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from Line ليني

teu olhar me toca de modo profundo teu toque firme e macio me energiza tuas palavras me encantam até quando não são para mim mais do que o que dizes teus feitos me atraem tua pessoa me abala sismicamente não sei se bambeiea mais minhas pernas ou meu coração

 
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from Line ليني

olhos que passeiam atravessam meu corpo-cidade e o transforma por instantes em um corpo-mundo

diminui a velocidade para passar pelas sinuosas curvas das silhuetas de cada bairro

olhos fálicos que penetram-me sem qualquer pretensão em uma cadência lenta sendo o total oposto da tua respiração

 
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from Gustavo Soares

Eu odeio ter que sair de casa para fazer compras sempre tem muita gente, é quente e muitas vezes tenho que caminhar um pouco...

Sempre fico suado, as pessoas ficam me olhando, os vendedores ficam em cima as vezes os seguranças também, vai querer fazer o cartão da loja? ignoro, posso ajudar? não estou somente dando uma olhada, são como pop-Ups na vida real só que não dar para bloquear.

Sempre tive a impressão em que as pessoas olham diferente para mim, meu estilo jovem lesado largado não ajuda muito, então não me sinto confortável, pode acontecer que você saiu sem o cartão e agora? você passa aquele vexame no caixa ao notar que esqueceu a carteira a caixa lhe olha estranho e o próximo cliente na fila o que ele está pensando?

Você compra por impulso, quando está comprando em loja física as vezes não tem o produto que você quer então você é vencido pelo cansaço de ter que ir em outra loja as vezes tem somente aquela na sua cidade.

Ah mas fazer compras em lojas físicas tem seus prazeres as vezes você dar de cara com homens interessantes mas nunca fui bom de paquera e normalmente estão acompanhado das esposas, meu tipo preferido pais de shopping.

chega a ser contraditório meu trabalho depende que eu saiba o que se está passando nos centros comerciais o que fechou o que abriu mas ao mesmo tempo não me sinto confortável andando...

não sou uma pessoa tão socializável como demostro, pra mim no momento de uma compra quanto menos contato humano eu tiver melhor, meio que uma visão liberal eu sei mas fazer o que não gosto de pessoas no momento das compras ainda mais que considero o ato de comprar uma decisão que tem que ser tomada com cuidado, sempre pesquise antes de comprar!

Totalmente contraditório, adorava passear de carro pela cidade com o falecido ao volante, adorava ver a metamorfose da cidade viva enquanto jogávamos um papo fora ao som de portugal the man, uma vez pedi que somente dirigisse enquanto em processava o que tinha acontecido nesse dia meu amigo tinha morrido sido morto num assalto, estranho como a estrada me acalma a paisagem passando em nossa vista

No final tudo passa...

 
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from Gustavo Soares

Era umas 8 horas da manhã quando percebendo que minha mãe estava se arrumando para sair, logo perguntei para onde, ela disse que iria para o centro de Teresina, como eu também tinha algumas coisas para resolver por lá aproveitei o embalo e fui junto. Minha única obrigação nesse dia era enviar esse fardo de Jesus no final acabou voltando comigo e agora bebo ele enquanto escrevo. Como estava de papo com um caseiro e havíamos decidido no dia anterior se encontrar no centro também o que rolou é que eu tive que ir parar depois do Zoobotânico para esperar ele, fui lindamente pensando ele não é só um cafuçu bonito mas também posso usufruir de algumas outras comodidades, tão enganado estava, no final o sitio era só mato e eu sonhando em nadar pelado na piscina mas podia ter aproveitado mais ter pego uns cajus né?

Como o combinado era dele me dar uma carona de volta para o mais próximo do centro, esse foi um dos momento que entra a Lana Del Rey na minha cabeça e começa a cantar Ride por que I am fucking crazy, but i am free, sentindo o vento na minha cabeça andando de moto e sem capacete, com o corpo totalmente duro, tive a oportunidade de ver novamente locais que passava de carro com o falecido, o que me trás nostalgia dos momentos bons que passamos, das conversas que tivemos e dos absurdos que comentemos...

Lidamente atrás de um carro da policia, na garupa de uma moto e sem capacete consegui chegar ao Rio Poty Shopping, horário propicio, horário de almoço, a vadia entra em cena e vai logo no banheiro do segundo andar (apesar de não gostar de não aprovar banheirões) não encontrando nada sigo para meu objetivo de comer um subway de 30cm por que segundo meus dados eu mereço esse mimo nem que seja gastando meus últimos trocados, novamente eu me ferro sozinho por não saber exigir nada nem mesmo uma bandeja.

a melhor cagada é em banheiro de shopping!

Novamente atacado pela Yag Vadia que tenho resolvi sair caminhando pela marechal, que com o bosque do lado é um lugar de pegação, não vendo nada e como boa conhecedora dos pontos de encontro pelo menos na teoria, resolvi caminhar a beira da marechal com destino final o parque da Iemajá, quase arrependido de ter feito esse percusso, chegando ao meu destino percebo que um daddy também tinha o mesmo destino que o meu. então entre as encaradas as perguntas, o que curti? Me chama para dar um passeio de carro, Maria Gasolina que sou aceitei apos alguns minutos a realidade bateu e os efeitos da adrenalina passaram e vi que meu daddy estava mais para um Grandpa, aquele momento que você percebe que tá saindo com seu Avô, subindo na escala de Daddy issues, acho que nesse momento percebi que iria brochar e não sirvo para ser prostituto juntando a isso o quarto que ficamos estava extremante quente e eu falei que ele era fumante? no final ele me deixou na miguel rosa marcamos de ele me ligar, espero que consiga pelo menos um litrão dessa vez.

Desidratado por um quarto quente e um dia abafado em Teresina resolvi ir ao subway comprar água e aproveitar um pouco do ar condicionado chegando lá encontro um gordinho bastante interessante mas com uma sensação de que eu conheço ele e também achando que finalmente meu príncipe encantado vai dar em cima de mim na vida real, ainda a esperança, nisso eu espero ele ser atendido para comprar minha água e com mais 7 reais eu poderia levar 700ml de refri uma ótima pedida para se reidratar! obviamente pedi de sprite para ser saudável nisso eu vou para um canto proximo ao meu crush mas mantendo uma distancia segura, onde tem uma mesa nada suspeita encostada em um canto afastado ponho meu copo e na hora que ponho minha mochila a mesa da uma leve inclinada e em questão de segundos 700ml de Sprite estão no chão e em mim, então esperando para ver a reação das pessoas abro minha água bebo mas continuo com sede peço desculpa para os atendentes que vão ter que limpar aquilo depois e saio e tento pedir um uber o que não rola e meu crush do subway e vejo indo embora... e se nenhum carro aceita aqui irei para o Fripisa mesmo todo molhado de refri parecendo que havia me mijado e no caminho um senhor fala “eai, superman”.

 
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from Line ليني

sozinha, escrevo versos junto dela, os sinto e meus órgãos tremem como na primeira vez que a vi

sinto meu corpo preso em sentimentos e livre em todo o resto

somos mentes inquietas que querem se acalmar mas o que seria vida caso feita só de quietude?

nunca fomos mapas com fronteiras demarcadas e se o céu fosse nosso limite acho que...

ele não existiria

 
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from dobrado

Recentemente sai pedindo dicas de câmeras para algumas pessoas por ai. Mas não eram quaisquer câmera. Elas precisavam ter um ar de “pseudo-cult-intelectual”, ou seja, Lomo. Meu maior problema com as Point n Shoot eram os atrasos para tirar as fotos devido ao auto-focus. Mas apelar pra uma Mirrorless ou uma DSLR era demais pra mim. Um celular bacana poderia ser a resposta pra isso, mas todos nós sabemos que até o App de câmera abrir e tirar a foto, pode ser alguns segundos pedidos, além de todas as distrações do smartphone. Ele é uma boa câmera, mas isso sempre vai ser secundário.

Foi com isso em mente que eu comecei a pesquisar câmeras e lembrei da minha antiga GF1 Micro 4/3, simples e barata, certo? Nem tanto. Uma Micro 4/3 nova estava custando em torno de 400 euros, muito pra quem só quer tirar umas fotos bobas. Buscando por alternativas encontrei o site KameraStore que vende câmeras usadas. Procurando por câmeras M4/3 achei várias na faixa dos 100 euros, mas sem as lentes. Mas isso foi resolvido com o Lomography Experimental Lens Kit custando apenas 12euros, na promoção. Esse kit é composto por três lentes: Standard, Wide angle e Fisheye. Com isso eu montei meu kit de Toy Camera por menos de 150euros.

As lentes Standard e Wide angle são as mais simples e nem parece de Câmeras de Brinquedo, a primeira vista. Mas olhando as fotos no computador você percebe que as lentes de plásticos da aquele charme nas cores e uma distorções legais nos cantos das fotos.

Fish eye Original

Standard Original Standard Original

wide Original wide Original wide Original wide Original

 
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from receitas práticas agora

ânimo e animal têm a mesma origem mas há animais imóveis (como as esponjas) e há também as baleias que usam o verbo mover em conotação cetácea – conjuga-se arrastado e profundo

são bichos compostos: peixinhos comensais buracos nas barreiras de fitoplâncton crustáceos sedentários limpadores de carapaça de fato brotam das baleias esses fenômenos, como prédios ou como mato – à revelia

não havia animais na terra no tempo das derivas gramaticais quando a américa era ainda um trecho do mar total

mas as coisas mudaram muito e hoje baleias flutuam em plena seca, lentamente fugindo das cintas de asfalto o rabo solto nos pedágios, as cracas agarradas ao queixo enorme onde bate o vento morno do dia com seus insetos nutritivos e bem-te-vis em simbiose

 
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from dobrado

(ou “Sobre saber quem sou”)

Se pudesse parafrasear alguém, por que não o Febem? Longe de mim me comparar a ele, até porque longe de mim sou. Sempre estando cada vez mais distante de um começo, que nunca soube bem onde iniciou. Mas se for pelo título, foi pelo final.

Descobrir o que é ser, veio após eu decidir o que gostarai de ser. O albúm Sobrevivendo no Inferno, com quatro pretos no encarte. Me fez decidir sobre meu destino: Quero ser como eles.

E assim sendo, me fiz Racionais.

Engraçado. Naquela época eu mal sabia que já era como eles. Eu não fazia rap, não era famoso, não era de São Paulo, não vivia a violência, não era nascido na favela. E mesmo que anos depois, quando Mano Brown rimou “eu acho que todo preto como eu”, era de mim também, que ele falava. Demoraram duas dezenas de verões, para descobri que nada poderia me tornar menos preto do que eu era.

Viver aquela minoria no Japão era um misto de revolta, preconceito e exoticismo. Pois enquanto a cor e cabelo me dava entrada para as baladas, minha entrada nos recintos sempre despertavam olhares. Era um animal a ser observado no zoológico.

E todos os verões de aprendizado, serviram para mostrar que não era apenas cor. Era história também. Esta que nos foi roubadas. Fizeram de, nós deuses do Orum, apenas pessoas escravizadas. Ou pior: escravos. Resumidos a isso, nunca entendi a comemoração do Brasil 500 Anos, pois não era sobre meu povo que memoravam.

E assim sendo, me fiz preto.

Chegado o momento de voltar para a terra que diziam ser minha pátria, percebi que era somente o onde eu não precisava de permissão para existir. Era claro, ou talvez branco, o quanto eu não sou como eles. Minhas falas, pensamentos e trejeitos fizeram-me japonês.

Estranho, já que eles mesmos não me queriam lá. Estranho, já que meus avós não gostavam de japoneses. Estranho, já que antes eu era preto e agora eu sou... amarelo?

Ouvindo e aprendendo de novo sobre história, descobri que minha família nunca foi japonesa. Sempre foi Uchinanchu. Como povos nativos, foram colonizados e lutaram ao máximo. Mesmo sendo chamados de 負け組, meus avós nunca perderam. Os derrotados foram eles, que conservaram as ideias imperialistas e causou a diáspora dos meu antepassados.

Aprendi que Okinawa é terra protegida pelos Shisaa que já derrotaram dragões e maremotos. Faz partes das ilhas de Ryukyu, povo que mata um Tigre Asiático por dia. Pessoas que até hoje mantém seu idioma, mesmo tendo sido enviadas para vinte mil quilometros da sua terra.

E assim sendo, me fiz Índio.

Voltando ao começo, para chegar no final. Talvez no fundo, eu nunca tenha sido nada. Mas vou continuar sempre sendo.

 
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from gbrlpires

Aviso de Conteúdo: Morte, Luto, Covid-19 —

Eu não tenho uma boa relação com a morte. No geral, eu finjo que a morte de pessoas, principalmente as mais distantes, não me atingem. Mas não é bem assim. Não sei se estou no nível ainda de falar profundamente sobre isso, entender realmente de que maneira o luto se movimenta pelo meu corpo.

Uma coisa que tenho pensado mais, nos últimos dias, é em como lidar com o luto na atualidade das redes sociais.

Este ano perdi um colega da época da faculdade pela covid-19. Ela não era uma pessoa exatamente próxima mas era uma pessoa pela qual eu tinha muito carinho e admiração. Uma pessoa que eu ficava vendo e torcendo de longe, comemorando seu sucesso, sua visibilidade e a vida que parecia melhorar a cada dia. Um profissional e uma pessoa incrível.

Apareceu na tv a notícia de sua morte. Mas, quando soube pelo grupo de mensagem, chorei como antes nunca tinha chorado, nem mesmo por familiares. Sei lá. Por mais que saibamos que acontece, a morte de uma pessoa jovem é sempre um baque. Ainda mais um corpo jovem preto. Um corpo jovem LGBTQIA+. Choramos pela pessoa e um pouco por nós mesmos, talvez.

O foda é que por ter sido muito presente nas redes sociais, eu encontro fragmentos digitais do que foi a pessoa em vida. Uma playlist no Spotify, uma imagem de seu trabalho no Pinterest, um quadro na parede da casa de alguém com quem estou fazendo reunião. Esses dias, procurando uma foto antiga para publicar, encontrei um print de tela que tirei de uma postagem feita por ele. Era uma recomendação, não lembro exatamente do quê. Acho que uma música que eu queria ouvir mais tarde. Mas além da recomendação, uma foto também desta pessoa. Sorrindo, quase sempre como fazia.

Nestes quase cinco meses desde a sua morte foram poucos dias em que não pensei nele. Guardo algumas poucas lembranças. O compartilhar da preguiça por alguns dogmas da nossa profissão, da vida acadêmica meio torta como é. Lembrei que tenho guardado um desenho que ele me fez, num dia de aula chata. Não lembro exatamente o que ele fazia lá, já que éramos de turmas diferentes. Fiquei me sentindo incrível naquele dia, quase naquela sensação de fã que foi notado pelo artista preferido. Ele ainda não era famoso naquela época. Mas eu já o admirava. Colei o desenho dele na parede da kitnet que eu morava, feliz da vida.

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Sonhei com ele na noite de véspera da minha primeira dose da vacina. Fui me vacinar mas não consegui ficar feliz. “faltava tão pouco” era a frase que não saía da minha cabeça.

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“Não posso correr de mim mesmo Eu sei, nunca mais é tempo demais Baby, o tempo é rei”

—Black Alien

 
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from receitas práticas agora

engoliam os abacates e carregavam no trato digestivo as enormes sementes para depositá-las no campo mergulhadas em caca – os abacates, então, brotavam no tempo

pergunte a um abacatinho de mercado, desses selecionados olá, querido, saberia me dizer pra que serve o caroção e ouvirá do progresso, do mistério, do amor: nenhuma palavra sobre cocôs ancestrais

 
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from Line ليني

B869.91

quero te alfabetizar no idioma que vivo pra você ler meu velho livro vindo de uma biblioteca passado por diversas mãos com anotações a lápis caneta ou marca texto neon

da lista de quem pegou menos da metade leu às referências ninguém chegou o título o tempo apagou

sou achada por código no prefácio mostro meu melhor lado finjo ser interessante e envolvente e te frustro no quinto capítulo

uso um vocabulário que não te ensinei você não é capaz de me traduzir não me rabisque mais

me feche e me devolva continuarei a esperar algum poliglota disposto a estudar toda minha estrutura gramatical

 
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from brenno

Tomei a vacina. A ansiedade era grande, tanto que acabei tomando um dia antes do calendário certo por um erro meu... era pra tomar no dia do meu aniversário. A junção desses dois fatos mexeu um pouco com meu tico e teco, e acho que vou escrever um pouco sobre isso (e muito mais) para me distrair um pouco dessa ansiedade.

Faz 490 dias desde que foi decretado o primeiro “lockdown” por aqui, e não foi fácil para a imensa maioria das pessoas... e ainda não é para muitas outras. Avalanches de notícias e informações assustaram muitos, e como sociedade não sabíamos bem como lidar. O mundo tentava entender o que estava começando e se voltando para quem pudesse responder: profissionais, especialistas e pesquisadores em saúde, biologia, medicina, e etc. O mundo se voltou para as pessoas que trabalham diretamente com ciência e ou que dela fazem uso em suas práticas diárias. Esforços enormes foram feitos por esses, que salvaram muitas vidas. Esforços que resultaram na vacina que está no meu braço e no de outros milhões aqui e no mundo, e que espero que esteja no braço de muitos mais logo em breve.

Mas todo esse esforço e conhecimento sobre o que deveríamos fazer não foi o suficiente para nós e parece que nunca será. “Poderíamos ter feito mais, poderíamos de feito melhor”, acredito que essa deva ser a máxima, fazer sempre o melhor e mais. Mas muitos de nossos governantes, políticos, empresários e pessoas influentes trabalharam para ir no caminho contrário de todo esforço e conhecimento realizado por profissionais e comunidades sérias. Mentiram, desinformaram e mataram muitos de nós... sem eles a tragédia já seria grande, mas eles fizeram questão de deixar ainda maior. Muitos dos que não perderam suas vidas perderam empregos e sustento, esses poderiam também ter sido menos prejudicados se não estivéssemos envoltos nessa espiral de contaminação gigante.

É difícil, eu perdi amigos muito queridos, amigos meus perderam amigos e parentes próximos... sinto dor e choro por saber que não poderei mais abraçá-los. Eles poderiam ter tomado a vacina antes, eles poderiam estar num país onde o governo não incentivasse o contágio da população, não desinformasse e usasse o ódio, o medo, o sentimento de muitos a favor deles e da contaminação. Eles poderiam estar com seus amigos e entes queridos hoje.

Viver momentos históricos não é fácil, muitas vezes nem é perceptível, e certamente esse é um desses momentos. No futuro nossos erros como sociedade ficarão mais claros, os responsáveis por tantas mortes ficarão nos registros e no imaginário de nossos descendentes. Só espero que possam aprender com nossa história, pois infelizmente parece que nós não aprendemos.

Sei que nossas vidas não são pautadas em todos os momentos pelo que é ciência, por um saber que nem sempre é fácil de explicar e que pode entrar em conflito com outros saberes, outros discursos, sentimentos e crenças. Convivi com pessoas dentro da área de educação que eram formadas em áreas da saúde e que por não saberem como funciona uma vacina discursavam que essas poderiam fazer mal, que era um excesso de remédio, que o “natural” é melhor. Um discurso que eu achava perigoso, potencialmente criminoso e que é base de discurso antivacina, anticientífico... e isso acaba valendo para muitas outras pessoas e para muitos outros assuntos, não só vacinas. Somos regidos por nossas vivências, nossas experiências próximas, nossas relações pessoais e profissionais, sentimentos que cultivam em e perto de nós, e se isso por vezes se choca com um saber novo, que questiona e/ou confronta o que acreditamos até então ser o certo, nós fechamos os olhos e muitas vezes agimos contra. É assim, e infelizmente continuará sendo assim... e é por isso que comunicação científica é difícil, e por muitas vezes não é valorizado.

Mas apesar de todos esses vieses que possuímos, o trabalho científico tá aí... salvando vidas e indo parar no braço de muitos. Espero que esse trabalho continue, pois com certeza ainda vamos precisar muito dele.

Cada parágrafo aqui daria para destrinchar em textos enormes sobre o que aprendi, senti e vivi nesses 490 dias..., mas não consigo mais. Só quero que todos tomemos vacina e que “tudo isso logo acabe”.

Tomando vacina Vacina tomada
 
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from receitas práticas agora

ó, bicho-boia guardião das águas poças que teu rabo balançante suavize as muriçocas até a inundação

ó, princeso das fronteiras que voa, nada e penteia à minha matéria choca peço-te que conceda grasnos de direção

dá-me patas nadadeiras dá-me óleo besuntante para os dias de peleja para as quedas de elefante

trago-te ofertas: pão serenado pela lua quirela de boa tritura que dura, em tua moela o tempo da migração

mas se o ninho te conjura perdoa meu zum de abelha e que o vento em tuas penas proteja meu par de orelhas até a inundação

 
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from receitas práticas agora

do que é feito um urubu? um lago de água doce empoçada pelos anos: o tempo que leva o tombo do boi

do que é feito um urubu? vento pena ritmo flutuação o vulto dos vivos no rabo do olho e todas as delícias da terra

do que é feito um urubu? e se eu trocasse as suas penas uma a uma ao longo de doze luas seria outro urubu no retorno do sol? e se eu trocasse as suas rotas as suas dívidas e rearranjasse as angústias onde você passaria suas férias de verão?

do que é feito um urubu? come paca, não vira paca come peba, não vira peba come pomba, ah não, urubu! não coma pomba não

um urubu não é feito é música castelo de areia distância de hamming charada e o chute perfeito mas onde, por que, de que jeito do que é feito um urubu?

 
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from Notas de Aula

Anotações:

Leitura

O texto de Gadamer é crítico ao projeto iluminista, mas é uma crítica em certa medida conservadora e tradicionalista. Me incomodou a referência a Heidegger (nazista de merda). Apesar disso, não é um texto estúpido e tem sacadas interessantes. Trata da interpretação como processo dinâmico: iniciamos a leitura de um texto com várias preconcepções, que nos fazem projetar significados desde o começo. Essa projeção entra em conflito com o texto em si durante a leitura – se nossas preconcepções divergem do texto, ele começará a não fazer sentido. Para restituir o sentido ao texto, devemos reavaliar nossas preconcepções. Esse movimento circular se repete, e sabemos que estamos na direção certa quando temos poder preditivo, que pode ser confirmado com o texto. Esse processo me lembra a ideia de acomodação de Piaget e parece uma espécie de dialética.

Nesse momento Gadamer faz um passeio por lugares horríveis defendendo uma ideia específica de preconceito útil. Pois é. Passando vivo por esse trecho, vem algo mais relevante: ele critica o que chama de historicismo, que seria a tentativa de estudar a história objetivamente, se desvinculando da substância do que o passado tem a dizer. Uma análise historicista tende a nos separar do passado, como se não houvesse nada a aprender com suas obras, como se não falassem conosco. O texto entra então na defesa de uma ideia de clássico: clássicos seriam aqueles artefatos que estão acima do momento histórico e representam algo mais geral, ao qual pessoas de vários períodos históricos podem se conectar.

Tratando novamente da hermenêutica, Gadamer adota a regra segundo a qual devemos “entender o todo em termos do detalhe e o detalhe em termos do todo”. Quase dá pra ouvir Hermes Trismegisto cantarolando com Jorge Ben “o que está no altoooo é como o que está embaaaaixo”. Defende que o critério que define se entendemos algo ou não é justamente a harmonia dos detalhes com o todo. Mas ele não baseia essa regra em nada muito sólido, cita que é algo conhecido da retórica antiga e tenta mostrar que é auto-evidente. Eu não me convenci muito bem. E se a obra for heterogênea, sem unidade? Não é possível manter conflitos entre partes e todo sem prejudicar o entendimento?

O texto então critica a ideia de que a tarefa da hermenêutica seria colocar-se completamente na mente do autor para solucionar tudo que é estranho no texto. Não que ele considere errada a busca por harmonia, mas sim o foco no autor. Defende que a hermenêutica é na verdade um jogo entre o interpretador (com suas preconcepções derivadas de seu tempo e tradições) e a tradição em que o texto em si se insere. A tradição ultrapassa o sujeito (por isso não basta “entrar na mente do autor”), mas não se livra completamente dele, é uma relação de participação. Não só o autor participa de uma tradição, mas o leitor também. Nesse sentido, a interpretação é sempre produtiva: o significado interpretado sempre ultrapassa o intencionado pelo autor, inclusive porque depende também da nossa participação, condicionada a nossas tradições e a nosso tempo histórico.

Gadamer vê a distância histórica como algo positivo, é como se a obra de arte fosse fermentada pelo tempo e curtida das impurezas que encobririam completamente o sabor de sua importância permanente. Basicamente, a distância histórica valoriza o que é atemporal na arte. Nesse ponto eu me perguntava se não seria interessante aplicar essa ideia à arte de outras culturas em nosso próprio tempo histórico: a distância cultural valoriza aquilo que é universal ou ao menos comum. Achei a ideia interessante, mas não deveria parar aí: ser tocado apenas pelo que se tem em comum é fácil, mas muitas vezes é melhor ser chacoalhado pelo que é diferente. Claro que Gadamer não vai defender isso de jeito algum. Ele se esforça para dar mais valor àquilo que, além de antigo, pertence à mesma tradição do interpretador.

O texto então introduz o conceito de história-efetiva: a soma do objeto histórico em estudo com o ponto de vista histórico em que o investigador está imerso. A história-efetiva determina tanto o que nos parece válido investigar quanto o que se mostra como objeto de investigação. Esse é um conceito bem interessante, que acho que Gadamer não leva às últimas consequências no texto. Em uma associação meio desbaratinada, me lembra a ontologia que na física se chama de superdeterminismo: investigação e fenômeno estão conectados por um fio de causalidade inquebrável.

Depois de montar a ideia da história-efetiva, Gadamer dá uma punhalada final no objetivismo histórico, ou historicismo:

“Historical objectivism resembles statistics, which are such an excellent means of propaganda because they let facts speak and hence simulate an objectivity that in reality depends on the legitimacy of the questions asked.”

Por fim, o texto diz que é possível usar a história-efetiva em benefício da hermenêutica por meio da expansão do nosso próprio horizonte de compreensão. Não se trata de colocar-se no lugar do outro, o que seria útil apenas para objetificar o horizonte histórico do outro, mas sim de colocar-se em relação ao outro, compreender sua mensagem a partir de sua posição histórico-efetiva em relação a nós. Busca-se, assim, concordância, terreno comum. A expansão do horizonte interpretativo, portanto, só seria possível tornando-o mais universal, abstraindo a nossa particularidade e a particularidade do outro.

Aula

Na aula, o professor faz uma rápida passagem pela história da hermenêutica. A hermenêutica, na forma moderna, teve origem com a reforma protestante. No início se restringia à interpretação da bíblia. Conforme a burguesia começou a instaurar formas de governo constitucionais, a hermenêutica se expandiu para incluir a interpretação da lei. Apenas ao final do séc. XVIII a hermenêutica começou a ser aplicada à literatura, em paralelo ao surgimento do romantismo. Até então o ideal da literatura era a transparência, o que significa que qualquer dificuldade de interpretação era indicativa de literatura ruim. A ênfase na “genialidade” do autor, marca do romantismo, tornou os textos literários seculares mais parecidos com os textos bíblicos: importantes e difíceis de entender. A hermenêutica, portanto, habitou uma a uma as clareiras abertas pela secularização burguesa pós-iluminista até chegar à literatura.

Professor ressalta que o círculo hermenêutico é, para Gadamer, uma relação entre o leitor e o texto, mas outres autores usam a ideia de círculo hermenêutico como uma relação entre o leitor e o autor, tendo o texto como meio. Ressalta o padrão dinâmico do círculo hermenêutico: alternância entre compreensão da parte e do todo, ou do presente e do passado (como argumentado por Gadamer ao falar de tradições e horizontes de compreensão). Afirma que Gadamer limitou o círculo hermenêutico a uma relação entre períodos históricos em seu texto, mas que deveria se aplicar a relações entre culturas distintas mesmo que ambas atuais.

Explica a crítica de Gadamer ao objetivismo histórico e diz que é importante que essa crítica busca encontrar maneiras de aprender com o passado, é um reconhecimento de que o passado tem algo a nos dizer e não é apenas um objeto distante. Reforça que é impossível olhar qualquer coisa sem preconcepções. Critica o ponto de vista de Gadamer sobre preconceitos úteis e sobre a busca de terreno comum: é um projeto conservador que pode ser perigoso – é possível encontrar ressonância em ideias horríveis do passado, não apenas em ideias edificantes.

Por fim, cita uma crítica à posição de Gadamer, vinda de Hirsch. Em resumo, há dois pólos opostos que se chocam, o de Gadamer-Heidegger (tradição, interpretação subjetiva, verdade comum), e o de Hirsch-Kant (intenção, interpretação objetiva, imperativo categórico):

  • Gadamer: implícito no historicismo está o abandono do que o objeto analisado tem a nos ensinar – deixamos de ouvi-lo.

  • Hirsch: implícito no círculo hermenêutico está a instrumentalização do outro, o apagamento do autor em prol de nossos próprios fins.

Sinceramente, não me atrai muito essa briga. Entre Heidegger e Kant prefiro tirar um cochilo.

 
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from Line ليني

amanhecer

A cidade se deita e estou acordada. Ela dorme, e continuo acordada. Ela ronca. E eu ainda acordada. Oito horas de sono, pra mim, é luxo. E nessas noites não-dormidas, comecei a me encontrar no mundo. A solidão durante a madrugada é grande e por isso dei início a um processo de autoconhecimento. Busco algo para fazer, muitas vezes opto por algo que acho chato na tentativa do sono aparecer. Mas na maioria do tempo, aproveito meu pique pra crescer o quanto posso: artistando, lendo, estudando e escrevendo. Vem também o cansaço antecipado, diante dos pensamentos sobre o dia que virá logo a seguir e não estarei com meu cérebro descansado. E depois de algumas horas, a cidade se levanta e vejo o mundo com sua vida acontecendo. Suas energias parecem estar recarregadas, enquanto me sinto um celular sem bateria. Cresço comigo, mas a cada momento que olho o relógio torço pelo meu primeiro bocejo. Ele normalmente vem quando os pássaros já estão cantando e o dia clareando. Aprendi, na marra, que a insônia não pode ser totalmente ruim. Tem dias que tenho vontade de acordar as pessoas que gosto para que elas possam admirar comigo a beleza do amanhecer. Tem dias que ouço gemidos. Tem dias que esses gemidos veem de mim e eu fico feliz por lembrar que o orgasmo é um dos melhores remédios para me fazer dormir.

 
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