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from dobrado

Capítulo 1 – Escatologia Capitulo 2 – Kamikakushi

Limpou suas lágrimas com as mãos e se sentiu um idiota. Já estavam sujas da chuva gosmenta cuspida pelo céu. Elas traziam um gosto de lixo queimado e faziam a pele sentir-se olhos cortando cebola. Se apoiou à ripa pregada na porta e desfaleceu e caiu no degrau do trailer. Empurrou a porta com seu pé esquerdo e arrastou-se lentamente em direção à cama, cavando espaço entre os entulhos do corredor. Tentando se acomodar no canto do quarto, encostou a cabeça no colchão e abraçou as pernas daquele jeito que se sentia seguro.

Ficou reparando no bagunçado do cabelo e nas saboneteiras que já não tinham como serem mais profundas. Observou as pálpebras abrindo vagarosamente como as de um cão velho cheio de ternura, mas pronto para o fim. Ela levantou o indicador como se tentasse ter forças para alcançar o rosto dele, descansando perto do dela, mas desistiu. Pedro esticou seu braço e alcançou sua mão.

Quis lhe contar que tinha encontrado-o, mas não teve coragem. Estava procurando comida no mercado e, entre um corredor e outro, o viu contra a pouca luz que vinha da rua. Marcelo se aproximou, parando a uma prateleira de distância. “Você precisa ir embora logo, têm pessoas observando e não querem te ver por aqui”. Pedro percebeu um mal agouro subindo pelas costas com o olhar agressivo do amigo, que já havia visto, mas nunca recebido. Recuou meio passo com a cautela que aprendera nos anos juntos.

“A Rafa tá doente de novo”, contou das dores e implorou por um sinal de solidariedade que não veio. Os cabelos cacheados passando dos ombros já não combinavam com o semblante carrancudo. Era evidente que ele havia entrado para a milícia, só não conseguia entender o motivo. Tentou novamente se aproximar e foi ameaçado com a pistola, “Não se aproxime! Os Revolucionários não querem civis aqui. Qualquer desconhecido será tratado como inimigo! Vá embora!”

Insistiu e ouviu um estrondo. Seu corpo cambaleou para trás, olhou para baixo e notou um novo buraco na surrada capa. Desesperado, correu tentando se esconder atrás das prateleiras caídas e fugiu pelas portas de vidros quebradas da entrada. Correu como se sua vida dependesse disso.

Não dependia.

“Mesmo depois do fim do mundo, nunca achei que ele fosse atirar em mim”, olhando para a ponta do nariz da Rafa, tateou procurando inutilmente sinais de vida em seu pescoço. Encostou a cabeça na parede, esticou suas pernas, soltou sua costela que ainda sangrava e sorriu. Agora eles finalmente podiam descansar. Respirou fundo uma última vez. Foi acordado pelo despertador do seu celular.

Levantou assustado, tropeçou para fora da cama e caiu ao lado da janela que balançava as cortinas e deixava o sol brincar com a luz que emanava da agradável manhã. Procurou o celular que havia voado com a queda. Olhou para a tela e havia trinta e duas ligações perdidas e outras dezenas de mensagens não lidas. As duas últimas eram da Rafa:

CARALHO! ACORDA PORRA! Eu tenho certeza que não foi sonho! Vou passar no Marcelo e vou ai!

Tipo

#contos #SantissimaTrindade

 
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from dobrado

(ou “O Salto”)

Aviso de Conteúdo: Esse texto trata sobre tragédia e morte.

Foram os minutos mais longos da minha vida. Foram quantos? Vinte minutos? Trinta? Quarenta? Não sei. O calor me fazia sentir um cachorro preso em um carro nos dias quentes de verão da minha infância, mas tudo tem uma saída. Às vezes é mais fácil olhar a janela lá fora, o vento naquela altitude era algo que eu nunca tinha sentido. As janelas, que sempre estavam fechadas, não mostravam o quão implacável e penetrante ele é.

Eu sempre gostei de vento.

Quando era só criança do interior eu gostava de imitar o velho labrador da família que andava com a cabeça pra fora na camionete do meu pai. Um dia perguntei pra ele, qual era o vento mais forte de todos, ele me respondeu serem os tornados. Agora sei que ele estava errado. Mas tudo bem, meu velho nunca subiu mais que dez andares.

Agora sinto o vento passando pelo meu corpo, meus ouvidos só sentem ruído ensurdecedor e as minhas roupas assoviam e batem de forma engraçada. Me sinto um super-homem em declínio. Vejo o planeta aumentando cada vez mais, mostrando pra mim a imensidão que é esse mundo.

Nunca fui pra Califórnia, dizem que as praias de lá são lindas. Nunca fui pro Alasca, queria poder pescar naqueles lagos congelados. Nunca desci o rio Mississippi. O máximo que fiz da minha vida foi descer elevadores. Grandes caixas de ferro, onde colocam espelhos para que a gente não se sinta claustrofóbico. Agora aqui fora, vendo a imensidão da terra, questiono se as pessoas sabem o que é ter medo de verdade.

Será que minha mãe está vendo isso? Naquela poltrona velha e encardida de fumaça, com sua lata de cerveja na mão, ela pode estar vendo a TV com seus olhos fixos e a cinza de cigarro prestes a cair no chão. Será que eu tô passando em algum canal agora? Será que ela vai me reconhecer? Espero que não, não gostaria que ela sentisse um aperto no peito vendo seu filho chegar ao coração da terra.

Meu ouvido entupiu, minha camisa começou a rasgar com o vento que invade cada pedaço do meu corpo, me sinto violado. Meus olhos ardem, mas não consigo fechá-los. As lágrimas nem escorrem pelo rosto, se perdem no ar como se fossem aquelas plantinhas engraçadas que a gente assoprava quando era criança. Queria voar como elas. Sentir que o ar está contra mim, não que eu esteja contra ele.

Ouço pessoas gritando, ouço sirenes tocando, vejo um carro de bombeiro. Quando eu ainda estava na escola, os bombeiros foram lá e desde aquele dia eles viraram meus heróis. Queria que heróis fossem iguais nos quadrinhos e que eles pudessem me salvar. Estou chegando de volta de onde vim, vejo a terra crescendo e agora ela nem parece tão grande. Aquela mulher olha pra mim. Desculpa moça, não queria que

Tipo:

#contos #contosAgosto

 
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from Line ليني

você é lenha fogo carvão vento até graveto mantém meu fogo aceso e desafia as leis da física mesmo com seu corpo molhado em mim não me apaga mais me molha e me queima por dentro

(Mar, 2023)

 
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from Line ليني

Não fui à feira pra te ver.

Pelo contrário, fui à feira com você. Simples momento de acalento, pensando em alimento que nem precisa ser comida. Alimentei-me do cheiro dos temperos, das cores das frutas e do verde das escarolas e chicórias que vi pelas bancadas. Provei uma fruta nova. Diferente. E dela deixei a semente seguir pela minha garganta para que semeie em mim todo seu doce sabor. —

Sinto a mistura de todos os cheiros, cores e sons com seus olhares, falas e toques. A companhia simples, mas que deixa tudo mais gostoso. Como um limão, em um caldo de cana, melhorando o que já era de bom gosto.

(Abr, 2023)

 
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from Line ليني

precisei fugir do nosso mundo pra recriar o meu com miséria de medo e fartura de afeto —

ando dando não pra miséria quero minha dispensa cheia de amor, cuidado e carinho corpo preto forte demais pra ser cuidado escuro demais pra ser amado mulher preta que só serve pra servir ou tapar algum buraco que não fui eu que abri

(Jun, 2022)

 
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from Line ليني

Blackout Quem gosta de ficar no escuro? Há luz pra todo mundo?

Ambientes muito claros me trazem insegurança Tenho fotofobia E quando escureço minha vida Encontro conforto Porque meus olhos não choram

Blackout. Quem gosta de se sentir inseguro? Prefiro estar com os meus No breu A estar sozinha Em um local translúcido.

(Jun, 2020)

 
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from andorinhas objetivas


1º – Tengoku to Jigoku (1963)

cartaz do filme Céu e Inferno

Em português Céu e Inferno. Em inglês High and Low.

Investigação policial com óculos escuros na baixa do morro vivemos em uma sociedade mesmo que incrível as pessoas ondulam no calor suspense uau quem é o cinema na fila do pão.


2º – Yume (1990)

cartaz do filme Sonhos

Em português Sonhos. Em inglês Dreams.

Um casamento assustador um velório festivo soldados passados flores moinhos monstros chifrudos vincent van gogh o fim do mundo e o começo da paz.


3º – Ran (1985)

cartaz do filme Ran

Em português e em inglês continua Ran.

Rei velho confia errado muito cavalo e filho por sorte um bobo sábio cores bonitas e terríveis fogo fantasma espanto cores bonitas vastidão.


4º – Madadayo (1993)

cartaz do filme Madadayo

Em português e em inglês continua Madadayo.

Um professor feito de ouro um copo que encolhe um gato que ensina um aniversário regressivo recitar as estações de trem todo ano é festa e movimento.


5º – Rashomon (1950)

cartaz do filme Rashomon

Em português e em inglês continua Rashomon.

Uma história sobre quatro pessoas que contam quatro histórias que são a mesma história e até o defunto fala.


6º – Hachigatsu no Kyōshikyoku (1991)

cartaz do filme Rapsódia em Agosto

Em português Rapsódia em agosto. Em inglês Rhapsody in august.

A senhora não vai pro Havaí plantar abacaxi a senhora vai contar causo pra assustar a criançada e fazer marmanje chorar o ferro retorcido no parque um olho que nasce nas montanhas de Nagasaki que gringo é esse gente é preciso afinar o piano.


7º – Yojimbo (1961)

cartaz do filme Yojimbo

Em português Yojimbo, o guarda-costas. Em inglês somente Yojimbo.

Prego no caixão que hoje é dia de venda o samurai malandro chegou na cidade mas toma cuidado com o playboy safado que tem um revólver e andou assistindo faroeste na tevê.


8º – Dersu Uzala (1975)

cartaz do filme Dersu Uzala

Em português e em inglês continua Dersu Uzala.

Bruxão nômade da Sibéria cuida de crianças adultas enquanto troca uma ideia com o fogo todas as coisas são pessoas mas nem a União Soviética poderia desfazer a maldição do tigre.


9º – Kagemusha (1980)

cartaz do filme Kagemusha

Em português Kagemusha, a sombra de um samurai. Em inglês Kagemusha, the shadow warrior.

Cores e sombras e cores alguém derramou tinta na tela parece droga menine a mentira é poder um sósia difícil é o ator ficar parado na cadeirinha enquanto assiste a lança tinir.


10º – Ikiru (1952)

cartaz do filme Ikiru

Em português Viver. Em inglês continua Ikiru.

Homem morto por décadas nasce ao saber que morre e decide tentar primeiro o hedonismo depois a inveja e por fim a guerrilha burocrática resultando em bebedeira e parque.


11º – Warui Yatsu Hodo Yoku Nemuru (1960)

cartaz do filme Homem mau dorme bem

Em português Homem mau dorme bem. Em inglês The bad sleep well.

Filha rica casa mal mas casa bem mas casa mal a equipe de jornalistas somos nós tem um recado no bolo revelação a vingança é um prato que se come se der tempo de evitar a tragédia.


12º – Shichinin no Samurai (1954)

cartaz do filme Os sete samurais

Em português Os sete samurais. Em inglês Seven samurai.

Longo demais.

 
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from receitas práticas agora

aqui da varanda o céu é preto vermelho azul e pontilhado toda noite o céu é completamente iluminado são os olhos que não capturam a radiação de fundo cósmica

e é só dançar que a vizinhança espirra

tome cuidado com as abelhas invasoras elas bebem o café depois o açúcar depois a umidade relativa e quando você se dá conta a colônia inteira está atrás de um sal de frutas

mas ó se o achado for caixa de chá cheiroso quem tem charme só me chame que eu chamusco viu?

quando ouvi o bem-te-vi que só canta -vi parei de cantar com o juízo

todos os gatos são pardos à noite menos os gatos brancos branquíssimos que são brancos não importa a hora do dia no estado do espírito santo

um periquito no telhado é sinal de sorte muita coisa por aqui é sinal de sorte somos sortidos

 
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from fulanopoeta

Um pouco sobre mim

Esta é minha estreia neste blog e já gostei do visual “focado” do editor de textos.

Agora, um pouco sobre mim: gostaria de ser escritor, escrevo no papel, no diário, leio um pouco também, e sou muito, muito sonhador. Gosto de me imaginar em diversos mundos e situações diferentes. Acho que sem o sonho, a vida não vale a pena. Mas é importante saber aproveitar a vida em si também. Ou seja, é preciso saber viver.

Espero escreve bastante aqui, às vezes poesias, às vezes prosas.

 
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from devaneios oníricos

Este é um desabafo de quem está empreendendo.

Desde que lancei o meu estúdio de design de estampas, passei a estudar mais sobre marketing digital e percebi o quanto isso tem me feito mal e me deixado mais ansiosa. São inúmeras ~skills~ para dominar, descobrir quais os problemas dos clientes e aprender quais gatilhos usar para fazer com que a interação vire compra.

Ao refletir sobre essa situação, cheguei à conclusão de que a gente precisa olhar mais para si e analisar se tá valendo mesmo a pena usar essas estratégias marqueteiras, se é realmente o caminho solucionar o problema do cliente a todo custo ou entender como podemos ajudá-lo dentro das nossas possibilidades. Se é realmente o caminho saber todos os gatilhos que fazem as pessoas comprarem ou ter uma relação saudável com elas, baseada em honestidade. E se o marketing que fazemos traz um resultado positivo para nossa vida ao conseguir novas conexões/parcerias reais e não somente pessoas que compram.

Comprar é importante sim para que nossos negócios se mantenham. Mas fazer todo esse processo até a compra de um jeito que faz com que fiquemos doentes não é uma boa coisa. Se está sendo tóxico para mim e para a pessoa que estou tentando conectar/fazer parceria, não é bom sinal.

Os marqueteiros esqueceram do básico: em primeiro lugar somos pessoas e temos sentimentos que não estão aí para serem usados em vendas e que não respeitar isso no outro também é não respeitar a nós mesmos.

 
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from Gustavo Soares

Eu odeio ter que sair de casa para fazer compras sempre tem muita gente, é quente e muitas vezes tenho que caminhar um pouco...

Sempre fico suado, as pessoas ficam me olhando, os vendedores ficam em cima as vezes os seguranças também, vai querer fazer o cartão da loja? ignoro, posso ajudar? não estou somente dando uma olhada, são como pop-Ups na vida real só que não dar para bloquear.

Sempre tive a impressão em que as pessoas olham diferente para mim, meu estilo jovem lesado largado não ajuda muito, então não me sinto confortável, pode acontecer que você saiu sem o cartão e agora? você passa aquele vexame no caixa ao notar que esqueceu a carteira a caixa lhe olha estranho e o próximo cliente na fila o que ele está pensando?

Você compra por impulso, quando está comprando em loja física as vezes não tem o produto que você quer então você é vencido pelo cansaço de ter que ir em outra loja as vezes tem somente aquela na sua cidade.

Ah mas fazer compras em lojas físicas tem seus prazeres as vezes você dar de cara com homens interessantes mas nunca fui bom de paquera e normalmente estão acompanhado das esposas, meu tipo preferido pais de shopping.

chega a ser contraditório meu trabalho depende que eu saiba o que se está passando nos centros comerciais o que fechou o que abriu mas ao mesmo tempo não me sinto confortável andando...

não sou uma pessoa tão socializável como demostro, pra mim no momento de uma compra quanto menos contato humano eu tiver melhor, meio que uma visão liberal eu sei mas fazer o que não gosto de pessoas no momento das compras ainda mais que considero o ato de comprar uma decisão que tem que ser tomada com cuidado, sempre pesquise antes de comprar!

Totalmente contraditório, adorava passear de carro pela cidade com o falecido ao volante, adorava ver a metamorfose da cidade viva enquanto jogávamos um papo fora ao som de portugal the man, uma vez pedi que somente dirigisse enquanto em processava o que tinha acontecido nesse dia meu amigo tinha morrido sido morto num assalto, estranho como a estrada me acalma a paisagem passando em nossa vista

No final tudo passa...

 
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from Gustavo Soares

Era umas 8 horas da manhã quando percebendo que minha mãe estava se arrumando para sair, logo perguntei para onde, ela disse que iria para o centro de Teresina, como eu também tinha algumas coisas para resolver por lá aproveitei o embalo e fui junto. Minha única obrigação nesse dia era enviar esse fardo de Jesus no final acabou voltando comigo e agora bebo ele enquanto escrevo. Como estava de papo com um caseiro e havíamos decidido no dia anterior se encontrar no centro também o que rolou é que eu tive que ir parar depois do Zoobotânico para esperar ele, fui lindamente pensando ele não é só um cafuçu bonito mas também posso usufruir de algumas outras comodidades, tão enganado estava, no final o sitio era só mato e eu sonhando em nadar pelado na piscina mas podia ter aproveitado mais ter pego uns cajus né?

Como o combinado era dele me dar uma carona de volta para o mais próximo do centro, esse foi um dos momento que entra a Lana Del Rey na minha cabeça e começa a cantar Ride por que I am fucking crazy, but i am free, sentindo o vento na minha cabeça andando de moto e sem capacete, com o corpo totalmente duro, tive a oportunidade de ver novamente locais que passava de carro com o falecido, o que me trás nostalgia dos momentos bons que passamos, das conversas que tivemos e dos absurdos que comentemos...

Lidamente atrás de um carro da policia, na garupa de uma moto e sem capacete consegui chegar ao Rio Poty Shopping, horário propicio, horário de almoço, a vadia entra em cena e vai logo no banheiro do segundo andar (apesar de não gostar de não aprovar banheirões) não encontrando nada sigo para meu objetivo de comer um subway de 30cm por que segundo meus dados eu mereço esse mimo nem que seja gastando meus últimos trocados, novamente eu me ferro sozinho por não saber exigir nada nem mesmo uma bandeja.

a melhor cagada é em banheiro de shopping!

Novamente atacado pela Yag Vadia que tenho resolvi sair caminhando pela marechal, que com o bosque do lado é um lugar de pegação, não vendo nada e como boa conhecedora dos pontos de encontro pelo menos na teoria, resolvi caminhar a beira da marechal com destino final o parque da Iemajá, quase arrependido de ter feito esse percusso, chegando ao meu destino percebo que um daddy também tinha o mesmo destino que o meu. então entre as encaradas as perguntas, o que curti? Me chama para dar um passeio de carro, Maria Gasolina que sou aceitei apos alguns minutos a realidade bateu e os efeitos da adrenalina passaram e vi que meu daddy estava mais para um Grandpa, aquele momento que você percebe que tá saindo com seu Avô, subindo na escala de Daddy issues, acho que nesse momento percebi que iria brochar e não sirvo para ser prostituto juntando a isso o quarto que ficamos estava extremante quente e eu falei que ele era fumante? no final ele me deixou na miguel rosa marcamos de ele me ligar, espero que consiga pelo menos um litrão dessa vez.

Desidratado por um quarto quente e um dia abafado em Teresina resolvi ir ao subway comprar água e aproveitar um pouco do ar condicionado chegando lá encontro um gordinho bastante interessante mas com uma sensação de que eu conheço ele e também achando que finalmente meu príncipe encantado vai dar em cima de mim na vida real, ainda a esperança, nisso eu espero ele ser atendido para comprar minha água e com mais 7 reais eu poderia levar 700ml de refri uma ótima pedida para se reidratar! obviamente pedi de sprite para ser saudável nisso eu vou para um canto proximo ao meu crush mas mantendo uma distancia segura, onde tem uma mesa nada suspeita encostada em um canto afastado ponho meu copo e na hora que ponho minha mochila a mesa da uma leve inclinada e em questão de segundos 700ml de Sprite estão no chão e em mim, então esperando para ver a reação das pessoas abro minha água bebo mas continuo com sede peço desculpa para os atendentes que vão ter que limpar aquilo depois e saio e tento pedir um uber o que não rola e meu crush do subway e vejo indo embora... e se nenhum carro aceita aqui irei para o Fripisa mesmo todo molhado de refri parecendo que havia me mijado e no caminho um senhor fala “eai, superman”.

 
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from gbrlpires

Aviso de Conteúdo: Morte, Luto, Covid-19 —

Eu não tenho uma boa relação com a morte. No geral, eu finjo que a morte de pessoas, principalmente as mais distantes, não me atingem. Mas não é bem assim. Não sei se estou no nível ainda de falar profundamente sobre isso, entender realmente de que maneira o luto se movimenta pelo meu corpo.

Uma coisa que tenho pensado mais, nos últimos dias, é em como lidar com o luto na atualidade das redes sociais.

Este ano perdi um colega da época da faculdade pela covid-19. Ela não era uma pessoa exatamente próxima mas era uma pessoa pela qual eu tinha muito carinho e admiração. Uma pessoa que eu ficava vendo e torcendo de longe, comemorando seu sucesso, sua visibilidade e a vida que parecia melhorar a cada dia. Um profissional e uma pessoa incrível.

Apareceu na tv a notícia de sua morte. Mas, quando soube pelo grupo de mensagem, chorei como antes nunca tinha chorado, nem mesmo por familiares. Sei lá. Por mais que saibamos que acontece, a morte de uma pessoa jovem é sempre um baque. Ainda mais um corpo jovem preto. Um corpo jovem LGBTQIA+. Choramos pela pessoa e um pouco por nós mesmos, talvez.

O foda é que por ter sido muito presente nas redes sociais, eu encontro fragmentos digitais do que foi a pessoa em vida. Uma playlist no Spotify, uma imagem de seu trabalho no Pinterest, um quadro na parede da casa de alguém com quem estou fazendo reunião. Esses dias, procurando uma foto antiga para publicar, encontrei um print de tela que tirei de uma postagem feita por ele. Era uma recomendação, não lembro exatamente do quê. Acho que uma música que eu queria ouvir mais tarde. Mas além da recomendação, uma foto também desta pessoa. Sorrindo, quase sempre como fazia.

Nestes quase cinco meses desde a sua morte foram poucos dias em que não pensei nele. Guardo algumas poucas lembranças. O compartilhar da preguiça por alguns dogmas da nossa profissão, da vida acadêmica meio torta como é. Lembrei que tenho guardado um desenho que ele me fez, num dia de aula chata. Não lembro exatamente o que ele fazia lá, já que éramos de turmas diferentes. Fiquei me sentindo incrível naquele dia, quase naquela sensação de fã que foi notado pelo artista preferido. Ele ainda não era famoso naquela época. Mas eu já o admirava. Colei o desenho dele na parede da kitnet que eu morava, feliz da vida.

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Sonhei com ele na noite de véspera da minha primeira dose da vacina. Fui me vacinar mas não consegui ficar feliz. “faltava tão pouco” era a frase que não saía da minha cabeça.

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“Não posso correr de mim mesmo Eu sei, nunca mais é tempo demais Baby, o tempo é rei”

—Black Alien

 
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from brenno

Tomei a vacina. A ansiedade era grande, tanto que acabei tomando um dia antes do calendário certo por um erro meu... era pra tomar no dia do meu aniversário. A junção desses dois fatos mexeu um pouco com meu tico e teco, e acho que vou escrever um pouco sobre isso (e muito mais) para me distrair um pouco dessa ansiedade.

Faz 490 dias desde que foi decretado o primeiro “lockdown” por aqui, e não foi fácil para a imensa maioria das pessoas... e ainda não é para muitas outras. Avalanches de notícias e informações assustaram muitos, e como sociedade não sabíamos bem como lidar. O mundo tentava entender o que estava começando e se voltando para quem pudesse responder: profissionais, especialistas e pesquisadores em saúde, biologia, medicina, e etc. O mundo se voltou para as pessoas que trabalham diretamente com ciência e ou que dela fazem uso em suas práticas diárias. Esforços enormes foram feitos por esses, que salvaram muitas vidas. Esforços que resultaram na vacina que está no meu braço e no de outros milhões aqui e no mundo, e que espero que esteja no braço de muitos mais logo em breve.

Mas todo esse esforço e conhecimento sobre o que deveríamos fazer não foi o suficiente para nós e parece que nunca será. “Poderíamos ter feito mais, poderíamos de feito melhor”, acredito que essa deva ser a máxima, fazer sempre o melhor e mais. Mas muitos de nossos governantes, políticos, empresários e pessoas influentes trabalharam para ir no caminho contrário de todo esforço e conhecimento realizado por profissionais e comunidades sérias. Mentiram, desinformaram e mataram muitos de nós... sem eles a tragédia já seria grande, mas eles fizeram questão de deixar ainda maior. Muitos dos que não perderam suas vidas perderam empregos e sustento, esses poderiam também ter sido menos prejudicados se não estivéssemos envoltos nessa espiral de contaminação gigante.

É difícil, eu perdi amigos muito queridos, amigos meus perderam amigos e parentes próximos... sinto dor e choro por saber que não poderei mais abraçá-los. Eles poderiam ter tomado a vacina antes, eles poderiam estar num país onde o governo não incentivasse o contágio da população, não desinformasse e usasse o ódio, o medo, o sentimento de muitos a favor deles e da contaminação. Eles poderiam estar com seus amigos e entes queridos hoje.

Viver momentos históricos não é fácil, muitas vezes nem é perceptível, e certamente esse é um desses momentos. No futuro nossos erros como sociedade ficarão mais claros, os responsáveis por tantas mortes ficarão nos registros e no imaginário de nossos descendentes. Só espero que possam aprender com nossa história, pois infelizmente parece que nós não aprendemos.

Sei que nossas vidas não são pautadas em todos os momentos pelo que é ciência, por um saber que nem sempre é fácil de explicar e que pode entrar em conflito com outros saberes, outros discursos, sentimentos e crenças. Convivi com pessoas dentro da área de educação que eram formadas em áreas da saúde e que por não saberem como funciona uma vacina discursavam que essas poderiam fazer mal, que era um excesso de remédio, que o “natural” é melhor. Um discurso que eu achava perigoso, potencialmente criminoso e que é base de discurso antivacina, anticientífico... e isso acaba valendo para muitas outras pessoas e para muitos outros assuntos, não só vacinas. Somos regidos por nossas vivências, nossas experiências próximas, nossas relações pessoais e profissionais, sentimentos que cultivam em e perto de nós, e se isso por vezes se choca com um saber novo, que questiona e/ou confronta o que acreditamos até então ser o certo, nós fechamos os olhos e muitas vezes agimos contra. É assim, e infelizmente continuará sendo assim... e é por isso que comunicação científica é difícil, e por muitas vezes não é valorizado.

Mas apesar de todos esses vieses que possuímos, o trabalho científico tá aí... salvando vidas e indo parar no braço de muitos. Espero que esse trabalho continue, pois com certeza ainda vamos precisar muito dele.

Cada parágrafo aqui daria para destrinchar em textos enormes sobre o que aprendi, senti e vivi nesses 490 dias..., mas não consigo mais. Só quero que todos tomemos vacina e que “tudo isso logo acabe”.

Tomando vacina Vacina tomada
 
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from Notas de Aula

Anotações:

Leitura

O texto de Gadamer é crítico ao projeto iluminista, mas é uma crítica em certa medida conservadora e tradicionalista. Me incomodou a referência a Heidegger (nazista de merda). Apesar disso, não é um texto estúpido e tem sacadas interessantes. Trata da interpretação como processo dinâmico: iniciamos a leitura de um texto com várias preconcepções, que nos fazem projetar significados desde o começo. Essa projeção entra em conflito com o texto em si durante a leitura – se nossas preconcepções divergem do texto, ele começará a não fazer sentido. Para restituir o sentido ao texto, devemos reavaliar nossas preconcepções. Esse movimento circular se repete, e sabemos que estamos na direção certa quando temos poder preditivo, que pode ser confirmado com o texto. Esse processo me lembra a ideia de acomodação de Piaget e parece uma espécie de dialética.

Nesse momento Gadamer faz um passeio por lugares horríveis defendendo uma ideia específica de preconceito útil. Pois é. Passando vivo por esse trecho, vem algo mais relevante: ele critica o que chama de historicismo, que seria a tentativa de estudar a história objetivamente, se desvinculando da substância do que o passado tem a dizer. Uma análise historicista tende a nos separar do passado, como se não houvesse nada a aprender com suas obras, como se não falassem conosco. O texto entra então na defesa de uma ideia de clássico: clássicos seriam aqueles artefatos que estão acima do momento histórico e representam algo mais geral, ao qual pessoas de vários períodos históricos podem se conectar.

Tratando novamente da hermenêutica, Gadamer adota a regra segundo a qual devemos “entender o todo em termos do detalhe e o detalhe em termos do todo”. Quase dá pra ouvir Hermes Trismegisto cantarolando com Jorge Ben “o que está no altoooo é como o que está embaaaaixo”. Defende que o critério que define se entendemos algo ou não é justamente a harmonia dos detalhes com o todo. Mas ele não baseia essa regra em nada muito sólido, cita que é algo conhecido da retórica antiga e tenta mostrar que é auto-evidente. Eu não me convenci muito bem. E se a obra for heterogênea, sem unidade? Não é possível manter conflitos entre partes e todo sem prejudicar o entendimento?

O texto então critica a ideia de que a tarefa da hermenêutica seria colocar-se completamente na mente do autor para solucionar tudo que é estranho no texto. Não que ele considere errada a busca por harmonia, mas sim o foco no autor. Defende que a hermenêutica é na verdade um jogo entre o interpretador (com suas preconcepções derivadas de seu tempo e tradições) e a tradição em que o texto em si se insere. A tradição ultrapassa o sujeito (por isso não basta “entrar na mente do autor”), mas não se livra completamente dele, é uma relação de participação. Não só o autor participa de uma tradição, mas o leitor também. Nesse sentido, a interpretação é sempre produtiva: o significado interpretado sempre ultrapassa o intencionado pelo autor, inclusive porque depende também da nossa participação, condicionada a nossas tradições e a nosso tempo histórico.

Gadamer vê a distância histórica como algo positivo, é como se a obra de arte fosse fermentada pelo tempo e curtida das impurezas que encobririam completamente o sabor de sua importância permanente. Basicamente, a distância histórica valoriza o que é atemporal na arte. Nesse ponto eu me perguntava se não seria interessante aplicar essa ideia à arte de outras culturas em nosso próprio tempo histórico: a distância cultural valoriza aquilo que é universal ou ao menos comum. Achei a ideia interessante, mas não deveria parar aí: ser tocado apenas pelo que se tem em comum é fácil, mas muitas vezes é melhor ser chacoalhado pelo que é diferente. Claro que Gadamer não vai defender isso de jeito algum. Ele se esforça para dar mais valor àquilo que, além de antigo, pertence à mesma tradição do interpretador.

O texto então introduz o conceito de história-efetiva: a soma do objeto histórico em estudo com o ponto de vista histórico em que o investigador está imerso. A história-efetiva determina tanto o que nos parece válido investigar quanto o que se mostra como objeto de investigação. Esse é um conceito bem interessante, que acho que Gadamer não leva às últimas consequências no texto. Em uma associação meio desbaratinada, me lembra a ontologia que na física se chama de superdeterminismo: investigação e fenômeno estão conectados por um fio de causalidade inquebrável.

Depois de montar a ideia da história-efetiva, Gadamer dá uma punhalada final no objetivismo histórico, ou historicismo:

“Historical objectivism resembles statistics, which are such an excellent means of propaganda because they let facts speak and hence simulate an objectivity that in reality depends on the legitimacy of the questions asked.”

Por fim, o texto diz que é possível usar a história-efetiva em benefício da hermenêutica por meio da expansão do nosso próprio horizonte de compreensão. Não se trata de colocar-se no lugar do outro, o que seria útil apenas para objetificar o horizonte histórico do outro, mas sim de colocar-se em relação ao outro, compreender sua mensagem a partir de sua posição histórico-efetiva em relação a nós. Busca-se, assim, concordância, terreno comum. A expansão do horizonte interpretativo, portanto, só seria possível tornando-o mais universal, abstraindo a nossa particularidade e a particularidade do outro.

Aula

Na aula, o professor faz uma rápida passagem pela história da hermenêutica. A hermenêutica, na forma moderna, teve origem com a reforma protestante. No início se restringia à interpretação da bíblia. Conforme a burguesia começou a instaurar formas de governo constitucionais, a hermenêutica se expandiu para incluir a interpretação da lei. Apenas ao final do séc. XVIII a hermenêutica começou a ser aplicada à literatura, em paralelo ao surgimento do romantismo. Até então o ideal da literatura era a transparência, o que significa que qualquer dificuldade de interpretação era indicativa de literatura ruim. A ênfase na “genialidade” do autor, marca do romantismo, tornou os textos literários seculares mais parecidos com os textos bíblicos: importantes e difíceis de entender. A hermenêutica, portanto, habitou uma a uma as clareiras abertas pela secularização burguesa pós-iluminista até chegar à literatura.

Professor ressalta que o círculo hermenêutico é, para Gadamer, uma relação entre o leitor e o texto, mas outres autores usam a ideia de círculo hermenêutico como uma relação entre o leitor e o autor, tendo o texto como meio. Ressalta o padrão dinâmico do círculo hermenêutico: alternância entre compreensão da parte e do todo, ou do presente e do passado (como argumentado por Gadamer ao falar de tradições e horizontes de compreensão). Afirma que Gadamer limitou o círculo hermenêutico a uma relação entre períodos históricos em seu texto, mas que deveria se aplicar a relações entre culturas distintas mesmo que ambas atuais.

Explica a crítica de Gadamer ao objetivismo histórico e diz que é importante que essa crítica busca encontrar maneiras de aprender com o passado, é um reconhecimento de que o passado tem algo a nos dizer e não é apenas um objeto distante. Reforça que é impossível olhar qualquer coisa sem preconcepções. Critica o ponto de vista de Gadamer sobre preconceitos úteis e sobre a busca de terreno comum: é um projeto conservador que pode ser perigoso – é possível encontrar ressonância em ideias horríveis do passado, não apenas em ideias edificantes.

Por fim, cita uma crítica à posição de Gadamer, vinda de Hirsch. Em resumo, há dois pólos opostos que se chocam, o de Gadamer-Heidegger (tradição, interpretação subjetiva, verdade comum), e o de Hirsch-Kant (intenção, interpretação objetiva, imperativo categórico):

  • Gadamer: implícito no historicismo está o abandono do que o objeto analisado tem a nos ensinar – deixamos de ouvi-lo.

  • Hirsch: implícito no círculo hermenêutico está a instrumentalização do outro, o apagamento do autor em prol de nossos próprios fins.

Sinceramente, não me atrai muito essa briga. Entre Heidegger e Kant prefiro tirar um cochilo.

 
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