma das minhas primeiras memórias da infância onde uma professora disse à minha mãe em uma reunião, que eu era &#34;uma ótima aluna, mas conversava demais na aula&#34;. Então, eu cresci acreditando que além de ótima aluna eu deveria também me calar.&#xA;&#xA;Sendo bem franca, eu provavelmente devia falar além da conta mesmo. Lembro-me também de estar sempre virada para a carteira atrás de mim enquanto contava alguma história para colegas. Eu lembro da minha infância ser uma infância falante. Eu falava com pessoas imaginárias. Demorava dias para contar ao meu irmão o enredo de algum programa que eu tinha assistido, por conta de tantos detalhes que eu adicionava à narrativa. Lembro de contar sonhos ao meu pai enquanto tomávamos café da manhã. Eu não parava de falar.&#xA;&#xA;Então, é claro que não foi culpa apenas desta professora. Mas, o calar-se, ao longo dos anos, me afetou de maneira profunda. A dificuldade de fala é uma coisa que me persegue até hoje. Que afeta todas as áreas da minha vida. Se disfarça de timidez, de introversão, ou se junta à elas. Se materializa no bolo que fecha a minha garganta toda vez que penso em reclamar sobre algo que me incomoda. Revela os contatos amigos que perdi, os trabalhos que me sujeitei a fazer por valores baixíssimos, o sentimento de solidão que não passa nem com todo amor que tenho ao meu redor. A dificuldade que, contra toda a expectativa que minha maturidade traz, só aumenta. &#xA;&#xA;img src=&#34;https://colecao.gbrl.work/upload/2020/11/24/20201124111318-32cdacbe.jpg&#34; /&#xA;&#xA;Audre Lorde, que foi uma mulher negra incrível, disse em um de seus textos que a dificuldade de fala é uma característica facilmente encontrada em mulheres negras. E, obviamente, é consequência de violência racista ao longo da vida, desde a infância. Minha terapeuta, que também é uma mulher negra incrível, provavelmente não aguenta mais repetir em nossas sessões que eu preciso falar. E, falar, implica em deixar ser vista, em ser desagradável, com errar e errar e errar e lidar com isso.&#xA;&#xA;blockquote  What are the words you do not yet have? What do you need to say?&#xA;&#xA;What are the tyrannies you swallow day by day and attempt to make your own, until you will sicken and die of them, still in silence?&#xA;&#xA;emAudre Lorde/em&#xA;/blockquote&#xA;&#xA;Depois de refletir sobre tudo isso, acho que essa newsletter merecia um novo nome. Um nome que comunicasse a tentativa da fala, seja ela com o humor que vier.&#xA;&#xA;Assim sendo, esta é a primeira edição da strongNada, não! /strongUma frase que vivo dizendo quando desisto de dizer (risos). O que eu nunca tinha percebido, até então, é que estas duas palavras sozinhas com uma vírgula no meio, diziam o contrário do que eu sempre quis comunicar.&#xA;&#xA;A verdade é que eu tenho muito a dizer e esta é mais uma tentativa de continuar dizendo. Além de apenas dizer, é uma tentativa de ver valor na minha fala. Um corpo que tem todo o direito e dever, consigo mesmo, de falar (e ser uma pessoa chata).&#xA;&#xA;𔒰 secos e molhados&#xA;Esta nova versão da minha newsletter provavelmente continuará aparecendo na sua caixa de entrada de quinze em quinze dias, a partir de agora. Vou seguir falando sobre a vida e minhas percepções e aprendizados neste mundo.&#xA;&#xA;Estou separando cada edição por quatro seções simples:&#xA;ul&#xA;listrongtema central/strong onde trarei o texto principal da quinzena, com um título que muda de acordo;/li&#xA;listrongsecos e molhados:/strong para dar recados e assuntos fora do tema central;/li&#xA;listronggratuito, livre ou aberto:/strong sessão de indicações de coisas acessíveis pela internet;/li&#xA;listrongF12:/strong seção para documentar os recursos que usei na edição como fontes, símbolos unicode e afins./li&#xA;/ul&#xA;&#xA;Tenho planos de fazer um spin-off dedicado a falar sobre design, que é minha profissão. Quando (e se) acontecer, volto aqui para avisar.&#xA;&#xA;𔒥 gratuito, livre ou aberto&#xA;&#xA;ul&#xA;listrongThe Transformation of Silence into Language and Action (a href=&#34;https://wgs10016.commons.gc.cuny.edu/lorde-poetry-is-not-a-luxury/&#34;em inglês/a/a href=&#34;https://www.geledes.org.br/a-transformacao-do-silencio-em-linguagem-e-acao/&#34;em português/a):/strong o texto de Audre Lorde, que me fez chorar e está intimamente conectado com o que falei nesta edição. Audre disseca a dificuldade que, especialmente, a mulher negra tem em falar o que pensa, o que sente e em como esse sentimento precisa ser superado. Obrigada por me indicar @pato!/li&#xA;&#xA;listronga href=&#34;manualdousuario.net/&#34;Manual do Usuário/a:/strong um site sobre tecnologia, que conta também com a newsletter Bloco de Notas e os podcasts Guia Prático e Tecnocracia. O que gosto muito no Manual é que ele fala sobre tecnologia sem exagerar nos jargões e sem aquele formato de review de produtos que vemos por aí. É sobre como nos relacionamos com a tecnologia e como ela impacta na sociedade, com uma linguagem muito acessível./li&#xA;listronga href=&#34;https://www.youtube.com/channel/UCVpQ-xuvW2wL9usxWw2UQ/&#34;Ora, Thiago/a:/strong Canal no youtube sobre cinema e cultura pop. Thiago é uma pessoa negra, gay e maravilhosa que trata dos assuntos com profundidade e um humor muito particular e cativante. Especial para as 30+ que curtem aquele saudosismo e referências à infância noventista./li&#xA;/ul&#xA;&#xA;𔑳 F12&#xA;A fonte utilizada para o título da newsletter é a a href=&#34;https://open-foundry.com/fonts/bagnardregular/&#34;Bagnard Regular/a, desenhada por Damien Poulain. Os símbolos unicode utilizados no início de cada seção são os do grupo Anatolian Hieroglyphs, respectivamente: a href=&#34;https://decodeunicode.org/en/u+1447A&#34;U+1447A/a, a href=&#34;https://decodeunicode.org/en/u+144A5&#34;U+144A5/a, a href=&#34;https://decodeunicode.org/en/u+144B0&#34;U+144B0/a, a href=&#34;https://decodeunicode.org/en/u+14473&#34;U+14473/a.&#xA;&#xA;—&#xA;em&#xA;Newsletter originalmente publicada e enviada por e-mail em 24 de Junho de 2020.&#xA;Para assinar, é só clicar neste link: a href= &#34;http://eepurl.com/g7Qf1&#34;Quero me inscrever!/a&#xA;/em]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p><img src="https://colecao.gbrl.work/upload/2020/11/24/20201124121006-d7758974.png"/></p>

<h2 id="𔑺-it-s-never-too-late">𔑺 it&#39;s never too late</h2>

<p> Olá! Acho que não nos vemos por volta de uns três anos, não é mesmo?</p>

<p>Nesse meio tempo não posso dizer que escrevi muito. A verdade é que eu escrevi pouquíssimo e parte foi por conta de uma rotina de estudos e trabalho intenso, mas parte foi por me encontrar numa fase em que desacreditei da qualidade da minha produção, num todo. É fato que eu sempre tive grandes questões em ver valor no meu trabalho mas, neste meio tempo, enquanto eu continuava lutando por isso, eu estava tentando também botar muitas outras coisas no lugar. </p>

<p>Volto agora — não necessariamente com as coisas todas no lugar —, pensando se o nome antigo desta newsletter ainda faz sentido. É um nome do qual eu me apeguei horrores, é verdade. Amarelo Gemada. Acho ele marcante, divertido e único. Pode soar bobo, mas eu tenho orgulho de tê-lo criado. Se você me perguntar, vou dizer que não lembro exatamente o motivo da minha escolha por ele. Tenho quase certeza (ênfase no “quase”) que surgiu por conta de uma brincadeira com a música <a href="https://www.youtube.com/watch?v=W1eLvwylxos" rel="nofollow">Amarelo Manga</a>, de Otto, que eu escutei incessantemente num passado recente. À época, acho que funcionou. Hoje eu já não tenho tanta certeza disso.</p>

<p>O que eu não sei é se este nome ainda diz sobre quem eu sou ou sobre o que tenho pensado atualmente. Ao contrário da minha percepção sobre a música de Otto (que canta sobre um corpo que não fala e que não sente), Amarelo Gemada sempre teve um quê de engraçadinho. E era fato que, por mais que algumas edições tenham sido sobre assuntos mais sérios, minha tentativa sempre foi pincelar um risinho aqui ou ali.</p>

<p>No entanto, não sei se me sinto mais assim tão divertida. Ao menos não da mesma maneira.</p>

<p>O problema, na verdade, é que minha tentativa de ser divertida sempre esteve ligada a uma expectativa do Outro (este mesmo que sempre ronda esta pessoa e portanto, esta newsletter).</p>

<p>Para o Outro era isso mesmo que eu queria ser: a legalzona, a amiga pra todo momento, a querida e “boa moça” — como minha terapeuta tanto gosta de nomear este fenômeno na minha personalidade. Mas, se você pedisse para que eu me descrevesse, muito provavelmente eu escolheria palavras como ácida, impaciente, sarcástica, metódica e... chata.</p>

<p>Jesus-maria-josé, eu sou muito chata.</p>

<p>Pode ser surpresa para alguns que eu me veja assim. Para outros, nem tanto. Mas, dificilmente, a não ser que um dia você venha a ser parte da minha família, amiga muito íntima ou que moremos na mesma casa, você vai perceber essa minha chatice. Eu não deixo transparecer muito e, por que não dizer, que eu puxo o freio mesmo. Algumas pessoas com quem já trabalhei devem ter tido algum vislumbre da minha chatice quando, por exemplo, eu tenha defendido insistentemente uma ideia da qual acreditava muito, ou quando argumentei de mil maneiras diferentes sobre um ponto de vista, ou quando tive dificuldade de deixar algum colega tomar a frente de tarefas que eu acreditava que faria de maneira melhor ou mais efetiva.</p>

<p>Uns chamariam de persistência. Eu chamo de chatice mesmo. Até por que, dentro de casa e dependendo da época, eu sou quase insuportável. E talvez seja exatamente por não deixar minha chatice extravasar para o além família que isso acontece. Não é apenas a vontade de ter meu trabalho valorizado, mas a maneira como eu faço isso.</p>

<p>Porém, ser chata não me impede também de ser divertida, aos meus termos. Ambas as características podem e coexistem na minha personalidade. Meu humor é ácido e sarcástico e revela toda essa minha impaciência. Não é pra todo mundo e constantemente eu preciso afirmar para os meus pares que “é apenas uma brincadeira”. Não é um tipo de humor do qual me orgulho. E isso também não impede de, eventualmente, eu magoar alguém. Mas é meu humor. Não é especial, não é genial. Mas é meu e é de uma pessoa humana única.</p>

<p>Um das coisas que eu tenho tentado colocar no lugar e que eu vejo como a mais promissora é a minha própria humanização. É a aceitação de que eu sou uma pessoa falha, que não tem a obrigação de agradar. É a auto percepção de que o que eu tenho para falar é importante e que deveria ser posto no mundo, mesmo que a única ouvinte seja eu mesma. Mesmo que o que eu tenha para falar revele todos os meus maiores defeitos.</p>

<p>Não é fácil. Eu cresci acreditando que eu deveria ser perfeita. Que eu deveria ser agradável. Que eu deveria nunca desejar o mal ao outro. Que eu deveria falar baixo e o menos possível. É impressionante relembrar uma das minhas primeiras memórias da infância onde uma professora disse à minha mãe em uma reunião, que eu era “uma ótima aluna, mas conversava demais na aula”. Então, eu cresci acreditando que além de ótima aluna eu deveria também me calar.</p>

<p>Sendo bem franca, eu provavelmente devia falar além da conta mesmo. Lembro-me também de estar sempre virada para a carteira atrás de mim enquanto contava alguma história para colegas. Eu lembro da minha infância ser uma infância falante. Eu falava com pessoas imaginárias. Demorava dias para contar ao meu irmão o enredo de algum programa que eu tinha assistido, por conta de tantos detalhes que eu adicionava à narrativa. Lembro de contar sonhos ao meu pai enquanto tomávamos café da manhã. Eu não parava de falar.</p>

<p>Então, é claro que não foi culpa apenas desta professora. Mas, o calar-se, ao longo dos anos, me afetou de maneira profunda. A dificuldade de fala é uma coisa que me persegue até hoje. Que afeta todas as áreas da minha vida. Se disfarça de timidez, de introversão, ou se junta à elas. Se materializa no bolo que fecha a minha garganta toda vez que penso em reclamar sobre algo que me incomoda. Revela os contatos amigos que perdi, os trabalhos que me sujeitei a fazer por valores baixíssimos, o sentimento de solidão que não passa nem com todo amor que tenho ao meu redor. A dificuldade que, contra toda a expectativa que minha maturidade traz, só aumenta.</p>

<p><img src="https://colecao.gbrl.work/upload/2020/11/24/20201124111318-32cdacbe.jpg"/></p>

<p>Audre Lorde, que foi uma mulher negra incrível, disse em um de seus textos que a dificuldade de fala é uma característica facilmente encontrada em mulheres negras. E, obviamente, é consequência de violência racista ao longo da vida, desde a infância. Minha terapeuta, que também é uma mulher negra incrível, provavelmente não aguenta mais repetir em nossas sessões que eu preciso falar. E, falar, implica em deixar ser vista, em ser desagradável, com errar e errar e errar e lidar com isso.</p>

<blockquote>  What are the words you do not yet have? What do you need to say?

What are the tyrannies you swallow day by day and attempt to make your own, until you will sicken and die of them, still in silence?

<em>Audre Lorde</em></blockquote>

<p>Depois de refletir sobre tudo isso, acho que essa newsletter merecia um novo nome. Um nome que comunicasse a tentativa da fala, seja ela com o humor que vier.</p>

<p>Assim sendo, esta é a primeira edição da <strong>Nada, não! </strong>Uma frase que vivo dizendo quando desisto de dizer (risos). O que eu nunca tinha percebido, até então, é que estas duas palavras sozinhas com uma vírgula no meio, diziam o contrário do que eu sempre quis comunicar.</p>

<p>A verdade é que eu tenho muito a dizer e esta é mais uma tentativa de continuar dizendo. Além de apenas dizer, é uma tentativa de ver valor na minha fala. Um corpo que tem todo o direito e dever, consigo mesmo, de falar (e ser uma pessoa chata).</p>

<h2 id="𔒰-secos-e-molhados">𔒰 secos e molhados</h2>

<p>Esta nova versão da minha newsletter provavelmente continuará aparecendo na sua caixa de entrada de quinze em quinze dias, a partir de agora. Vou seguir falando sobre a vida e minhas percepções e aprendizados neste mundo.</p>

<p>Estou separando cada edição por quatro seções simples:
<ul><li><strong>tema central</strong> onde trarei o texto principal da quinzena, com um título que muda de acordo;</li>
<li><strong>secos e molhados:</strong> para dar recados e assuntos fora do tema central;</li>
<li><strong>gratuito, livre ou aberto:</strong> sessão de indicações de coisas acessíveis pela internet;</li>
<li><strong>F12:</strong> seção para documentar os recursos que usei na edição como fontes, símbolos unicode e afins.</li></ul></p>

<p>Tenho planos de fazer um spin-off dedicado a falar sobre design, que é minha profissão. Quando (e se) acontecer, volto aqui para avisar.</p>

<h2 id="𔒥-gratuito-livre-ou-aberto">𔒥 gratuito, livre ou aberto</h2>

<ul><li><strong>The Transformation of Silence into Language and Action (<a href="https://wgs10016.commons.gc.cuny.edu/lorde-poetry-is-not-a-luxury/" rel="nofollow">em inglês</a>/<a href="https://www.geledes.org.br/a-transformacao-do-silencio-em-linguagem-e-acao/" rel="nofollow">em português</a>):</strong> o texto de Audre Lorde, que me fez chorar e está intimamente conectado com o que falei nesta edição. Audre disseca a dificuldade que, especialmente, a mulher negra tem em falar o que pensa, o que sente e em como esse sentimento precisa ser superado. Obrigada por me indicar @pato!</li>

<li><strong><a href="manualdousuario.net/" rel="nofollow">Manual do Usuário</a>:</strong> um site sobre tecnologia, que conta também com a newsletter Bloco de Notas e os podcasts Guia Prático e Tecnocracia. O que gosto muito no Manual é que ele fala sobre tecnologia sem exagerar nos jargões e sem aquele formato de review de produtos que vemos por aí. É sobre como nos relacionamos com a tecnologia e como ela impacta na sociedade, com uma linguagem muito acessível.</li>
<li><strong><a href="https://www.youtube.com/channel/UCVpQ-xuvW2_wL9_usxWw2UQ/" rel="nofollow">Ora, Thiago</a>:</strong> Canal no youtube sobre cinema e cultura pop. Thiago é uma pessoa negra, gay e maravilhosa que trata dos assuntos com profundidade e um humor muito particular e cativante. Especial para as 30+ que curtem aquele saudosismo e referências à infância noventista.</li></ul>

<h2 id="𔑳-f12">𔑳 F12</h2>

<p>A fonte utilizada para o título da newsletter é a <a href="https://open-foundry.com/fonts/bagnard_regular/" rel="nofollow">Bagnard Regular</a>, desenhada por Damien Poulain. Os símbolos unicode utilizados no início de cada seção são os do grupo Anatolian Hieroglyphs, respectivamente: <a href="https://decodeunicode.org/en/u+1447A" rel="nofollow">U+1447A</a>, <a href="https://decodeunicode.org/en/u+144A5" rel="nofollow">U+144A5</a>, <a href="https://decodeunicode.org/en/u+144B0" rel="nofollow">U+144B0</a>, <a href="https://decodeunicode.org/en/u+14473" rel="nofollow">U+14473</a>.</p>

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Newsletter originalmente publicada e enviada por e-mail em 24 de Junho de 2020.
Para assinar, é só clicar neste link: <a href="http://eepurl.com/g7_Qf1" rel="nofollow">Quero me inscrever!</a>
</em></p>
]]></content:encoded>
      <author>Nada, não!</author>
      <guid>https://blog.bantu.social/read/a/ub54l6r5ho</guid>
      <pubDate>Tue, 24 Nov 2020 20:42:58 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>A necessidade de uma escrita regular</title>
      <link>https://blog.bantu.social/amarelo-gemada/a-necessidade-de-uma-escrita-regular</link>
      <description>&lt;![CDATA[Este texto é de 2015. Algumas coisas ainda fazem sentido nele, outras nem um pouco mais. Você pode encontrar algumas palavras problemáticas que hoje eu já tenha tirado do meu vocabulário. Leve isso em consideração, por favor. Hoje eu já acho este um texto meio bobo mas, mesmo assim, vale aqui o registro até pela coincidência — ou recorrência — do tema e por este ter sido meu primeiro texto lá no Medium.&#xA;&#xA;—&#xA;&#xA;De tempos em tempos eu invento de testar uma nova plataforma de escrita. Desde os serviços online mais comuns como o [quase falecido] Blogger, até o [morto e enterrado] Fotolog eu já testei. Pois é, eu usava o Fotolog para escrever. Já testei, também, alguns aplicativos offline bonitinhos como o Ommwriter, que é bacana se você precisa de uma vibe meio “namastê”, sem distrações e com uma música (meio chatinha, confesso) de fundo. De todos, o meu preferido mesmo é o Bloco de Notas do Windows. Eu gosto do visual cru, da Lucida Console padrão e, de fundo, a música que condiz com meu estado de espírito. !--more--&#xA;&#xA;Nenhum deles, porém, funcionou tão bem como meu bom e velho diário da adolescência — um caderno em espiral com uma capa esquisita, onde nem ônibus cheios e em movimento poderiam deter páginas e páginas escritas a lápis sob as fungadas catarrentas que a Legião Urbana (tão brega ❤) e as desgraças da vida de adolescente me arrancavam.&#xA;&#xA;Não sei por quê eu passei anos sem escrever. Acho que foi uma fase ruim. Um fase de perdição e de muitos questionamentos. Muitos deles que só agora, com certa maturidade, eu consegui encontrar respostas, me livrar de algumas amarras e assumir posicionamentos que me despertaram novamente a vontade, a necessidade de escrever regularmente.&#xA;&#xA;Cá estou eu em mais uma tentativa, em uma nova plataforma para mim, tentando voltar a escrever.&#xA;&#xA;Eu sou uma pessoa introspectiva (apesar de fazer pouco tempo que descobri que o “meu jeitinho” tinha um nome), e por isso, ou por ser quem eu sou, eu falo muito pouco sobre minhas incertezas. Além disso, eu sou uma pessoa ansiosa. A consequência disso tudo é sempre estar à beira da loucura e já ter passado por algumas crises de ansiedade até conseguir desabafar com alguém. Na minha adolescência a escrita regular me ajudava muito a ter uma vida mais próxima do normal, porque eu ia descarregando toda minha angústia aos poucos em cada folha e elas não se juntavam todas dentro de mim até não existir mais nenhum espaço livre. E eu sinto falta de ter uma vida próxima do normal. Sinto falta também de quando eu escrevia sem meus próprios julgamentos, sem pensar o que pensariam sobre eu ter escolhido palavra x e não um sinônimo rebuscado. Pode até parecer um pouco incoerente com a escolha desta nova plataforma, mas sei lá, essas coisas as vezes não tem muita coerência mesmo.&#xA;&#xA;Aliás, preciso agradecer uma pessoa, a Aline Valek, que me fez ver que para escrever “bem” eu não preciso nenhum pouco usar daquelas palavras que farão o leitor ter que consultar o dicionário. Receber sua newsletter (assinem, assinem, assinem!) toda manhã de sábado é como encontrar uma amiga querida, que vem jogar conversa fora ou vem para dar aqueles conselhos que mudam nossa vida (mesmo que essa nossa amiga não tenha a menor ideia dessa sua incrível capacidade). Nunca escrevi a ela, no entanto, porque strongmorro de vergonha/strong. Mas quem sabe um dia...&#xA;&#xA;Então é isso. Uma nova tentativa, um novo lugar, novos pensamentos. Uma vez por semana talvez eu apareça por aqui. O dia? Ainda não sei, vamos nos ajustando conforme eu me estruturar (e o TCC deixar). Só não posso garantir que vai dar certo desta vez, ou se vai dar certo do jeito que você espera. Dessa vez eu não espero nada, a minha nova estratégia é não criar expectativas e “deixar a vida me levar”.&#xA;&#xA;—&#xA;&#xA;emtexto originalmente publicado em: 12 de setembro de 2015./em&#xA;&#xA;]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<h4 id="este-texto-é-de-2015-algumas-coisas-ainda-fazem-sentido-nele-outras-nem-um-pouco-mais-você-pode-encontrar-algumas-palavras-problemáticas-que-hoje-eu-já-tenha-tirado-do-meu-vocabulário-leve-isso-em-consideração-por-favor-hoje-eu-já-acho-este-um-texto-meio-bobo-mas-mesmo-assim-vale-aqui-o-registro-até-pela-coincidência-ou-recorrência-do-tema-e-por-este-ter-sido-meu-primeiro-texto-lá-no-medium">Este texto é de 2015. Algumas coisas ainda fazem sentido nele, outras nem um pouco mais. Você pode encontrar algumas palavras problemáticas que hoje eu já tenha tirado do meu vocabulário. Leve isso em consideração, por favor. Hoje eu já acho este um texto meio bobo mas, mesmo assim, vale aqui o registro até pela coincidência — ou recorrência — do tema e por este ter sido meu primeiro texto lá no Medium.</h4>

<p>—</p>

<p>De tempos em tempos eu invento de testar uma nova plataforma de escrita. Desde os serviços online mais comuns como o [quase falecido] Blogger, até o [morto e enterrado] Fotolog eu já testei. Pois é, eu usava o Fotolog para escrever. Já testei, também, alguns aplicativos offline bonitinhos como o Ommwriter, que é bacana se você precisa de uma vibe meio “namastê”, sem distrações e com uma música (meio chatinha, confesso) de fundo. De todos, o meu preferido mesmo é o Bloco de Notas do Windows. Eu gosto do visual cru, da Lucida Console padrão e, de fundo, a música que condiz com meu estado de espírito. </p>

<p>Nenhum deles, porém, funcionou tão bem como meu bom e velho diário da adolescência — um caderno em espiral com uma capa esquisita, onde nem ônibus cheios e em movimento poderiam deter páginas e páginas escritas a lápis sob as fungadas catarrentas que a Legião Urbana (tão brega ❤) e as desgraças da vida de adolescente me arrancavam.</p>

<p>Não sei por quê eu passei anos sem escrever. Acho que foi uma fase ruim. Um fase de perdição e de muitos questionamentos. Muitos deles que só agora, com certa maturidade, eu consegui encontrar respostas, me livrar de algumas amarras e assumir posicionamentos que me despertaram novamente a vontade, a necessidade de escrever regularmente.</p>

<p>Cá estou eu em mais uma tentativa, em uma nova plataforma para mim, tentando voltar a escrever.</p>

<p>Eu sou uma pessoa introspectiva (apesar de fazer pouco tempo que descobri que o “meu jeitinho” tinha um nome), e por isso, ou por ser quem eu sou, eu falo muito pouco sobre minhas incertezas. Além disso, eu sou uma pessoa ansiosa. A consequência disso tudo é sempre estar à beira da loucura e já ter passado por algumas crises de ansiedade até conseguir desabafar com alguém. Na minha adolescência a escrita regular me ajudava muito a ter uma vida mais próxima do normal, porque eu ia descarregando toda minha angústia aos poucos em cada folha e elas não se juntavam todas dentro de mim até não existir mais nenhum espaço livre. E eu sinto falta de ter uma vida próxima do normal. Sinto falta também de quando eu escrevia sem meus próprios julgamentos, sem pensar o que pensariam sobre eu ter escolhido palavra x e não um sinônimo rebuscado. Pode até parecer um pouco incoerente com a escolha desta nova plataforma, mas sei lá, essas coisas as vezes não tem muita coerência mesmo.</p>

<p>Aliás, preciso agradecer uma pessoa, a Aline Valek, que me fez ver que para escrever “bem” eu não preciso nenhum pouco usar daquelas palavras que farão o leitor ter que consultar o dicionário. Receber sua newsletter (assinem, assinem, assinem!) toda manhã de sábado é como encontrar uma amiga querida, que vem jogar conversa fora ou vem para dar aqueles conselhos que mudam nossa vida (mesmo que essa nossa amiga não tenha a menor ideia dessa sua incrível capacidade). Nunca escrevi a ela, no entanto, porque <strong>morro de vergonha</strong>. Mas quem sabe um dia...</p>

<p>Então é isso. Uma nova tentativa, um novo lugar, novos pensamentos. Uma vez por semana talvez eu apareça por aqui. O dia? Ainda não sei, vamos nos ajustando conforme eu me estruturar (e o TCC deixar). Só não posso garantir que vai dar certo desta vez, ou se vai dar certo do jeito que você espera. Dessa vez eu não espero nada, a minha nova estratégia é não criar expectativas e “deixar a vida me levar”.</p>

<p>—</p>

<p><em>texto originalmente publicado em: 12 de setembro de 2015.</em></p>
]]></content:encoded>
      <author>Amarelo Gemada</author>
      <guid>https://blog.bantu.social/read/a/q251n4lwg1</guid>
      <pubDate>Tue, 24 Nov 2020 00:15:19 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>Um teste vale a pena</title>
      <link>https://blog.bantu.social/amarelo-gemada/um-teste-vale-a-pena</link>
      <description>&lt;![CDATA[strongAmarelo Gemada/strong era o nome da minha antiga newsletter. Sob este nome eu também publicava alguns textos no Medium.&#xA;&#xA;Hoje a minha newsletter se chama strongNada, não!/strong&#xA;&#xA;Achei bem interessante a possibilidade de separar a minha conta em vários blogs diferentes. Pensei em assim organizar meus antigos escritos, que fiz pelo Amarelo Gemada, e os novos que podem sair como backup da nova newsletter. Assim, quem quiser que leia sem precisar me fornecer um e-mail.&#xA;&#xA;Por enquanto este post serve como teste para ver como as coisas funcionam por aqui. Aos poucos vou organizando a casa.&#xA;&#xA;Espero que gostem. :)&#xA;&#xA;]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p><strong>Amarelo Gemada</strong> era o nome da minha antiga newsletter. Sob este nome eu também publicava alguns textos no Medium.</p>

<p>Hoje a minha newsletter se chama <strong>Nada, não!</strong></p>

<p>Achei bem interessante a possibilidade de separar a minha conta em vários blogs diferentes. Pensei em assim organizar meus antigos escritos, que fiz pelo Amarelo Gemada, e os novos que podem sair como backup da nova newsletter. Assim, quem quiser que leia sem precisar me fornecer um e-mail.</p>

<p>Por enquanto este post serve como teste para ver como as coisas funcionam por aqui. Aos poucos vou organizando a casa.</p>

<p>Espero que gostem. :)</p>
]]></content:encoded>
      <author>Amarelo Gemada</author>
      <guid>https://blog.bantu.social/read/a/as2lwogk71</guid>
      <pubDate>Mon, 23 Nov 2020 23:30:51 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>Quando se tem foco seletivo</title>
      <link>https://blog.bantu.social/gustavo22soares/quando-se-tem-foco-seletivo</link>
      <description>&lt;![CDATA[Um dos meus piores problemas além da procrastinação é a falta de foco diria que meu foco é bastante seletivo ao mesmo tempo em que eu posso me concentrar em uma função exercendo outra me distraio com qualquer coisa brilhante, eu perco a vontade de fazer tudo o que não for relacionado a minha paixão do momento.&#xA;Eu posso fazer algo por horas sem perder a concentração basta que eu esteja interessado e isso acaba pesando para outras coisas que deixo de fazer, eu realmente gostaria de ter esse foco para tudo na minha vida.&#xA;&#xA;mas isso não seria procrastinação?&#xA;&#xA;Acho que procrastinação é algo causado pela minha falta de foco mas também tem um pouco de ansiedade de como se eu fosse algo que eu tenha que fazer mas existe um peso enorme que me impede de fazer o que me acaba levando a frustração&#xA;&#xA;então...  &#xA;Para mim desde que sair do ensino médio vem sendo terrível em questão de se manter o foco em algo que eu não queira, principalmente em matérias da universidade é como se eu perdesse todo apoio pedagógico que tinha e com isso perdi todo o rumo e não consigo mais acompanhar, por muito tempo me senti perdido...&#xA;Com o tempo fui me entendo e me encontrando e hoje entendo que não adianta muito me forçar eu não tenho foco para muitas coisas que eu gostaria de fazer e quem sabe um dia eu faça.&#xA;O fato é que não me sentir atraído a estudar nada das matérias que peguei esse semestre na verdade não me sinto mais atraído por nada nesse curso, isso me leva a me perguntar sobre meu futuro, poderia estar tendo uma carreira brilhante de programador agora mesmo, mas acabo me atraindo por trabalhos repetitivos e classificativos, eu com certeza serei facilmente substituído por uma IA, trabalhos de organização são com certeza meu forte.&#xA;&#xA;Este texto serve como um lembrete que eu tenho sim qualidades talvez só esteja indo para área errada em qual meus fortes não sejam necessários.&#xA;talvez meu hiperfoco seja bom para outras coisa mas não para programar...]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Um dos meus piores problemas além da procrastinação é a falta de foco diria que meu foco é bastante seletivo ao mesmo tempo em que eu posso me concentrar em uma função exercendo outra me distraio com qualquer coisa brilhante, eu perco a vontade de fazer tudo o que não for relacionado a minha paixão do momento.
Eu posso fazer algo por horas sem perder a concentração basta que eu esteja interessado e isso acaba pesando para outras coisas que deixo de fazer, eu realmente gostaria de ter esse foco para tudo na minha vida.</p>

<h3 id="mas-isso-não-seria-procrastinação">mas isso não seria procrastinação?</h3>

<p>Acho que procrastinação é algo causado pela minha falta de foco mas também tem um pouco de ansiedade de como se eu fosse algo que eu tenha que fazer mas existe um peso enorme que me impede de fazer o que me acaba levando a frustração</p>

<h3 id="então">então...</h3>

<p>Para mim desde que sair do ensino médio vem sendo terrível em questão de se manter o foco em algo que eu não queira, principalmente em matérias da universidade é como se eu perdesse todo apoio pedagógico que tinha e com isso perdi todo o rumo e não consigo mais acompanhar, por muito tempo me senti perdido...
Com o tempo fui me entendo e me encontrando e hoje entendo que não adianta muito me forçar eu não tenho foco para muitas coisas que eu gostaria de fazer e quem sabe um dia eu faça.
O fato é que não me sentir atraído a estudar nada das matérias que peguei esse semestre na verdade não me sinto mais atraído por nada nesse curso, isso me leva a me perguntar sobre meu futuro, poderia estar tendo uma carreira brilhante de programador agora mesmo, mas acabo me atraindo por trabalhos repetitivos e classificativos, eu com certeza serei facilmente substituído por uma IA, trabalhos de organização são com certeza meu forte.</p>

<p>Este texto serve como um lembrete que eu tenho sim qualidades talvez só esteja indo para área errada em qual meus fortes não sejam necessários.
talvez meu hiperfoco seja bom para outras coisa mas não para programar...</p>
]]></content:encoded>
      <author>Gustavo Soares</author>
      <guid>https://blog.bantu.social/read/a/32ut70dsp2</guid>
      <pubDate>Sat, 14 Nov 2020 20:01:17 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>A bantu.social, sua história e seu possível futuro</title>
      <link>https://blog.bantu.social/bantu/a-bantu-social-sua-historia-e-seu-possivel-futuro</link>
      <description>&lt;![CDATA[Em 2020 foi quando eu criei minha conta na instância mastodon.social, a primeira vez que eu fui utilizar uma instância Mastodon e fiz bons amigos lá. Após um tempo, preferi deletar minha conta e dedicar um tempo offline para minha saúde. Mas após um momento de saudade, mais pro meio do ano voltei e dessa vez fui para mstdn.social e reencontrei aquelas pessoas queridas. !--more--&#xA;&#xA;Vendo instâncias como queer.party e colorid.es. Percebi a importância de se organizar na internet em um espaço seguro para pessoas semelhantes. E foi em uma tarde, 5 de Agosto que eu perguntei: Vou fazer uma instância para pessoas pretas e pardas brasileiras. Sugestões de nome?&#xA;&#xA;Então meu mano André Farias me respondeu e começamos a pensar em nomes. Depois de várias sugestões, vi que o domínio bantu.social estava disponível. Pouco tempo depois, a instância Mastodon da bantu.social estava aberta para cadastros.&#xA;&#xA;Foi muito importante ver pessoas vindo se cadastrar na bantu, mostrou que fazia sim sentido ter uma instância para acolher pessoas não-brancas. E ver pessoas vindo de lugares como masto.donte.com.br e (mastodon.com.br)[https://mastodon.com.br], que são referência em instâncias brasileiras, mostrou que a ideia fazia sentido.&#xA;&#xA;Mas o que é &#34;bantu.social&#34;?&#xA;&#xA;Bantu é um grupo etnolinguístico da África subsariana. E &#34;social&#34; é sobre sociedade, não somente sobre &#34;redes sociais&#34;.&#xA;&#xA;Mapa do continente africano, mostrando a distribuição do grupo etnolinguístico Bantu&#xA;&#xA;E como todos os povos vieram da África, a decisão foi que a instância fosse para pessoas não-brancas falantes do português. Por isso, aceitamos diversas etnias e cores. Independente de nacionalidade, formatos de corpos, gêneros, identidade e orientação sexual, religião ou orientação política.&#xA;&#xA;E não queremos ser somente um instância Mastodon, sim um espaço para que pessoas não-brancas possam se expressar na internet. Por isso fez muito sentido a criação de uma instância do Writefreely, para que possam ser criados blogs simples, sem rastreadores, propagandas, paywall, etc. E assim nasceu a blog.bantu.social.&#xA;&#xA;E o futuro?&#xA;&#xA;O futuro é obviamente incerto, mas já temos uma base sólida de usuários e queremos incluir cada vez mais pessoas. Porém com o dólar americano custando R$5 em Novembro de 2020, o custo poderia escalar e ficar inviável com o tempo. Por isso, após três meses desde a criação, enviei um email para o Linode. Falando sobre a bantu.social, sobre mim e perguntando se a bantu poderia se incluída na politica de Responsabilidade Social da empresa.&#xA;&#xA;E para minha surpresa, poucas horas depois recebo uma resposta dizendo que recebi créditos para que a bantu fique no ar por aproximadamente um ano.&#xA;&#xA;Então... respondendo a pergunta: Mesmo que o futuro seja incerto, queria agradecer todos vocês que de uma forma ou de outra fizeram parte desses três meses e dizer saímos do &#34;beta&#34; e agora espero atingir cada vez mais pessoas. :)&#xA;&#xA;Quer fazer parte?&#xA;&#xA;Instância Mastodon&#xA;&#xA;Se quiser fazer parte da bantu.social, pode se cadastrar na nossa instância Mastodon em https://bantu.social/. Não se esqueça de prencher o campo &#34;Por que você deseja criar uma conta aqui?&#34;. :)&#xA;&#xA;Instância WriteFreely&#xA;&#xA;Se quiser criar um blog aqui, você pode me pedir um convite diretamente no Mastodon ou então me enviar um email pedindo um convite. :)&#xA;&#xA;Tamo junto! o/]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Em 2020 foi quando eu criei minha conta na instância <a href="https://mastodon.social/" rel="nofollow">mastodon.social</a>, a primeira vez que eu fui utilizar uma instância Mastodon e fiz bons amigos lá. Após um tempo, preferi deletar minha conta e dedicar um tempo offline para minha saúde. Mas após um momento de saudade, mais pro meio do ano voltei e dessa vez fui para <a href="mstdn.social/" rel="nofollow">mstdn.social</a> e reencontrei aquelas pessoas queridas. </p>

<p>Vendo instâncias como <a href="https://queer.party/" rel="nofollow">queer.party</a> e <a href="https://colorid.es/" rel="nofollow">colorid.es</a>. Percebi a importância de se organizar na internet em um espaço seguro para pessoas semelhantes. E foi em uma tarde, <a href="https://mstdn.social/@dobrado/104638619936502852" rel="nofollow">5 de Agosto</a> que eu perguntei: Vou fazer uma instância para pessoas pretas e pardas brasileiras. Sugestões de nome?</p>

<p>Então meu mano André Farias me respondeu e começamos a pensar em nomes. Depois de várias sugestões, vi que o domínio bantu.social estava disponível. Pouco tempo depois, a instância Mastodon da <a href="https://bantu.social" rel="nofollow">bantu.social</a> estava aberta para cadastros.</p>

<p>Foi muito importante ver pessoas vindo se cadastrar na bantu, mostrou que fazia sim sentido ter uma instância para acolher pessoas não-brancas. E ver pessoas vindo de lugares como <a href="https://masto.donte.com.br/" rel="nofollow">masto.donte.com.br</a> e (mastodon.com.br)[<a href="https://mastodon.com.br" rel="nofollow">https://mastodon.com.br</a>], que são referência em instâncias brasileiras, mostrou que a ideia fazia sentido.</p>

<h2 id="mas-o-que-é-bantu-social">Mas o que é “bantu.social”?</h2>

<p>Bantu é um grupo etnolinguístico da África subsariana. E “social” é sobre sociedade, não somente sobre “redes sociais”.</p>

<p><img src="https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/5/50/Niger-Congo_map.png/1024px-Niger-Congo_map.png" alt="Mapa do continente africano, mostrando a distribuição do grupo etnolinguístico Bantu"></p>

<p>E como todos os povos vieram da África, a decisão foi que a instância fosse para pessoas não-brancas falantes do português. Por isso, aceitamos diversas etnias e cores. Independente de nacionalidade, formatos de corpos, gêneros, identidade e orientação sexual, religião ou orientação política.</p>

<p>E não queremos ser somente um instância Mastodon, sim um espaço para que pessoas não-brancas possam se expressar na internet. Por isso fez muito sentido a criação de uma instância do <a href="https://writefreely.org/" rel="nofollow">Writefreely</a>, para que possam ser criados blogs simples, sem rastreadores, propagandas, paywall, etc. E assim nasceu a <a href="https://blog.bantu.social/" rel="nofollow">blog.bantu.social</a>.</p>

<h2 id="e-o-futuro">E o futuro?</h2>

<p>O futuro é obviamente incerto, mas já temos uma base sólida de usuários e queremos incluir cada vez mais pessoas. Porém com o dólar americano custando R$5 em Novembro de 2020, o custo poderia escalar e ficar inviável com o tempo. Por isso, após três meses desde a criação, enviei um email para o Linode. Falando sobre a bantu.social, sobre mim e perguntando se a bantu poderia se incluída na politica de <a href="https://www.linode.com/pt/change/" rel="nofollow">Responsabilidade Social</a> da empresa.</p>

<p>E para minha surpresa, poucas horas depois recebo uma resposta dizendo que recebi créditos para que a bantu fique no ar por aproximadamente um ano.</p>

<p>Então... respondendo a pergunta: Mesmo que o futuro seja incerto, queria agradecer todos vocês que de uma forma ou de outra fizeram parte desses três meses e dizer saímos do “beta” e agora espero atingir cada vez mais pessoas. :)</p>

<h2 id="quer-fazer-parte">Quer fazer parte?</h2>

<h4 id="instância-mastodon">Instância Mastodon</h4>

<p>Se quiser fazer parte da bantu.social, pode se cadastrar na nossa instância Mastodon em <a href="https://bantu.social/" rel="nofollow">https://bantu.social/</a>. Não se esqueça de prencher o campo “Por que você deseja criar uma conta aqui?”. :)</p>

<h4 id="instância-writefreely">Instância WriteFreely</h4>

<p>Se quiser criar um blog aqui, você pode me pedir um convite diretamente no Mastodon ou então me enviar um <a href="mailto:dobrado@tutanota.com" rel="nofollow">email</a> pedindo um convite. :)</p>

<p>Tamo junto! o/</p>
]]></content:encoded>
      <author>bantu</author>
      <guid>https://blog.bantu.social/read/a/thk4da60sm</guid>
      <pubDate>Tue, 10 Nov 2020 12:41:31 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>Hello world! </title>
      <link>https://blog.bantu.social/brenno/hello-world</link>
      <description>&lt;![CDATA[Hello world! ]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Hello world!</p>
]]></content:encoded>
      <author>brenno</author>
      <guid>https://blog.bantu.social/read/a/p7pmdzcabw</guid>
      <pubDate>Fri, 06 Nov 2020 11:56:29 +0000</pubDate>
    </item>
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