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from Line ليني

tem gente que me tira dos eixos e eu nem sou um caminhão é a insegurança da ultrapassagem em que tu não sabe se pode ir ou não

minha prova do detran nunca fiz mas sinto que reprovaria de primeira

és a quinta marcha mas só dirigi automáticos

a baliza que me fez bater no poste de tanto nervosismo

 
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from dobrado

Ontem eu testei o Steam deck e achei bem bom. Joguei os jogos:

  • Horizon Zero Dawn
  • Factorio
  • Hollow Knight
  • No Man's Sky
  • The Outer Worlds
  • Civilization VI

Construção

O pacote é bem bom, não muito enfeitado, bem numa caixa de papelão simples e dentro vem o estojo. Achei ele muito grande, mas a qualidade é ótima. O fio do carregador é curto, então você precisa ter uma tomada perto de você. A construção é de plástico, mas de boa qualidade. Reparei apenas em algumas rebarbas, mas nada grave. A tela é ótima, apesar da proporção me parecer estranha (não sei se é diferente do normal).

Interface

A interface do Steamdeck não é a mesma do Big Picture, ela é mais moderna e melhor preparada para controle. O Steam mostra os jogos compatíveis com um ícone, no thumb deles. Mas deixa tu instalar qualquer coisa, mesmo que não seja compatível.

Ainda sobre a interface, vários jogos têm problemas com fontes pequenas. Pois a maioria foi feito para telas grandes e no Steamdeck as letras ficam pequenas. O que pode ser resolvido aumentando a interface dos jogos ou usando a lupa, um recurso do Steamdeck que ainda não usei. Por isso muitos estão marcados como “funciona mais ou menos”, mas é só por isso ou pelo jogo chamar o teclado virtual em algumas telas.

Sobres os jogos

No geral todos os jogos rodaram bem, mas em qualidade baixa/média. Pensando que é um console portátil e a tela é pequena, a qualidade é boa. (Se você tiver interessado em gráficos melhores, não é pra você.) O FPS se mantém bem estável. O No Man's Sky é um jogo que eu sempre tive problemas de queda de FPS ou lag na interface, rodou liso. Mas no meu pc, sempre tento rodar no máximo.

Jogar nele é tão bom quanto com o Steam Controller. Usar o mouse no touch ou no touchpad possibilita jogar games como Civilization facilmente. Achei os controles um pouco altos e os 4 botões traseiros são de dificil acesso. não imagino um uso real deles. Apenas no Horizon Zero Daw que eu tive dificuldades com o giroscópio (mexer o console para mover a mira no jogo), na configuração oficial. Baixei outra da comunidade e funcionou perfeitamente.

 
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from decolonyala

“o futuro é ancestral”

Quando Ailton Krenak fala isso, sinto que recebo um abraço. É a coisa mais linda de se ouvir, uma comunicação afetiva. Suspeito que esse tipo de linguagem não pertence aos jovens e demanda uma boa quantidade de sensibilidade, adquirida com muito do que já se viu na estrada do tempo. Nunca tinha ouvido ninguém falar com tanta leveza sobre o fluxo da existência.

Mesmo eu, que desde criança morei com meus avós maternos, não tinha essa referência de um velho sábio que nos explica sobre todas as coisas, nos acalma sobre o tempo e ri da nossa ansiedade com o maior carinho. Antes de pensar sobre ancestralidade, a ideia que eu tinha sobre meus avós não era uma história romântica.

Meus avós eram muito rígidos e pareciam sempre muito estressados. Do tipo difícil de agradar. Do tipo de quem já se fodeu muito na vida e esperava ter uma velhice tranquila. Do tipo que não esperava ter que se responsabilizar pelos filhos dos filhos aos 60. Do tipo que deixava claro o incômodo.

Eu entendo essa busca por ancestralidade como ferramenta para conseguir olhar para trás e compreender a si mesmo. E o pouco que eu coletei de conhecimento, ao longo dos anos, sobre os pais dos meu avós, me dá alguma referência. Pouco mesmo, porque ao contrário de mim, eles não gostavam de falar sobre os que vieram antes.

Da minha bisa Teodora, disseram um dia que era uma negra “zangada”, que praticava algum tipo de “magia”, que conversava com pedras e que dividia uma manga para os três filhos. Um deles meu avô. Do meu biso José, vovó diz até hoje que tinha olhos puxados “igual japonês”, mas que a pele era escura de “tanto pegar sol”.

Alguns desses registros me contam sobre tempos em que esconder a própria origem, no caso dos meus avós, preta e indígena, era questão de sobrevivência. Por isso, não julgo quem carrega um medo (muito antigo) de retomar esses assuntos.

Me dói pensar sobre isso.

Reconheço que tenho muita sorte de poder falar sobre essa história indígenafro, ou afroindígena, e tentar desenhar qualquer sonho tendo isso como base. Resgate não é um papo goodvibes. Resgate é sobre responsabilidade e reparação. Pra mim, é o ponto de partida para um fluxo de existência não-linear. Ou, para entender com o coração, o que o Ailton tá dizendo.

Afinal, o tempo originário é circular. Mas isso é outra história...

 
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from Line ليني

Uma crespa em desespero

Desde muito jovem, meus cabelos foram uma questão. Minha mãe tem cabelo liso – levemente ondulado, segundo ela –, e sempre reclamava de ter que arrumar o meu. “Você puxou o cabelo duro da família do seu pai” e por volta dos 11 anos passei pelo maldito processo que praticamente toda mulher de cabelo crespo já passou: o famoso alisamento. Não sei se alisamento é realmente um bom termo, porque o cabelo fica de um jeito que nem sei descrever, mas não é alisado com certeza. Eu chamava de relaxamento, o que faz muito mais sentido pra mim hoje. Mamãe me acordava duas horas antes do horário previsto para nossa saída para lavar, pentear e fazer as simples e demoradas tranças baianas, para não parecer que meu cabelo cresce pro alto; para não mostrar que ele é crespo. Na escola, andava com cabelo amarrado e mamãe dizia que era para prevenir a manifestação de piolhos. E um dia, aquelas pessoas que fotografavam crianças com adereços e acessórios fofos apareceram onde eu estudava, e mamãe pagou para eu ser fotografada. Fui de trança, com o cabelo grande e penteado (diria até que aparentava ser evangélica, mas não sei até que ponto isso pode ser pejorativo), mas uma das funcionárias não se contentou com minha trança e teve a ideia de soltar meu cabelo para pentear. Pentear meu cabelo, crespo, à seco. Isso aconteceu; e sim, ela era branca. Lembro muito bem dela percebendo que tinha feito besteira quando penteou a primeira mecha. Ela chegou a pedir ajuda a outro funcionário, porque não sabia como lidar com meu cabelo. Não julgarei, por muito tempo nem eu soube. Voltei pra sala com tristeza, com medo de ouvir alguma “gracinha” (leia: racismo) de algum colega. Quando cheguei em casa, a frase que mamãe exclamou foi “QUE CABELO É ESSE?!” e expliquei toda a situação desesperadora. Minha mãe deve ter ficado chateada, pois já tinha me arrumado, mas a fotógrafa achou que não. A foto está em sua estante até hoje. Odiei a foto por muito tempo, por achar que meu cabelo estava extremamente horrível e com aspecto de “cabelo ruim”. Hoje, olho pra essa fotografia e vejo uma menina, sem dente, com cabelo natural e olhinhos brilhantes de criança. E queria dizer para a pequena Aline daquele dia que seu cabelo era lindo. E mais, que sua beleza transparecia de qualquer jeito.

(Aline Mota, 2019)

 
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from devaneios oníricos

Este é um desabafo de quem está empreendendo.

Desde que lancei o meu estúdio de design de estampas, passei a estudar mais sobre marketing digital e percebi o quanto isso tem me feito mal e me deixado mais ansiosa. São inúmeras ~skills~ para dominar, descobrir quais os problemas dos clientes e aprender quais gatilhos usar para fazer com que a interação vire compra.

Ao refletir sobre essa situação, cheguei à conclusão de que a gente precisa olhar mais para si e analisar se tá valendo mesmo a pena usar essas estratégias marqueteiras, se é realmente o caminho solucionar o problema do cliente a todo custo ou entender como podemos ajudá-lo dentro das nossas possibilidades. Se é realmente o caminho saber todos os gatilhos que fazem as pessoas comprarem ou ter uma relação saudável com elas, baseada em honestidade. E se o marketing que fazemos traz um resultado positivo para nossa vida ao conseguir novas conexões/parcerias reais e não somente pessoas que compram.

Comprar é importante sim para que nossos negócios se mantenham. Mas fazer todo esse processo até a compra de um jeito que faz com que fiquemos doentes não é uma boa coisa. Se está sendo tóxico para mim e para a pessoa que estou tentando conectar/fazer parceria, não é bom sinal.

Os marqueteiros esqueceram do básico: em primeiro lugar somos pessoas e temos sentimentos que não estão aí para serem usados em vendas e que não respeitar isso no outro também é não respeitar a nós mesmos.

 
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from receitas práticas agora

se mudo, por exemplo os livros para a sala tenho que trazer a poltrona para o quarto, um processo que bota duas caixas de papéis no lixo e abre espaço para uma mesa em doze prestações mas de manhã, meio sono sentarei nos livros e alguém à noite lerá a costura da poltrona marcaremos oftalmo beberei café em baldes e depois de uma semana num ataque de gastrite decidirei que era melhor mesmo os livros no quarto e a poltrona na sala mas os papéis terão voltado pra se vingar e a mesa nova vai ficar sobrando - uma quina selvagem à espreita dos joelhos exaustos

 
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from Line ليني

história de verão

ao mesmo tempo que você me acalma você me desperta pensamentos acelerados que nem um texto sem pontuação pode explicar direito o que sinto na verdade nem eu sei mas sei que gosto de estar com voce e a sua companhia me deixa feliz e tenho medo de ser exagerada e medo de invadir o teu espaço medo de perder sua amizade mas tenho medo também de não te beijar e não te fazer um carinho porque quando você está perto de mim minhas mãos coçam para serem passadas por tua pele bonita da cor da minha e pelo teu cabelo crespo como o meu e com você eu me sinto bem e com um frio na barriga desculpa quando digo que você me intimida eu acho que você é tão única que nem consigo lidar e por isso fico tensa pausa para respirar pensando nas coisas inteligentes que você fala e eu tendo disfarçar o brilho dos meus olhos quando tô aprendendo com você e parece que eu to aprendendo o tempo todo e todos os boa noites que eu queria te dar ao menos um abraço eu não dei porque meu corpo estremece e me vem a vontade de te dar um beijo............ pontuei e se fiz isso foi porque pensei demais e talvez por pensar demais que eu ainda não te tive da forma que quero

 
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from receitas práticas agora

encruzilhada acontece todo dia três ou quatro caminhos para ir ou pra voltar e não saber a esquerda onde toda dúvida é um sinal da possibilidade um cesto de folhas de grama cabelos em trança goiabas em transe cheias de túneis evito goiaba por medo de arrancar o coró escavante dos seus trajetos vegetais aqui no mundo os cruzamentos traduzem sem esforço todas as línguas: nuvem geleira abraços fenômenos naturais interrompidos apenas por aquilo que não fala - quanto desejo domesticado pelo espírito da lâmina quanta palavra pulverizada pra fabricar concreto, e do concreto muros, e dos muros abismos, máquinas de fatiação: goiabas selecionadas e abelhas extraviadas esquecem suas línguas em silêncio

 
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from Line ليني

no metrô da vida ela entrou no mesmo que eu ficou por relapsos 9 minutos que pareceram 9 meses troca de olhares profundos a ponto de causar alucinação viajei em seus beijos abraços transas e toques numa realidade que não se sabe onde realmente se posiciona gastei meu tempo vendo passarem as estações e ficando mais perto de sua partida

ela saiu talvez pra pegar um busão quem sabe uma baldeação ou só pra fugir de mim mudando pra outro vagão

 
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from Line ليني

em meio ao caos não quero escrever sobre dor nem sobre amor muito menos sobre cor não quero nada minhas palavras estão se cansando de serem pensadas para não serem ditas de serem escritas para não serem lidas

estou exausta de falas esvaziadas vindas de oportunistas estou exausta de almas vazias

 
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from Gustavo Soares

Eu odeio ter que sair de casa para fazer compras sempre tem muita gente, é quente e muitas vezes tenho que caminhar um pouco...

Sempre fico suado, as pessoas ficam me olhando, os vendedores ficam em cima as vezes os seguranças também, vai querer fazer o cartão da loja? ignoro, posso ajudar? não estou somente dando uma olhada, são como pop-Ups na vida real só que não dar para bloquear.

Sempre tive a impressão em que as pessoas olham diferente para mim, meu estilo jovem lesado largado não ajuda muito, então não me sinto confortável, pode acontecer que você saiu sem o cartão e agora? você passa aquele vexame no caixa ao notar que esqueceu a carteira a caixa lhe olha estranho e o próximo cliente na fila o que ele está pensando?

Você compra por impulso, quando está comprando em loja física as vezes não tem o produto que você quer então você é vencido pelo cansaço de ter que ir em outra loja as vezes tem somente aquela na sua cidade.

Ah mas fazer compras em lojas físicas tem seus prazeres as vezes você dar de cara com homens interessantes mas nunca fui bom de paquera e normalmente estão acompanhado das esposas, meu tipo preferido pais de shopping.

chega a ser contraditório meu trabalho depende que eu saiba o que se está passando nos centros comerciais o que fechou o que abriu mas ao mesmo tempo não me sinto confortável andando...

não sou uma pessoa tão socializável como demostro, pra mim no momento de uma compra quanto menos contato humano eu tiver melhor, meio que uma visão liberal eu sei mas fazer o que não gosto de pessoas no momento das compras ainda mais que considero o ato de comprar uma decisão que tem que ser tomada com cuidado, sempre pesquise antes de comprar!

Totalmente contraditório, adorava passear de carro pela cidade com o falecido ao volante, adorava ver a metamorfose da cidade viva enquanto jogávamos um papo fora ao som de portugal the man, uma vez pedi que somente dirigisse enquanto em processava o que tinha acontecido nesse dia meu amigo tinha morrido sido morto num assalto, estranho como a estrada me acalma a paisagem passando em nossa vista

No final tudo passa...

 
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from Gustavo Soares

Era umas 8 horas da manhã quando percebendo que minha mãe estava se arrumando para sair, logo perguntei para onde, ela disse que iria para o centro de Teresina, como eu também tinha algumas coisas para resolver por lá aproveitei o embalo e fui junto. Minha única obrigação nesse dia era enviar esse fardo de Jesus no final acabou voltando comigo e agora bebo ele enquanto escrevo. Como estava de papo com um caseiro e havíamos decidido no dia anterior se encontrar no centro também o que rolou é que eu tive que ir parar depois do Zoobotânico para esperar ele, fui lindamente pensando ele não é só um cafuçu bonito mas também posso usufruir de algumas outras comodidades, tão enganado estava, no final o sitio era só mato e eu sonhando em nadar pelado na piscina mas podia ter aproveitado mais ter pego uns cajus né?

Como o combinado era dele me dar uma carona de volta para o mais próximo do centro, esse foi um dos momento que entra a Lana Del Rey na minha cabeça e começa a cantar Ride por que I am fucking crazy, but i am free, sentindo o vento na minha cabeça andando de moto e sem capacete, com o corpo totalmente duro, tive a oportunidade de ver novamente locais que passava de carro com o falecido, o que me trás nostalgia dos momentos bons que passamos, das conversas que tivemos e dos absurdos que comentemos...

Lidamente atrás de um carro da policia, na garupa de uma moto e sem capacete consegui chegar ao Rio Poty Shopping, horário propicio, horário de almoço, a vadia entra em cena e vai logo no banheiro do segundo andar (apesar de não gostar de não aprovar banheirões) não encontrando nada sigo para meu objetivo de comer um subway de 30cm por que segundo meus dados eu mereço esse mimo nem que seja gastando meus últimos trocados, novamente eu me ferro sozinho por não saber exigir nada nem mesmo uma bandeja.

a melhor cagada é em banheiro de shopping!

Novamente atacado pela Yag Vadia que tenho resolvi sair caminhando pela marechal, que com o bosque do lado é um lugar de pegação, não vendo nada e como boa conhecedora dos pontos de encontro pelo menos na teoria, resolvi caminhar a beira da marechal com destino final o parque da Iemajá, quase arrependido de ter feito esse percusso, chegando ao meu destino percebo que um daddy também tinha o mesmo destino que o meu. então entre as encaradas as perguntas, o que curti? Me chama para dar um passeio de carro, Maria Gasolina que sou aceitei apos alguns minutos a realidade bateu e os efeitos da adrenalina passaram e vi que meu daddy estava mais para um Grandpa, aquele momento que você percebe que tá saindo com seu Avô, subindo na escala de Daddy issues, acho que nesse momento percebi que iria brochar e não sirvo para ser prostituto juntando a isso o quarto que ficamos estava extremante quente e eu falei que ele era fumante? no final ele me deixou na miguel rosa marcamos de ele me ligar, espero que consiga pelo menos um litrão dessa vez.

Desidratado por um quarto quente e um dia abafado em Teresina resolvi ir ao subway comprar água e aproveitar um pouco do ar condicionado chegando lá encontro um gordinho bastante interessante mas com uma sensação de que eu conheço ele e também achando que finalmente meu príncipe encantado vai dar em cima de mim na vida real, ainda a esperança, nisso eu espero ele ser atendido para comprar minha água e com mais 7 reais eu poderia levar 700ml de refri uma ótima pedida para se reidratar! obviamente pedi de sprite para ser saudável nisso eu vou para um canto proximo ao meu crush mas mantendo uma distancia segura, onde tem uma mesa nada suspeita encostada em um canto afastado ponho meu copo e na hora que ponho minha mochila a mesa da uma leve inclinada e em questão de segundos 700ml de Sprite estão no chão e em mim, então esperando para ver a reação das pessoas abro minha água bebo mas continuo com sede peço desculpa para os atendentes que vão ter que limpar aquilo depois e saio e tento pedir um uber o que não rola e meu crush do subway e vejo indo embora... e se nenhum carro aceita aqui irei para o Fripisa mesmo todo molhado de refri parecendo que havia me mijado e no caminho um senhor fala “eai, superman”.

 
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from dobrado

Recentemente sai pedindo dicas de câmeras para algumas pessoas por ai. Mas não eram quaisquer câmera. Elas precisavam ter um ar de “pseudo-cult-intelectual”, ou seja, Lomo. Meu maior problema com as Point n Shoot eram os atrasos para tirar as fotos devido ao auto-focus. Mas apelar pra uma Mirrorless ou uma DSLR era demais pra mim. Um celular bacana poderia ser a resposta pra isso, mas todos nós sabemos que até o App de câmera abrir e tirar a foto, pode ser alguns segundos pedidos, além de todas as distrações do smartphone. Ele é uma boa câmera, mas isso sempre vai ser secundário.

Foi com isso em mente que eu comecei a pesquisar câmeras e lembrei da minha antiga GF1 Micro 4/3, simples e barata, certo? Nem tanto. Uma Micro 4/3 nova estava custando em torno de 400 euros, muito pra quem só quer tirar umas fotos bobas. Buscando por alternativas encontrei o site KameraStore que vende câmeras usadas. Procurando por câmeras M4/3 achei várias na faixa dos 100 euros, mas sem as lentes. Mas isso foi resolvido com o Lomography Experimental Lens Kit custando apenas 12euros, na promoção. Esse kit é composto por três lentes: Standard, Wide angle e Fisheye. Com isso eu montei meu kit de Toy Camera por menos de 150euros.

As lentes Standard e Wide angle são as mais simples e nem parece de Câmeras de Brinquedo, a primeira vista. Mas olhando as fotos no computador você percebe que as lentes de plásticos da aquele charme nas cores e uma distorções legais nos cantos das fotos.

Fish eye Original

Standard Original Standard Original

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from receitas práticas agora

ânimo e animal têm a mesma origem mas há animais imóveis (como as esponjas) e há também as baleias que usam o verbo mover em conotação cetácea – conjuga-se arrastado e profundo

são bichos compostos: peixinhos comensais buracos nas barreiras de fitoplâncton crustáceos sedentários limpadores de carapaça de fato brotam das baleias esses fenômenos, como prédios ou como mato – à revelia

não havia animais na terra no tempo das derivas gramaticais quando a américa era ainda um trecho do mar total

mas as coisas mudaram muito e hoje baleias flutuam em plena seca, lentamente fugindo das cintas de asfalto o rabo solto nos pedágios, as cracas agarradas ao queixo enorme onde bate o vento morno do dia com seus insetos nutritivos e bem-te-vis em simbiose

 
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from dobrado

(ou “Sobre saber quem sou”)

Se pudesse parafrasear alguém, por que não o Febem? Longe de mim me comparar a ele, até porque longe de mim sou. Sempre estando cada vez mais distante de um começo, que nunca soube bem onde iniciou. Mas se for pelo título, foi pelo final.

Descobrir o que é ser, veio após eu decidir o que gostarai de ser. O albúm Sobrevivendo no Inferno, com quatro pretos no encarte. Me fez decidir sobre meu destino: Quero ser como eles.

E assim sendo, me fiz Racionais.

Engraçado. Naquela época eu mal sabia que já era como eles. Eu não fazia rap, não era famoso, não era de São Paulo, não vivia a violência, não era nascido na favela. E mesmo que anos depois, quando Mano Brown rimou “eu acho que todo preto como eu”, era de mim também, que ele falava. Demoraram duas dezenas de verões, para descobri que nada poderia me tornar menos preto do que eu era.

Viver aquela minoria no Japão era um misto de revolta, preconceito e exoticismo. Pois enquanto a cor e cabelo me dava entrada para as baladas, minha entrada nos recintos sempre despertavam olhares. Era um animal a ser observado no zoológico.

E todos os verões de aprendizado, serviram para mostrar que não era apenas cor. Era história também. Esta que nos foi roubadas. Fizeram de, nós deuses do Orum, apenas pessoas escravizadas. Ou pior: escravos. Resumidos a isso, nunca entendi a comemoração do Brasil 500 Anos, pois não era sobre meu povo que memoravam.

E assim sendo, me fiz preto.

Chegado o momento de voltar para a terra que diziam ser minha pátria, percebi que era somente o onde eu não precisava de permissão para existir. Era claro, ou talvez branco, o quanto eu não sou como eles. Minhas falas, pensamentos e trejeitos fizeram-me japonês.

Estranho, já que eles mesmos não me queriam lá. Estranho, já que meus avós não gostavam de japoneses. Estranho, já que antes eu era preto e agora eu sou... amarelo?

Ouvindo e aprendendo de novo sobre história, descobri que minha família nunca foi japonesa. Sempre foi Uchinanchu. Como povos nativos, foram colonizados e lutaram ao máximo. Mesmo sendo chamados de 負け組, meus avós nunca perderam. Os derrotados foram eles, que conservaram as ideias imperialistas e causou a diáspora dos meu antepassados.

Aprendi que Okinawa é terra protegida pelos Shisaa que já derrotaram dragões e maremotos. Faz partes das ilhas de Ryukyu, povo que mata um Tigre Asiático por dia. Pessoas que até hoje mantém seu idioma, mesmo tendo sido enviadas para vinte mil quilometros da sua terra.

E assim sendo, me fiz Índio.

Voltando ao começo, para chegar no final. Talvez no fundo, eu nunca tenha sido nada. Mas vou continuar sempre sendo.

 
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from gbrlpires

Aviso de Conteúdo: Morte, Luto, Covid-19 —

Eu não tenho uma boa relação com a morte. No geral, eu finjo que a morte de pessoas, principalmente as mais distantes, não me atingem. Mas não é bem assim. Não sei se estou no nível ainda de falar profundamente sobre isso, entender realmente de que maneira o luto se movimenta pelo meu corpo.

Uma coisa que tenho pensado mais, nos últimos dias, é em como lidar com o luto na atualidade das redes sociais.

Este ano perdi um colega da época da faculdade pela covid-19. Ela não era uma pessoa exatamente próxima mas era uma pessoa pela qual eu tinha muito carinho e admiração. Uma pessoa que eu ficava vendo e torcendo de longe, comemorando seu sucesso, sua visibilidade e a vida que parecia melhorar a cada dia. Um profissional e uma pessoa incrível.

Apareceu na tv a notícia de sua morte. Mas, quando soube pelo grupo de mensagem, chorei como antes nunca tinha chorado, nem mesmo por familiares. Sei lá. Por mais que saibamos que acontece, a morte de uma pessoa jovem é sempre um baque. Ainda mais um corpo jovem preto. Um corpo jovem LGBTQIA+. Choramos pela pessoa e um pouco por nós mesmos, talvez.

O foda é que por ter sido muito presente nas redes sociais, eu encontro fragmentos digitais do que foi a pessoa em vida. Uma playlist no Spotify, uma imagem de seu trabalho no Pinterest, um quadro na parede da casa de alguém com quem estou fazendo reunião. Esses dias, procurando uma foto antiga para publicar, encontrei um print de tela que tirei de uma postagem feita por ele. Era uma recomendação, não lembro exatamente do quê. Acho que uma música que eu queria ouvir mais tarde. Mas além da recomendação, uma foto também desta pessoa. Sorrindo, quase sempre como fazia.

Nestes quase cinco meses desde a sua morte foram poucos dias em que não pensei nele. Guardo algumas poucas lembranças. O compartilhar da preguiça por alguns dogmas da nossa profissão, da vida acadêmica meio torta como é. Lembrei que tenho guardado um desenho que ele me fez, num dia de aula chata. Não lembro exatamente o que ele fazia lá, já que éramos de turmas diferentes. Fiquei me sentindo incrível naquele dia, quase naquela sensação de fã que foi notado pelo artista preferido. Ele ainda não era famoso naquela época. Mas eu já o admirava. Colei o desenho dele na parede da kitnet que eu morava, feliz da vida.

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Sonhei com ele na noite de véspera da minha primeira dose da vacina. Fui me vacinar mas não consegui ficar feliz. “faltava tão pouco” era a frase que não saía da minha cabeça.

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“Não posso correr de mim mesmo Eu sei, nunca mais é tempo demais Baby, o tempo é rei”

—Black Alien

 
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