blog.bantu.social

Posts

Últimos posts da blogs.bantu.social.

from Amarelo Gemada

Este texto é de 2015. Algumas coisas ainda fazem sentido nele, outras nem um pouco mais. Você pode encontrar algumas palavras problemáticas que hoje eu já tenha tirado do meu vocabulário. Leve isso em consideração, por favor. Hoje eu já acho este um texto meio bobo mas, mesmo assim, vale aqui o registro até pela coincidência — ou recorrência — do tema e por este ter sido meu primeiro texto lá no Medium.

De tempos em tempos eu invento de testar uma nova plataforma de escrita. Desde os serviços online mais comuns como o [quase falecido] Blogger, até o [morto e enterrado] Fotolog eu já testei. Pois é, eu usava o Fotolog para escrever. Já testei, também, alguns aplicativos offline bonitinhos como o Ommwriter, que é bacana se você precisa de uma vibe meio “namastê”, sem distrações e com uma música (meio chatinha, confesso) de fundo. De todos, o meu preferido mesmo é o Bloco de Notas do Windows. Eu gosto do visual cru, da Lucida Console padrão e, de fundo, a música que condiz com meu estado de espírito.

Nenhum deles, porém, funcionou tão bem como meu bom e velho diário da adolescência — um caderno em espiral com uma capa esquisita, onde nem ônibus cheios e em movimento poderiam deter páginas e páginas escritas a lápis sob as fungadas catarrentas que a Legião Urbana (tão brega ❤) e as desgraças da vida de adolescente me arrancavam.

Não sei por quê eu passei anos sem escrever. Acho que foi uma fase ruim. Um fase de perdição e de muitos questionamentos. Muitos deles que só agora, com certa maturidade, eu consegui encontrar respostas, me livrar de algumas amarras e assumir posicionamentos que me despertaram novamente a vontade, a necessidade de escrever regularmente.

Cá estou eu em mais uma tentativa, em uma nova plataforma para mim, tentando voltar a escrever.

Eu sou uma pessoa introspectiva (apesar de fazer pouco tempo que descobri que o “meu jeitinho” tinha um nome), e por isso, ou por ser quem eu sou, eu falo muito pouco sobre minhas incertezas. Além disso, eu sou uma pessoa ansiosa. A consequência disso tudo é sempre estar à beira da loucura e já ter passado por algumas crises de ansiedade até conseguir desabafar com alguém. Na minha adolescência a escrita regular me ajudava muito a ter uma vida mais próxima do normal, porque eu ia descarregando toda minha angústia aos poucos em cada folha e elas não se juntavam todas dentro de mim até não existir mais nenhum espaço livre. E eu sinto falta de ter uma vida próxima do normal. Sinto falta também de quando eu escrevia sem meus próprios julgamentos, sem pensar o que pensariam sobre eu ter escolhido palavra x e não um sinônimo rebuscado. Pode até parecer um pouco incoerente com a escolha desta nova plataforma, mas sei lá, essas coisas as vezes não tem muita coerência mesmo.

Aliás, preciso agradecer uma pessoa, a Aline Valek, que me fez ver que para escrever “bem” eu não preciso nenhum pouco usar daquelas palavras que farão o leitor ter que consultar o dicionário. Receber sua newsletter (assinem, assinem, assinem!) toda manhã de sábado é como encontrar uma amiga querida, que vem jogar conversa fora ou vem para dar aqueles conselhos que mudam nossa vida (mesmo que essa nossa amiga não tenha a menor ideia dessa sua incrível capacidade). Nunca escrevi a ela, no entanto, porque morro de vergonha. Mas quem sabe um dia...

Então é isso. Uma nova tentativa, um novo lugar, novos pensamentos. Uma vez por semana talvez eu apareça por aqui. O dia? Ainda não sei, vamos nos ajustando conforme eu me estruturar (e o TCC deixar). Só não posso garantir que vai dar certo desta vez, ou se vai dar certo do jeito que você espera. Dessa vez eu não espero nada, a minha nova estratégia é não criar expectativas e “deixar a vida me levar”.

texto originalmente publicado em: 12 de setembro de 2015.

 
Leia mais...

from Amarelo Gemada

Amarelo Gemada era o nome da minha antiga newsletter. Sob este nome eu também publicava alguns textos no Medium.

Hoje a minha newsletter se chama Nada, não!

Achei bem interessante a possibilidade de separar a minha conta em vários blogs diferentes. Pensei em assim organizar meus antigos escritos, que fiz pelo Amarelo Gemada, e os novos que podem sair como backup da nova newsletter. Assim, quem quiser que leia sem precisar me fornecer um e-mail.

Por enquanto este post serve como teste para ver como as coisas funcionam por aqui. Aos poucos vou organizando a casa.

Espero que gostem. :)

 
Leia mais...

from 22

Primeira postagem da minha série de recomendações. Costumo fazer recomendações direto no mastodon, mas muitas acabam se perdendo com o tempo. Aqui, vou poder entrar em mais detalhes sobre porque gostei disso e daquilo outro, e também vou ter um arquivo mais organizado dessas recomendações, yay! Não esperem nada muito profundo, não vai ter.

Então, vamo lá!

Álbum: RISE Artista: Willow, Jahnavi Harrison Data de lançamento: 20 de novembro de 2020 Gravadora: MSFTSMusic / Roc Nation Records, LLC

Foi uma ótima surpresa acordar e ver vários vídeos upados no canal da Willow no YouTube. Corri para ver o que era, para saber sobre o que era e descobri que ela lançou um álbum com 6 faixas em colaboração com Jahnavi Harrison chamado “RISE”.

Willow é a Willow Smith. Aquela mesma que lançou Whip My Hair no auge dos seus 10 anos, mostrou seu vozeirão e virou promessa.

Promessa que se concretizou, né? Com 20 anos, Willow já demonstra que encontrou seu caminho e traz um trabalho muito maduro. Seu álbum homônimo mostra quem ela é, seus anseios e como ela vê o mundo e isso faz com que eu me identifique. O RISE parece dar sequência a esse processo de mostrar sua identidade, que tem muito a ver com se entender parte do todo.

Não conhecia a Jahnavi Harrison, britânica que canta mantras e músicas para meditação. Mas senti que teve tudo a ver as duas se juntarem para esse álbum. A Jahnavi, os mantras, a intercalação entre inglês e sânscrito, tudo funcionou. Acho que será um álbum que eu ouvirei muito, assim como é o WILLOW.

Música preferida: Gajendra

Unlimited, original, sweet, subtle Deepest of the deep

Acho que esse trecho de Gajendra descreve bem esse álbum e o sentimento que ele desvela quando você o escuta.

Escute na sua plataforma de streaming preferida: RISE – Willow, Jahnavi Harrison

#bantuMusica #recomendo

 
Leia mais...

from dobrado

Há dois anos apareceu um quadrado preto no céu. Acharam que era alienígena, que eram deuses enfurecidos, que era buraco de minhoca. Aliás, deram nome de Buraco de Hawking, em homenagem ao finado cientista. Não sei se eu gostaria de ter um buraco com meu nome, depois de morrer.

E isso nem parece um buraco, sabe? É quadrado. Ninguém faz um buraco quadrado. E ele nem tem fundo, todo buraco tem fundo. No primeiro dia tentaram ilumina-lo, apontaram um laser para medir a distância e nada aconteceu. O laser simplesmente entrou pelo buraco e não conseguiram ver até onde ele ia. O tal do Elon Musk tentou enviar um foguete pra lá uns meses atrás. Durante a live a nave entrou e “caiu”. Digo “caiu” porque adentrou pelo buraco e voltou como se tivesse acabado o combustível, mesmo que os propulsores ainda cuspisse fogo como dragões. O foguete simplesmente parou de subir, sua ponta pendeu e voltou para a terra em uma velocidade absurda. Dizem que não sobrou nada do carro elétrico que estava lá dentro.

Mas nem é só isso, o buraco aparece para todos no céu. Por exemplo, eu aqui no Uruguai vejo o mesmo buraco que um surfista australiano, ao mesmo tempo e no mesmo “lugar”. Um YouTuber pegou um carro esses tempos e decidiu filmar o buraco enquanto andava em linha reta. Chegou na Venezuela, pouco depois da fronteira ele desceu do carro, xingou seu patrocinador e decidiu voltar. Parece que voltou a trabalhar no escritório do pai depois disso. Um velho esquisito brasileiro disse que isso é a “redoma da terra plana que quebrou”. Queria muito perguntar pra ele como uma redoma quebra em um quadrado perfeito.

Teve um pastor americano que disse que era o fim do mundo. E que esse buraco precedia o Apocalipse. Ele, o buraco não o pastor, ia crescer e tomar conta dos céus e o dia viraria trevas. Ainda tô esperando por isso, pelo menos podia chegar antes do verão. Mas nem culpo tanto ele, tiveram muitos físicos e astrônomos que rasgaram seus diplomas e viraram hippies. Os astrólogos por outro lado, agora inventaram um novo signo.

Enquanto isso continuamos nossa vida normalmente. Vamos trabalhar, falamos sobre o buraco na hora do almoço, o Ilhan conta piadas ruins sobre o buraco desde o dia zero. A copeira do escritório comenta que o buraco no céu fez a filha dela engravidar. E meu chefe diz que esse buraco é uma forma totalmente nova de empreender e diz que ainda não descobriu como. Na verdade ele queria ter fundado aquela startup que leva influencers de balão até o buraco para eles tirarem selfie.

Eu? Eu acho que é um dead pixel. Alguém precisa trocar o monitor de deus.

Tipo

#contos

 
Read more...

from Gustavo Soares

Um dos meus piores problemas além da procrastinação é a falta de foco diria que meu foco é bastante seletivo ao mesmo tempo em que eu posso me concentrar em uma função exercendo outra me distraio com qualquer coisa brilhante, eu perco a vontade de fazer tudo o que não for relacionado a minha paixão do momento. Eu posso fazer algo por horas sem perder a concentração basta que eu esteja interessado e isso acaba pesando para outras coisas que deixo de fazer, eu realmente gostaria de ter esse foco para tudo na minha vida.

mas isso não seria procrastinação?

Acho que procrastinação é algo causado pela minha falta de foco mas também tem um pouco de ansiedade de como se eu fosse algo que eu tenha que fazer mas existe um peso enorme que me impede de fazer o que me acaba levando a frustração

então...

Para mim desde que sair do ensino médio vem sendo terrível em questão de se manter o foco em algo que eu não queira, principalmente em matérias da universidade é como se eu perdesse todo apoio pedagógico que tinha e com isso perdi todo o rumo e não consigo mais acompanhar, por muito tempo me senti perdido... Com o tempo fui me entendo e me encontrando e hoje entendo que não adianta muito me forçar eu não tenho foco para muitas coisas que eu gostaria de fazer e quem sabe um dia eu faça. O fato é que não me sentir atraído a estudar nada das matérias que peguei esse semestre na verdade não me sinto mais atraído por nada nesse curso, isso me leva a me perguntar sobre meu futuro, poderia estar tendo uma carreira brilhante de programador agora mesmo, mas acabo me atraindo por trabalhos repetitivos e classificativos, eu com certeza serei facilmente substituído por uma IA, trabalhos de organização são com certeza meu forte.

Este texto serve como um lembrete que eu tenho sim qualidades talvez só esteja indo para área errada em qual meus fortes não sejam necessários. talvez meu hiperfoco seja bom para outras coisa mas não para programar...

 
Leia mais...

from dobrado

Era domingo e acordei cedo. Lavei o rosto como quem limpa a vergonha na pia e antes mesmo de escovar os dentes, senti que precisava de um café da manhã. Mas nada saudável, sim aquele pastel engordurado frito em óleo velho que não serve nem para fazer biodiesel. Coloquei o chinelo velho e desci a rua cheia de carros encostados no meio fio da já pequena calçada.

Após alguns passos largos com os olhos ainda pesados de sono, avistei no final da rua a feira. Aquele monte de barracas com cobertas de lonas coloridas, a diversidade de tons combinavam com os gritos a plenos pulmões das pessoas tentando vender seus produtos. Era dia de feita.

— Ô tia, me vê um pastel de carne seca com queijo.

— Pastel de carne com! — o grito saiu com o mesmo dinamismo que ela virou para atender o outro cliente que havia chegado instantes depois.

Sempre achei engraçado como eles se organizam e sabem quais sabores estão dentro daqueles pasteis idênticos, engavetados como se fossem tediosos arquivos de um escritório qualquer de contabilidade. Busquei com os olhos a pimenta, que estava do outro lado da barraca, fui atrás delas cuidando para que pudesse avisar a dia do pastel do mes deslocamento repentino.

— Vai comer agora?

— Sim!

Ela lembrou de mim e do meu pedido. Me viu do outro lado da barraca e acertou o pastel. Adoro carne seca com queijo, com pimenta então... Uma delícia! Ela é bem observadora? Será anos de prática?

— Nossa! Você tá grávida, filha? — A coragem da tia em disparar um questionamento tão simples e polêmico foi acompanhado de um sorriso rápido enquanto colocava alguns pastéis na sacola. Gelei por um momento, o tempo desacelerou e eu imaginei uma catástrofe. E se a menina não estivesse grávida e apenas exagerado um pouco na comida nos últimos meses? Que intimidade era essa? Será que se conheciam?

— Sim, estou de 4 meses. — Ufa! essa foi por pouco.

— E o pai? Vai assumir? — Apesar da indiscrição, o jeito doce e simples que imperava na voz não ofendia a quem era dirigida.

— Não, ele fugiu.

A garota sai levando alguns pasteis e a tia do comenta, observando ela indo embora — Tadinha, lembro dela vindo pra cá comprar pastel com a mãe, e agora ta grávida. — Eu com os pensamentos embaralhados questiono como ela tinha certeza que a menina estava grávida? Talvez seja coisa de mulher. Nunca saberei, mas ainda tenho fome. — Tia, me vê um pastel de franco com catupiry?

— Frango com!

Ela tem boa memória e é bem observadora. Deve ser muitos anos de trabalho. Ou será que ela faz isso com alguma intenção? Hm, não… Por que ela faria isso? Ela é só a atentende da barraca, a não ser que ela fosse uma agente secreta com treinamento. Mas o que ela faria aqui nesse bairro tão pacato e cheio de idosos?

— Oi, queria pedir uns pastéis: dois de carne, dois de frango com catupiry e um de calabresa.

— Dois carne, dois frango e um calabresa! Faz tempo que você não vem aqui, hein? Tava de férias?

— Não, tava trabalhando em dias diferentes.

— Ah é? Você trabalha na barraca daquela senhora morena, né?

“Senhora morena”, poupe-me. Isso descreve metade da feira.

— Isso mesmo. Nas últimas semanas eu fiquei de folga domingo, tava na semana. — Ela jogou verde e deu certo, deve ser só simpatia.

— Ah, que bom ter uma folga né? Toma aqui os seus pastéis. E manda lembranças pra dona Cristina.

— Obrigada, mando sim!

Ela sabia mesmo o nome da senhora. Começo a imaginar que ela seja uma agente secreta. Talvez tenha algum ex-tenente nazista na região, foragido e cheio de ideias perigosas da segunda guerra. O que não é de se espantar, afinal só tem idosos aqui no bairro.

— Tia, cobra pra mim?

— Um carne seca com queijo e um de frango, né? 9 reais.

— Aqui, pode ficar com troco.

— Obrigada, volte sempre. Mande lembranças pra namorada.

— Mando sim.

Eu nunca vim com minha namorada nesse barraca. Ela deve ser uma agente secreta mesmo. Talvez uma espiã da MI5. Percebi que ela pronuncia o “a” de maneira peculiar. Aquele pastel de carne seca com queijo tava super bom. Acho que vou voltar aqui semana que vem.

Tipo

#contos

 
Read more...

from bantu

Em 2020 foi quando eu criei minha conta na instância mastodon.social, a primeira vez que eu fui utilizar uma instância Mastodon e fiz bons amigos lá. Após um tempo, preferi deletar minha conta e dedicar um tempo offline para minha saúde. Mas após um momento de saudade, mais pro meio do ano voltei e dessa vez fui para mstdn.social e reencontrei aquelas pessoas queridas.

Vendo instâncias como queer.party e colorid.es. Percebi a importância de se organizar na internet em um espaço seguro para pessoas semelhantes. E foi em uma tarde, 5 de Agosto que eu perguntei: Vou fazer uma instância para pessoas pretas e pardas brasileiras. Sugestões de nome?

Então meu mano André Farias me respondeu e começamos a pensar em nomes. Depois de várias sugestões, vi que o domínio bantu.social estava disponível. Pouco tempo depois, a instância Mastodon da bantu.social estava aberta para cadastros.

Foi muito importante ver pessoas vindo se cadastrar na bantu, mostrou que fazia sim sentido ter uma instância para acolher pessoas não-brancas. E ver pessoas vindo de lugares como masto.donte.com.br e (mastodon.com.br)[https://mastodon.com.br], que são referência em instâncias brasileiras, mostrou que a ideia fazia sentido.

Mas o que é “bantu.social”?

Bantu é um grupo etnolinguístico da África subsariana. E “social” é sobre sociedade, não somente sobre “redes sociais”.

Mapa do continente africano, mostrando a distribuição do grupo etnolinguístico Bantu

E como todos os povos vieram da África, a decisão foi que a instância fosse para pessoas não-brancas falantes do português. Por isso, aceitamos diversas etnias e cores. Independente de nacionalidade, formatos de corpos, gêneros, identidade e orientação sexual, religião ou orientação política.

E não queremos ser somente um instância Mastodon, sim um espaço para que pessoas não-brancas possam se expressar na internet. Por isso fez muito sentido a criação de uma instância do Writefreely, para que possam ser criados blogs simples, sem rastreadores, propagandas, paywall, etc. E assim nasceu a blog.bantu.social.

E o futuro?

O futuro é obviamente incerto, mas já temos uma base sólida de usuários e queremos incluir cada vez mais pessoas. Porém com o dólar americano custando R$5 em Novembro de 2020, o custo poderia escalar e ficar inviável com o tempo. Por isso, após três meses desde a criação, enviei um email para o Linode. Falando sobre a bantu.social, sobre mim e perguntando se a bantu poderia se incluída na politica de Responsabilidade Social da empresa.

E para minha surpresa, poucas horas depois recebo uma resposta dizendo que recebi créditos para que a bantu fique no ar por aproximadamente um ano.

Então... respondendo a pergunta: Mesmo que o futuro seja incerto, queria agradecer todos vocês que de uma forma ou de outra fizeram parte desses três meses e dizer saímos do “beta” e agora espero atingir cada vez mais pessoas. :)

Quer fazer parte?

Instância Mastodon

Se quiser fazer parte da bantu.social, pode se cadastrar na nossa instância Mastodon em https://bantu.social/. Não se esqueça de prencher o campo “Por que você deseja criar uma conta aqui?”. :)

Instância WriteFreely

Se quiser criar um blog aqui, você pode me pedir um convite diretamente no Mastodon ou então me enviar um email pedindo um convite. :)

Tamo junto! o/

 
Read more...

from 22

Em novembro, mês em que ocorre o Dia da Consciência Negra, o Grupo de Trabalho Relações Étnico-Raciais e Decolonialidades (GT-RERAD) está realizando ações para celebrar a Biblioteconomia e as pessoas bibliotecárias negras.

Como bibliotecária negra, graduada em uma universidade pública do Nordeste e que só teve dois professores negros durante sua formação, qualquer ação positiva para divulgar e celebrar esses profissionais me alegra.

Quase toda minha graduação, eu me dediquei à pesquisa. E, nesse sentido, eu sempre quis escrever sobre temáticas étnico-raciais relacionando-as com as questões de informação, seja criticando os instrumentos de organização do conhecimento, seja discutindo mediação da informação de/para a população negra, ou até mesmo identificando o que é produzido sobre o tema pela comunidade científica. Escrevi dois projetos de mestrado sobre, um deles aprovado, mas não levei nenhum adiante. Surgiu um medo de que eu fosse a bibliotecária/pesquisadora negra que só fala de questões negras e não produz “ciência de verdade”.

Em 1996, Lorna Petterson, uma bibliotecária estadunidense, já apontava que os estudos sobre questões raciais na Biblioteconomia não eram levados a sério. Como se tudo que fosse produzido sobre o tema derivasse apenas da experiência pessoal e não tivesse rigor científico (PETERSON, 1996). Entre 2017 e 2019, eu ainda tinha essa preocupação.

Na disciplina Métricas da Informação e do Conhecimento na Web, que cursei no primeiro semestre do mestrado com um dos professores negros que tive na graduação, tive mais uma oportunidade para fazer um trabalho e eu queria que fosse sobre as relações étnico-raciais na ciência. Dessa vez, eu fiz. Era “só” para uma disciplina, não teria problema. Fui aprovada e, depois da disciplina, o trabalho foi pra gaveta.

O GT-RERAD surgiu num momento importante para mim. Ver um grupo de trabalho criado para focar exatamente naquilo que eu tinha medo de desenvolver, enquanto profissional, me deu esperanças. Quando abriu a chamada para trabalhos do 7° Encontro Brasileiro de Bibliometria e Cientometria, decidi resgatar o trabalho da disciplina, fazer algumas correções e submeter para avaliação.

Que surpresa quando o trabalho foi aprovado. Apresentei no evento, na trilha sobre Webometria e Altmetria, e os ouvintes tinham perguntas direcionadas para mim, eu que nunca recebia perguntas em eventos. O artigo foi, então, convidado para ser estendido para um capítulo de livro. Tinha valor naquilo que eu escrevi, pesquisei, desenvolvi. Eu nunca duvidei, mas tinha medo que as outras pessoas duvidassem. Quanta coisa eu deixei pra trás por medo de ser incompreendida e de ter meu valor profissional reduzido...

Voltando ao Mês da Biblioteconomia Negra, o GT-RERAD está divulgando sob a hashtag #BiblioteconomiaNegra no Twitter e no Instagram, profissionais negros da área. Eu até apareci lá! É muito bom ver esse tipo de ação, ver outros profissionais com as minhas características. É melhor ainda ver que eles desenvolvem trabalhos nas mais diversas áreas e que nós podemos ocupar tantos espaços: bibliotecários, pesquisadores, professores, gestores, poetas e muito mais.

Que nesse mês a gente possa refletir sobre a nossa área e sobre as nossas práticas, pensando as relações étnico-raciais e a decolonialidade.

PETERSON, L. Alternative perspectives in library and information science: issues of race. Journal of Education for Library and Information Science, v. 37, n. 2, p. 163-174, 1996. DOI https://doi.org/10.2307/40324271. Disponível em: https://www.jstor.org/stable/40324271. Acesso em: 04 ago. 2020.

#archive #bci #bantu

 
Leia mais...

from dobrado

Quando criança eu sempre ouvia do meu pai:

  • “Homem que é homem não acha outro homem bonito!”
  • “Homem que é homem gosta de mulher!”
  • “Quem gosta de homem é viado!”

A definição de homem explicada por ele era bem simplista: Ter um pinto, comer mulher e não olhar pra outro homem. Olhar pra um pinto? Nem pensar! Homem não olha pro pinto nem na hora de mijar. Por isso que hoje, só faço xixi sentado.

Quando tinha uns sete anos, morava no Brasil, em uma cidade do interior que não tinha nem um shopping. Atrás de casa havia um terreno baldio, onde a gurizada mais velha jogava bola enquanto nós, os mais novos, ficávamos fazendo coisas de crianças. Um vizinho de muro me propôs: Vamos fazer sexo? A gente abaixa as calças e esfrega um pinto no outro. Pulei o muro de casa tão rápido quando pude, com o coração disparado e rosto tão corado que nem a pele queimada pelo sol do norte do estado de São Paulo poderia esconder.

Não contei pra ninguém. Imagina? Meu pai saber disso? Eu olhando pro pinto de outro menino? Que isso!? Sou homem, tenho que dar orgulho pro coroa.

Cresci e fui me distanciando dessas narrativa que a parte masculina da família pregava e isso os preocupou demais. Meu velho e meus irmãos queriam me levar pra perder a virgindade com prostitutas colombianas que trabalhavam em Yokohama. Eu desconversei e não aceitei. Tinha preocupações maiores nessa época: tentar encontrar o Yoshi em cima do castelo no Mario 64. E não me sentia adulto suficiente, já que não tinha conseguido zerar Metroid 2. Não que até hoje tenha conseguido.

Cresci mais um pouco, via amigos indo pra balada e beijando meninas. Sexo, drogas e pegação. Eu havia transado e meus amigos nem me perguntavam sobre meninas, com cara de nerd creio era óbvio minha virgindade. Ou talvez também fossem e não sabiam falar sobre. Passaram-se alguns anos e eu comecei a namorar escondido, por isso muitos amigos menos chegados achavam que eu era gay, ou boca virgem, até pelo menos meus dezenove anos.

O tempo passou e chegamos a era da informação. Facebook, Twitter, notícias em tempo real. Bolsonaro, Malafaia, Alexandre Frota. Sério mesmo que esses são os exemplos de homem que temos? Mas se formos pensar bem, não muda muito de Rambo e Charles Bronson. Só faltam os muscúlos e pelos no peito.

Quando anunciaram o filme Guerra na Estrelas: O despertar da força. Eu nem liguei, nunca gostei tanto da saga. Mas o que me chamou atenção foi o tanto de homens reclamando que “o herói” na verdade era “a heroína”. Logo depois veio Mad Max e vi homens querendo boicotar o filme novamente porque era “a” e não “o”.

Quem gosta de homem é viado!

Lembrei do meu pai me dizendo rindo e assando uma carne.

Talvez eu seja gay também, afinal gosto de tantos caras por ai. Atores, músicos, cientistas, comediantes... Ou não, afinal também gosto de atrizes, música, cientistas, comediantes. Quem em sã consciência pode não achar Idris Elba bonito? Ou não se encantar com a Ellen Page?

Mas tem cada homem por aí que chora ao tirar uma figura masculina da frente deles. Fico imaginando meu pai dizendo “Bando de viados, gostam de ficar olhando macho”.

Ou não, né? Afinal, ele gastava as tardes vendo vinte homens, de shorts correndo de um lado para o outro em gramado verde enquanto o sol crepuscular reluzia na pele suada destacando as pernas tonificadas.

Poxa... será que meu pai era gay?

tipo

#opinioes

 
Read more...