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from brenno

Tomei a vacina. A ansiedade era grande, tanto que acabei tomando um dia antes do calendário certo por um erro meu... era pra tomar no dia do meu aniversário. A junção desses dois fatos mexeu um pouco com meu tico e teco, e acho que vou escrever um pouco sobre isso (e muito mais) para me distrair um pouco dessa ansiedade.

Faz 490 dias desde que foi decretado o primeiro “lockdown” por aqui, e não foi fácil para a imensa maioria das pessoas... e ainda não é para muitas outras. Avalanches de notícias e informações assustaram muitos, e como sociedade não sabíamos bem como lidar. O mundo tentava entender o que estava começando e se voltando para quem pudesse responder: profissionais, especialistas e pesquisadores em saúde, biologia, medicina, e etc. O mundo se voltou para as pessoas que trabalham diretamente com ciência e ou que dela fazem uso em suas práticas diárias. Esforços enormes foram feitos por esses, que salvaram muitas vidas. Esforços que resultaram na vacina que está no meu braço e no de outros milhões aqui e no mundo, e que espero que esteja no braço de muitos mais logo em breve.

Mas todo esse esforço e conhecimento sobre o que deveríamos fazer não foi o suficiente para nós e parece que nunca será. “Poderíamos ter feito mais, poderíamos de feito melhor”, acredito que essa deva ser a máxima, fazer sempre o melhor e mais. Mas muitos de nossos governantes, políticos, empresários e pessoas influentes trabalharam para ir no caminho contrário de todo esforço e conhecimento realizado por profissionais e comunidades sérias. Mentiram, desinformaram e mataram muitos de nós... sem eles a tragédia já seria grande, mas eles fizeram questão de deixar ainda maior. Muitos dos que não perderam suas vidas perderam empregos e sustento, esses poderiam também ter sido menos prejudicados se não estivéssemos envoltos nessa espiral de contaminação gigante.

É difícil, eu perdi amigos muito queridos, amigos meus perderam amigos e parentes próximos... sinto dor e choro por saber que não poderei mais abraçá-los. Eles poderiam ter tomado a vacina antes, eles poderiam estar num país onde o governo não incentivasse o contágio da população, não desinformasse e usasse o ódio, o medo, o sentimento de muitos a favor deles e da contaminação. Eles poderiam estar com seus amigos e entes queridos hoje.

Viver momentos históricos não é fácil, muitas vezes nem é perceptível, e certamente esse é um desses momentos. No futuro nossos erros como sociedade ficarão mais claros, os responsáveis por tantas mortes ficarão nos registros e no imaginário de nossos descendentes. Só espero que possam aprender com nossa história, pois infelizmente parece que nós não aprendemos.

Sei que nossas vidas não são pautadas em todos os momentos pelo que é ciência, por um saber que nem sempre é fácil de explicar e que pode entrar em conflito com outros saberes, outros discursos, sentimentos e crenças. Convivi com pessoas dentro da área de educação que eram formadas em áreas da saúde e que por não saberem como funciona uma vacina discursavam que essas poderiam fazer mal, que era um excesso de remédio, que o “natural” é melhor. Um discurso que eu achava perigoso, potencialmente criminoso e que é base de discurso antivacina, anticientífico... e isso acaba valendo para muitas outras pessoas e para muitos outros assuntos, não só vacinas. Somos regidos por nossas vivências, nossas experiências próximas, nossas relações pessoais e profissionais, sentimentos que cultivam em e perto de nós, e se isso por vezes se choca com um saber novo, que questiona e/ou confronta o que acreditamos até então ser o certo, nós fechamos os olhos e muitas vezes agimos contra. É assim, e infelizmente continuará sendo assim... e é por isso que comunicação científica é difícil, e por muitas vezes não é valorizado.

Mas apesar de todos esses vieses que possuímos, o trabalho científico tá aí... salvando vidas e indo parar no braço de muitos. Espero que esse trabalho continue, pois com certeza ainda vamos precisar muito dele.

Cada parágrafo aqui daria para destrinchar em textos enormes sobre o que aprendi, senti e vivi nesses 490 dias..., mas não consigo mais. Só quero que todos tomemos vacina e que “tudo isso logo acabe”.

Tomando vacina Vacina tomada
 
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from receitas práticas agora

ó, bicho-boia guardião das águas poças que teu rabo balançante suavize as muriçocas até a inundação

ó, princeso das fronteiras que voa, nada e penteia à minha matéria choca peço-te que conceda grasnos de direção

dá-me patas nadadeiras dá-me óleo besuntante para os dias de peleja para as quedas de elefante

trago-te ofertas: pão serenado pela lua quirela de boa tritura que dura, em tua moela o tempo da migração

mas se o ninho te conjura perdoa meu zum de abelha e que o vento em tuas penas proteja meu par de orelhas até a inundação

 
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from receitas práticas agora

do que é feito um urubu? um lago de água doce empoçada pelos anos: o tempo que leva o tombo do boi

do que é feito um urubu? vento pena ritmo flutuação o vulto dos vivos no rabo do olho e todas as delícias da terra

do que é feito um urubu? e se eu trocasse as suas penas uma a uma ao longo de doze luas seria outro urubu no retorno do sol? e se eu trocasse as suas rotas as suas dívidas e rearranjasse as angústias onde você passaria suas férias de verão?

do que é feito um urubu? come paca, não vira paca come peba, não vira peba come pomba, ah não, urubu! não coma pomba não

um urubu não é feito é música castelo de areia distância de hamming charada e o chute perfeito mas onde, por que, de que jeito do que é feito um urubu?

 
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from Notas de Aula

Anotações:

Leitura

O texto de Gadamer é crítico ao projeto iluminista, mas é uma crítica em certa medida conservadora e tradicionalista. Me incomodou a referência a Heidegger (nazista de merda). Apesar disso, não é um texto estúpido e tem sacadas interessantes. Trata da interpretação como processo dinâmico: iniciamos a leitura de um texto com várias preconcepções, que nos fazem projetar significados desde o começo. Essa projeção entra em conflito com o texto em si durante a leitura – se nossas preconcepções divergem do texto, ele começará a não fazer sentido. Para restituir o sentido ao texto, devemos reavaliar nossas preconcepções. Esse movimento circular se repete, e sabemos que estamos na direção certa quando temos poder preditivo, que pode ser confirmado com o texto. Esse processo me lembra a ideia de acomodação de Piaget e parece uma espécie de dialética.

Nesse momento Gadamer faz um passeio por lugares horríveis defendendo uma ideia específica de preconceito útil. Pois é. Passando vivo por esse trecho, vem algo mais relevante: ele critica o que chama de historicismo, que seria a tentativa de estudar a história objetivamente, se desvinculando da substância do que o passado tem a dizer. Uma análise historicista tende a nos separar do passado, como se não houvesse nada a aprender com suas obras, como se não falassem conosco. O texto entra então na defesa de uma ideia de clássico: clássicos seriam aqueles artefatos que estão acima do momento histórico e representam algo mais geral, ao qual pessoas de vários períodos históricos podem se conectar.

Tratando novamente da hermenêutica, Gadamer adota a regra segundo a qual devemos “entender o todo em termos do detalhe e o detalhe em termos do todo”. Quase dá pra ouvir Hermes Trismegisto cantarolando com Jorge Ben “o que está no altoooo é como o que está embaaaaixo”. Defende que o critério que define se entendemos algo ou não é justamente a harmonia dos detalhes com o todo. Mas ele não baseia essa regra em nada muito sólido, cita que é algo conhecido da retórica antiga e tenta mostrar que é auto-evidente. Eu não me convenci muito bem. E se a obra for heterogênea, sem unidade? Não é possível manter conflitos entre partes e todo sem prejudicar o entendimento?

O texto então critica a ideia de que a tarefa da hermenêutica seria colocar-se completamente na mente do autor para solucionar tudo que é estranho no texto. Não que ele considere errada a busca por harmonia, mas sim o foco no autor. Defende que a hermenêutica é na verdade um jogo entre o interpretador (com suas preconcepções derivadas de seu tempo e tradições) e a tradição em que o texto em si se insere. A tradição ultrapassa o sujeito (por isso não basta “entrar na mente do autor”), mas não se livra completamente dele, é uma relação de participação. Não só o autor participa de uma tradição, mas o leitor também. Nesse sentido, a interpretação é sempre produtiva: o significado interpretado sempre ultrapassa o intencionado pelo autor, inclusive porque depende também da nossa participação, condicionada a nossas tradições e a nosso tempo histórico.

Gadamer vê a distância histórica como algo positivo, é como se a obra de arte fosse fermentada pelo tempo e curtida das impurezas que encobririam completamente o sabor de sua importância permanente. Basicamente, a distância histórica valoriza o que é atemporal na arte. Nesse ponto eu me perguntava se não seria interessante aplicar essa ideia à arte de outras culturas em nosso próprio tempo histórico: a distância cultural valoriza aquilo que é universal ou ao menos comum. Achei a ideia interessante, mas não deveria parar aí: ser tocado apenas pelo que se tem em comum é fácil, mas muitas vezes é melhor ser chacoalhado pelo que é diferente. Claro que Gadamer não vai defender isso de jeito algum. Ele se esforça para dar mais valor àquilo que, além de antigo, pertence à mesma tradição do interpretador.

O texto então introduz o conceito de história-efetiva: a soma do objeto histórico em estudo com o ponto de vista histórico em que o investigador está imerso. A história-efetiva determina tanto o que nos parece válido investigar quanto o que se mostra como objeto de investigação. Esse é um conceito bem interessante, que acho que Gadamer não leva às últimas consequências no texto. Em uma associação meio desbaratinada, me lembra a ontologia que na física se chama de superdeterminismo: investigação e fenômeno estão conectados por um fio de causalidade inquebrável.

Depois de montar a ideia da história-efetiva, Gadamer dá uma punhalada final no objetivismo histórico, ou historicismo:

“Historical objectivism resembles statistics, which are such an excellent means of propaganda because they let facts speak and hence simulate an objectivity that in reality depends on the legitimacy of the questions asked.”

Por fim, o texto diz que é possível usar a história-efetiva em benefício da hermenêutica por meio da expansão do nosso próprio horizonte de compreensão. Não se trata de colocar-se no lugar do outro, o que seria útil apenas para objetificar o horizonte histórico do outro, mas sim de colocar-se em relação ao outro, compreender sua mensagem a partir de sua posição histórico-efetiva em relação a nós. Busca-se, assim, concordância, terreno comum. A expansão do horizonte interpretativo, portanto, só seria possível tornando-o mais universal, abstraindo a nossa particularidade e a particularidade do outro.

Aula

Na aula, o professor faz uma rápida passagem pela história da hermenêutica. A hermenêutica, na forma moderna, teve origem com a reforma protestante. No início se restringia à interpretação da bíblia. Conforme a burguesia começou a instaurar formas de governo constitucionais, a hermenêutica se expandiu para incluir a interpretação da lei. Apenas ao final do séc. XVIII a hermenêutica começou a ser aplicada à literatura, em paralelo ao surgimento do romantismo. Até então o ideal da literatura era a transparência, o que significa que qualquer dificuldade de interpretação era indicativa de literatura ruim. A ênfase na “genialidade” do autor, marca do romantismo, tornou os textos literários seculares mais parecidos com os textos bíblicos: importantes e difíceis de entender. A hermenêutica, portanto, habitou uma a uma as clareiras abertas pela secularização burguesa pós-iluminista até chegar à literatura.

Professor ressalta que o círculo hermenêutico é, para Gadamer, uma relação entre o leitor e o texto, mas outres autores usam a ideia de círculo hermenêutico como uma relação entre o leitor e o autor, tendo o texto como meio. Ressalta o padrão dinâmico do círculo hermenêutico: alternância entre compreensão da parte e do todo, ou do presente e do passado (como argumentado por Gadamer ao falar de tradições e horizontes de compreensão). Afirma que Gadamer limitou o círculo hermenêutico a uma relação entre períodos históricos em seu texto, mas que deveria se aplicar a relações entre culturas distintas mesmo que ambas atuais.

Explica a crítica de Gadamer ao objetivismo histórico e diz que é importante que essa crítica busca encontrar maneiras de aprender com o passado, é um reconhecimento de que o passado tem algo a nos dizer e não é apenas um objeto distante. Reforça que é impossível olhar qualquer coisa sem preconcepções. Critica o ponto de vista de Gadamer sobre preconceitos úteis e sobre a busca de terreno comum: é um projeto conservador que pode ser perigoso – é possível encontrar ressonância em ideias horríveis do passado, não apenas em ideias edificantes.

Por fim, cita uma crítica à posição de Gadamer, vinda de Hirsch. Em resumo, há dois pólos opostos que se chocam, o de Gadamer-Heidegger (tradição, interpretação subjetiva, verdade comum), e o de Hirsch-Kant (intenção, interpretação objetiva, imperativo categórico):

  • Gadamer: implícito no historicismo está o abandono do que o objeto analisado tem a nos ensinar – deixamos de ouvi-lo.

  • Hirsch: implícito no círculo hermenêutico está a instrumentalização do outro, o apagamento do autor em prol de nossos próprios fins.

Sinceramente, não me atrai muito essa briga. Entre Heidegger e Kant prefiro tirar um cochilo.

 
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from line ليني

amanheceu

A cidade se deita e estou acordada. Ela dorme, e continuo acordada. Ela ronca. E eu ainda acordada. Oito horas de sono, pra mim, é luxo. E nessas noites não-dormidas, comecei a me encontrar no mundo. A solidão durante a madrugada é grande e por isso dei início a um processo de autoconhecimento. Busco algo para fazer, muitas vezes opto por algo que acho chato na tentativa do sono aparecer. Mas na maioria do tempo, aproveito meu pique pra crescer o quanto posso: artistando, lendo, estudando e escrevendo. Vem também o cansaço antecipado, diante dos pensamentos sobre o dia que virá logo a seguir e não estarei com meu cérebro descansado. E depois de algumas horas, a cidade se levanta e vejo o mundo com sua vida acontecendo. Suas energias parecem estar recarregadas, enquanto me sinto um celular sem bateria. Cresço comigo, mas a cada momento que olho o relógio torço pelo meu primeiro bocejo. Ele normalmente vem quando os pássaros já estão cantando e o dia clareando. Aprendi, na marra, que a insônia não pode ser totalmente ruim. Tem dias que tenho vontade de acordar as pessoas que gosto para que elas possam admirar comigo a beleza do amanhecer. Tem dias que ouço gemidos. Tem dias que esses gemidos veem de mim e eu fico feliz por lembrar que o orgasmo é um dos melhores remédios para me fazer dormir.

 
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from line ليني

escrever é uma vávula de escape ou tentativa às vezes os pensamentos nos prendem a ponto de não sair uma palavra colocar versos em papéis, telas mentes e corações escrever com raiva, ódio ou amor sobre você, sobre mim ou sobre ninguém a liberdade da escrita é algo que se sente é a tentativa de demonstrar sentimento de decodificar meu pensamento que normalmente nem eu entendo

 
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from line ليني

Primeiro encontro

Quando pensamos em sexo, a grande maioria das pessoas já visualizam mentalmente o sexo hétero. Como lésbica, penso, instantaneamente, em um sexo com mulheres. É engraçado como isso faz com que várias situações que seriam constrangedoras, caso acontecessem entre homem e mulher, não sejam. Essa semana aconteceu algo engraçado que me deixou reflexiva sobre essa liberdade e intimidade que só existe entre as mulheres – conversamos umas com as outras nas filas dos banheiros sobre sentimentos como se fossemos amigas de longa data. Geração do Tinder, né, vamos lá. Terminei meu relacionamento há alguns meses. 9 meses de namoro, terminamos porque ela precisou ir embora para outro estado. Enfim, fiquei naquelas. Segui tentando lembrar como é todo esse jogo de flertar e desenrolar. Instalei o Tinder mais uma vez. Mudei a foto, renovei a minibiografia e finalmente estava pronta para atacar. Match! Ela estuda psicologia aqui na UFRJ , é vegetariana e me encantou quando começou a falar aleatoriedades. Tivemos horas de assuntos nada entediantes e isso é um ótimo começo para uma interação a partir de um aplicativo. Curtíamos as mesmas músicas, ela adorava cerveja e fumava maconha. Marcamos de ir ao CCBB e depois tomamos uma cerveja na Ouvidor, uma rua famosa por sua boemia em meio ao caos do centro do Rio de Janeiro, e ali no bar bebemos alguns litros de cerveja. Gostaria de fazer um adendo irrelevante: o litrão de Brahma custava R$16. Depois que algumas cervejas foram tomadas, o álcool começou a fazer efeito e as duas deixaram a vergonha de lado para que o beijo saísse. Desenrolamos. Fomos para a casa dela. Beijos pra lá e pra cá. Amassos pra lá e pra cá. Eis que lembro de uma sequela sapatão: não cortei minhas unhas. Diversas cenas de vaginas arranhadas por unhas grandes me vêm à mente. Argh, sinto nervoso só de pensar. Será que a insegurança que senti ali é semelhante a de um homem que está sem camisinha na carteira?! Acho que não, porque eles nem parecem se preocupar tanto quanto as mulheres. Tentei não pensar na minha unha, mas isso me vinha à mente o tempo inteiro. Pensei em roer, mas sem uma lixa a situação não ficaria muito boa também. Pensei em pedir um cortador de unha pra ela, na cara dura; mas não tive coragem por ainda ser o primeiro encontro. Ainda tinha a incerteza se iríamos transar ou não. Até que em um momento, percebi que já estávamos tirando nossas roupas. Ia rolar. Quando fui pensar novamente sobre o tamanho de minhas unhas, o pensamento foi cortado pelo desejo e me vi sentindo seus pelos e seus gostos na minha boca. Esqueci da unha, meus dedos já estavam dentro dela e então eu percebi que minhas unhas talvez nem estivessem tão grandes quanto imaginei. Aprendi a lição e atualmente, tenho um cortador de unha em meu molho de chaves. O vai e vem, os corpos suados se encostando... mas sinto algo estranho no meio da transa. As minhas coxas estavam mais molhadas do que deveriam… porque minha menstruação decidiu descer naquele exato momento. No mesmo momento entendi o estresse e a carência que senti durante aquela aquela semana. E agora?! Aviso pra ela?! Ela nem percebeu ainda!! São muitos pensamentos!! Ai meu deus!!! Comecei a ficar desesperada e logo ela percebeu que minha feição estava estranha. Parei, olhei pra ela e falei “Cara, acho que minha menstruação desceu”. Eu não achava, já tinha certeza, mas não sabia como falar. Ela olhou as próprias mãos cheias de sangue. Fiquei esperando uma reação e aqueles segundos demoraram a eternidade. Ela fez uma cara normal. Me deu um beijo, foi ao banheiro para lavar as mãos e terminamos no chuveiro o que já tinha começado. Depois de muita risada, ainda colocamos o lençol de molho no sabão. A liberdade no sexo lésbico me encanta, me fascina. Transar com pessoas do mesmo sexo que você te obriga a reinventar o ato, e aprender a transar diferente, porque só nos ensinam sobre o sexo hétero baseado na penetração. Episódios como esse acontecem e eles vêm para nos dar mais experiência. Sexo é muito mais do que mostram que é. Não é limitado nem previsível, tem situações constrangedoras e engraçadas. Essa não foi a primeira vez que me senti constrangida na transa e, com certeza, não será a última. Às vezes, essas situações podem render até um texto para entreter quem sabe que isso acontece.

 
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from line ليني

Sem sexo, com drogas e sem rock'n’roll

Nunca gostei de escrever crônicas, mas senti que esse dia merece ser eternizado em algum lugar. Talvez tenha sido o dia mais louco da minha vida, na verdade. E tudo começou na UFRJ. Era 2016. Eu era aluna da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, a famosa UERJ. Em um dia qualquer, meu amigo Eli, aluno de Biblioteconomia da UFRJ, me convidou para ir a uma festa na Reitoria. Nunca tinha ido e não sabia como chegar, então fui para sua casa e partimos juntos para o campus Fundão. Andamos uns 20 minutos até o ponto de ônibus, e eu nem pensei na ideia de gravar o caminho. Mesmo se tentasse, viramos em tantas ruas que não sei se conseguiria me lembrar. Chegamos na festa, muitas pessoas do nosso grupo estavam desanimadas e por isso fui dar umas voltas pra ver se encontrava alguns amigos que estudavam por lá. Achei meu amigo Eduardo. Nos conhecemos desde que tínhamos 12 anos e resolvemos aproveitar a festa juntos por um tempo. Procurei Eli e marcamos um horário para nos encontrarmos: às 21h, embaixo de uma árvore específica. Encontrei outro amigo, Thalles, e ficamos juntos até umas 20h40. Fui pra debaixo da árvore e esperei. Esperei até 21h. Não tinha ninguém que eu conhecia. Tentei ligar pro Eli, mas meu celular descarregou. Minhas coisas não estavam lá. E comigo só tinha um celular descarregado, R$20, nenhum documento e eu não fazia ideia de como sair daquela ilha. É aí que a noite mais louca da minha vida começa. Comecei a caminhar pelo Fundão com Thalles pensando sobre qual seria a solução para minha vida. Thalles morava em uma república na Ilha do Governador, mas não podia receber visitas, ou seja, eu não poderia dormir por lá. Caminhando, caminhando… parei no ponto de ônibus. E encontrei a Jes, uma mina de Nova Iguaçu também, que eu nunca tinha falado diretamente, mas sempre estávamos nos mesmos eventos e tínhamos muitos amigos em comum. Ela estava acompanhada de Rebeca, pois as duas passaram aquele dia rimando e declamando poesia no BRT tentando tirar uma grana. Contei pra Jes a minha situação desesperadora e ela me deu uma solução: ir para uma festa com ela em Botafogo. Seria em uma casa, eu poderia recarregar a bateria do meu celular e me comunicar com o mundo, então fui. Enquanto esperávamos o ônibus, Jes e Rebeca droparam um nbome. O 485 [Fundão x General Osório] veio e Jes conseguiu desenrolar com o motorista para entrarmos pela porta de trás – só eu estava sem nada, mas no fim ele liberou para as três – e assim que entramos no ônibus um menino branco falou “Agora virou bagunça isso aqui?!”, deixando a Rebeca mais exaltada do que ela estava. A primeira saga do ônibus: Rebeca estava puta. O menino foi desrespeitoso e ela começou a discutir com ele. Ele gritava que ela era favelada e mandava que ela calasse a boca. Eu nem queria demonstrar que estava junto. Eu só queria chegar na tal festa. Quando olhei, assisti Rebeca dando um chute na nuca do menino, que já estava sentado nas escadas da porta de saída do ônibus. Ele levantou com o objetivo de bater nela, mas os amigos dele e muitas pessoas do ônibus disseram que ele estaria errado de encostar a mão em uma mulher. Ela retirou uma agulha de crochê da bolsa e começou a ameaçá-lo. Jes conseguiu convencê-la a não fazer besteira. Ele só não bateu nela porque as pessoas realmente o impediram. O ônibus parou quando passou por uma viatura policial e revistaram apenas Rebeca – uma menina preta vinda do Capão. Rebeca, na defensiva, disse que o menino vendia drogas ecstasy e LSD pelo campus – ela nunca tinha visto o menino na vida – e que não o revistaram porque ele tinha cara de playboy. Os policiais retiraram o menino do ônibus para uma revista mais específica. Houve paz por alguns minutos, até que três meninos brancos, sem camisa, entraram e um deles começou a ser cordial com Rebeca, dizendo que era nascido e criado na Penha, um bairro do subúrbio do Rio de Janeiro, e ela começou a ser agressiva com ele nas palavras. O mais engraçado é que enquanto ela discutia com eles, ela rimava as ofensas. O menino ficou irritado, mas um dos amigos comprou a briga e foi discutir com Rebeca. Na verdade, depois de duas frases ele queria bater nela e, novamente, pessoas ao redor tiveram que dizer que ele não deveria bater em mulher. Enquanto tudo isso acontecia, Jes estava quieta. Mas esse último menino deixou Jes irritada, e no fim até ela entrou na discussão. Ela estava fumando um cigarro na janela do ônibus, apagou e foi até o menino. No ouvido dele falou baixinho “Tu baixa tua bola, porque você não é o rei aqui”. E o menino ficou quieto. Graças a Deus o ônibus chegou na Álvaro Ramos, nosso ponto em Botafogo. Ao descermos do ônibus, Rebeca já estava desestabilizada. Elas se conheceram naquele dia e Jes não sabia nada sobre ela. Contou pra gente que perdeu uma filha e que estava com câncer de mama. Chateada com as situações que aconteceram, queria devolver as moedas que arrecadou com Jes durante todo o dia nos ônibus e jogou todas no chão. Disse que não ia nos acompanhar até a “Open House”. Jes conseguiu convencê-la. Iríamos para a casa e ateliê do Vinus. Eu não conhecia ninguém, só queria um lugar para dormir e recarregar meu celular. E aí começa a terceira parte da noite… Chegamos lá, era perto da Álvaro Ramos, uma rua conhecida pelo bairro Botafogo. Assim que entrei na casa, me deparei com três pessoas: Vinus, Glória e Lili. Uma delas estava pelada e essa mulher se apresentou como Glória, nome de uma personagem de Clarice Lispector. Ela dizia que era famosa, e que era só jogar o nome dela no Xvídeos. Quando me viu suando devido à leve subida para chegar, Glória disse que eu também poderia tirar minhas roupas, já que estava calor. Estava no meio de pessoas do cenário pós-pornô e, nudista como sou, tirei minha roupa rapidamente. Depois de alguns minutos, senti que estava sendo observada com olhares diferentes. Não eram olhares de julgamento, mas eram olhares diferenciados para minha forma de agir na primeira visita à casa de uma pessoa que eu nem conhecia. Nesse momento, comecei a prestar mais atenção em detalhes. Glória estava bêbada. As outras duas pessoas que estavam na casa comentaram que tinham acabado de dar um banho nela. E tudo fez sentido: Glória só estava pelada porque estava bêbada, prestes a dar perda total. Vesti minha roupa lentamente, tentando fingir que nada tinha acontecido. E assim fui recepcionada naquele espaço. No meio desse constrangimento, consegui colocar meu celular para recarregar. Finalmente! E mandei mensagem para Eli. Ele disse ter levado minhas coisas embora porque achou que eu voltaria pra casa dele sozinha. Fiquei extremamente chateada porque tínhamos um combinado. Avisei onde estava, que estava segura e iria passar a noite ali em Botafogo. A partir daí, só me dispus a aproveitar porque já era tarde demais pra transitar pelo Rio de Janeiro sozinha, principalmente sentido Zona Norte, sendo preta e sem documentos. Todos pareciam muito legais. E chegou uma atriz pornô famosa no Brasil. A chamaremos de Gabriela Chocolate. Quando ela chegou e se apresentou, as pessoas realmente queriam ver seus vídeos. Colocaram um em que ela fazia anal e todo mundo começou a assistir junto. Chocolate já conhecia Rebeca de outro lugar. Não sei qual e, depois de tanta confusão, eu gostaria mesmo de não saber. Rebeca, como desde o início da noite, parecia estar decidida a desencadear alguma discussão ou briga. O dono da casa, Vinus, ficou extremamente irritado com as provocações que estavam acontecendo entre Chocolate e Rebeca e logo pôs um fim em toda discussão, pedindo, aos berros, para que Rebeca sossegasse e desse descanso para Chocolate. A casa não era grande. E todos estavam fugindo de Rebeca. Sua energia pesada pairava em cada cômodo que parava. As pessoas estavam na sala, ela chegava; as pessoas iam para a varanda, ela tentava novamente se reaproximar, e as pessoas iam para a sala. Eu era uma dessas pessoas. Estava realmente fugindo daquela mulher depois de uma viagem um pouco assustadora dentro do 485. Lili, uma mulher com falas tão sensatas sobre qualquer assunto falado naquela noite, percebeu que o clima não estava agradável e muito menos positivo. Foi quando ela viu a necessidade de uma intervenção espiritual naquele lugar. Lili chamou todos para a sala. Pediu que fizéssemos uma roda e colocou alguns pontos de Orixás pra tocar. Eu nunca tinha sequer ouvido pontos, mas estava lá rodando como se aquilo fizesse parte da minha rotina. Aos poucos, as músicas foram se intensificando, e Rebeca se deitou no sofá que ficava em um canto da sala. E conforme as pessoas iam entrando no clima, talvez espiritual, a menina irritada ia adormecendo. Até que dormiu de vez e Lili agradeceu. Disse que ela estava “pesando o rolê”. Chegaram Renan e Brenno. Eles tinham se conhecido no Tinder e aquele era o primeiro encontro. Renan não gostou muito de Brenno, que ficava forçando uma conversa desesperadamente. Em um determinado momento da noite, Renan começou a ignorá-lo. Sabendo que Renan gostava de drogas, Brenno se ofereceu para comprar cocaína. Os cheiradores de plantão, seis pessoas de nove – se Rebeca estivesse acordada, estaria cheirando também –, aceitaram sem hesitar e Brenno liberou o primeiro galo para o pó. Selecionaram duas pessoas, não lembro quais, para fazerem a “missão” com aqueles R$50. Brenno não usava drogas, dizia nem ter vontade e apenas queria ver o pessoal se divertindo. A bebida alcoólica era caipirinha porque cachaça custa menos que cerveja. E limão também. Todos queriam fumar um baseado, mas só tinha um pedaço que daria para bolar apenas um e, como bons maconheiros, entramos no consenso que seria utilizado em um momento muito propício: quando todos concordassem. A noite foi passando, as pessoas falavam muito com suas mentes aceleradas pela droga que corria no sangue. E como a cocaína é uma droga que acaba rápido, fizeram a missão de comprar pó durante 4 vezes naquela noite. No total Brenno gastou R$200 em uma substância que ele nem usava. Ele falava mais do que as pessoas drogadas. Ele não parava de falar sobre coisas extremamente aleatórias e Renan ficava irritado por ter levado aquele menino para um rolé com os amigos. A noite foi passando… as pessoas foram se cansando… e a bebida acabou. A larica chegou, e rolou uns sanduíches. Já estava frio do lado de fora. Fomos entrando pra sala e nos acomodando. Chocolate, Brenno e Renan foram embora. Restou Glória, Jes, Rebeca – que ainda dormia –, Vinus, Lili e eu. E mesmo com todo o barulho, Rebeca não acordava por nada. Todo mundo que olhava pra ela dizia que a macumba da Lili estava forte. As conversas aconteciam de forma aleatória e mesmo sem conhecer aquelas pessoas até algumas horas atrás, eu conseguia me inteirar dos assuntos. Um ambiente de esquerda com artistas e acadêmicos de humanidades que estavam dispostos a discutir sobre os temas mais inusitados. E por volta das cinco horas da manhã surgiu o consenso de fumarmos aquele baseado. As conversas se estenderam por um tempo entre 40 e 60 minutos. E aos poucos todos foram sentindo sono, à medida que o dia ia amanhecendo. Decidi dormir, naquela sala cheia de pessoas desconhecidas, para logo ir para casa. Todos dormiram. Rebeca acordou desesperada e disse que iria embora. Em menos de 5 minutos desapareceu como se nunca tivesse pisado ali. Até que alguém bateu à porta. Todo mundo acordou assustado. E o dono da casa foi ver: era Brenno, aos prantos. Quando entrou, todos ainda estavam espantados e atentos para ouvir o relato de Brenno sobre o que tinha acontecido. Ele começou a contar que Renan não estava satisfeito com os comportamentos dele e por isso passou a noite inteira ignorando-o. Quando foram embora para a casa de Renan, Brenno ainda tinha a expectativa que algo sexual fosse acontecer. E se frustrou porque Renan não dirigiu sequer uma palavra a ele. E foi se deitar. Brenno contava isso sentado no chão enquanto chorava. Todos estavam depositando extrema atenção nas palavras que saíam da boca daquele menino. E ele contou que se desculpou por não ter sido uma pessoa agradável, mas fez isso de uma forma um pouco diferente. Ele pediu desculpas de acordo com a cultura japonesa, pois era a cultura que mais admirava. Disse ter se sentado no chão e se curvado para Renan. Ele demonstrou como fez e disse algumas frases em japonês. Nesse momento as pessoas da sala se entreolharam enquanto seguravam o riso. Confesso que falhei e umas risadas escapuliram. Lili disse que Brenno não se ajudou quando se curvou para Renan, que “a vida não é um anime”. O menino ainda chorava. E depois de um café, se acalmou e decidiu ir pra casa. Ele também pegaria o metrô e decidi aproveitar essa carona para encontrar Eli e pegar minha bolsa de volta. Combinei o horário certo, avisei às pessoas que iria partir. Jés se certificou algumas vezes que estava tudo sob controle para que eu pudesse ir embora em segurança. Eu pedia desculpas por ter invadido um rolé para em que não fui chamada, mas Vinus chegou até a agradecer minha presença. Não sei até que ponto aquilo foi sinceridade ou pura cordialidade. Desci aquela rua com Brenno, aguardamos o metrô juntos, enquanto ele tentava puxar assunto e eu não estava muito disposta. Consegui chegar na estação São Cristóvão e de lá peguei um trem, sentido Japeri. Parei na estação Méier para pegar minha mochilinha. Eli estava lá me esperando. Não tive nem coragem de trocar palavras com ele porque eu ainda estava com raiva, pois pelo vacilo dele muitas coisas poderiam ter acontecido. Muitas coisas ruins. Mas eu estava bem agora. Estava com minhas coisas, meu dinheiro, documentos e o melhor de tudo: a caminho de casa. E cheguei bem, sem que meus pais desconfiassem de qualquer coisa que passei naquela noite extraordinária. Toda vez que tento contar essa longa história da minha vida, parece mentira. Às vezes, nem eu acredito, mas lembro que tenho Vinus, Lili e Jés no Facebook e que eles não apareceram lá por acaso. E certamente, o maior ensinamento que levarei sobre essa noite é que, não importa o erro que eu cometer, o importante é não pedir desculpas em japonês.

 
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from Notas de Aula

  • Prof.: Paul H. Fry (Universidade de Yale)

  • Vídeos: 1 – Introdução 2 – Introdução (cont.)

  • Leituras:

    • Foucault: “O que é um autor?”
    • Barthes: “The Death of the Author”

Anotações:

Interessantes os textos. Foucault fala de “fundadores de modos de discurso” como Marx e Freud, que seriam sempre revisitados e reinterpretados pelos marxistas e psicanalistas e que representam um tipo de discursividade, em contraste com cientistas como galileu e newton, que são superados e englobados pela discursividade “impessoal” do método científico. A descoberta de um texto novo de Marx, por exemplo, influencia o marxismo atual (como aconteceu com o estudo dos Manuscritos Econômicos e Filosóficos de 1844), ao passo que um texto novo de Galileu seria mera curiosidade histórica. Foucault fala disso no contexto do seu conceito de “função autor”: o autor é uma “cola” que mantém a coerência de uma obra, ou uma linha que traça os limites do que se considera uma obra. No caso dos modos de discurso, o autor “fundador” passa a ser usado como cola de uma obra que ultrapassa a si mesmo. Outros detalhes: Foucault localiza a origem da autoria na repressão: historicamente, passa-se a apontar autores quando se quer puni-los, ou seja, quando há a possibilidade de transgressão; enfatiza também que muitos tipos de discurso não utilizam a função autor.

Já Barthes argumenta que há diversas vozes ou perspectivas no texto: a do autor (como sujeito consciente da escrita), a da pessoa de carne e osso que possui ideias que dão forma ao texto, a dos personagens, a do momento histórico etc. comparando isso à tragédia grega em que palavras ambíguas são entendidas de maneiras distintas por personagens diferentes, mas em que o espectador consegue ver por todos esses ângulos (no caso do texto, seria o leitor). Para Barthes, portanto, o leitor é o foco da escrita após a “morte” do autor.

O professor chama a atenção para o período histórico em que Foucault e Barthes escreveram seus artigos (~ anos 60), insistindo na ideia de que são artigos contra a “autoridade” percebida na noção de autor, no sentido policial ou coercivo do termo. O autor seria um limitador da interpretação, um tolhedor dos significados – Barthes tem uma passagem em que zomba dos críticos, que adoram a ideia de autor pois lhes permite “desvendar” o “significado real” da obra e encerrar o caso. Foucault teria tentado recuperar a noção de autor – descartando a coerção – quando fala de Marx e Freud como fundadores de modos de discurso, flexíveis e permeáveis aos desenvolvimentos posteriores, cumprindo apenas uma “função autor” ampla sem imposição de verdades. Ao final da aula, uma contraposição ao pensamento de Foucault e Barthes é citada: a condição de autor, de sujeito, é algo que pode ser apropriado e reinvindicado por pessoas marginalizadas como ferramenta de afirmação e representatividade.

Vejo essa última crítica com curiosidade. Certamente as ferramentas do amo não podem destruir os sistemas do amo (leia-se: modernidade, colonialidade...), mas quais são essas ferramentas? Autoridade coerciva sim, mas também objetificação. A posição de Foucault e Barthes parece extremamente objetificadora, ao menos para o(a) autor(a). Barthes garante apenas ao(a) leitor(a) um papel de sujeito, Foucault também parece fazer isso implicitamente. No entanto, outra ferramenta do amo que pode complicar tudo isso é o individualismo hegemônico – do lado de Foucault e Barthes o indivíduo leitor-sujeito como foco de sentido (o que Foucault ameniza com os “modos de discurso”, se vistos como tradições coletivas), do lado da crítica um indivíduo autor-sujeito como foco (o que poderia ser amenizado se o autor-sujeito fosse não uma pessoa, mas uma coletividade, por exemplo). O lado do “autor-sujeito” foi apresentado de forma superficial na aula, seria interessante pensar a construção de autorias coletivas ou fluidas ou, de outra forma, anticapitalistas/decoloniais.

 
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from gbrlpires

Ontem fiquei pensando no tempo que não publico nada em lugar algum, sem que seja a timeline das redes sociais.

Fiquei sentindo falta de escrever, de ter um blog, de jogar pensamentos mais elaborados. De repente eu percebi: mas eu tenho um blog. Tenho uma newsletter também. Tenho uns textos perdidos por aí que nunca ninguém viu. Por que eu não publico nada lá?

Esse pensamento chacoalhou umas tantas inquietações que já me perseguem desde muito. Percebi que eu sinto falta mesmo é de escrever sem culpa. Sem a gramática perfeita. Sem ser o texto coeso com início, meio e fim. Sem ser o textão, mas também sem ser o textinho. Ou qualquer fucking coisa que eu tenha vontade. E que é isso que me impede de publicar um pouco dos sem número de coisas que passam pela minha cabeça e pelo meu corpo.

A culpa.

Já não aguento mais sentir culpa por ser quem eu sou ou quero ser. Com todos os defeitos. A pessoa horrível, ou boa, ou só a pessoa que sou. Incoerente e bagunçada, caótica. Inteligente ou meio burra. Cafona, hipster. Diferentona ou comum demais, que seja.

E nessas eu acabo sendo nada.

 
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from dobrado

Era Agosto de 2021, esse ano não houve festa junina e uma mínima esperança de festas de fim de ano com a família ainda brilhava timidamente dentro do coração das pessoas. Foi um ano difícil, e continua sendo, para todos nós.

No quinto dia daquele mês eu tive uma ideia:

Vou fazer uma instância para pessoas pretas e pardas brasileiras. Sugestões de nomes?

Meu mano André Farias respondeu na hora com sugestões de nomes. E logo após isso eu já havia registrado o domínio bantu.social.

O Mastodon

Ta, mas e daí? O que é uma “instância”?, você me pergunta.

Instância é o nome que se da para sites que rodam o Mastodon. Uma rede social federada que usa o protocolo Activity Hub.

Ta, mas e daí?, você sabiamente me pergunta de novo.

Ninguém precisa saber como o Mastodon funciona por baixo dos panos, mas imagine um mundo onde você, na sua conta do Twitter, pode falar com seus amigos do Facebook e Instagram? É quase isso, só que melhor, com mais moderação, pessoas de verdade, sem anúncios, etc.

O Mastodon se parece bastante com o Twitter, com alguns recursos. Mas não existe “um mastodon” e sim várias redes interligadas. Para pessoas brasileiras ou que falam português, nós temos:

  • masto.donte.com.br
  • mastodon.com.br
  • social.pesso.al
  • colorid.es

Com essas quatro instâncias (e centenas de outras) as pessoas podem se comunicar com pessoas de outras instâncias. Mas cada uma uma tem suas próprias regras, administradores e tema.

Se quiser saber mais, sobre redes federadas, recomendo esse excelente episódio do Toca do Saci: https://klh.radiolivre.org/library/tracks/76/

A bantu.social

Naquele Agosto, a ideia era criar uma instância para pessoas pretas e pardas. Mas eu sou preto e uchinanchu. Achei que seria mais justo usar o termo “não-brancas” e deixar a bantu aberta também para pessoas amarelas e indígenas.

Na bantu temos regras bem específicas contra racismos e preconceitos. Hoje somos em torno de 20 pessoas ativas. Postando discutindo coisas sérias e bobagens do cotidiano. Isso se tornou um espaço para conhecermos a nós mesmos e pessoas parecidas conosco. :)

 
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from 22

Álbum: The Bitter Truth Artista: Evanescence Data de lançamento: 26 de março de 2021 Gravadora: BMG

Tracklist

“Artifact/The Turn” “Broken Pieces Shine” “The Game is Over” “Yeah Right” “Feeding The Dark” “Wasted on You” “Better Without You” “Use My Voice” “Take Cover” “Far From Heaven” “Part of Me” “Blind Belief”

Favoritas na primeira ouvida

Artifact/The turnBroken Pieces Shine Wasted on You Far From Heaven

Comentários:

Ao começar “Artifact/The turn”, eu tive que aumentar o som. Senti que era tudo que eu tava esperando em um novo álbum da banda. Quase como se fosse o retorno do The Open Door (meu álbum preferido deles). Minhas expectativas aumentaram muito a partir daqui.

A transição pra “Broken Pieces Shine” foi um carinho e uma porrada ao mesmo tempo. As duas músicas juntas me convenceram que esse é um bom álbum e eu nem precisava ouvir o resto. Mas eu ouvi.

“The game is Over” e “Yeah Right” já tinham sido lançadas anteriormente. A única surpresa é que TGIO cresceu bastante pra mim, ouvindo no conjunto do álbum. Eu gosto muito do começo de YR, mas a música não segue pra onde eu esperaria que ela fosse e isso pode ser bom ou ruim: a ser constatado ainda.

Passando por “Feeding the Dark”: por que eu estou com vontade de chorar? Alguma coisa conectou. E essa ser a música para fazer a transição pra “Wasted on You” pareceu certo. Tudo certo! Um ano ouvindo WoY e a música só melhora! Tive um pouco de birra quando ela foi lançada, mas fui conquistada com a versão feita com a Lindsey Sterling. Eu aprendi a amar ambas!

“Far From Heaven” pareceu uma continuação de “Lost in Paradise” do Ev3 (2011), pelo menos os acordes e a forma como começou me lembraram. É como se nós estivéssemos perdidos no paraíso e, de tão perdidos, nós nos afastamos dele. Nos afastamos de tudo que poderia nos fazer bem, querendo ou não.

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Vou precisar ouvir mais algumas vezes pra sentir o álbum, ler as letras e entender mais do que se trata. No geral, eu achei um ótimo álbum! Um conjunto pra ouvir do início ao fim, sem necessidade de pular nenhuma música. Valeu a espera de 10 anos por um álbum de inéditas!

Vi muita gente comentando que esse é o álbum da carreira do Evanescence. No Metacritic, o The Bitter Truth tem a melhor nota dentro da discografia da banda, 84 pontos. Concordo que esse é o melhor álbum da carreira deles? Não. Mas com certeza é um dos melhores.

 
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from 22

Completei os 30 dias de Yoga com a Adriene! Fiquei muito feliz com tudo que passei e aprendi nesse mês. Teve cansaço, relaxamento, introspecção, suor, choro, risos, vontade de “pular” um dia e até desistir, acho que faz parte do processo.

O que vai ser daqui para frente, eu ainda não sei, mas espero experimentar diferentes tipos de yoga, diferentes práticas, diferentes instrutores até achar o que me faz sentir bem (find what feels good, já dizia a Adriene).

Registrei tudo, dia a dia, no mastodon. Para que não se perca, resolvi deixar registradinho aqui também, lá vai:

Dia 1

Sobre se convidar à mudança. Um convite à observação da nossa respiração e do nosso corpo.

A prática começou simples, com foco na respiração, e foi cheia de esforço. Já não tenho a mesma concentração, nem o mesmo equilíbrio ou força de antes. Tô com as pernas bambas, mas feliz por ter começado.

Day 1 – Invite | BREATH – A 30 Day Yoga Journey https://youtu.be/ZSIp00SewO8

Dia 2

A cada nova respiração nós chegamos a algum lugar, independente de onde seja.

Fazia tempo que não ouvia minha respiração tão claramente. A prática de hoje foi mais leve que a anterior, mas teve bastante trabalho de braço. Acho que o exercício de hoje é prestar mais atenção à respiração e ver onde ela me leva.

Day 2 – Arrive | BREATH – A 30 Day Yoga Journey https://youtu.be/GaL3YF1vY2k

Dia 3

“A respiração é minha âncora. A minha âncora é a respiração”.

A introdução da respiração do oceano (respiração Ujjayi), que eu inconscientemente fazia sem saber que era uma técnica, é daquelas coisas que preciso empregar na vida. Um oceano dentro de mim, que poético.

Hoje a Adriene começou a acelerar as posições dos dois dias anteriores (o que eu prefiro). Já me sinto mais forte e esticada xD

Day 3 – Anchor | BREATH – A 30 Day Yoga Journey https://youtu.be/hJjqx6YlcWs

Dia 4

Sobre escutar sua respiração e retomar a ideia de ancoramento nela.

Como a Adriene sempre diz, a parte mais difícil é aparecer no tapete pra fazer a prática. Hoje foi difícil pra mim, meu humor tá instável, não tive uma boa noite de sono, ligações infinitas que não me deixam em paz etc etc. Mas apareci e foi bom. Foi praticamente tudo no chão, mais focado na atenção, o que eu precisava.

Day 4 – Listen | BREATH – A 30 Day Yoga Journey https://youtu.be/-rjYMUNJsO0

Dia 5

Não pensem que eu esqueci, eu tardo, mas não falho. Tive que resolver umas coisas de manhã e só tive tempo agora (a verdade é que prefiro começar meu dia com a prática, faz toda diferença).

Apesar de só 23 min, essa foi a mais pesada até agora, tô toda suada. Às vezes, a gente precisa sentir esse fogo ardendo kkkk é sobre nos reabastecer.

Day 5 – Replenish | BREATH – A 30 Day Yoga Journey https://youtu.be/jWMtgM_8jAE

Dia 6

Não posso dizer que senti falta de abdominais, mas também não posso dizer que foi ruim. Até na respiração foi feito um trabalho de abdômen.

Quando perdia o ritmo, era só deixar a respiração me trazer de volta. Tava sentindo falta dessa consciência corporal, é muito bom começar a recuperá-la.

Quase uma semana, lesgoooo!

Day 6 – Burn | BREATH – A 30 Day Yoga Journey https://youtu.be/aAVOdXvdtk8

Dia 7

Sobre sincronizar os movimentos do corpo com a respiração.

Não importa quantos anos eu esteja fazendo yoga, focar na respiração é algo que sempre me foge. Mas parece que a Adriene tá do meu lado dizendo “para de prender a respiração” kkkk

Uma semana, yay! Sem dúvidas eu já me sinto mais forte e condicionada, quanto à respiração: vamos trabalhando xD

Day 7 – Synchronize | BREATH – A 30 Day Yoga Journey https://youtu.be/uxWJRKyUNZo

Dia 8

Sobre se aconchegar e se permitir descansar.

Depois de 7 dias de desafio, no dia 8 chegou a merecida meditação e o descanso. Fazia tempo que a minha mente não ficava assim tão quieta, só sentia a respiração ressoando.

Não estava em casa hoje cedo, dei uma olhadinha rápida pra ver o tema de hoje e achei pertinente fazer a prática antes de dormir.

Day 8 – Snuggle | BREATH – A 30 Day Yoga Journey https://youtu.be/18oXIcsTpUY

Dia 9

Sobre equilíbrio.

Essa foi mais rápido do que eu esperava. Tem algo muito bom em desequilibrar e começar tudo de novo. Quando eu comecei a fazer yoga, lembro que ficava muito frustrada quando não acertava uma postura de primeira, eu queria fazer tudo perfeito... Hoje em dia eu aprecio muito mais a construção da postura, eu sei que um dia eu chego lá.

Day 9 – Balance | BREATH – A 30 Day Yoga Journey https://youtu.be/JAOUZR3Jw3E

Dia 10

Sobre conectar a respiração com o movimento e o movimento com a respiração. Uma coisa de cada vez.

Eu prefiro muito fazer a prática de manhã, mas hoje foi um daqueles dias que não dava. Bom, pelo menos ainda consegui fazer hoje e me conectar.

Day 10 – Connect | BREATH – A 30 Day Yoga Journey https://youtu.be/upiiNyibfF0

Dia 11

“Just go with the flow”. Quão difícil é a gente seguir o fluxo? E por quê dificultamos para nós mesmos?

Essa prática me lembrou os bons tempos de yoga na UFAL. O fato de ir pr'aquela aula sem saber muito bem o que esperar e voltar toda quebrada, mas com uma mentalidade diferente, mudou a minha vida. Por mais que eu me afaste, eu sempre volto pra yoga.

Day 11 – Flow | BREATH – A 30 Day Yoga Journey https://youtu.be/hmUAQIxZwXw

Dia 12

Sobre se desfazer das suas expectativas. Cada dia é um novo dia. Nem toda prática vai satisfazer as suas necessidades.

Isso me fez pensar em porque não deu certo continuar a yoga em 2020, depois do desafio dos 30 dias. Eu decidi fazer por conta própria, mas esqueci de ouvir o meu corpo. Ficava esperando dar conta de umas coisas irreais, quando, às vezes, só meditar já seria suficiente.

Day 12 – Drop | BREATH – A 30 Day Yoga Journey https://youtu.be/5sTZMSGurlg

Dia 13

Sobre se permitir sentir.

Lá pro final da prática, a Adriene sugere que a gente se deixe sentir. Eu me senti num espaço tão receptivo que acabei chorando. Sabe-se lá tudo que estava preso pra eu precisar que alguém de tão longe me abrisse os braços e me permitisse sentir. Ainda estou meio emotiva e, mais do que isso, aliviada.

Fica aí o desejo que eu me permita mais.

Day 13 – Feel | BREATH – A 30 Day Yoga Journey https://youtu.be/_O0z9EBEO6g

Dia 14

Sobre criar espaço no corpo.

Pela manhã eu tava me sentindo muito quebrada, que bom que essa prática investiu no alongamento do corpo inteiro. Tô outra pessoa agora! Bom demais quando essas coisas coincidem!

Duas semanas, quase metade do caminho!

Day 14 – Space | BREATH – A 30 Day Yoga Journey” https://youtu.be/PVJtNPVq26Q

Dia 15

Metade do caminho, boraaaa!

Sobre entrar nessa nova etapa, permitindo que a respiração nos guie.

Hoje não estava me sentindo muito conectada, também tô com uma dorzinha de cabeça chata, mas consegui fazer. Quando chegou na Balasana, postura da criança, eu quis ficar ali pra sempre 😅 é uma das minhas preferidas pra relaxar.

Day 15 – Enter | BREATH – A 30 Day Yoga Journey https://youtu.be/uZ0J5Sj_0Yw

Dia 16

Sobre ter disciplina até na respiração.

Ih, hoje a preguiça tava tão grande que até esqueci de atualizar a jornada. Pelo menos, foi uma prática mais focada em técnicas de respiração e eu pude fazer tudo sentadinha.

Quase fico sem ar, muito bom hahaha. Yoga tem que ser um negócio diário mesmo, fico vendo tudo que perdi de avanço porque parei de praticar...

Day 16 – Discipline | BREATH – A 30 Day Yoga Journey https://youtu.be/mnw2-SUbcCI

Dia 17

Sobre explorar seus movimentos sem definir aonde você quer chegar.

Tô com uma dor intensa na base das minhas costas, faço a prática, sinto alívio, mas depois tenho que passar horas na frente do computador e não melhoro :~ esse negócio de estudo só atrapalha a vida da pessoa kkkk

Por ser uma prática exploratória, eu pude focar em posições que ajudam a aliviar a dor :blobcatjustright:

Day 17 – Explore | BREATH – A 30 Day Yoga Journey https://youtu.be/sqbavY4lOyI

Dia 18

O que acontece se a gente começar a se mover a partir do nosso centro?

Percebo que costumo fazer pressão nos lugares errados ao me movimentar. Tô finalmente recuperando essa consciência sobre meu corpo.

A jornada da mulher com dor na lombar continua. A yoga tá ajudando muito com a redução da dor, mas na verdade eu preciso diminuir meu tempo no computador. Talvez hoje eu estude na cama.

Day 18 – Center | BREATH – A 30 Day Yoga Journey https://youtu.be/RfJseP0-Tys

Dia 19

Sobre se fortalecer com base na respiração e na quietude.

Eu tentei outros tipos de exercício e até academia, mas só com a yoga eu me sinto fortalecida e vejo avanço físico rapidamente. Dezenove dias e eu já sinto uma tonificação nos braços e nas pernas. Não que esse seja meu objetivo, mas é bom pra autoestima também.

Day 19 – Strength | BREATH – A 30 Day Yoga Journey https://youtu.be/z0q2K-ot_R4

Dia 20

Sobre pausar e apreciar o momento. Estar presente.

O tema desse desafio de 30 dias ser respiração era tudo o que eu precisava. Penso que isso vai até me ajudar a voltar pra meditação. É o tipo de coisa que eu nunca devia ter parado, mas eu me deixo levar pela correria da vida. Eu nunca pauso e isso tem que mudar.

Day 20 – Pause | BREATH – A 30 Day Yoga Journey https://youtu.be/_aCNiRAyOlI

Dia 21

Sobre respirar e se movimentar com controle.

Eita que hoje eu senti o suor escorrer (pode ser o calor também kkkk). A grande vantagem de fazer yoga ou qualquer exercício com orientação é que as atividades ficam balanceadas. Tem dia de relaxar, tem dia de pegar pesado, e tudo contribui pra eu me manter na linha, um dia de cada vez.

Day 21 – Control | BREATH – A 30 Day Yoga Journey https://youtu.be/iTvFko3tOKY

Dia 22

Sobre se renovar a cada prática.

Hoje foi um daqueles dias que eu não queria fazer nada, até esqueci da yoga. Só lembrei porque fui bolerar no YouTube e o vídeo de hoje era a primeira recomendação kkkkk

Mas tá bom, pelo menos, foi uma prática bem tranquila.

Day 22 – Renew | BREATH – A 30 Day Yoga Journey https://youtu.be/T1VJBw0vL_Q

Dia 23

Sobre o quanto nós estamos dispostos a nos dedicar a prática de yoga (ou aos projetos da nossa vida).

Eu não precisava desse tapa na cara. Sinto que tem faltado dedicação em muitas das coisas que tenho feito e essa prática me fez pensar e querer repensar um pouco o meu posicionamento com essas coisas. Espero que não seja passageiro.

Só falta uma semana pra acabar essa etapa da jornada.

Day 23 – Dedicate | BREATH – A 30 Day Yoga Journey https://youtu.be/mfjo2dCuU9s

Dia 24

Sobre o sentimento de rejuvenescer.

Não é sempre que a prática possibilita esse sentimento, mas acho que na maior parte do tempo, sim. Só o fato de você ganhar (ou recuperar) um pouco da flexibilidade do corpo tão rápido já é um indício. Fora a sensação de novidade que você ganha ao lidar com coisas cotidianas.

Day 24 – Rejuvenate | BREATH – A 30 Day Yoga Journey https://youtu.be/d1jKp2mZkSQ

Dia 25

Sobre nos dar aquele amor que esperamos que os outros nos deem.

Pela primeira vez nessa casa, fiz yoga a céu aberto. Antes a área tava um pouco tumultuada e não pude aproveitar. Mas com tudo arrumado, hoje vi a primeira estrela surgindo no céu ao fim da prática :blobaww:

Vou tentar fazer aqui fora mais vezes.

Day 25 – Love | BREATH – A 30 Day Yoga Journey https://youtu.be/DRNdD9c7HMc

Dia 26

Sobre expandir nossa perspectiva sobre nós mesmos.

Tem tanta coisa que a gente acredita não ser capaz, mas com um pouquinho de dedicação dá pra fazer acontecer. Todos os dias que eu pensei em não fazer a prática, mas fiz mesmo assim porque assumi um compromisso comigo. Quanto disso eu posso levar pra fora do tapete?

Day 26 – Expand | BREATH – A 30 Day Yoga Journey https://youtu.be/jc27Unjv_tM

Dia 27

Sobre encontrar um momento para a cura.

Nem só de flexões e abdominais viverá a mulher! Um alongamentozinho é de lei também! Chega dá um alívio quando eu vejo que a prática é mais próxima ao chão, é um alongamento ou uma prática respiratória. Vem sempre no momento certo.

Day 27 – Heal | BREATH – A 30 Day Yoga Journey https://youtu.be/-j9o8sxTnbs

Dia 28

Sobre confiar que nós estamos onde devemos estar.

Como é difícil, né? Não tanto na yoga, mas na vida. Vira e mexe, eu queria estar fazendo e sendo outra coisa, mas e tudo que construí até aqui? Não foi por acaso. E se não tiver que ser assim, as coisas irão mudar quando for a hora. Confia.

Day 28 – Trust | BREATH – A 30 Day Yoga Journey https://youtu.be/ZvX-N5c0pVA

Dia 29

Sobre acreditar na jornada.

Quase não faço hoje, mas me senti tão mal de “falhar” faltando dois dias pra terminar que acabei vindo pro tapete. Sei lá, hoje eu não tô bem fisicamente e talvez o tanto de besteira que eu comi hoje também não me ajudou, mas é isso, eu fiz e tô viva. Acreditei que dava e deu.

Day 29 – Believe | BREATH – A 30 Day Yoga Journey https://youtu.be/_j0zxr9RZwM

Dia 30

Sobre o fim também indicar novos começos.

Essa última prática foi surpreendente. Não lembrava como foi ano passado, mas, assim que a Adriene explicou, lembrei que fiquei bem perdida no que fazer. Dessa vez foi diferente, não porque eu sabia mais do que antes, mas porque eu estava muito confortável em seguir o meu próprio caminho.

Feliz por terminar bem essa jornada! Até amanhã no tapete?

Day 30 – Begin | BREATH – A 30 Day Yoga Journey https://youtu.be/TVwyEtS_7OQ

#yoga #pessoal

 
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from 22

Uma das minhas primeiras resoluções para 2021 é retomar a yoga. No começo de 2020, eu fiz o desafio de 30 dias do Yoga With Adriene e senti muitos benefícios através da prática. Mas na correria da vida e tantas outras coisas inesperadas que aconteceram, eu acabei deixando a yoga em segundo plano até o ponto em que parei de praticar.

Abri o YouTube hoje, atrás de uma prática mais leve pra tentar retomar com calma, já que meu corpo não é mais o mesmo, e encontrei um vídeo da Adriene, postado a pouco tempo, nos convidando a participar mais uma vez desse desafio.

O vídeo é curto e traz apenas algumas explicações sobre como será o desafio e o que você precisa saber pra começar. O desafio começa de verdade amanhã, então dá tempo de preparar esse psicológico.

Acho que é um bom modo de reiniciar. Primeiro porque eu acho a Adriene uma graça e, segundo, porque dá pra sentir que ela não quer ditar o que é certo ou errado, mas incentivar o autoconhecimento.

Veremos se vou conseguir seguir com os 30 dias e, mais importante, se eu consigo ir além deles.

#yoga #pessoal

 
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from renaN

É corrido, mesmo em casa as vezes cê nem para pra reparar. Levanta, toma café, senta, lê, estuda, as vezes finge. Desce pro almoço, faz a digestão as vezes assistindo algo, as vezes olhando a paisagem. Sobe pro quarto, enrola, lê, estuda, estágio, as vezes finge. Noite, janta, ler, dormir. Rotina de quarentena: incluir conversar com amigos de casa, trocar mensagens, produzir pesquisa.

A rotina mecânica não é culpa da pandemia e do isolamento social. Talvez esse contexto facilite perceber ou torne as atividades de rotina menos variadas na medida em que o espaço no qual podemos circular é reduzido. Esse texto não é sobre essa rotina mas sobre o dia em que anoiteci.

Existe, nos extremos de um dia, um espaço de tempo em que não é dia tampouco noite. Talvez o final de tarde exemplifique o que quero dizer mas, sem observar atentamente, é fácil incorrer no erro de considerar o “final de tarde” algo à parte da noite. É provável que o momento ao qual me refiro seja, em um diagrama de venn, a intersecção entre tarde e noite e é dessa intersecção, desse momento que é várias coisas, final de tarde, inicio de noite, hiato ?? mas que nomeio à contragosto, que falo aqui.

Não estou apelando pra mágica desse momento, nem advogo que a salvação da humanidade será fruto dele. Esse é só um texto sobre o dia em que, junto com a Terra, senti que estava anoitecendo; desacelerei; reconheci brevemente que, não importa onde ou com

Foi olhando da minha janela, depois de uma chuva de verão responsa, com o sol iluminando as nuvens no céu que comecei a anoitecer. Se ainda estava escuro por conta da chuva torrencial e das nuvens ainda no céu, havia luz suficiente pra entender que ainda não era noite, que o dia ainda não havia findado e que ainda faltava coisa a ser feita: sobre a Terra, ainda faltava anoitecer; natural seria, que a natureza à acompanhasse nesse processo; estranho seria se eu, como humano no século XXI, me considerasse ligado à ele. A questão é que nesse dia eu me senti.

Mas o que, afinal, é esse anoitecer? Em partes envolve reconhecer que o dia tem momentos específicos pra determinadas atividades. Nesse dia pude observar isso. Com a chuva recém-passada os pássaros iam dando seus últimos voos, os ben-te-vis anunciavam que ainda bem-viam, mas que logo já não mais. Os mariporãs insistiam em dar um ou outro rasante entre as árvores e, conferindo o aspecto de metrópole, os pombos pombeavam. Tudo isso, no final das contas, pra assumir que já nesse momento a ordem das coisas era tal que se encaminhava para o descanso. Eu gostaria de poder descrever outros aspectos da natureza “anoitecendo” com relativa serenidade mas não é o caso.

O dia que anoiteci envolveu compreender, no intersticio entre o dia e a noite, a oportunidade de serenar o coração, de me encaminhar com corpo, mente e todo o mais que me compõe para a noite e pras graças de Hipnos. Foi nesse momento, depois de reverenciar a doce compreensão recém adquirida sobre inícios de noite, que parei para refletir sobre o que tinha feito de meu dia até então, desacelerar meu corpo da rotina e ouvir, sentir e respirar. Um momento pra me desapoquentar e encarar com mais brandura as últimas atividades do dia.

A ironia? Faz cerca de semana desde então e, na rotina acelerada, só agora, escrevendo sobre, me ocorreu que em nenhum outro dia tentei repetir a experiência. Está dado o novo compromisso: tire um tempo e, assim como a Terra, anoiteça antes de seguir adiante

 
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from dobrado

Capítulo 1 – Escatologia

Parou em frente a porta, olhou-a de baixo pra cima tentando demorar o máximo possível esperando o milagre da coragem chegar. Fez uma reverência para desviar da ripa pregada no batente. Empurrou aquela pequena porta arredondada e atravessou com a pose de quem ia revelar o vilão do filme… Mas a Rafa estava dormindo. Voltou a postura normal. Ombros relaxados, talvez cansados e um olhar de quem procura comida no chão.

Cruzou o trailer desviando dos entulhos e sentou-se ao lado da cama, onde ela dormia com as pernas encolhidas pro lado da parede. Apenas alguns dias antes Rafa explicou que era mais seguro assim, poderia engasgar durante o sono. Hoje não possui mais forças para falar. Pedro pousou a mão em suas costas, pra ver se ainda estava respirando. Os cabelos não aparentavam mais o mesmo bagunçado bonito de antes e os ossos já marcavam suas articulações como se fosse uma boneca de madeira.

Por estar ao seu lado o coração já batia mais calmo e os lábios tentavam uma pequena emoção, não o suficiente para poder ser um sorriso. Mas ficar ao lado de seu amigos sempre lhe causou esse bem. Faziam dez pares de anos que se conheciam. A Rafa contava para qualquer estranho no bar que conheceu Pedro e Marcelo enquanto fugia da polícia, por estar fumando maconha na praça, e os dois ajudaram-a a se esconder. Mas ele lembrava que era só por causa do skate e era o diretor da escola, mas a história era mais legal assim. Sempre teve um olhar de aluada e sorria pra tudo. O Marcelo era o mais popular da tríade, com diversas namoradas, colecionava piadas e histórias engraçadas. Os dois eram tudo de importante que ele já teve por perto durante boa parte da sua história.

Nunca poderia pensar que a amizade fosse durar tanto, passaram pelo colégio juntos e mesmo as faculdades sendo diferentes, compartilharam os bares. Não havia nada que eles não tivessem vivido juntos. Depressões, saudades, divórcios, doenças… Quando a Rafa fez quimioterapia, ele que assou o bolo espacial pra ela. Quando o Marcelo foi preso, eles que iam visitá-lo toda semana. Quando precisou de ajuda para crescer e ter coragem de ser uma alguém, foram eles.

Se seu calendário mental estivesse correto, o que duvidava um pouco, fazia três meses que não viam o Marcelo. Foi mais ou menos nesses dias que começou a doença. Ela precisou ficar de cama, não dava para sair para procurá-lo, a prioridade era buscar por remédios que aliviassem as dores. O esconderijo ainda era o mesmo, um pequeno trailer abandonado ao lado do parque que a vegetação já havia escondido. Se estivesse bem, poderia voltar. Se não, era melhor nem saber.

Naquele momento, sentado no chão ao lado da cama, abraçou as pernas e afundou o rosto nos joelhos. A respiração, incerta como a vida presente, competia com a força que fazia para fechar os olhos e não deixar as lágrimas fugirem. Ouviu a chuva começar a se atirar contra teto do trailer. Segurou na cama e fez força para se levantar, engoliu a seco as mágoas pelo mau do mundo e atravessou o trailer em direção à porta. Vestiu sua capa capa de chuva, uma velha lona azul, e hesitou procurando forças para adentrar o mundo. Por menos de um segundo sorriu como uma autoflagelação: ainda não fazia nem dois anos que o mundo havia acabado.

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#contos #SantissimaTrindade

 
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