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from gbrlpires

Ontem fiquei pensando no tempo que não publico nada em lugar algum, sem que seja a timeline das redes sociais.

Fiquei sentindo falta de escrever, de ter um blog, de jogar pensamentos mais elaborados. De repente eu percebi: mas eu tenho um blog. Tenho uma newsletter também. Tenho uns textos perdidos por aí que nunca ninguém viu. Por que eu não publico nada lá?

Esse pensamento chacoalhou umas tantas inquietações que já me perseguem desde muito. Percebi que eu sinto falta mesmo é de escrever sem culpa. Sem a gramática perfeita. Sem ser o texto coeso com início, meio e fim. Sem ser o textão, mas também sem ser o textinho. Ou qualquer fucking coisa que eu tenha vontade. E que é isso que me impede de publicar um pouco dos sem número de coisas que passam pela minha cabeça e pelo meu corpo.

A culpa.

Já não aguento mais sentir culpa por ser quem eu sou ou quero ser. Com todos os defeitos. A pessoa horrível, ou boa, ou só a pessoa que sou. Incoerente e bagunçada, caótica. Inteligente ou meio burra. Cafona, hipster. Diferentona ou comum demais, que seja.

E nessas eu acabo sendo nada.

 
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from dobrado

Era Agosto de 2021, esse ano não houve festa junina e uma mínima esperança de festas de fim de ano com a família ainda brilhava timidamente dentro do coração das pessoas. Foi um ano difícil, e continua sendo, para todos nós.

No quinto dia daquele mês eu tive uma ideia:

Vou fazer uma instância para pessoas pretas e pardas brasileiras. Sugestões de nomes?

Meu mano André Farias respondeu na hora com sugestões de nomes. E logo após isso eu já havia registrado o domínio bantu.social.

O Mastodon

Ta, mas e daí? O que é uma “instância”?, você me pergunta.

Instância é o nome que se da para sites que rodam o Mastodon. Uma rede social federada que usa o protocolo Activity Hub.

Ta, mas e daí?, você sabiamente me pergunta de novo.

Ninguém precisa saber como o Mastodon funciona por baixo dos panos, mas imagine um mundo onde você, na sua conta do Twitter, pode falar com seus amigos do Facebook e Instagram? É quase isso, só que melhor, com mais moderação, pessoas de verdade, sem anúncios, etc.

O Mastodon se parece bastante com o Twitter, com alguns recursos. Mas não existe “um mastodon” e sim várias redes interligadas. Para pessoas brasileiras ou que falam português, nós temos:

  • masto.donte.com.br
  • mastodon.com.br
  • social.pesso.al
  • colorid.es

Com essas quatro instâncias (e centenas de outras) as pessoas podem se comunicar com pessoas de outras instâncias. Mas cada uma uma tem suas próprias regras, administradores e tema.

Se quiser saber mais, sobre redes federadas, recomendo esse excelente episódio do Toca do Saci: https://klh.radiolivre.org/library/tracks/76/

A bantu.social

Naquele Agosto, a ideia era criar uma instância para pessoas pretas e pardas. Mas eu sou preto e uchinanchu. Achei que seria mais justo usar o termo “não-brancas” e deixar a bantu aberta também para pessoas amarelas e indígenas.

Na bantu temos regras bem específicas contra racismos e preconceitos. Hoje somos em torno de 20 pessoas ativas. Postando discutindo coisas sérias e bobagens do cotidiano. Isso se tornou um espaço para conhecermos a nós mesmos e pessoas parecidas conosco. :)

 
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from 22

Álbum: The Bitter Truth Artista: Evanescence Data de lançamento: 26 de março de 2021 Gravadora: BMG

Tracklist

“Artifact/The Turn” “Broken Pieces Shine” “The Game is Over” “Yeah Right” “Feeding The Dark” “Wasted on You” “Better Without You” “Use My Voice” “Take Cover” “Far From Heaven” “Part of Me” “Blind Belief”

Favoritas na primeira ouvida

Artifact/The turnBroken Pieces Shine Wasted on You Far From Heaven

Comentários:

Ao começar “Artifact/The turn”, eu tive que aumentar o som. Senti que era tudo que eu tava esperando em um novo álbum da banda. Quase como se fosse o retorno do The Open Door (meu álbum preferido deles). Minhas expectativas aumentaram muito a partir daqui.

A transição pra “Broken Pieces Shine” foi um carinho e uma porrada ao mesmo tempo. As duas músicas juntas me convenceram que esse é um bom álbum e eu nem precisava ouvir o resto. Mas eu ouvi.

“The game is Over” e “Yeah Right” já tinham sido lançadas anteriormente. A única surpresa é que TGIO cresceu bastante pra mim, ouvindo no conjunto do álbum. Eu gosto muito do começo de YR, mas a música não segue pra onde eu esperaria que ela fosse e isso pode ser bom ou ruim: a ser constatado ainda.

Passando por “Feeding the Dark”: por que eu estou com vontade de chorar? Alguma coisa conectou. E essa ser a música para fazer a transição pra “Wasted on You” pareceu certo. Tudo certo! Um ano ouvindo WoY e a música só melhora! Tive um pouco de birra quando ela foi lançada, mas fui conquistada com a versão feita com a Lindsey Sterling. Eu aprendi a amar ambas!

“Far From Heaven” pareceu uma continuação de “Lost in Paradise” do Ev3 (2011), pelo menos os acordes e a forma como começou me lembraram. É como se nós estivéssemos perdidos no paraíso e, de tão perdidos, nós nos afastamos dele. Nos afastamos de tudo que poderia nos fazer bem, querendo ou não.

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Vou precisar ouvir mais algumas vezes pra sentir o álbum, ler as letras e entender mais do que se trata. No geral, eu achei um ótimo álbum! Um conjunto pra ouvir do início ao fim, sem necessidade de pular nenhuma música. Valeu a espera de 10 anos por um álbum de inéditas!

Vi muita gente comentando que esse é o álbum da carreira do Evanescence. No Metacritic, o The Bitter Truth tem a melhor nota dentro da discografia da banda, 84 pontos. Concordo que esse é o melhor álbum da carreira deles? Não. Mas com certeza é um dos melhores.

 
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from 22

Completei os 30 dias de Yoga com a Adriene! Fiquei muito feliz com tudo que passei e aprendi nesse mês. Teve cansaço, relaxamento, introspecção, suor, choro, risos, vontade de “pular” um dia e até desistir, acho que faz parte do processo.

O que vai ser daqui para frente, eu ainda não sei, mas espero experimentar diferentes tipos de yoga, diferentes práticas, diferentes instrutores até achar o que me faz sentir bem (find what feels good, já dizia a Adriene).

Registrei tudo, dia a dia, no mastodon. Para que não se perca, resolvi deixar registradinho aqui também, lá vai:

Dia 1

Sobre se convidar à mudança. Um convite à observação da nossa respiração e do nosso corpo.

A prática começou simples, com foco na respiração, e foi cheia de esforço. Já não tenho a mesma concentração, nem o mesmo equilíbrio ou força de antes. Tô com as pernas bambas, mas feliz por ter começado.

Day 1 – Invite | BREATH – A 30 Day Yoga Journey https://youtu.be/ZSIp00SewO8

Dia 2

A cada nova respiração nós chegamos a algum lugar, independente de onde seja.

Fazia tempo que não ouvia minha respiração tão claramente. A prática de hoje foi mais leve que a anterior, mas teve bastante trabalho de braço. Acho que o exercício de hoje é prestar mais atenção à respiração e ver onde ela me leva.

Day 2 – Arrive | BREATH – A 30 Day Yoga Journey https://youtu.be/GaL3YF1vY2k

Dia 3

“A respiração é minha âncora. A minha âncora é a respiração”.

A introdução da respiração do oceano (respiração Ujjayi), que eu inconscientemente fazia sem saber que era uma técnica, é daquelas coisas que preciso empregar na vida. Um oceano dentro de mim, que poético.

Hoje a Adriene começou a acelerar as posições dos dois dias anteriores (o que eu prefiro). Já me sinto mais forte e esticada xD

Day 3 – Anchor | BREATH – A 30 Day Yoga Journey https://youtu.be/hJjqx6YlcWs

Dia 4

Sobre escutar sua respiração e retomar a ideia de ancoramento nela.

Como a Adriene sempre diz, a parte mais difícil é aparecer no tapete pra fazer a prática. Hoje foi difícil pra mim, meu humor tá instável, não tive uma boa noite de sono, ligações infinitas que não me deixam em paz etc etc. Mas apareci e foi bom. Foi praticamente tudo no chão, mais focado na atenção, o que eu precisava.

Day 4 – Listen | BREATH – A 30 Day Yoga Journey https://youtu.be/-rjYMUNJsO0

Dia 5

Não pensem que eu esqueci, eu tardo, mas não falho. Tive que resolver umas coisas de manhã e só tive tempo agora (a verdade é que prefiro começar meu dia com a prática, faz toda diferença).

Apesar de só 23 min, essa foi a mais pesada até agora, tô toda suada. Às vezes, a gente precisa sentir esse fogo ardendo kkkk é sobre nos reabastecer.

Day 5 – Replenish | BREATH – A 30 Day Yoga Journey https://youtu.be/jWMtgM_8jAE

Dia 6

Não posso dizer que senti falta de abdominais, mas também não posso dizer que foi ruim. Até na respiração foi feito um trabalho de abdômen.

Quando perdia o ritmo, era só deixar a respiração me trazer de volta. Tava sentindo falta dessa consciência corporal, é muito bom começar a recuperá-la.

Quase uma semana, lesgoooo!

Day 6 – Burn | BREATH – A 30 Day Yoga Journey https://youtu.be/aAVOdXvdtk8

Dia 7

Sobre sincronizar os movimentos do corpo com a respiração.

Não importa quantos anos eu esteja fazendo yoga, focar na respiração é algo que sempre me foge. Mas parece que a Adriene tá do meu lado dizendo “para de prender a respiração” kkkk

Uma semana, yay! Sem dúvidas eu já me sinto mais forte e condicionada, quanto à respiração: vamos trabalhando xD

Day 7 – Synchronize | BREATH – A 30 Day Yoga Journey https://youtu.be/uxWJRKyUNZo

Dia 8

Sobre se aconchegar e se permitir descansar.

Depois de 7 dias de desafio, no dia 8 chegou a merecida meditação e o descanso. Fazia tempo que a minha mente não ficava assim tão quieta, só sentia a respiração ressoando.

Não estava em casa hoje cedo, dei uma olhadinha rápida pra ver o tema de hoje e achei pertinente fazer a prática antes de dormir.

Day 8 – Snuggle | BREATH – A 30 Day Yoga Journey https://youtu.be/18oXIcsTpUY

Dia 9

Sobre equilíbrio.

Essa foi mais rápido do que eu esperava. Tem algo muito bom em desequilibrar e começar tudo de novo. Quando eu comecei a fazer yoga, lembro que ficava muito frustrada quando não acertava uma postura de primeira, eu queria fazer tudo perfeito... Hoje em dia eu aprecio muito mais a construção da postura, eu sei que um dia eu chego lá.

Day 9 – Balance | BREATH – A 30 Day Yoga Journey https://youtu.be/JAOUZR3Jw3E

Dia 10

Sobre conectar a respiração com o movimento e o movimento com a respiração. Uma coisa de cada vez.

Eu prefiro muito fazer a prática de manhã, mas hoje foi um daqueles dias que não dava. Bom, pelo menos ainda consegui fazer hoje e me conectar.

Day 10 – Connect | BREATH – A 30 Day Yoga Journey https://youtu.be/upiiNyibfF0

Dia 11

“Just go with the flow”. Quão difícil é a gente seguir o fluxo? E por quê dificultamos para nós mesmos?

Essa prática me lembrou os bons tempos de yoga na UFAL. O fato de ir pr'aquela aula sem saber muito bem o que esperar e voltar toda quebrada, mas com uma mentalidade diferente, mudou a minha vida. Por mais que eu me afaste, eu sempre volto pra yoga.

Day 11 – Flow | BREATH – A 30 Day Yoga Journey https://youtu.be/hmUAQIxZwXw

Dia 12

Sobre se desfazer das suas expectativas. Cada dia é um novo dia. Nem toda prática vai satisfazer as suas necessidades.

Isso me fez pensar em porque não deu certo continuar a yoga em 2020, depois do desafio dos 30 dias. Eu decidi fazer por conta própria, mas esqueci de ouvir o meu corpo. Ficava esperando dar conta de umas coisas irreais, quando, às vezes, só meditar já seria suficiente.

Day 12 – Drop | BREATH – A 30 Day Yoga Journey https://youtu.be/5sTZMSGurlg

Dia 13

Sobre se permitir sentir.

Lá pro final da prática, a Adriene sugere que a gente se deixe sentir. Eu me senti num espaço tão receptivo que acabei chorando. Sabe-se lá tudo que estava preso pra eu precisar que alguém de tão longe me abrisse os braços e me permitisse sentir. Ainda estou meio emotiva e, mais do que isso, aliviada.

Fica aí o desejo que eu me permita mais.

Day 13 – Feel | BREATH – A 30 Day Yoga Journey https://youtu.be/_O0z9EBEO6g

Dia 14

Sobre criar espaço no corpo.

Pela manhã eu tava me sentindo muito quebrada, que bom que essa prática investiu no alongamento do corpo inteiro. Tô outra pessoa agora! Bom demais quando essas coisas coincidem!

Duas semanas, quase metade do caminho!

Day 14 – Space | BREATH – A 30 Day Yoga Journey” https://youtu.be/PVJtNPVq26Q

Dia 15

Metade do caminho, boraaaa!

Sobre entrar nessa nova etapa, permitindo que a respiração nos guie.

Hoje não estava me sentindo muito conectada, também tô com uma dorzinha de cabeça chata, mas consegui fazer. Quando chegou na Balasana, postura da criança, eu quis ficar ali pra sempre 😅 é uma das minhas preferidas pra relaxar.

Day 15 – Enter | BREATH – A 30 Day Yoga Journey https://youtu.be/uZ0J5Sj_0Yw

Dia 16

Sobre ter disciplina até na respiração.

Ih, hoje a preguiça tava tão grande que até esqueci de atualizar a jornada. Pelo menos, foi uma prática mais focada em técnicas de respiração e eu pude fazer tudo sentadinha.

Quase fico sem ar, muito bom hahaha. Yoga tem que ser um negócio diário mesmo, fico vendo tudo que perdi de avanço porque parei de praticar...

Day 16 – Discipline | BREATH – A 30 Day Yoga Journey https://youtu.be/mnw2-SUbcCI

Dia 17

Sobre explorar seus movimentos sem definir aonde você quer chegar.

Tô com uma dor intensa na base das minhas costas, faço a prática, sinto alívio, mas depois tenho que passar horas na frente do computador e não melhoro :~ esse negócio de estudo só atrapalha a vida da pessoa kkkk

Por ser uma prática exploratória, eu pude focar em posições que ajudam a aliviar a dor :blobcatjustright:

Day 17 – Explore | BREATH – A 30 Day Yoga Journey https://youtu.be/sqbavY4lOyI

Dia 18

O que acontece se a gente começar a se mover a partir do nosso centro?

Percebo que costumo fazer pressão nos lugares errados ao me movimentar. Tô finalmente recuperando essa consciência sobre meu corpo.

A jornada da mulher com dor na lombar continua. A yoga tá ajudando muito com a redução da dor, mas na verdade eu preciso diminuir meu tempo no computador. Talvez hoje eu estude na cama.

Day 18 – Center | BREATH – A 30 Day Yoga Journey https://youtu.be/RfJseP0-Tys

Dia 19

Sobre se fortalecer com base na respiração e na quietude.

Eu tentei outros tipos de exercício e até academia, mas só com a yoga eu me sinto fortalecida e vejo avanço físico rapidamente. Dezenove dias e eu já sinto uma tonificação nos braços e nas pernas. Não que esse seja meu objetivo, mas é bom pra autoestima também.

Day 19 – Strength | BREATH – A 30 Day Yoga Journey https://youtu.be/z0q2K-ot_R4

Dia 20

Sobre pausar e apreciar o momento. Estar presente.

O tema desse desafio de 30 dias ser respiração era tudo o que eu precisava. Penso que isso vai até me ajudar a voltar pra meditação. É o tipo de coisa que eu nunca devia ter parado, mas eu me deixo levar pela correria da vida. Eu nunca pauso e isso tem que mudar.

Day 20 – Pause | BREATH – A 30 Day Yoga Journey https://youtu.be/_aCNiRAyOlI

Dia 21

Sobre respirar e se movimentar com controle.

Eita que hoje eu senti o suor escorrer (pode ser o calor também kkkk). A grande vantagem de fazer yoga ou qualquer exercício com orientação é que as atividades ficam balanceadas. Tem dia de relaxar, tem dia de pegar pesado, e tudo contribui pra eu me manter na linha, um dia de cada vez.

Day 21 – Control | BREATH – A 30 Day Yoga Journey https://youtu.be/iTvFko3tOKY

Dia 22

Sobre se renovar a cada prática.

Hoje foi um daqueles dias que eu não queria fazer nada, até esqueci da yoga. Só lembrei porque fui bolerar no YouTube e o vídeo de hoje era a primeira recomendação kkkkk

Mas tá bom, pelo menos, foi uma prática bem tranquila.

Day 22 – Renew | BREATH – A 30 Day Yoga Journey https://youtu.be/T1VJBw0vL_Q

Dia 23

Sobre o quanto nós estamos dispostos a nos dedicar a prática de yoga (ou aos projetos da nossa vida).

Eu não precisava desse tapa na cara. Sinto que tem faltado dedicação em muitas das coisas que tenho feito e essa prática me fez pensar e querer repensar um pouco o meu posicionamento com essas coisas. Espero que não seja passageiro.

Só falta uma semana pra acabar essa etapa da jornada.

Day 23 – Dedicate | BREATH – A 30 Day Yoga Journey https://youtu.be/mfjo2dCuU9s

Dia 24

Sobre o sentimento de rejuvenescer.

Não é sempre que a prática possibilita esse sentimento, mas acho que na maior parte do tempo, sim. Só o fato de você ganhar (ou recuperar) um pouco da flexibilidade do corpo tão rápido já é um indício. Fora a sensação de novidade que você ganha ao lidar com coisas cotidianas.

Day 24 – Rejuvenate | BREATH – A 30 Day Yoga Journey https://youtu.be/d1jKp2mZkSQ

Dia 25

Sobre nos dar aquele amor que esperamos que os outros nos deem.

Pela primeira vez nessa casa, fiz yoga a céu aberto. Antes a área tava um pouco tumultuada e não pude aproveitar. Mas com tudo arrumado, hoje vi a primeira estrela surgindo no céu ao fim da prática :blobaww:

Vou tentar fazer aqui fora mais vezes.

Day 25 – Love | BREATH – A 30 Day Yoga Journey https://youtu.be/DRNdD9c7HMc

Dia 26

Sobre expandir nossa perspectiva sobre nós mesmos.

Tem tanta coisa que a gente acredita não ser capaz, mas com um pouquinho de dedicação dá pra fazer acontecer. Todos os dias que eu pensei em não fazer a prática, mas fiz mesmo assim porque assumi um compromisso comigo. Quanto disso eu posso levar pra fora do tapete?

Day 26 – Expand | BREATH – A 30 Day Yoga Journey https://youtu.be/jc27Unjv_tM

Dia 27

Sobre encontrar um momento para a cura.

Nem só de flexões e abdominais viverá a mulher! Um alongamentozinho é de lei também! Chega dá um alívio quando eu vejo que a prática é mais próxima ao chão, é um alongamento ou uma prática respiratória. Vem sempre no momento certo.

Day 27 – Heal | BREATH – A 30 Day Yoga Journey https://youtu.be/-j9o8sxTnbs

Dia 28

Sobre confiar que nós estamos onde devemos estar.

Como é difícil, né? Não tanto na yoga, mas na vida. Vira e mexe, eu queria estar fazendo e sendo outra coisa, mas e tudo que construí até aqui? Não foi por acaso. E se não tiver que ser assim, as coisas irão mudar quando for a hora. Confia.

Day 28 – Trust | BREATH – A 30 Day Yoga Journey https://youtu.be/ZvX-N5c0pVA

Dia 29

Sobre acreditar na jornada.

Quase não faço hoje, mas me senti tão mal de “falhar” faltando dois dias pra terminar que acabei vindo pro tapete. Sei lá, hoje eu não tô bem fisicamente e talvez o tanto de besteira que eu comi hoje também não me ajudou, mas é isso, eu fiz e tô viva. Acreditei que dava e deu.

Day 29 – Believe | BREATH – A 30 Day Yoga Journey https://youtu.be/_j0zxr9RZwM

Dia 30

Sobre o fim também indicar novos começos.

Essa última prática foi surpreendente. Não lembrava como foi ano passado, mas, assim que a Adriene explicou, lembrei que fiquei bem perdida no que fazer. Dessa vez foi diferente, não porque eu sabia mais do que antes, mas porque eu estava muito confortável em seguir o meu próprio caminho.

Feliz por terminar bem essa jornada! Até amanhã no tapete?

Day 30 – Begin | BREATH – A 30 Day Yoga Journey https://youtu.be/TVwyEtS_7OQ

#yoga #pessoal

 
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from 22

Uma das minhas primeiras resoluções para 2021 é retomar a yoga. No começo de 2020, eu fiz o desafio de 30 dias do Yoga With Adriene e senti muitos benefícios através da prática. Mas na correria da vida e tantas outras coisas inesperadas que aconteceram, eu acabei deixando a yoga em segundo plano até o ponto em que parei de praticar.

Abri o YouTube hoje, atrás de uma prática mais leve pra tentar retomar com calma, já que meu corpo não é mais o mesmo, e encontrei um vídeo da Adriene, postado a pouco tempo, nos convidando a participar mais uma vez desse desafio.

O vídeo é curto e traz apenas algumas explicações sobre como será o desafio e o que você precisa saber pra começar. O desafio começa de verdade amanhã, então dá tempo de preparar esse psicológico.

Acho que é um bom modo de reiniciar. Primeiro porque eu acho a Adriene uma graça e, segundo, porque dá pra sentir que ela não quer ditar o que é certo ou errado, mas incentivar o autoconhecimento.

Veremos se vou conseguir seguir com os 30 dias e, mais importante, se eu consigo ir além deles.

#yoga #pessoal

 
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from renaN

É corrido, mesmo em casa as vezes cê nem para pra reparar. Levanta, toma café, senta, lê, estuda, as vezes finge. Desce pro almoço, faz a digestão as vezes assistindo algo, as vezes olhando a paisagem. Sobe pro quarto, enrola, lê, estuda, estágio, as vezes finge. Noite, janta, ler, dormir. Rotina de quarentena: incluir conversar com amigos de casa, trocar mensagens, produzir pesquisa.

A rotina mecânica não é culpa da pandemia e do isolamento social. Talvez esse contexto facilite perceber ou torne as atividades de rotina menos variadas na medida em que o espaço no qual podemos circular é reduzido. Esse texto não é sobre essa rotina mas sobre o dia em que anoiteci.

Existe, nos extremos de um dia, um espaço de tempo em que não é dia tampouco noite. Talvez o final de tarde exemplifique o que quero dizer mas, sem observar atentamente, é fácil incorrer no erro de considerar o “final de tarde” algo à parte da noite. É provável que o momento ao qual me refiro seja, em um diagrama de venn, a intersecção entre tarde e noite e é dessa intersecção, desse momento que é várias coisas, final de tarde, inicio de noite, hiato ?? mas que nomeio à contragosto, que falo aqui.

Não estou apelando pra mágica desse momento, nem advogo que a salvação da humanidade será fruto dele. Esse é só um texto sobre o dia em que, junto com a Terra, senti que estava anoitecendo; desacelerei; reconheci brevemente que, não importa onde ou com

Foi olhando da minha janela, depois de uma chuva de verão responsa, com o sol iluminando as nuvens no céu que comecei a anoitecer. Se ainda estava escuro por conta da chuva torrencial e das nuvens ainda no céu, havia luz suficiente pra entender que ainda não era noite, que o dia ainda não havia findado e que ainda faltava coisa a ser feita: sobre a Terra, ainda faltava anoitecer; natural seria, que a natureza à acompanhasse nesse processo; estranho seria se eu, como humano no século XXI, me considerasse ligado à ele. A questão é que nesse dia eu me senti.

Mas o que, afinal, é esse anoitecer? Em partes envolve reconhecer que o dia tem momentos específicos pra determinadas atividades. Nesse dia pude observar isso. Com a chuva recém-passada os pássaros iam dando seus últimos voos, os ben-te-vis anunciavam que ainda bem-viam, mas que logo já não mais. Os mariporãs insistiam em dar um ou outro rasante entre as árvores e, conferindo o aspecto de metrópole, os pombos pombeavam. Tudo isso, no final das contas, pra assumir que já nesse momento a ordem das coisas era tal que se encaminhava para o descanso. Eu gostaria de poder descrever outros aspectos da natureza “anoitecendo” com relativa serenidade mas não é o caso.

O dia que anoiteci envolveu compreender, no intersticio entre o dia e a noite, a oportunidade de serenar o coração, de me encaminhar com corpo, mente e todo o mais que me compõe para a noite e pras graças de Hipnos. Foi nesse momento, depois de reverenciar a doce compreensão recém adquirida sobre inícios de noite, que parei para refletir sobre o que tinha feito de meu dia até então, desacelerar meu corpo da rotina e ouvir, sentir e respirar. Um momento pra me desapoquentar e encarar com mais brandura as últimas atividades do dia.

A ironia? Faz cerca de semana desde então e, na rotina acelerada, só agora, escrevendo sobre, me ocorreu que em nenhum outro dia tentei repetir a experiência. Está dado o novo compromisso: tire um tempo e, assim como a Terra, anoiteça antes de seguir adiante

 
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from dobrado

Capítulo 1 – Escatologia

Parou em frente a porta, olhou-a de baixo pra cima tentando demorar o máximo possível esperando o milagre da coragem chegar. Fez uma reverência para desviar da ripa pregada no batente. Empurrou aquela pequena porta arredondada e atravessou com a pose de quem ia revelar o vilão do filme… Mas a Rafa estava dormindo. Voltou a postura normal. Ombros relaxados, talvez cansados e um olhar de quem procura comida no chão.

Cruzou o trailer desviando dos entulhos e sentou-se ao lado da cama, onde ela dormia com as pernas encolhidas pro lado da parede. Apenas alguns dias antes Rafa explicou que era mais seguro assim, poderia engasgar durante o sono. Hoje não possui mais forças para falar. Pedro pousou a mão em suas costas, pra ver se ainda estava respirando. Os cabelos não aparentavam mais o mesmo bagunçado bonito de antes e os ossos já marcavam suas articulações como se fosse uma boneca de madeira.

Por estar ao seu lado o coração já batia mais calmo e os lábios tentavam uma pequena emoção, não o suficiente para poder ser um sorriso. Mas ficar ao lado de seu amigos sempre lhe causou esse bem. Faziam dez pares de anos que se conheciam. A Rafa contava para qualquer estranho no bar que conheceu Pedro e Marcelo enquanto fugia da polícia, por estar fumando maconha na praça, e os dois ajudaram-a a se esconder. Mas ele lembrava que era só por causa do skate e era o diretor da escola, mas a história era mais legal assim. Sempre teve um olhar de aluada e sorria pra tudo. O Marcelo era o mais popular da tríade, com diversas namoradas, colecionava piadas e histórias engraçadas. Os dois eram tudo de importante que ele já teve por perto durante boa parte da sua história.

Nunca poderia pensar que a amizade fosse durar tanto, passaram pelo colégio juntos e mesmo as faculdades sendo diferentes, compartilharam os bares. Não havia nada que eles não tivessem vivido juntos. Depressões, saudades, divórcios, doenças… Quando a Rafa fez quimioterapia, ele que assou o bolo espacial pra ela. Quando o Marcelo foi preso, eles que iam visitá-lo toda semana. Quando precisou de ajuda para crescer e ter coragem de ser uma alguém, foram eles.

Se seu calendário mental estivesse correto, o que duvidava um pouco, fazia três meses que não viam o Marcelo. Foi mais ou menos nesses dias que começou a doença. Ela precisou ficar de cama, não dava para sair para procurá-lo, a prioridade era buscar por remédios que aliviassem as dores. O esconderijo ainda era o mesmo, um pequeno trailer abandonado ao lado do parque que a vegetação já havia escondido. Se estivesse bem, poderia voltar. Se não, era melhor nem saber.

Naquele momento, sentado no chão ao lado da cama, abraçou as pernas e afundou o rosto nos joelhos. A respiração, incerta como a vida presente, competia com a força que fazia para fechar os olhos e não deixar as lágrimas fugirem. Ouviu a chuva começar a se atirar contra teto do trailer. Segurou na cama e fez força para se levantar, engoliu a seco as mágoas pelo mau do mundo e atravessou o trailer em direção à porta. Vestiu sua capa capa de chuva, uma velha lona azul, e hesitou procurando forças para adentrar o mundo. Por menos de um segundo sorriu como uma autoflagelação: ainda não fazia nem dois anos que o mundo havia acabado.

Tipo

#contos #SantissimaTrindade

 
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from Amarelo Gemada

Mais um texto de 2015. Até agora está sendo interessante reler estes escritos e perceber o que mudou e o que não mudou. O mais difícil, porém, é não julgar o que eu pensava ou a maneira como eu escrevia ou desenhava.

Há alguns anos eu tinha uma verdadeira preguiça em usar e-mail, mas eu invariavelmente tenho preguiça pelas coisas antes de conhecê-las mais a fundo. Quando acabo conhecendo, por vezes me empolgo tanto com a descoberta da utilidade delas na minha vida que as pessoas ficam sem entender o motivo de toda minha euforia. Deve ser porque ao contrário do que esperam de uma virginiana e de um ISTJ (ou INTP-T, whatever), eu sou bastante desorganizada. Então, qualquer ferramenta que eu consiga adaptar à minha vida e me ajude a ter o mínimo de controle sobre minhas tarefas eu estou abraçando (ou ao menos tentando). Tenho uma amiga, virginiana também, a próposito, com cerca de 10 anos a menos do que eu que fica simplesmente indignada com o fato de eu ainda usar e-mail. Dias atrás, um dos slides da aula de marketing na faculdade descrevia que a geração Z considerava o e-mail como old-fashioned e, apesar de eu odiar marketing e não levar quase nenhuma dessas ideias a sério, a indignação dela fez um pouco mais de sentido pra mim.

Apesar de ser considerado por muita gente apenas mais uma coisa dentre tantas que precisamos ter para nos cadastrarmos em qualquer lugar, sejam elas redes sociais ou para conseguir alugar uma casa — como um RG — , eu encontrei meu amor há alguns anos quando meu companheiro passou a se comunicar cada vez mais comigo por e-mail. Provavelmente isso aconteceu com a decadência e anunciado fim do MSN, e como estávamos com pouco tempo de relacionamento, tínhamos que achar outras alternativas de nos comunicarmos, já que cada um morava em cantos extremos da cidade. Atravessar São Paulo de ônibus nunca foi uma coisa muito rápida. Por causa disso, sem perceber passei do estado de quase nem lembrar o meu próprio endereço, até ser uma das primeiras coisas que eu faço no dia. Hoje quando estou no computador, eu abro meu e-mail antes de qualquer outra rede social e algumas vezes ainda meio dormindo enquanto ainda estou sentada no banheiro (informação demais, eu sei). Meu e-mail fica aberto o dia todo e durante todo o tempo que estou conectada na internet via wi-fi, e só não no smartphone porque não sou das pessoas adeptas ao 3G (caro demais, lento e uma telinha minúscula que me irrita, não obrigada). Em contrapartida, apesar do vício assumido, algumas outras redes sociais eu uso esporadicamente, ou simplesmente “sumo” por tempo indeterminado quando estou de saco cheio do mundo. Até porque algumas delas não contribuem em nada para manutenção da minha saúde mental ou porque eu realmente canso de ficar tão exposta o tempo todo. Ok, você pode até me dizer que e-mail não pode ser considerado bem uma rede social, mas vejamos como eu uso meu próprio e-mail:

Eu tenho uma série de amigos que eu me comunico quase que exclusivamente por e-mail, quando não pessoalmente. Alguns se conhecem entre si, outros só sabem da existência destes outros pelo endereço de e-mail, alguns são amigos dos amigos. Há amigos que são ex-metaleiros, outros são ex-otakus, ou os dois ao mesmo tempo. Não seria mais prático então usar uma lista e-mails? Uma lista de e-mails não daria exatamente certo no nosso caso. Por que dentro deste minúscula rede, há os que gostam de humor mais rebuscado, meio Monty Python, outros são viciados em gifs animados encontrados no Imgur. Tem também os que são verdadeiros, e num ótimo sentido, Social Justice Warriors e outros que apesar de pessoas muito legais, têm outras prioridades. Ou seja, somos muito diferentes e nossos e-mails são escolhidos e enviados exatamente para as pessoas que queremos, porque o que pode ser interessante para um, não faria muito sentido para o outro. Isso é o que é mais bacana, nós nos conhecemos minimamente, (e alguns é minimamente mesmo), mas já é suficiente para sabermos que não seria bacana mostrar aquele vídeo sobre sei lá, os males da indústria da carne, para um amigo que é vegano e que pode se sentir mal vendo aquilo. Não existe uma timeline única que você vez ou outra pode se deparar com alguma coisa bem desagradável. Não existem pessoas que invadirão a sua página para falarem o que bem entenderem contra o que você está compartilhando. Não existem insultos ou assédios por inbox. Não existe a cobrança de você estar ali todos os dias, “batendo ponto”, porque o compartilhamento de ideias é espontâneo. Não se tenta medir a sua saúde mental, emocional pela quantidade de vezes que você ficou online. E apesar disso tudo, existe a discussão de tópicos, a troca de informações, a desconstrução, o entretenimento e a possibilidade real das pessoas escolherem com quem e quando vão compartilhar, o que as vezes é bem difícil de controlar nas redes sociais mais comuns. O mais importante de tudo é que na nossa pequena rede social temos respeito um pelos outros, por suas particularidades e pensamentos e aprendemos muito escutando uns aos outros, independente do assunto que estiver correndo. E claro, nos divertimos muito também.

Este texto e estes pontos nem podem fazer sentido para você, você pode continuar achando (e tem todo o direito disso!) o e-mail uma coisa velha demais, chata demais, etc. Mas para meu ser introvertido, neurótico pelo controle de privacidade, e avessa a algumas cobranças, o e-mail ainda é para mim, A Melhor Rede Social do Mundo™.

Texto publicado originalmente em: 3 de Outubro de 2015 no Medium.

 
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from renaN

Esse é um texto sem nada. Esse é um texto sem preparo. Mas não sem carinho.

É um texto que precisava sair, então ta aqui. Tal qual aquele arroz que tu faz às pressas, enquanto refoga a cebola pica o alho, e enquanto o alho na panela corre pra pegar o arroz antes que comece a subir o cheiro de queimado.

Mas do jeitinho que saí esse arroz, esse texto nasce porque quem fez queria. Ou precisava. Ou os dois.

O fato é que faz tempo que penso em escrever, em publicizar esses pensamentos que a gente sempre vai colocando no papel, ou aquelas ideias que vez ou outra surgem, cutucando, dizendo poderia escrever sobre isso.

Seguindo as boas normas de convivência seria educado me apresentar aqui. Vou aproveitar o texto cru sem estrutura pra dizer quem sou ou acho que sou e o que quero ser.

Sou Latino-Americano, estudante universitário de Gestão de Políticas Públicas que acredito piamente que esse deveria ser um curso de formação cidadã, e não de ensino superior. Pode parecer técnico, mas bebe muito na sociologia, história e direito.

O que quero ser é tanta coisa; Tem uma coleção de hobbies, passatempos, vontades e planos que vão sendo relegados pro segundo plano até termos tempo. MAS com certeza, já que falei de tempo, quero ser alguém que usa o seu para fazer o que quer, o que sabe que gosta. É diante dessa vontade que me azucrina, que me exige escrever e publicizar, tal qual o besouro que azucrina Bras Cubas enquanto não se decide sobre Eugênia, que publico esse primeiro texto.

Como apresentação confesso que não fica muito bem, fui incapaz de expor do que vou tratar aqui, mas é isso. Esse texto precisava sair, tenho agora uma obrigação contigo, sério, que ta lendo. Nos falamos mais daqui uma semana!

Como um texto cru, até que ficou bem feito. Talvez um pouco empapado por não usar a técnica de ferver a água antes de botar no arroz. As vezes sem sal, pela pressa ou medo de exagerar mas aqui está ele. Pronto pra vir ao mundo e servido à mesa, senão com orgulho, com coragem.

 
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from Nada, não!

𔑺 it's never too late

Olá! Acho que não nos vemos por volta de uns três anos, não é mesmo?

Nesse meio tempo não posso dizer que escrevi muito. A verdade é que eu escrevi pouquíssimo e parte foi por conta de uma rotina de estudos e trabalho intenso, mas parte foi por me encontrar numa fase em que desacreditei da qualidade da minha produção, num todo. É fato que eu sempre tive grandes questões em ver valor no meu trabalho mas, neste meio tempo, enquanto eu continuava lutando por isso, eu estava tentando também botar muitas outras coisas no lugar.

Volto agora — não necessariamente com as coisas todas no lugar —, pensando se o nome antigo desta newsletter ainda faz sentido. É um nome do qual eu me apeguei horrores, é verdade. Amarelo Gemada. Acho ele marcante, divertido e único. Pode soar bobo, mas eu tenho orgulho de tê-lo criado. Se você me perguntar, vou dizer que não lembro exatamente o motivo da minha escolha por ele. Tenho quase certeza (ênfase no “quase”) que surgiu por conta de uma brincadeira com a música Amarelo Manga, de Otto, que eu escutei incessantemente num passado recente. À época, acho que funcionou. Hoje eu já não tenho tanta certeza disso.

O que eu não sei é se este nome ainda diz sobre quem eu sou ou sobre o que tenho pensado atualmente. Ao contrário da minha percepção sobre a música de Otto (que canta sobre um corpo que não fala e que não sente), Amarelo Gemada sempre teve um quê de engraçadinho. E era fato que, por mais que algumas edições tenham sido sobre assuntos mais sérios, minha tentativa sempre foi pincelar um risinho aqui ou ali.

No entanto, não sei se me sinto mais assim tão divertida. Ao menos não da mesma maneira.

O problema, na verdade, é que minha tentativa de ser divertida sempre esteve ligada a uma expectativa do Outro (este mesmo que sempre ronda esta pessoa e portanto, esta newsletter).

Para o Outro era isso mesmo que eu queria ser: a legalzona, a amiga pra todo momento, a querida e “boa moça” — como minha terapeuta tanto gosta de nomear este fenômeno na minha personalidade. Mas, se você pedisse para que eu me descrevesse, muito provavelmente eu escolheria palavras como ácida, impaciente, sarcástica, metódica e... chata.

Jesus-maria-josé, eu sou muito chata.

Pode ser surpresa para alguns que eu me veja assim. Para outros, nem tanto. Mas, dificilmente, a não ser que um dia você venha a ser parte da minha família, amiga muito íntima ou que moremos na mesma casa, você vai perceber essa minha chatice. Eu não deixo transparecer muito e, por que não dizer, que eu puxo o freio mesmo. Algumas pessoas com quem já trabalhei devem ter tido algum vislumbre da minha chatice quando, por exemplo, eu tenha defendido insistentemente uma ideia da qual acreditava muito, ou quando argumentei de mil maneiras diferentes sobre um ponto de vista, ou quando tive dificuldade de deixar algum colega tomar a frente de tarefas que eu acreditava que faria de maneira melhor ou mais efetiva.

Uns chamariam de persistência. Eu chamo de chatice mesmo. Até por que, dentro de casa e dependendo da época, eu sou quase insuportável. E talvez seja exatamente por não deixar minha chatice extravasar para o além família que isso acontece. Não é apenas a vontade de ter meu trabalho valorizado, mas a maneira como eu faço isso.

Porém, ser chata não me impede também de ser divertida, aos meus termos. Ambas as características podem e coexistem na minha personalidade. Meu humor é ácido e sarcástico e revela toda essa minha impaciência. Não é pra todo mundo e constantemente eu preciso afirmar para os meus pares que “é apenas uma brincadeira”. Não é um tipo de humor do qual me orgulho. E isso também não impede de, eventualmente, eu magoar alguém. Mas é meu humor. Não é especial, não é genial. Mas é meu e é de uma pessoa humana única.

Um das coisas que eu tenho tentado colocar no lugar e que eu vejo como a mais promissora é a minha própria humanização. É a aceitação de que eu sou uma pessoa falha, que não tem a obrigação de agradar. É a auto percepção de que o que eu tenho para falar é importante e que deveria ser posto no mundo, mesmo que a única ouvinte seja eu mesma. Mesmo que o que eu tenha para falar revele todos os meus maiores defeitos.

Não é fácil. Eu cresci acreditando que eu deveria ser perfeita. Que eu deveria ser agradável. Que eu deveria nunca desejar o mal ao outro. Que eu deveria falar baixo e o menos possível. É impressionante relembrar uma das minhas primeiras memórias da infância onde uma professora disse à minha mãe em uma reunião, que eu era “uma ótima aluna, mas conversava demais na aula”. Então, eu cresci acreditando que além de ótima aluna eu deveria também me calar.

Sendo bem franca, eu provavelmente devia falar além da conta mesmo. Lembro-me também de estar sempre virada para a carteira atrás de mim enquanto contava alguma história para colegas. Eu lembro da minha infância ser uma infância falante. Eu falava com pessoas imaginárias. Demorava dias para contar ao meu irmão o enredo de algum programa que eu tinha assistido, por conta de tantos detalhes que eu adicionava à narrativa. Lembro de contar sonhos ao meu pai enquanto tomávamos café da manhã. Eu não parava de falar.

Então, é claro que não foi culpa apenas desta professora. Mas, o calar-se, ao longo dos anos, me afetou de maneira profunda. A dificuldade de fala é uma coisa que me persegue até hoje. Que afeta todas as áreas da minha vida. Se disfarça de timidez, de introversão, ou se junta à elas. Se materializa no bolo que fecha a minha garganta toda vez que penso em reclamar sobre algo que me incomoda. Revela os contatos amigos que perdi, os trabalhos que me sujeitei a fazer por valores baixíssimos, o sentimento de solidão que não passa nem com todo amor que tenho ao meu redor. A dificuldade que, contra toda a expectativa que minha maturidade traz, só aumenta.

Audre Lorde, que foi uma mulher negra incrível, disse em um de seus textos que a dificuldade de fala é uma característica facilmente encontrada em mulheres negras. E, obviamente, é consequência de violência racista ao longo da vida, desde a infância. Minha terapeuta, que também é uma mulher negra incrível, provavelmente não aguenta mais repetir em nossas sessões que eu preciso falar. E, falar, implica em deixar ser vista, em ser desagradável, com errar e errar e errar e lidar com isso.

What are the words you do not yet have? What do you need to say? What are the tyrannies you swallow day by day and attempt to make your own, until you will sicken and die of them, still in silence? Audre Lorde

Depois de refletir sobre tudo isso, acho que essa newsletter merecia um novo nome. Um nome que comunicasse a tentativa da fala, seja ela com o humor que vier.

Assim sendo, esta é a primeira edição da Nada, não! Uma frase que vivo dizendo quando desisto de dizer (risos). O que eu nunca tinha percebido, até então, é que estas duas palavras sozinhas com uma vírgula no meio, diziam o contrário do que eu sempre quis comunicar.

A verdade é que eu tenho muito a dizer e esta é mais uma tentativa de continuar dizendo. Além de apenas dizer, é uma tentativa de ver valor na minha fala. Um corpo que tem todo o direito e dever, consigo mesmo, de falar (e ser uma pessoa chata).

𔒰 secos e molhados

Esta nova versão da minha newsletter provavelmente continuará aparecendo na sua caixa de entrada de quinze em quinze dias, a partir de agora. Vou seguir falando sobre a vida e minhas percepções e aprendizados neste mundo.

Estou separando cada edição por quatro seções simples:

  • tema central onde trarei o texto principal da quinzena, com um título que muda de acordo;
  • secos e molhados: para dar recados e assuntos fora do tema central;
  • gratuito, livre ou aberto: sessão de indicações de coisas acessíveis pela internet;
  • F12: seção para documentar os recursos que usei na edição como fontes, símbolos unicode e afins.

Tenho planos de fazer um spin-off dedicado a falar sobre design, que é minha profissão. Quando (e se) acontecer, volto aqui para avisar.

𔒥 gratuito, livre ou aberto

  • The Transformation of Silence into Language and Action (em inglês/em português): o texto de Audre Lorde, que me fez chorar e está intimamente conectado com o que falei nesta edição. Audre disseca a dificuldade que, especialmente, a mulher negra tem em falar o que pensa, o que sente e em como esse sentimento precisa ser superado. Obrigada por me indicar @pato!
  • Manual do Usuário: um site sobre tecnologia, que conta também com a newsletter Bloco de Notas e os podcasts Guia Prático e Tecnocracia. O que gosto muito no Manual é que ele fala sobre tecnologia sem exagerar nos jargões e sem aquele formato de review de produtos que vemos por aí. É sobre como nos relacionamos com a tecnologia e como ela impacta na sociedade, com uma linguagem muito acessível.
  • Ora, Thiago: Canal no youtube sobre cinema e cultura pop. Thiago é uma pessoa negra, gay e maravilhosa que trata dos assuntos com profundidade e um humor muito particular e cativante. Especial para as 30+ que curtem aquele saudosismo e referências à infância noventista.

𔑳 F12

A fonte utilizada para o título da newsletter é a Bagnard Regular, desenhada por Damien Poulain. Os símbolos unicode utilizados no início de cada seção são os do grupo Anatolian Hieroglyphs, respectivamente: U+1447A, U+144A5, U+144B0, U+14473.

Newsletter originalmente publicada e enviada por e-mail em 24 de Junho de 2020. Para assinar, é só clicar neste link: Quero me inscrever!

 
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from Amarelo Gemada

Este texto é de 2015. Algumas coisas ainda fazem sentido nele, outras nem um pouco mais. Você pode encontrar algumas palavras problemáticas que hoje eu já tenha tirado do meu vocabulário. Leve isso em consideração, por favor. Hoje eu já acho este um texto meio bobo mas, mesmo assim, vale aqui o registro até pela coincidência — ou recorrência — do tema e por este ter sido meu primeiro texto lá no Medium.

De tempos em tempos eu invento de testar uma nova plataforma de escrita. Desde os serviços online mais comuns como o [quase falecido] Blogger, até o [morto e enterrado] Fotolog eu já testei. Pois é, eu usava o Fotolog para escrever. Já testei, também, alguns aplicativos offline bonitinhos como o Ommwriter, que é bacana se você precisa de uma vibe meio “namastê”, sem distrações e com uma música (meio chatinha, confesso) de fundo. De todos, o meu preferido mesmo é o Bloco de Notas do Windows. Eu gosto do visual cru, da Lucida Console padrão e, de fundo, a música que condiz com meu estado de espírito.

Nenhum deles, porém, funcionou tão bem como meu bom e velho diário da adolescência — um caderno em espiral com uma capa esquisita, onde nem ônibus cheios e em movimento poderiam deter páginas e páginas escritas a lápis sob as fungadas catarrentas que a Legião Urbana (tão brega ❤) e as desgraças da vida de adolescente me arrancavam.

Não sei por quê eu passei anos sem escrever. Acho que foi uma fase ruim. Um fase de perdição e de muitos questionamentos. Muitos deles que só agora, com certa maturidade, eu consegui encontrar respostas, me livrar de algumas amarras e assumir posicionamentos que me despertaram novamente a vontade, a necessidade de escrever regularmente.

Cá estou eu em mais uma tentativa, em uma nova plataforma para mim, tentando voltar a escrever.

Eu sou uma pessoa introspectiva (apesar de fazer pouco tempo que descobri que o “meu jeitinho” tinha um nome), e por isso, ou por ser quem eu sou, eu falo muito pouco sobre minhas incertezas. Além disso, eu sou uma pessoa ansiosa. A consequência disso tudo é sempre estar à beira da loucura e já ter passado por algumas crises de ansiedade até conseguir desabafar com alguém. Na minha adolescência a escrita regular me ajudava muito a ter uma vida mais próxima do normal, porque eu ia descarregando toda minha angústia aos poucos em cada folha e elas não se juntavam todas dentro de mim até não existir mais nenhum espaço livre. E eu sinto falta de ter uma vida próxima do normal. Sinto falta também de quando eu escrevia sem meus próprios julgamentos, sem pensar o que pensariam sobre eu ter escolhido palavra x e não um sinônimo rebuscado. Pode até parecer um pouco incoerente com a escolha desta nova plataforma, mas sei lá, essas coisas as vezes não tem muita coerência mesmo.

Aliás, preciso agradecer uma pessoa, a Aline Valek, que me fez ver que para escrever “bem” eu não preciso nenhum pouco usar daquelas palavras que farão o leitor ter que consultar o dicionário. Receber sua newsletter (assinem, assinem, assinem!) toda manhã de sábado é como encontrar uma amiga querida, que vem jogar conversa fora ou vem para dar aqueles conselhos que mudam nossa vida (mesmo que essa nossa amiga não tenha a menor ideia dessa sua incrível capacidade). Nunca escrevi a ela, no entanto, porque morro de vergonha. Mas quem sabe um dia...

Então é isso. Uma nova tentativa, um novo lugar, novos pensamentos. Uma vez por semana talvez eu apareça por aqui. O dia? Ainda não sei, vamos nos ajustando conforme eu me estruturar (e o TCC deixar). Só não posso garantir que vai dar certo desta vez, ou se vai dar certo do jeito que você espera. Dessa vez eu não espero nada, a minha nova estratégia é não criar expectativas e “deixar a vida me levar”.

texto originalmente publicado em: 12 de setembro de 2015.

 
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from Amarelo Gemada

Amarelo Gemada era o nome da minha antiga newsletter. Sob este nome eu também publicava alguns textos no Medium.

Hoje a minha newsletter se chama Nada, não!

Achei bem interessante a possibilidade de separar a minha conta em vários blogs diferentes. Pensei em assim organizar meus antigos escritos, que fiz pelo Amarelo Gemada, e os novos que podem sair como backup da nova newsletter. Assim, quem quiser que leia sem precisar me fornecer um e-mail.

Por enquanto este post serve como teste para ver como as coisas funcionam por aqui. Aos poucos vou organizando a casa.

Espero que gostem. :)

 
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from 22

Primeira postagem da minha série de recomendações. Costumo fazer recomendações direto no mastodon, mas muitas acabam se perdendo com o tempo. Aqui, vou poder entrar em mais detalhes sobre porque gostei disso e daquilo outro, e também vou ter um arquivo mais organizado dessas recomendações, yay! Não esperem nada muito profundo, não vai ter.

Então, vamo lá!

Álbum: RISE Artista: Willow, Jahnavi Harrison Data de lançamento: 20 de novembro de 2020 Gravadora: MSFTSMusic / Roc Nation Records, LLC

Foi uma ótima surpresa acordar e ver vários vídeos upados no canal da Willow no YouTube. Corri para ver o que era, para saber sobre o que era e descobri que ela lançou um álbum com 6 faixas em colaboração com Jahnavi Harrison chamado “RISE”.

Willow é a Willow Smith. Aquela mesma que lançou Whip My Hair no auge dos seus 10 anos, mostrou seu vozeirão e virou promessa.

Promessa que se concretizou, né? Com 20 anos, Willow já demonstra que encontrou seu caminho e traz um trabalho muito maduro. Seu álbum homônimo mostra quem ela é, seus anseios e como ela vê o mundo e isso faz com que eu me identifique. O RISE parece dar sequência a esse processo de mostrar sua identidade, que tem muito a ver com se entender parte do todo.

Não conhecia a Jahnavi Harrison, britânica que canta mantras e músicas para meditação. Mas senti que teve tudo a ver as duas se juntarem para esse álbum. A Jahnavi, os mantras, a intercalação entre inglês e sânscrito, tudo funcionou. Acho que será um álbum que eu ouvirei muito, assim como é o WILLOW.

Música preferida: Gajendra

Unlimited, original, sweet, subtle Deepest of the deep

Acho que esse trecho de Gajendra descreve bem esse álbum e o sentimento que ele desvela quando você o escuta.

Escute na sua plataforma de streaming preferida: RISE – Willow, Jahnavi Harrison

#bantuMusica #recomendo

 
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from dobrado

Há dois anos apareceu um quadrado preto no céu. Acharam que era alienígena, que eram deuses enfurecidos, que era buraco de minhoca. Aliás, deram nome de Buraco de Hawking, em homenagem ao finado cientista. Não sei se eu gostaria de ter um buraco com meu nome, depois de morrer.

E isso nem parece um buraco, sabe? É quadrado. Ninguém faz um buraco quadrado. E ele nem tem fundo, todo buraco tem fundo. No primeiro dia tentaram ilumina-lo, apontaram um laser para medir a distância e nada aconteceu. O laser simplesmente entrou pelo buraco e não conseguiram ver até onde ele ia. O tal do Elon Musk tentou enviar um foguete pra lá uns meses atrás. Durante a live a nave entrou e “caiu”. Digo “caiu” porque adentrou pelo buraco e voltou como se tivesse acabado o combustível, mesmo que os propulsores ainda cuspisse fogo como dragões. O foguete simplesmente parou de subir, sua ponta pendeu e voltou para a terra em uma velocidade absurda. Dizem que não sobrou nada do carro elétrico que estava lá dentro.

Mas nem é só isso, o buraco aparece para todos no céu. Por exemplo, eu aqui no Uruguai vejo o mesmo buraco que um surfista australiano, ao mesmo tempo e no mesmo “lugar”. Um YouTuber pegou um carro esses tempos e decidiu filmar o buraco enquanto andava em linha reta. Chegou na Venezuela, pouco depois da fronteira ele desceu do carro, xingou seu patrocinador e decidiu voltar. Parece que voltou a trabalhar no escritório do pai depois disso. Um velho esquisito brasileiro disse que isso é a “redoma da terra plana que quebrou”. Queria muito perguntar pra ele como uma redoma quebra em um quadrado perfeito.

Teve um pastor americano que disse que era o fim do mundo. E que esse buraco precedia o Apocalipse. Ele, o buraco não o pastor, ia crescer e tomar conta dos céus e o dia viraria trevas. Ainda tô esperando por isso, pelo menos podia chegar antes do verão. Mas nem culpo tanto ele, tiveram muitos físicos e astrônomos que rasgaram seus diplomas e viraram hippies. Os astrólogos por outro lado, agora inventaram um novo signo.

Enquanto isso continuamos nossa vida normalmente. Vamos trabalhar, falamos sobre o buraco na hora do almoço, o Ilhan conta piadas ruins sobre o buraco desde o dia zero. A copeira do escritório comenta que o buraco no céu fez a filha dela engravidar. E meu chefe diz que esse buraco é uma forma totalmente nova de empreender e diz que ainda não descobriu como. Na verdade ele queria ter fundado aquela startup que leva influencers de balão até o buraco para eles tirarem selfie.

Eu? Eu acho que é um dead pixel. Alguém precisa trocar o monitor de deus.

Tipo

#contos

 
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from Gustavo Soares

Um dos meus piores problemas além da procrastinação é a falta de foco diria que meu foco é bastante seletivo ao mesmo tempo em que eu posso me concentrar em uma função exercendo outra me distraio com qualquer coisa brilhante, eu perco a vontade de fazer tudo o que não for relacionado a minha paixão do momento. Eu posso fazer algo por horas sem perder a concentração basta que eu esteja interessado e isso acaba pesando para outras coisas que deixo de fazer, eu realmente gostaria de ter esse foco para tudo na minha vida.

mas isso não seria procrastinação?

Acho que procrastinação é algo causado pela minha falta de foco mas também tem um pouco de ansiedade de como se eu fosse algo que eu tenha que fazer mas existe um peso enorme que me impede de fazer o que me acaba levando a frustração

então...

Para mim desde que sair do ensino médio vem sendo terrível em questão de se manter o foco em algo que eu não queira, principalmente em matérias da universidade é como se eu perdesse todo apoio pedagógico que tinha e com isso perdi todo o rumo e não consigo mais acompanhar, por muito tempo me senti perdido... Com o tempo fui me entendo e me encontrando e hoje entendo que não adianta muito me forçar eu não tenho foco para muitas coisas que eu gostaria de fazer e quem sabe um dia eu faça. O fato é que não me sentir atraído a estudar nada das matérias que peguei esse semestre na verdade não me sinto mais atraído por nada nesse curso, isso me leva a me perguntar sobre meu futuro, poderia estar tendo uma carreira brilhante de programador agora mesmo, mas acabo me atraindo por trabalhos repetitivos e classificativos, eu com certeza serei facilmente substituído por uma IA, trabalhos de organização são com certeza meu forte.

Este texto serve como um lembrete que eu tenho sim qualidades talvez só esteja indo para área errada em qual meus fortes não sejam necessários. talvez meu hiperfoco seja bom para outras coisa mas não para programar...

 
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from dobrado

Era domingo e acordei cedo. Lavei o rosto como quem limpa a vergonha na pia e antes mesmo de escovar os dentes, senti que precisava de um café da manhã. Mas nada saudável, sim aquele pastel engordurado frito em óleo velho que não serve nem para fazer biodiesel. Coloquei o chinelo velho e desci a rua cheia de carros encostados no meio fio da já pequena calçada.

Após alguns passos largos com os olhos ainda pesados de sono, avistei no final da rua a feira. Aquele monte de barracas com cobertas de lonas coloridas, a diversidade de tons combinavam com os gritos a plenos pulmões das pessoas tentando vender seus produtos. Era dia de feita.

— Ô tia, me vê um pastel de carne seca com queijo.

— Pastel de carne com! — o grito saiu com o mesmo dinamismo que ela virou para atender o outro cliente que havia chegado instantes depois.

Sempre achei engraçado como eles se organizam e sabem quais sabores estão dentro daqueles pasteis idênticos, engavetados como se fossem tediosos arquivos de um escritório qualquer de contabilidade. Busquei com os olhos a pimenta, que estava do outro lado da barraca, fui atrás delas cuidando para que pudesse avisar a dia do pastel do mes deslocamento repentino.

— Vai comer agora?

— Sim!

Ela lembrou de mim e do meu pedido. Me viu do outro lado da barraca e acertou o pastel. Adoro carne seca com queijo, com pimenta então... Uma delícia! Ela é bem observadora? Será anos de prática?

— Nossa! Você tá grávida, filha? — A coragem da tia em disparar um questionamento tão simples e polêmico foi acompanhado de um sorriso rápido enquanto colocava alguns pastéis na sacola. Gelei por um momento, o tempo desacelerou e eu imaginei uma catástrofe. E se a menina não estivesse grávida e apenas exagerado um pouco na comida nos últimos meses? Que intimidade era essa? Será que se conheciam?

— Sim, estou de 4 meses. — Ufa! essa foi por pouco.

— E o pai? Vai assumir? — Apesar da indiscrição, o jeito doce e simples que imperava na voz não ofendia a quem era dirigida.

— Não, ele fugiu.

A garota sai levando alguns pasteis e a tia do comenta, observando ela indo embora — Tadinha, lembro dela vindo pra cá comprar pastel com a mãe, e agora ta grávida. — Eu com os pensamentos embaralhados questiono como ela tinha certeza que a menina estava grávida? Talvez seja coisa de mulher. Nunca saberei, mas ainda tenho fome. — Tia, me vê um pastel de franco com catupiry?

— Frango com!

Ela tem boa memória e é bem observadora. Deve ser muitos anos de trabalho. Ou será que ela faz isso com alguma intenção? Hm, não… Por que ela faria isso? Ela é só a atentende da barraca, a não ser que ela fosse uma agente secreta com treinamento. Mas o que ela faria aqui nesse bairro tão pacato e cheio de idosos?

— Oi, queria pedir uns pastéis: dois de carne, dois de frango com catupiry e um de calabresa.

— Dois carne, dois frango e um calabresa! Faz tempo que você não vem aqui, hein? Tava de férias?

— Não, tava trabalhando em dias diferentes.

— Ah é? Você trabalha na barraca daquela senhora morena, né?

“Senhora morena”, poupe-me. Isso descreve metade da feira.

— Isso mesmo. Nas últimas semanas eu fiquei de folga domingo, tava na semana. — Ela jogou verde e deu certo, deve ser só simpatia.

— Ah, que bom ter uma folga né? Toma aqui os seus pastéis. E manda lembranças pra dona Cristina.

— Obrigada, mando sim!

Ela sabia mesmo o nome da senhora. Começo a imaginar que ela seja uma agente secreta. Talvez tenha algum ex-tenente nazista na região, foragido e cheio de ideias perigosas da segunda guerra. O que não é de se espantar, afinal só tem idosos aqui no bairro.

— Tia, cobra pra mim?

— Um carne seca com queijo e um de frango, né? 9 reais.

— Aqui, pode ficar com troco.

— Obrigada, volte sempre. Mande lembranças pra namorada.

— Mando sim.

Eu nunca vim com minha namorada nesse barraca. Ela deve ser uma agente secreta mesmo. Talvez uma espiã da MI5. Percebi que ela pronuncia o “a” de maneira peculiar. Aquele pastel de carne seca com queijo tava super bom. Acho que vou voltar aqui semana que vem.

Tipo

#contos

 
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